31 agosto 2024

CANUDOS: A GUERRA INTERMINÁVEL - 17

 

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(Acima: O caipira de Piracicaba. O melhor presidente que o Brasil já teve, e um completo desconhecido para nós, e talvez por isso, também o mais difamado)

A importância da política (final)

Eduardo Simões

O Rio de Janeiro não está melhor

A deposição de Deodoro gerou uma difícil aliança entre os cafeicultores paulistas e a ala autoritária do exército comandada pelo Vice-Presidente Floriano Peixoto. Os paulistas logo perceberam que com esse também não poderiam pregar os olhos. O seu autoritarismo natural, o seu temperamento inexorável, tendiam a ver a existência de outros projetos políticos para o país, como uma ofensa pessoal, e, de uma forma mais sorrateira e cruel que Deodoro, pôs-se a combatê-los com uma determinação neurótica, sem medir, tempo, despesas e vidas, que se perdiam aos montes.

A rendição incondicional era a sua única proposta na mesa. Enquanto isso os cofres públicos iam se esvaziando, a dívida externa crescendo, e um sólido programa de valorização para o café e a agricultura em geral ficava em compasso de espera.

A medida que o tempo passava Floriano dava sinais ambíguos, se iria largar o poder quando chegasse a hora. Os paulistas acercaram-se de todas as alianças para garantir o controle do Congresso e a realização de eleições normais ao final do mandato de Floriano. Destacou-se na defesa desse encaminhamento o político baiano Manuel Vitorino, que, por isso, foi chamado pelos republicanos para compor a chapa com Prudente de Morais, e que, na eleição de 1º de março de 1894, adiada por Floriano – deveria ser em outubro de 93 – saiu vitoriosa.

A presidência de Prudente começou estranha, em 15 de novembro de 1894. Ninguém foi busca-lo na estação Central do Brasil, e ele foi de taxi para o Palácio do Itamarati, a sede do Governo Federal, e o encontrou praticamente abandonado. Floriano escafedera-se após destruir a mobília. Segundo Edgar Carone (A Republica Velha II - evolução política (1889-1930); 4ª edição; Diffel; São Paulo; 1983; p 147), Floriano estava pensando em aplicar um golpe, mas foi demovido desse projeto em virtude de resistência no meio político e militar, inclusive do célebre coronel Moreira César, que nesse momento ajudou a salvar a legalidade e a democracia. Contrariado abandona o cargo, mas sai falando mal do governo – ele não suportava os civis – até que a morte nos livra desse flagelo, em junho de 95, não sem antes fomentar todo tipo de desconfiança contra Prudente e deixar um “testamento político” em que ignora completamente seu sucessor e o valor de governo pacífico.

A morte repentina de Floriano, não aliviou as coisas para Prudente, até piorou, poi ajudou a levantar um culto apaixonado ao Marechal, em especial na capital federal e no Rio Grande do Sul, ficando o paulista na incômoda oposição de o último grande inimigo do Marechal de Ferro, do Consolidador da República. Títulos bons para desviar a atenção para o grande desastre que foi a sua administração...

Os florianistas, que às vezes se autoproclamavam jacobinos, como na Revolução Francesa, muita agitação nas ruas, nos jornais e nas casernas, principalmente depois da iniciativa de Prudente em fechar um acordo com os marinheiros da Revolta da Armada e os Federalistas gaúchos, para a cessação das hostilidades. Os cofres públicos e a sociedade brasileira não suportavam mais tanta despesa, destruição e matanças. Em 23 de agosto de 1895, o país começa a entrar num ciclo de paz.

Golpe contra Prudente

Em 10 de novembro de 1896, após passar por uma intervenção cirúrgica Prudente entra em licença de tratamento. O Vice, Manuel Vitorino, andava bandeado para os florianistas, embora até ali inspirasse confiança, mas suas primeiras iniciativas geraram muita apreensão.

Em primeiro lugar reformou todo o ministério, deixando apenas um dos ministro de Prudente, Bernardino Campos, que informava o presidente licenciado de tudo – havia também um estudante de medicina disfarçado de copeiro de olho no golpista. Apesar de os cofres públicos estarem em petição de miséria – por causa do encilhamento e das guerras no Sul – Vitorino comprou um palácio novo para morar, o Palácio do Catete, por uma fortuna, e que será a residência oficial do Presidente da República até inauguração de Brasília.

Armando um golpe começou a se cercar de jacobinos e florianistas radicais, civis e militares, pensando em resistir a Prudente pela força. E é nesse momento, com a República em estado de “boteco em escombros”, que Canudos acontece, justo para salvar o regime que o Conselheiro tanto abominava. Nossa história é muito estranha.

Em 21 de novembro de 1896, acontece a inesperada e sangrenta batalha matinal de Uauá, evolvendo os conselheiristas e a tropa do Tenente Manuel da silva Pires Ferreira. Mas não chamou a atenção para do país.

Nos dias 18 e 19 de janeiros de 1897 ocorrem as duas batalhas envolvendo a expedição do Major Febrônio de Brito, com centenas de homens, canhões e metralhadora. Ao ser forçada a recuar, essa expedição chamou a sua atenção das autoridades para o que estavam enfrentando em Canudos. Não podia ser apenas um ajuntamento de fanáticos e gente simplória e sem juízo. O problema começou a ganhar contornos nacionais, e para justificar as pataquadas e motivar a repressão os militares e civis jacobinos começaram a falar em reação monarquista e ajuda externa aos rebeldes. Ninguém dava nada pelos homens e mulheres que habitavam e a região mais inóspita e pobre do Brasil.

Alguém, creio que foi Edgar Carone, conjeturou que, quando esse assunto chegou à capital, empolgando os meios militares e a classe média do Rio de Janeiro, Vitorino viu aí uma forma de ganhar estatura nacional, vencendo esse “levante monarquista”, junto com os radicais, e para tanto escolheu um dos florianistas mais respeitados para dirigir a 3ª Expedição: Moreira César, até para agradá-lo, pois mais uma vez este se opôs ao projeto de Vitorino de dar um golpe em Prudente – segundo ainda Carone. Vitorino usaria de quem resistiu ao seu projeto de poder para aumentar as chances desse projeto dar certo.

Alarmado com o encaminhamento das coisas, vendo ir por terra todo seu esforço de pacificação do país, Prudente resolve antecipar seu retorno ao Rio de Janeiro. Fê-lo de surpresa, sem que Vitorino soubesse. No dia 3 de março de 1897, ele chegou de mansinho, foi de mansinho para o seu gabinete. Chamou o secretário e disse-lhe: “Encontre o senhor Vice-Presidente e diga-lhe que estou reassumindo o meu cargo”.

Vitorino tomou um susto, mas ele ainda tinha um trunfo: Moreira César em Canudos. O trunfo chegou, mas não foi exatamente para ele.

No dia 4 de março de 1897, pela madrugada, Moreira César, morre de um ferimento a bala e a sua expedição se desfaz da forma mais vexaminosa impossível. As notícias da derrocada chegam ao Rio no dia 7 de março. Os jacobinos mais raivosos saem às ruas, jornais e púlpito do Congresso, a vociferar providências, como se tudo fosse culpa exclusiva de Morais. ‘Não está ainda convalescente? Quem sabe ele não fica nervoso e morre’. ‘Quem sabe ele não se acovarda, os militares se enfurecem, e tudo mais fácil?’.

A medida que os detalhes vão chegando aos jornais e a alta oficIalidade do 3º Distrito Miltar de Salvador, passa os detalhes colhidos dos sobreviventes para as altas oficialidades dos outros distritos, cria-se um clima de estupor e ódio visceral. Aconteça o que acontecer, Moreira César deve ser vingado. Florianistas e jacobinos piram. Em várias cidades do país há manifestações e passeatas, no Rio e em São Paulo jornais ligados aos monarquistas, por mais moderados que sejam, são empastelados, pessoas são cassadas nas ruas, no Rio de Janeiro, um ex-militar monarquista: Gentil de Castro é selvagemente assassinado, em São Paulo outro monarquista é gravemente ferido. Em algumas escolas militares os alunos a sinalizar a possibilidade de motins, que no final ocorrerão, enquanto os combates se desdobram no sertão.

Aquilo era uma desgraça para Prudente. Depois de tudo o que ele sofreu para pacificar o país, isolar a agressividade de florianistas/jacobinos e tentar recuperar economicamente a República, ali estava ele às voltas com uma nova guerra civil, herdada do seu substituto, sem ter dado um único passo nessa direção. Era a volta a estaca zero. E não há alternativa.

Nas reuniões do alto-comando do exército e nas ruas, a sorte cruenta de Canudos já está decidida, resta saber se Prudente de Morais vai endurecer o discurso ou tentar mais uma vez serenar os espíritos, se colocar contra a corrente, e ser arrastado por ela à perda do cargo e ou a uma violência pior. Ele faz um discurso duro, embora ponderado e perfeitamente dentro da legalidade e do bom senso, a partir do que se supunha ser, e era divulgado por toda a imprensa, a causa do problema em Canudos, e manda preparar uma tropa para encerrar aquele conflito definitivamente.

O Ministro da Guerra, General Argolo, florianista roxo, que fora nomeado por Vitorino, após dispensar o ministro de Prudente, entrega o comando da missão a outro florianista pior ainda: Arthur Oscar. Eles exultam! Talvez agora dê para matar dois coelhos de uma só paulada: dar um passeio no Conselheiro, e depois, carregados nos braços do povo, depor definitivamente a Prudente de Morais.

Mas o futuro planejou diferente.

AOS BRASILEIROS

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https://www.brasildefatomg.com.br/2022/03/09/rosa-luxemburgo-o-socialismo-e-as-igrejas

ODE À LIBERDADE DE ROSA DE LUXEMBURGO (1871-1919), COMUNISTA E REVOLUCIONÁRIA ALEMÃ-POLONESA, AOS JORNALISTAS, LIBERAIS, CONSERVADORES E SOCIALISTAS BRASILEIROS METIDOS E JÁ SABER TUDO...

"A Liberdade é quase sempre, exclusivamente a liberdade de quem pensa diferente de nós".

Aquele que pensa pode até ser de EXTREMA-DIREITA ou de EXTREMA-ESQUERDA no sentido político-filosófico do termo; MAS TEM TODO O DIREITO DE MANIFESTAR SEU PENSAMENTO.

E qual é o melhor caminho então para enfrentarmos a desinformação, a mentira, o engano, etc? É a boa educação. Educação de qualidade, com boas escolas e métodos modernos. Acesso fácil, barato, à todo tipo de informação - computadores, internet, livros, jornais, revistas, bibliotecas, abundantes e baratos e baratos - pois se a criança tiver uma boa base na escola e na família ela verá na hora que aquilo que se apresenta é factível ou não, e ou aceitará ou recusará ou fará uma pesquisa para sabê-lo.

Já o caminho mais barato, mas fácil e mais errado para enfrentar esse problema é a reintrodução da censura, COMO SE FAZ AGORA NO PAÍS, esquecendo que, se a censura tivesse a mínima chance de dar certo, a União Soviética não teria acabado. A realidade sempre se impôs à propaganda, desde o tempo em que o maioral de um bando do paleolítico, acreditou na sua fantasia de ser um grande caçador, e acabou virando a refeição de um predador.  

A censura apenas mascara o problema; agrava-o, e torna sua solução mais difícil e até sangrenta.

Nós vamos mesmo tentar isso de novo?

GLENN GREENWALD: SOCIALISTA E RESPEITÁVEL



 https://www.youtube.com/watch?v=MHMOit0ycd8

Eduardo Simões

O vídeo acima, traz a opinião crítica do jornalista americano Glenn Greenwald, sobre a recente iniciativa do Ministro-Juiz Alexandre de Moraes de bloquear a operadora X no Brasil, cerceando a liberdade de expressão e defesa da democracia (pasmem!). Ele foi publicado pela primeira vez na plataforma canadense Humble que, infelizmente, se retirou do Brasil por não se submeter à censura do Judiciário Brasileiro, em especial o Supremo Tribunal Federal, por que, como dizem os seus membros, é preciso proteger a democracia, cuja essência foi a liberdade de expressão, e os juízes do Supremo Tribunal Federal decerto são pessoas honradas.

O que é interessante de refletir nesse vídeo é que Glenn Greenwald é um notório socialista americano, casado até recentemente com um deputado do PSOL, havendo pouca gente, nos Estados Unidos que se posicione mais à esquerda do que ele, e no entanto ao defender a liberdade de expressão ele vai mais longe que muito conservador, liberal brasileiro, mais interessados em idolatrar o seu "mito" do que a si mesmo do que um "mito" sem limites pode fazer. O único limite aceitável é o da liberdade de expressão ou gente dessa corrente, e certamente que nossos conservadores, liberais, mitômanos ou não, são gente muito honrada.

Quem esperou ou espera alguma atitude da classe política de nossa país para brecar essa loucura, há de morrer desenganado, pois o relacionamento entre os poderes é no mínimo estranho para não soar deselegante. Cada um sabe dos podres de cada um, mas todo mundo finge que não estão vendo ou que isso não lhe diz respeito, salvo honrosas exceções - em alguns lugares chamam isso de chantagem, mas não contem para ninguém. O negócio é achar um jeitinho e nada melhor para um jeitinho que passar vaselina. Inclusive um gigantesco pote de vaselina preside uma das casas. E é certo que existem vaselinas honradas.

O Executivo, que mantém o país desembestado para trás, reinstaurando a política que Getúlio Vargas prometeu para o Brasil no célebre discurso de 3 de novembro de 1930, vem a público, irado, dizer que Musk nos trata como a "vira-latas". Mas por que ele puxou isso? Estaria pensando em vira-latas no momento? Ele próprio, sem provocação vestiu a carapuça. Por duas vezes perguntou desafiadoramente: "Quem ele pensa que é?" "Quem ele pensa que é?" Talvez Elon Musk apenas pensou que, em função dos benefícios que já fez pelo Brasil, ele, muito mais que Nicolau Maduro, tem o direito de chutar o traseiro de alguém, que está sempre colado ao STF, para garantir vitórias legislativas, sem ter quase base alguma no Congresso. Mas decerto que o nosso presidente, e a Lava Jato provou isso, é um homem honrado.

Os nossos socialistas cultural e moralmente famélicos, que adoram ser chamados de 'esquerda', sem nem saber de onde provém o conceito ou se isso, sequer, é um conceito político e não um posicionamento espacial... Vibram em festa. "Decisão de juiz não se discute, cumpre-se!" com um enorme sorriso nos lábios, logo ele que acusaram o Judiciário de toda sorte de desvio quando a operação Lava Jato descobriu o maior esquema de corrupção da nossa história vicejando sob os pés do petista-mor - recordar é viver; vejam os twitees de como os petistas tratavam o juiz que agora, para eles, deve ser obedecido sem qualquer discussão: 

https://www.poder360.com.br/partidos-politicos/petistas-que-hoje-defendem-moraes-o-chamavam-de-golpista-em-2016/

https://static.poder360.com.br/2024/04/pt-criticas-moraes-golpista-2016.png

Esses não aprendem nada nunca; para eles a justiça é, e sempre será, uma forma de vingança, o único sentimento de que não abrem mão; logo nossos socialistas são gente muito honrada.

A média da seriedade com que cada um trata as suas convicções, com determinação e coerência, compõe a honradez média vigente numa sociedade, dirigindo as ações dos seus agentes de forma a evitar desperdícios e ineficiências. Os barcos das grandes potências, daquelas que marcam a história mundial, estão repletas dessa honradez que as torna leves e velozes na direção do melhores postos, o curioso é que entre nós acontece justo o contrário o nosso barco navega devagar, quase não sai do lugar, balançando loucamente, enquanto a linha d'água ameaça submergir o convés. Deve ser o peso do excesso de honradez.

Não esqueça seu salva-vidas. 

SUPREMO TRIBUNAL, SUPREMA DESORDEM

 


https://i.em.com.br/NlZEzmEuo48Vszzie82-MGXxpu4=/820x0/smart/imgsapp.em.com.br/app/noticia_127983242361/2022/08/16/1387056/versao-de-sandman_4_836508.png

https://www.em.com.br/app/noticia/politica/2022/08/16/interna_politica,1387056/veja-os-memes-da-posse-de-moraes-comparacoes-com-sandman-e-foucault.shtml#google_vignette

É mais uma ilusão que se esvanece.

Sou de uma geração que valorizava sobremaneira a educação, a cultura livresca e a experiência de vida, portanto quando a gente se deparava com alguém que possuía essas três qualidades juntas, supúnhamos estar diante do ser-humano supremo. Alguém que você poderia escutar e cumprir seus ditames sem pestanejar, afinal era um cara que pelo conhecimento, ela cultura e pela experiência de vida nos conhecia melhor que nós mesmo.

De uma certa forma fiquei esperançoso quando vi, depois do último mandato de Dilma Rousseff, o Supremo Tribunal assumir cada vez mais protagonismo. homens sábios, cultos e honesto confrontando políticos ignorantes e desonestos, entre os quais se colocavam o próprio Luis Inácio da Silva.

Entretanto a corrupção e a loucura já se espalhara não como um câncer, mas como uma espécie maligna de gripe espanhola, muito mais contagiosa e mortal que a da história, corrompendo e aniquilando os sonhos de toda uma geração de brasileiros, até o ponto de vermos as coisas chegarem ao nível que estamos agora. ESTÁ INSTALADA NO BRASIL UMA TIRANIA DO JUDICIÁRIO, COMANDADA POR UM JUIZ INALCANÇÁVEL,, A PERSEGUIR, CRIAR LEIS E INTERFERIR ONDE ELE BEM ENTENDE, SEM NENHUMA CONSEQUÊNCIA, A PRETEXTO DE SALVAR A DEMOCRACIA.

Só há duas "virtudes" que no momento eu consigo detectar nos provectos juízes de nossa Suprema Corte: a COVARDIA e a LOUCURA, enquanto o senado, presidido por um dos políticos mais "ensaboados" de todos os tempos, acomoda tudo, justifica tudo, como a dizer: "NÃO ME TRAGAM PROBLEMAS, QUE EU NÃO OS RESOLVEREI". Ou seja: ele está lá para resolver questões do seu interesse pessoal, dizem que quer ser governador em Minas. O resto que se exploda? 

Na Câmara não é diferente, embora de vez em quando nós tenhamos a impressão que essa instituição ainda existe, enquanto o EXECUTIVO, cônscio dos favores que deve ao Judiciário, tabela com este para vencer votações sem uma base parlamentar. Isso depois de lotar a Esplanada dos Ministérios.

Francamente: o que é que sobrou????

28 agosto 2024

CANUDOS, GUERRA INTERMINÁVEL - 16

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A importância da política (meio)

A confusão se espalha

A desordem no centro de poder espalhou-se para os estados onde forças políticas divergentes procuraram ampliar o seu espaço de domínio à custa do adversário. Mais uma vez as elites locais, mobilizaram seus exércitos de peões e foram para cima uma das outras, em especial no Rio Grande do Sul e na Bahia, mas se no Rio Grande a sanguinolência da Revolta Federalista, por questões locais, marcou o momento histórico, na Bahia predominou o caos e a anarquia política, em virtude da contaminação local dos embates que ocorriam no Rio, aos quais a Bahia estava muito ligada, por ter uma forte presença ao longo do império.

O problema é que a Bahia experimentava ela mesma um certo vazio de poder, com a morte ou idade avançada das antigas elites imperiais, abrindo um vasto espaço para novas lideranças, sedentas de poder e de resultados a curto prazo, tudo posto por conta do improviso. As facções desmoronavam-se mutuamente na capital estadual, em função dos eventos na Capital Federal, e em um ano e meio o estado teve 5 governadores.

Esse vazio de poder na capital deu motivo a que muitas lideranças no sertão, que eram muitas e bem articuladas, começassem também a disputar localmente, espaços de poder diante de um poder estadual limitado pela ausência de direção e representatividade. Foi um período de caos, e muito gasto, principalmente com expedições policiais por todo estado, para acalmar levantes e punir, quando possível, violências políticas praticadas pelas grandes famílias. Um clima de alarme e medo se espalha pelo sertão. 

Para um homem mentalmente frágil e impressionável como Antônio Conselheiro, aquele ambiente de caos e desordem bem pode ter parecido um fim de mundo, de manifestação do poder do “mal” associado à República nascente, tanto que em seu  livro Canudos: cartas para o barão – nesse caso o Barão de Jeremoabo – a autora, Consuelo Novais Sampaio, relata que numa conversa com o Conselheiro, Jeremoabo tentou demover-lhe de sua oposição à república, argumentando que até o Papa, Leão XIII, já havia e aprovado o novo regime, ao que Conselheiro lhe respondeu:

- Se o Papa o autorizou então caiu em erro, pois o próprio nome já diz: República. E há muitos que gabam o discernimento do Conselheiro!!!

Vários os grupos oligárquicos, famílias e clãs, aproveitavam-se da desordem para ampliar o caos e alcançar, por meio deste, vantagens políticas e econômicas. Por exemplo: em Soure, na área de domínio de Jeremoabo, no ano de 1893, houve a célebre quebra de tabuletas com os novos impostos, que se tornavam cada vez mais necessários em virtude da situação falimentar das prefeituras, a partir de pequenas aglomerações, que se juntaram nos dias 10, 17 e por fim 24 de abril de 1893, num crescente que chegou a juntar umas 500 pessoas no último dia revoltadas, armadas, e gritando que não pagariam os novos impostos. O Conselheiro, soube-se depois, não participou da quebra das tabuletas, não estava na cidade no dia da quebra, mas apoiou verbalmente o motim.

Essa sublevação, segundo Sampaio, fora promovida e liderada por um comerciante, José Honorato de Souza Neto, filho de uma liderança local em Soure, que fazia oposição ao Barão. Esse homem, ou o seu grupo, espalhou que até para se deitar junto com a esposa o cidadão teria que pagar impostos. Nada de novo na política brasileira.

A multidão só se dispersou após a chegada de um pelotão de polícia, e com essa multidão fugiram dali os adeptos do Conselheiro, e, por alguma razão, a polícia foi-lhe no encalço, talvez porque fossem os de aspecto mais miserável, mas chegando em Masseté, encontrando decidida resistência, patrocinaram a mais desmoralizante correria da polícia baiana – tudo indica que não houve mortos no confronto, mas o tenente comandante do pelotão chegou de pés descalços, sem armas, sem boné, e o uniforme todo rasgado. Melhor informado, o governador, o médico Rodrigues Lima (1892-1896), mandou retornar uma companhia de 80 homens, que já partira contra o Conselheiro.

Lima deixou o Conselheiro em paz no seu novo reduto, fosse porque era um homem moderado e de espírito aberto fosse porque percebeu que o Conselheiro era propício a criar problemas para a maior liderança da região, o Barão de Jeremoabo, de cujo comando Rodrigues se afastara, na cisão do Partido Republicano Federal, na Bahia. Foi a pedido dele que o arcebispo, mandou os missionários capuchinhos a Canudos. Ele leu o relatório alarmista de frei João Evangelista, mas não fez nada. Ou ele só queria tomar pé das coisas, ou, percebendo justamente a pólvora no ar, achou que aquilo bem poderia ser um ótimo problema para Jeremoabo.

Ele foi sucedido pelo seu parceiro político, Luís Viana (1896-1900), que também preferiu não tomar nenhuma providência contra o Conselheiro. Politicamente falando, a presença de Conselheiro na região, e em Canudos, era um desafio forte à liderança do Barão de Jeremoabo. Fora isso tanto o grupo de vianistas, como o grupo que lhe fazia oposição mais renhida dentro do estados, os gonçalvistas, liderados pelo ex-governador José Gonçalves da Silva (1890-1891), deposto por uma sedição popular, após apoiar Deodoro, gostariam de cooptar o Conselheiro para o seu lado, mas este fechou-se a essa possibilidade.

Nesse caso, para Viana Conselheiro em Canudos era uma benção, e para Jeremoabo e os gonçalvistas, entre os quais se colocava o juiz Arlindo Leoni, de Juazeiro, era um espinho cravado no calcanhar.

Viana, no governo, comportou-se um chefe autoritário, que adorava mandar tropas para enquadrar os coronéis mais turbulentos. E as ordens eram sempre de ‘arrochar a oposição’, até acumular vários desafetos. Enquanto isso Jeremoabo recebia levas de cartas de seus aliados, em especial fazendeiros nas redondezas de Canudos, que ficava em área de domínio do Barão.

O problema é que estava chegando em Canudos gente de todas as partes, além dos arredores, esvaziando as fazendas próximas de mão-de-obra, sem falar da presença de bandidos afamados na região, que o Conselheiro fez integrar à sua Guarda Católica, para evitar futuras tentativas de prisão. Mas e se ele resolvesse, como faziam os coronéis na mesma situação, usar desses jagunços para constranger vizinhos e criar um espaço de poder?

Quem conhecia a região, sabia que o local da fazenda de Canudos era muito árido e que de forma alguma daria condições para a manutenção de um ajuntamento tão grande de gente pobre, e uns poucos um pouco endinheirados, e que só fazia crescer, enquanto o Conselheiro não mostrava discernimento para orientar a exploração mais eficiente daquele território, com o Padre Cícero em Juazeiro, no Ceará.

O temor que se percebe nas cartas é que, na eventualidade de desacerto climático, sobrevenha o colapso das condições locais, e aquela gente toda, bem armada – todos o dizem – resolvesse partir para o saque das fazendas vizinhas, por necessidade, embora seja bom dizer que em nenhuma delas os conselheiristas, até aquele momento, tinham forçado alguma coisa ou cometido algum crime. Eram temores prováveis e localizados entre fazendeiros, comerciantes e burocratas fechados com a corrente de Jeremoabo.

Bastaria uma seca, para as condições de Belo Monte e arredores colapsar. Quem mora no sertão sabe. É fato notório que o semiárido, tanto que a economia nunca estagnou por falta de mão de obra, apesar das emigrações. Os moradores da região, em especial os fazendeiros, menos propensos a abandona-la, decerto tinham memórias das grandes secas de 1877-1879 e 1888-1889, querer portanto comparar o temor daqueles fazendeiros com o Grande Medo de 1789, na França, é.... Sem comentário (1). A irresponsabilidade do Conselheiro estava criando uma bomba relógio que, mais cedo ou mais tarde iria explodir no rosto daquela gente e no colo da classe média, pequenos e médio fazendeiros e comerciantes, locais.

Viana não era fácil de conviver politicamente, acabou isolado, no ostracismo, não acolhe o pedido de ajuda de Arlindo Leoni do Juazeiro, este que era achegado a Jeremoabo, sem falar que, de fato, o pedido era precipitado. Ele também não tinha contingente e polícia disponível em Salvador, tantos já mandara para outros lugares a mostrar que estava à frente do Estado. Nesse processo ele arranja uma treta com o Comandante do 3º Distrito Militar de Salvador, o General Sólon Sampaio Ribeiro, sogro de Euclides da Cunha. Viana não sossegará até conseguir sua transferência, na altura da Expedição Febrônio de Brito.

A alegação era que Sólon, estava se imiscuindo muito na política local. Era partidário de Gonçalves e Jeremoabo? Não posso asseverá-lo. Mas a verdade é que Viana tentou retardar ao máximo o envio de tropas para Canudos, fosse porque compreendesse as razões do Conselheiro, fosse porque este ainda não havia feito a Jeremoabo todo o mal que poderia potencialmente fazer...

De um jeito ou de outro a presença de tropas federais na região não deixa de ser um tanto desmoralizante, pois mostra a incapacidade daqueles chefes tão ciosos de sua honra e prerrogativas em manter a ordem, contra um povo que eles normalmente desprezavam, como havia o perigo de os militares, vindo a mando das oligarquias centrais, com projetos próprios, quererem aproveitar para impor agendas que não interessavam. Os dois lados viam com muita desconfiança a presença dos militares.

A ideia, portanto, de os fazendeiros baianos mancomunados com os militares como aparece no filme Canudos, é menos que ridícula.

Nota

1- Quando ocorria uma seca no Nordeste, a área de solo mais estéril e isolada, como em Canudos, era a primeira a sentir os efeitos, com as pessoas juntando o que tivesse de comida e de valor, coisa raríssima (para comprar comida) saindo em grupos de suas casas ou vilinhas, e ajudando-se pelo caminho. Por necessidade inadiável, começavam saqueando as médias e pequenas fazendas da redondeza, pois os fazendeiros sempre tinham comida guardada para a sobrevivência da sua família e agregados, se não os tivesse dispensado. Só que depois do saque eles também ficavam sem comida e se ajuntam aos retirantes. Eles então chegam numa pequena cidade, com certo padrão de renda, ligada a rotas comerciais, que, por conseguinte, podia comprar a comida que precisasse, e como os retirantes não têm recursos para comprar toda a comida que precisam, começam a saquear armazéns, bodegas, residências, estão desesperados de fome e sede, quem irá confronta-los? Consumido o que havia na cidade sobrevêm a catástrofe. Os comerciantes estão sem dinheiro para comprar mais comida, pois seus estoques foram “sequestrados”, e não têm dinheiro para renova-los, enquanto os seus fornecedores, nas cidades maiores, sabendo que houve saque no local, cessam de mandar alimentos, agora todo o povo da cidade também se ajunta à massa dos retirantes a caminho da capital ou uma grande cidade no litoral, em meio à miséria total, gente roubando e matando por comida ou objetos preciosos, para depois trocar por comida, e nessas condições vão saqueando uma cidade após outra até se tornarem dezenas de milhares, chegando à capital, ou grande cidade, no último estádio de degradação: semi-humanos ou semiferas, pensando e agindo apenas em função da sobrevivência biológica. Os grandes fazendeiros sobreviviam indo para outra fazenda numa área mais próspera, ou para a residência na capital, já os pequenos e médios fazendeiros, que escreviam cartas a Jeremoabo, alguns dos quais foram, no passado, rapazes pobres mas trabalhadores e inteligentes, que se tornaram capatazes de Jeremoabo e outros grandes da região, e que haviam, pelo seu esforço, recebido cabeças de gado de seus patrões, a guisa de pagamento, até se tornarem pequenos e médios fazendeiros, uma classe média remediada, mas que só tinham aquilo. Esses perdiam tudo, e podiam acabar seus dias como trabalhador braçal para outros grandes fazendeiros, por um prato de comida, como mendigos nas grandes cidades, matando e roubando por um pedaço de pão, depois de assistir à degradação de esposa e filhas, obrigadas a se prostituir pelo mesmo motivo. O receio dessa gente era real, tinha base histórica, e, portanto, nenhuma ligação com o Grande Medo de 1789 na França, da mesma forma que é uma prova de má fé ou ignorância profunda, criticar como alguns têm feito, como se fossem “campos de extermínio”, ou “currais”, os chamados “campos de concentração” de flagelados pela seca no Ceará. É a mesma mentalidade da oposição irresponsável que quase destruiu o país no início das Regências e durante na consolidação da República. 

(Luís Viana manobrou Conselheiro e seus adeptos para alcançar seus objetivos políticos? Abaixo)


https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/6/68/Luis_Vianna.jpg

https://pt.wikipedia.org/wiki/Lu%C3%ADs_Viana

26 agosto 2024

TÔ NESSA!

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SEM ABORTO, EXCETO PARA SALVAR A VIDA DA MÃE


MARX NÃO SERIA MARXISTA?

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(Fugindo do que fizeram dele)

O site de notícias catalão El Periodico de Barcelona, também reproduziu uma entrevista com Stedman Jones ao repórter Juan Frenández, no seu Caderno, em 24 de abril de 2018, cujo título é mais que provocador: GARETH STEDMAN JONES: “MARX NUNCA SE TORNARIA MARXISTA, do qual eu pincei algumas partes, que não reproduzem os trechos que eu já apresentei de outras entrevistas com Stedman Jones.

Duzentos anos após o seu nascimento, ainda há algo novo a ser dito sobre Marx? 

O estudo da sua vida e obra foi afetado pela manipulação da sua figura e do seu discurso pelos regimes comunistas, especialmente o soviético. O marxismo transformou Marx num mito, uma espécie de Moisés com as tábuas da lei do comunismo, e isso impediu, até recentemente, uma análise rigorosa e académica do seu pensamento. O fim da Guerra Fria acabou com as restrições à consulta de suas cartas e manuscritos, com os quais tenho trabalhado. Não me interessava mostrar o Marx que os marxistas contavam, mas sim aquele que dialogava com os seus contemporâneos.

E como é esse Marx?

Ele certamente não foi o santo secular retratado pelo marxismo, que o pintou como um pensador infalível, um marido e pai exemplar e um herói do proletariado. Ele foi um grande pensador que teve a sabedoria de compreender e descrever o capitalismo melhor do que ninguém e antes de qualquer outra pessoa, algo que foi até reconhecido na revista Time, que o imprimiu na sua capa, apresentando-o como o melhor teórico do capitalismo da história [Jones promove seu personagem para promover, de tabela, seu livro, quanto a Time, ela é uma revista para todos os gostos, também quer vender mais, e sua opinião embora errada, deve ser respeitada como parte do regime democrático capitalista]  

Apesar de ser seu pior inimigo.

Marx teve a audácia de aplicar ao capitalismo a crítica que fez com a religião. Assim como Feuerbach, ele pensava que Deus não criou o homem, mas o contrário, embora viva acreditando que é obra do criador. Seguindo esta abordagem, afirmou que o capitalismo não é um sistema natural, como defende o liberalismo, mas sim uma criação humana [Isso é verdade, se o autor está querendo dizer que as relações sociais e econômicas descritas como “capitalismo’ não foram descritas pelos clássicos definitivamente, de uma vez por todas, mas é errado supor que o capitalismo surgiu da maquinação independente deste ou daquele autor, como o texto de um romance, que você mexe quando quer]. Portanto, pode ser modificado pela vontade do homem, não somos pobres vítimas indefesas do sistema.[essa abordagem, o vitimismo, é típica do pensamento marxista contemporâneo].

............

Por que ele fez isso? [Quando Engels substituiu “abalado” por “colapso”, a respeito do capitalismo]?

Engels estava sob pressão dos socialistas alemães, que estavam ansiosos por saber como seria a morte do capitalismo. O mito do marxismo e da revolução teve que ser criado, e tudo conspirou para que isso acontecesse... [e também] parte da correspondência de Marx, que estava cheia de insultos aos líderes do seu tempo e comentários antissemitas que não testemunhavam bem sobre ele, foram ocultas por causa da revolução. [O marxismo, não digo Marx, nasceu de um engano e vive de mentiras]

Como era o seu caráter? No livro ele o retrata como alguém muito vaidoso de si mesmo.

Ele era uma criança mimada e isso marcou sua personalidade. Em sua família havia tendência à tuberculose, que ele manifestava. Na verdade, ele foi poupado do serviço militar devido a problemas pulmonares. Sua mãe, angustiada, o superprotegia e o mimava mais do que seus irmãos, que não eram tão inteligentes quanto ele. Ele cresceu convencido de que tinha direito a tudo. Quando jovem queria ser poeta e passava o dia fumando e bebendo de roupão, entregue aos seus devaneios.

Mudou depois de adulto?

Marx sempre se preocupou em aparecer. Ele garantiu que suas filhas estivessem sempre bens apresentadas e as enviou para aulas de piano, embora sua situação financeira estivesse à beira da ruína. Uma delas, Eleonor, acabou desenvolvendo anorexia e ansiedade devido ao impulso controlador do pai...

Curioso retrato do pai de um movimento identificado com a emancipação dos povos e das pessoas.

Na vida pessoal de Marx existem vários graus de hipocrisia e padrões duplos. Como presente de casamento, seus sogros lhes deram uma empregada, Lenchen, que ficou morando com eles até o fim de seus dias. Imagine a imagem: por volta de 1850, todos em uma casa no Soho de Londres, e Lenchen e Jenny grávidas vagando pela casa. Para manter as aparências, disseram que o pai do filho da empregada era Engels...

Até que ponto a sua relação com Engels condicionou a sua vida e o nascimento do próprio marxismo?

Os negócios de Engels em Manchester correram muito bem e ele ganhou muito dinheiro. Depois que as duas heranças familiares [A dos pais de Marx e a dos pais de Jenni] se fundiram e ele perdeu os empregos que tinha como jornalista e editor, Marx passou a depender financeiramente de Engels. Obviamente, isso teve um custo humano. Marx pode ter-se sentido constrangido mais de uma vez discordou do seu benfeitor.

O que Marx teria dito sobre o movimento que ele inspirou?

Ele nunca teria se tornado um marxista. Pelo menos, não como o marxismo se desenvolveu após a sua morte. Apoiou a ideia de governo direto promovida pelos primeiros comunistas e criticou fortemente os liberais, mas não aceitou a concepção materialista da história promovida pelo marxismo. Ele nunca falou de determinismo histórico ou socialismo científico. É claro que eu também não teria aprovado o que aconteceu na União Soviética.

Ele entenderia o mundo de hoje?

Ele reconheceria o capitalismo dos nossos dias, que hoje continua a aparecer como um sistema instável que constantemente cria e destrói e sofre crises periódicas, como ele previu [Sim, Marx foi o primeiro a perceber a manifestação recorrente das crises no capitalismo e lhe propor uma explicação, mas não conseguiu discernir a sua natureza, que só foi corretamente compreendida pelo grande Schumpeter (1883-1950), que, ao contrário de Marx e dos marxistas, não as viu como um sinal de fraqueza e contradição do sistema, mas como momentos de autêntica revolução econômica, como uma destruição criativa]. Também veria que hoje, tal como em 1860, as condições de trabalho e de vida de muitos trabalhadores são deploráveis ​​e, como então, ainda existem dificuldades em fazer face às despesas [Fora do âmbito das emigrações incontroláveis e das condições em países autoritários pré-capitalistas, isso que Jones fala é uma arrematada tolice: as condições de vida da classe trabalhadora melhoraram tanto, que ninguém mais fala em revolução, afinal quem vai sair do conforto de sua casa e de sua família, construída pelo seu salário, para lutar por transferência de poder aos intelectuais, ainda que em nome da classe trabalhadora?]. Mas se surpreenderia com o cenário de trabalho[não acabou de dizer que as condições laborais são as mesmas?!]. As antigas fábricas de operários foram substituídas por profissionais que trabalham em casa através de telas. [Em condições muito, muito, muito melhores do que as que havia no tempo em que Marx vivia]

O que você diria a alguém que hoje se declara marxista?

Eu perguntaria: que marxismo? Estar ao lado dos oprimidos parece-me louvável, mas as receitas do marxismo não fazem sentido no mundo de hoje. Vivemos tempos difíceis, mas as soluções para os problemas atuais não podem ser dadas por um filósofo político que escreveu pensando no mundo de 150 anos atrás. [destaque de El Periodico]

https://www.elperiodico.com/es/cuaderno/20180428/gareth-stedman-jones-marx-habria-hecho-marxista-6786369

25 agosto 2024

CARACAS, POR QUE NÃO HAVANA?

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https://g1.globo.com/politica/noticia/2023/12/24/lula-nomeia-advogada-carol-proner-esposa-de-chico-buarque-para-vaga-na-comissao-de-etica-da-presidencia.ghtml

Chico Buarque e sua atual mulher diante do imponente Museu do Louvre, um dos mais sofisticados do mundo, uma das cidades mais sofisticadas do mundo, 100% capitalista, onde ele, aliás, comemorou os seus 70 anos, em 2014, e agora os seus 80. Ele que nunca cansou de elogiar os méritos e realizações do regime cubano e dos socialistas em geral, então porque não vai lá comemorar seus aniversários, com certeza ele poderia levar comida e a bebida de boa qualidade que seria servida, e não iria tirar nenhuma carne 'exótica' da boca do povo de lá, daria uma força mais explícita ao regime, e até posaria de coerente: se é que isso importa...

Dessa forma ele segue a velha tradição de todos os grandes artistas, escritores, propagandistas socialistas, de classe média-alta que não cessam de recomendar as qualidades do regime socialista, mas que não abre mão de morar num país capitalista.

24 agosto 2024

KARL MARX PARA OS ÍNTIMOS - 4



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(Acho que é um pouco assim que eu vejo Marx: rindo de toda a bagunça que fizeram a partir da deturpação de sua mensagem. Mas é preciso não esquecer de toda a imensa tragédia que isso causou a bilhões de pessoas pelo mundo e aprendermos daí o valor maior da EVOLUÇÃO sobre a REVOLUÇÃO, como Marx acreditava, pelo menos até quando morreu...)

Dessa vez eu trouxe, abaixo, mais uma entrevista com Gareth Stedman Jones, um dos mais conceituados biógrafos de Marx, só que numa abordagem mais profunda ligada às suas ideias e menos a detalhes de sua vida pessoal. Essa entrevista foi dada ao jornalista espanhol Sergio Enríquez-Nistal, do diário espanhol El Mundo, em 2018 (link abaixo).

Quais foram os maiores erros dos biógrafos de Marx?

Parte do problema é que no século XX, independentemente do que se diga sobre Marx, isso tinha uma tremenda carga política, num sentido ou noutro [se elogiasse era visto como revolucionário, se criticasse era visto como explorador reacionário, ou justo o oposto dependendo da posição política de quem escutasse sua opinião]. Assim, os biógrafos desenvolveram uma forma de falar sobre o que ele fez e suas ações, mas sem se envolverem muito em seu pensamento político... Parece que seus biógrafos sempre quiseram retratá-lo como um bom homem [alimentando o culto da personalidade]. Para mim, a verdade é que não creio que fosse necessário. Nem quero dizer com isto que deva ser apresentado como um número negativo: basta dar uma imagem honesta do que dizem as fontes, que é o que tentei fazer.

......

Como Marx, o homem, se diferencia do mito?

Uma grande diferença é que, começando por Engels, existe esta crença de que o marxismo é igual a Marx e que isso também significa que o capitalismo vai acabar num futuro não muito distante. Na verdade, isso é um mito criado já nos últimos anos da vida do próprio Marx, quando Engels escreveu o Anti-Dühring, sobre como o capitalismo irá perecer devido às suas próprias contradições. Os sociais-democratas alemães não podiam desafiar o governo Bismarck e esta era a forma de os estimular. Depois da morte de Marx, Engels começou a produzir o segundo volume de O Capital. Os socialdemocratas estavam um pouco ansiosos porque queriam ver o capítulo em que o capitalismo acabasse e desaparecesse. De certa forma, Engels encorajou-os ao dizer que nos manuscritos que Marx deixara entre 1861 e 1864 havia material fantástico para argumentar nesse sentido. Mas quando analisou detalhadamente o que aquele tinha escrito nesses cinco anos, após a sua morte, descobriu que não há um momento em que o capitalismo desaparece [tudo que Marx fez foi uma crítica ao capitalismo. Ele não pretendeu fazer profecia: fizeram por ele]. Há um capítulo sobre o declínio das taxas de lucro, e o que Marx faz é falar sobre circunstâncias em que o capitalismo sofreria um abalo, que é o termo que ele usa. Mas Engels... no desejo de agradar aos sociais-democratas alemães, risca o termo “abalo” e escreve “colapso” [ou seja, uma grande farsa, que nos faz dizer sem medo de errar: “pobre Marx, quantos crimes não se cometeram em teu nome... por puro engano!”].

Até se parece com a escrita dos Evangelhos, pois uma coisa foi o que Jesus realmente disse, e outra era o que queriam que ele tivesse dito.

Concordo. Algo que é bastante evidente é que desde o início da década de 1870 Marx deixou de tentar escrever O Capital e tornou-se mais interessado em considerar as sociedades pré-capitalistas, com a crença de que na Rússia as comunidades rurais poderiam sobreviver sem passar por uma fase burguesa [a Rússia tinha uma tradição de coletivismo agrário arcaico, nas comunidades supostamente socializantes chamadas “mir”]. O Grupo para a Emancipação do Trabalho, formado pelos primeiros marxistas russos em Genebra, enviou uma carta a Marx em 1881 na qual o questionavam a sua posição sobre se a Rússia poderia evitar passar pelo capitalismo. Marx acha a questão complicada e escreve quatro rascunhos de sua resposta. Mas o que envia a Vera Zasulich parece aludir à possibilidade de saltar a fase capitalista [ele, aparentemente dava pouca importância ao processo de industrialização, como uma etapa para o auge do capitalismo, antes do socialismo]. E isto vai claramente contra o que propugnavam Plekhanov e Lenin. Então eles fingem que isso nunca aconteceu e que a carta nunca foi enviada. Quando o estudioso de Marx David Ryazanov perguntou aos sobreviventes deste grupo em 1911 se Karl escreveu aquela carta ou não, eles responderam que não sabiam, que não se lembravam. E então, finalmente, em 1921, a carta aparece entre os papéis de Pavel Axelrod. O interessante é que eles disseram que haviam esquecido.

O que você acha desta teoria de que o marxismo basicamente procurou substituir o cristianismo por uma religião secular?

Bobagem (risos). Marx traça uma análise do que ele acreditava que aconteceria no desenvolvimento do modo de produção capitalista, isso é inegável. Acreditava que ele iria acabar em algum momento. Mas quando algumas pessoas corrigiram certas ideias que ele estava desenvolvendo, ele decide abandoná-las. Originalmente, começa de um ponto de vista semirreligioso dizendo que, quando a propriedade privada no cristianismo e no direito romano substitui a polis grega, num certo sentido há uma queda na cultura humana [com base em que critério?]. E isso estabelece as bases desta ideia, por volta de 1844, da vocação do proletariado para devolver a humanidade ao estado anterior àquela queda, àquela corrupção das instituições humanas. Mas então Max Steiner, no seu ataque a Feuerbach, que está na origem de toda esta questão, questiona-o: o homem não tem vocação para nada, exceto para viver tranquilamente, e a classe trabalhadora também não tem vocação. Embora também não mexa muito nisso: coloca Marx numa posição impossível de defender. Porque se a classe trabalhadora não tem essa vocação, por que representaria a queda do capitalismo? [Nunca um operário ou uma comissão deles jamais reivindicou, na história, a mudança completa da sociedade; seus movimentos sempre foram no sentido de resolver questões específicas quanto à sua qualidade de vida. Quando os comunistas russos determinam que o partido e não os sindicatos comporiam a vanguarda da classe trabalhadora, eles, de certa forma, desmascaram o mito, e afirmam claramente que e revolução do proletariado é, de fato, produzida e dirigida por acadêmicos e intelectuais pequeno burgueses, que governarão o mundo mais ou menos como os filósofos República de Platão e os sábios da utopia positivista]

Ele queria ser poeta...

... No começo ele quis ser poeta, mas não foi muito bom nisso. E aos poucos acaba evoluindo para a crítica filosófica. A razão pela qual, talvez, ele possa ter uma visão mais ampla da mudança histórica é porque leu Hegel e utiliza no seu pensamento esse quadro hegeliano de mudança global, em vez de mudança local. Portanto, por seguir Hegel, ele tem uma noção diferente de outros socialistas e filósofos, como Spinoza. Eles sustentam que a alternativa à visão cristã é acreditar que o homem é um ser natural que procura o prazer e evita a dor, que ele é sensual e, portanto, um produto do seu ambiente, etc. O que Marx, baseado em Hegel e nessa tradição idealista (Kant), sustenta é que o homem não é apenas um ser natural... Isso significa que sua origem não é apenas a natureza, mas também a história. O homem faz-se através da sua vontade, e esta não é determinada por circunstâncias externas, mas é algo que ele próprio cria [desde que não viva num regime socialista]. É por isso que tem uma visão muito ampla de como ocorrem as mudanças históricas. E quando aplica estas noções ao socialismo, ele acredita que os trabalhadores podem transformar a situação de uma forma que os seus contemporâneos socialistas não acreditavam ser possível. Porque Marx tem uma noção muito mais ativa de como se poderia formar e transformar a história. [A grande vantagem de Marx, portanto, não é dele próprio, mas de Hegel, embora Marx tenha o mérito de reconhecer o seu valor]

Poder-se-ia dizer que Marx, como Platão, queria tornar-se um governante?

Se ele tinha essa fantasia, nunca a expressou abertamente. Não creio que ele possa ser equiparado a Platão, mas sim a alguém interessado em compreender a direção que o mundo estava tomando e os debates que nele decorriam. Desse ponto de vista, poderia moldar e estruturar esses debates. A intenção de Marx não era ditar como deveria ser o futuro, mas sim compreender que forma esse futuro poderia assumir. Mas é claro que também, como comentarista político e jornalista, ele deixou algumas reflexões bem malucas. Original, para dizer o mínimo.

Como explicar que um homem que não queria ditar nada a ninguém, acabou dando origem a tantas doutrinas que fazem é justamente isso: dizer às pessoas o que devem fazer?

Até 1848, ele acreditava entender como o mundo estava indo, através da Liga Comunista. Ele acreditava que eles formariam a revolução na Alemanha. Mas isso não aconteceu. Tudo correu muito diferente do que estava previsto e embora ele nunca tenha admitido ter errado [seu ego morava nas alturas], mudou de posição, silenciosamente: já não falava da classe operária num sentido revolucionário, mas sim Passou a se referir à força de trabalho do capital, e àquelas contradições que levariam ao fim do capitalismo ou que produziriam outro episódio como o de 1848. Mas isso também não aconteceu. Assim, na década de 1860... o que acabou de emergir foi a ideia de que a revolução era um processo, e não o resultado da ação de um partido único, ou de uma ditadura, ou de um acontecimento em particular. Ele acha que entende como o mecanismo funciona, mas quando a História não faz o que ele pensava que faria, ele fica chateado. Então, no final dos anos 50 e início dos anos 60, ele está culpando a todos, menos a si mesmo, por não ter acertado o que deveria acontecer. Mas sempre esperando ver acontecer no mundo que pareça promissor, e aí ele se agarra e guarda. [É como dizia aquele ‘pensador’: “preveja todo dia a sua morte que um dia você acerta]

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Quão relevante é Marx nos dias de hoje?

Marx traça uma imagem muito interessante do capitalismo, da sua energia, do seu dinamismo. E ele faz isso com mais eloquência do que qualquer outra pessoa [principalmente no início do Manifesto]. Por isso, o que ele escreve ainda é relevante. Agora sabemos que o capitalismo é instável, que tem os seus altos e baixos, as crises, os ciclos... E é precisamente essa imprevisibilidade do capitalismo, que cria e destrói, que continua interessante. Em segundo lugar, e voltando a Feuerbach e à sua crítica à religião, o capitalismo é uma criação humana e, portanto, poderia ser desmantelado pelos humanos. Acho que esse conceito ainda é válido. [Aqui o autor se engana redondamente, o capitalismo não foi uma criação ex-nihilo (do nada), ou ex-abrupto (subitamente), de alguns pensadores tipo Cantillon (1660-1734), Adam Smith (1723-1790) a partir do nada, como quando alguém contrói uma cadeira, por exemplo, pinta um quadro, etc. Não, o capitalismo é antes uma tomada de consciência das melhores interações possíveis, dentro dos condicionantes de um determinado período histórico-cultural, para a criação coletiva de riquezas. Os marcos teóricos do podem mudar em virtude das mudanças sociais produzidas pelo avanço tecnológico, e nesse sentido pode tomar rumos inesperados, em função do volume de excedentes produzido e das condições e relações de produção pelo menos influenciadas pelo avanço tecnológico, a ponto de ficar muito diferente do que o descreveram os seus teóricos fundadores, o que não tem nada a ver com o seu desmantelamento, como uma teoria ou um romance que alguém muda o texto a bel prazer. Para isso acontecer é preciso antes combinar com a realidade]. Por exemplo, quando os neoliberais pintam o mundo como um lugar onde as pessoas são determinadas pelo seu habitat econômico. E finalmente há a questão do que é revolução. Em 1848 ou 1917 tratava-se de atacar alguma coisa, com tropas nas ruas. Mas, paralelamente, começou a ver-se que a revolução também poderia significar pressionar em diferentes lugares, para transformar a sociedade sem ter que matar ninguém. Com movimentos jurídicos e paralegais, cooperativas, sindicatos, partidos políticos, legislações como a limitação do horário de trabalho nas fábricas... É uma noção que ainda nos pode ser muito útil hoje.

https://www.elmundo.es/cronica/2018/04/13/5aca7370268e3e45268b45b1.html

 

23 agosto 2024

CANUDOS: GUERRA INTERMINÁVEL - 15

https://itapicuru.ba.gov.br/wp-content/uploads/2021/07/2.-Casarao-4.jpg

https://itapicuru.ba.gov.br/museu-do-nordeste-barao-de-jeremoabo/
(Casarão do Barão de Jeremoabo, construído por ele mesmo em 1894. Fica em Itapicuru, BA, e foi a sede do seu domínio senhorial, mas não feudal, sobre aquela região, e é uma das 61 fazendas que ele possuía na Bahia e em Alagoas)

A importância da política (início)

Em função do excesso de abordagens marxistas, superficiais e excessivamente economicistas, é possível que tenhamos ignorado sistematicamente uma boa fonte para entender a questão de Canudos: a política.

É mais fácil e simples jogar tudo em cima da bipolaridade classista, criada a partir do eterno dilema da propriedade privada, gerada pela fantasia, e assim fica muito fácil explicar Conselheiro como um reformador social e até um revolucionário, à frente de seu tempo, e até como uma forma de vingar a violência criminosa com que aquela gente foi exterminada.

Similitude com o Período Regencial

Se tivesse que escolher um momento histórico semelhante ao que se vivia no Brasil durante a consolidação da República, acho que a primeira metade do Período Regencial, entre 1831 e 1837, seria o que mais se lhe assemelha, pelo clima de desordem política, insegurança jurídica e violência que assomou o país.

Ao sair enxotado do país, o primeiro imperador, abandonou o cargo na calada da noite e foi se refugiar num navio inglês. As elites palacianas, que com ele partilhavam o poder, tiveram então que fazer frente a outros grupos das elites regionais, que a ela eram mantidas submissos, com mão de ferro, pelos até então donos do poder, que decerto também se colocavam submissos ao Imperador, já tendo suas vantagens garantidas, até para estimular a submissão dos outros – a oposição – dando a entender que ele eram só mais um entre os que se submetiam ao centro e símbolo máximo de poder.

A fuga desse centro de poder, pegou a todos de surpresa, e criou um vazio psicológico de autoridade profundo, pois Pedro I sempre deixava bem claro quem era que mandava. E todos a isso se submeteram, fosse por fraqueza fosse por interesse. E agora que o gato se foi, os ratos subiram à mesa para fazer a festa, e o país então mergulhou no período mais violento de sua história.

Essa violência foi causada pelas divergências entre grupos da elite agrária, que passaram a disputar, com armas na mão, o poder nas províncias, colocado à disposição com o fim do centro de autoridade. Não havia mais repressão a temer. Seria luta entre iguais, às custas do país.

O ciclo de violências começou com cada grupo da elite arregimentando a sua gente, trabalhadores rurais, inclusive escravos, para guerrear contra outros grupos dessa mesma elite fundiária e escravocrata, para ver quem se apossaria do maior naco de poder deixado em aberto, com a fuga do Imperador.

Com o tempo, porém, aquela situação começou a dar ideias a muitos peões e escravos, que se sacrificavam pelos interesses de seus senhores, no sentido de que eles poderiam lucrar mais lutando pelos seus próprios interesses, inclusive o de uma razoável parcela de escravos, que tomou parte em diversas disputas pelo país.

Percebendo que a situação saía de controle, as elites refluíram: costuraram acordos de convivência e liberaram seus jagunços e as forças armadas para conter, com mão de ferro, as revoltas em andamento, com destaque aos ominosos massacres de negros, índios e caboclos rebelados no Maranhão e no Pará.

O país se “pacificou”,

 A história se repete

A queda do Império em 1889, foi ainda mais surpreendente. Um golpe de estado inesperado, começado numa simples quartelada para proteger interesses da classe militar, e, de repente, muda a regime político do país; sem um plano prévio, sequer, refletido e discutido pelo menos em de círculos privilegiados. O novo regime tenta se estabelecer e consolidar ao sabor do mais esculachado improviso (1). Pelo menos da parte dos civis.

O único grupo organizado, que possuía um projeto político de república próprio era o exército, e o seu projeto não ensejava nada mais que uma ditadura militar, personalista, caudilhista, semelhante às que proliferavam em outros países da América-Hispânica. Ora, esse projeto se chocava frontalmente com o esboço trazido pelo mais poderoso grupo econômico do país: os cafeicultores paulistas, focados obsessivamente no atendimento de suas demandas econômicas, a principal delas: crédito à cafeicultura. “O Brasil é o café!” Era o seu slogan.

Em alguns estados, de uma maneira menos açodada que na Regência, surgiram rupturas entre grupos das elites político-econômicas, em especial no Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Amazonas. Repetíamos o que já experimentáramos 60 anos antes, apenas com menor intensidade, e assim como acontecera na Regência, a Bahia foi particularmente afetada pela mudança de regime, em especial as sequelas geradas pela disputa entre militares e cafeicultores paulistas.

Os cafeicultores paulistas tinham o poder econômico, mas não dispunham do apoio de massas que possuíam o exército e seus aliados civis, políticos autoritários com apelo popular. O projeto paulista, originalmente, era economicamente mais atrasado, mas politicamente mais moderno, pois prestigiava as instituições, mas também mais burocrático e impessoal, o que não facilitou a criação de ligações consistentes dessas lideranças com os anseios e necessidades das pessoas nas cidades e nos campos. Era, enfim, um democracia liberal de fachada importada, contra um projeto de república autoritária, comandada por militares, certamente mais próxima do povo, e mais afeita ao autoritarismo (atropelo das instituições)

Deodoro passou a governar o Brasil como se fosse uma caserna. Logo suas ordens e desejos deviam ser imediatamente obedecidos, e começou a obstaculizar os interesses do setor cafeeiro paulista, que se amotinou, assenhorando-se do Poder Legislativo, enquanto cooptava para o seu lado o vice-presidente também militar. Como resultado do confronto, Deodoro dissolve o congresso, tocando nos calos de ambiciosas e ressentidas lideranças da Marinha, que aspiravam por mais espaço político, já que a arma perdera o prestígio que tinha no império.

Pressionado Deodoro se demite do cargo e os paulistas ascendem ao lado de seu aliado, o misterioso Floriano Peixoto.

Algo semelhante ao que ocorrera com as elites nas Regências, divididas entre progressistas, regressistas e caramurus!

Nota

1- O fato de os golpistas não terem um plano ou um projeto de país, não é tão grave quanto o fato de as nossas elites, até hoje, não terem gestado um projeto pactuado de país. Seguimos ao improviso, mais ou menos como o quadro de aviso uma repartição pública acéfala, onde avisos e documentos relevantes são colados aleatoriamente, até cobrir toda parede, ninguém se preocupa em retirar os que já estão desatualizados, dificultando a leitura e a consecução do que se queria ao colar o aviso.

(Abaixo: assim era o Barão de Jeremoabo, uma máquina de escrever cartas, deixou mais de 44,4 mil cartas, 1.300 se referem a Canudos. Ele é considerado um cidadão benemérito na cidade)

https://museubaraodejeremoabo.com.br/fotos/barao/Foto%207%20-%20Bar%C3%A3o%20de%20Jeremoabo.jpg

https://museubaraodejeremoabo.com.br/barao-de-jeremoabo.php



KARL MARX PARA OS ÍNTIMOS - 3

 

https://i.imgflip.com/4hbi4u.jpg

https://imgflip.com/meme/42957550/karl-marx?sort=latest

(Veja o que está escrito no meme acima: "Se Jesus tivesse um filho, seria como esse cara". Não, não seria, porque Jesus é, por natureza, incapaz de errar. Isso também mostra o absurdo de ignorância e desinformação que se disseminou pelo mundo, aliás a disseminação e o culto em torno de Marx é a principal prova de que a definição do ser humano como um animal racional está completamente errada)

No site em português do jornal espanhol El País, há trechos de uma resenha do jornalista espanhol José Andrés Rojo, do livro de Gareth Stedman, Karl Marx – grandeza e ilusão, do qual eu copiei essas partes mais interessantes. As declarações diretas de Stedman estão em itálico e entre aspas, o resto é de matéria de Rojo, as minhas intervenções estão entre colchetes.

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[Bem, em determinado momento Rojo diz que Marx se entusiasmou muito com as perspectivas revolucionárias da Comuna de Paris, de 1871,  mas esta teve um resultado frustrante ao ser derrotada pelas forças do governo].

“A revolução fracassa. “Os trabalhadores lutaram então pelo sufrágio universal e por ter emprego, aquilo não teve nada a ver com uma sublevação do proletariado contra a burguesia. O que pretendiam era serem reconhecidos como cidadãos da república”, diz Stedman Jones.

É Engels que defende que o capitalismo vai desmoronar por suas próprias contradições”, explica Stedman Jones. “Marx não acredita que a revolução será um acontecimento. Não é a tomada da Bastilha, e sim um processo, uma transição que se parece mais com a que ocorreu do feudalismo para o capitalismo” [alguém diga isso aos marxistas latino-americanos e brasileiros em especial!!!].

 

E como ele imaginava o comunismo? “Os que se chamavam comunistas, lá por 1840, eram os que acreditavam em compartilhar a propriedade. Engels era um deles. Marx, não. Ele pensava mais numa volta às origens da sociedade. Quando entre aqueles longínquos caçadores e coletores havia mais recursos que pessoas, uma certa abundância, não fazia sentido falar em propriedade, que é algo que só surge quando há escassez. Tudo isto é de Adam Smith. A fantasia de Marx era que a sociedade industrial geraria tantos recursos que já não seria necessária nem a propriedade, nem as leis, nem os Governos, nem o Estado”. Desse projeto decorreu todo o resto [quem poderia imaginar isso de Marx? Isso mostra que aqui no Brasil cultuamos um embuste].

Uma vida difícil (e burguesa)

A família de Marx era judia, mas seu pai se batizou na Igreja evangélica da Prússia em algum momento entre 1816 e 1819. Karl se casou em 1843 com Jenny Westphalen, uma jovem de uma família aristocrática que depois também ingressou na Liga dos Comunistas. Tiveram sete filhos, dos quais quatro morreram ainda crianças, e só três mulheres sobreviveram, das quais duas posteriormente viriam a se suicidar [destaque meu]. Desde muito cedo viveu com eles Lenchen, uma criada que herdaram da família Westphalen, e que teve um filho com Marx. A pobreza foi o grande pesadelo que os acompanhou durante longos momentos da sua vida. Sem a ajuda econômica de Engels, que procedia da família de um rico industrial, Marx não teria podido se dedicar à sua obra [Resumindo um pouco: não pegava pesado no batente, era um ‘lenha’ fazer ele produzir textos sistemáticos sobre qualquer assunto, não foi um pai emocional para as filhas, deixou a família passar necessidades, enterrou 4 filhos, mas encontrou tempo de fazer um filho na criada da casa!!! Será que as feministas sabem disso?].

 

"Era um pai de família que queria controlar tudo", conta Stedman Jones. "Uma das suas filhas se apaixonou por um communard francês, mas Karl e Jenny preferiam que se casasse com alguém mais respeitável. Então não lhe permitiam vê-lo. A moça teve que encontrar um trabalho em Brighton para manter a relação, mas até lá a mão da sua mãe chegou... Quiseram sempre manter a imagem de uma família burguesa respeitável. Quando Lenchen ficou grávida, os Marx decidiram contar que o responsável era Engels [Engels assumirá oficialmente essa criança, registrando-a como sua, para livrar o seu ídolo do escândalo]. E este, em seu leito de morte, e como não podia falar porque tinha um câncer de língua, escreveu com giz em uma lousa: 'Eu não fui o pai, o pai foi Marx".

https://brasil.elpais.com/brasil/2018/04/04/cultura/1522865179_665829.html


22 agosto 2024

KARL MARX PARA OS ÍNTIMOS - 2



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O jornalista global Silio Boccanera, fez uma entrevista recente com um dos mais prestigiados biógrafos de Karl Marx, o inglês, Gareth Stedman Jones, que escreveu um livro sobre o filósofo alemão, cujo título é Karl Marx – grandeza e ilusão, além de uma introdução de quase 200 páginas, mais várias outras de notas explicativas ao Manifesto Comunista, de Marx e Engels, pela editora Penguin. Para que o leitor tenha ideia do “peso” de Jones nessa obra, saiba que o texto do Manifesto propriamente dito tem menos de 60 páginas. Só em inglês por enquanto.

Boccanera, habituado a trabalhar em programas de entretenimento, fez um matéria relativamente rasa, sobre um assunto superrico e interessante, talvez tenha tentado ficar no nível do grande público no Brasil, mas alguma coisa deu para aproveitar, afinal o entrevistado é um grande pesquisador, no sentido europeu do termo, e um homem acostumado a lidar um mercado editorial exigente, atento ao nível de seus clientes e consumidores; por isso copiei algumas partes que apresento abaixo, com os meus comentários portos entre colchetes.

Silio Boccanera — O senhor diria que Marx foi um homem vitoriano?

Gareth Stedman JonesClaro que sim, principalmente por sua atitude em relação às mulheres, ao moralismo sexual, à educação das filhas… Mas não devemos exagerar. Ele fez questão que elas se tornassem muito letradas, mas tiveram de aprender piano para que tivessem chance de atrair bons pretendentes [li em outra parte que ele as matriculava em boas escolas e contratava boas, e caras, preceptoras para elas. Intelectualmente eram muito preparadas]. E um dos problemas dele, ou oportunidades, foi que ele havia se casado com alguém proveniente de um estrato social mais alto.

Silio Boccanera — Jenny Westphalen.

Gareth Stedman JonesSim. Ela era filha de Ludwig Westphalen que era parte da nobreza de serviço na Prússia. Ela não estava disposta a abrir mão dessa posição. Mesmo com uma vida difícil, quando eles viajavam, principalmente para Trier, ela comprava um vestido novo. O objetivo era parecer rica e burguesa, mesmo se tivesse de penhorar de tudo em nome da boa aparência. Ele não tinha muito dinheiro. Viveu quase sempre falido. Ele era um falido, mas ganhou algum dinheiro como jornalista para o New York Daily Tribune, na década de 1850. A mulher dele escreveu uma autobiografia e diz que aquela foi uma época boa. Fora isso, eles dependiam de parentes que morriam e deixavam algum dinheiro ou de Engels, que o ajudou. Vale lembrar que, nos últimos 15 anos, a família dele dependeu inteiramente de Engels, o que criou muito ressentimento e também gratidão.

Silio Boccanera — Para muita gente, os horrores praticados em nome do marxismo no século 20 – o Gulag, a repressão, os processos de Moscou e todas essas coisas – são atribuídos a Stalin e até a Lênin, a Mao e outros. Mas tem gente que diz que as sementes disso estavam em Marx. O senhor concorda? Afinal, ele defendeu o terror na Revolução Francesa.

Gareth Stedman JonesÉ verdade. Eu acho que o problema do pensamento dele é que, embora ele dissesse que a humanidade é muito ativa em relação à natureza e à história, ele nunca aborda isso do ponto de vista do indivíduo [eu diria que também não do ponto de vista prático, embora entre os marxistas se fale muito em “práxis”, ação revolucionária, etc.]. Ele foi influenciado, a partir da década de 1840, pela ideia de que a declaração dos direitos dos homens era apenas uma declaração dos direitos dos capitalistas, então não devia ser levada muito a sério. Uma coisa importante sobre a diferença entre Marx e o marxismo é que Marx se envolveu muito com a Associação Internacional dos Trabalhadores, a Primeira Internacional. Ele testemunha seu impacto no Reino Unido após o segundo congresso de 1867. Ele testemunha e apoia a chamada “pressão externa”, que um sistema muda com pressão, não necessariamente através de uma revolução violenta, através do povo invadindo o Palácio de Inverno. Pode significar apenas políticos cedendo a pressões externas, como aconteceu em 1867 [sendo um burguês, ou antes um “pequeno burguês”, muito preocupado com a aparência, não é de se esperar que ele simpatizasse com um processo que poria abaixo aquilo que ele tanto prezava].

Silio Boccanera — Qual foi a importância de Engels em termos do desenvolvimento e de ajudar Marx a desenvolver suas teorias? Foi indispensável?

Gareth Stedman JonesAcho que ele foi muito importante no início, na década de 1850. Quando Marx veio para a Inglaterra, ele mal falava inglês. Ele escrevia os artigos para o New York Daily Tribune em alemão e Engels os traduzia. Ele aos poucos se tornou capaz de fazer isso sozinho. Em termos do funcionamento das bolsas de valores e das finanças, Engels tinha a experiência de ser empresário em Manchester.

Silio Boccanera — Ele sabia como uma fábrica funciona…

Gareth Stedman JonesSim, de como uma fábrica funciona [curioso nesse sentido é que essa experiência não aparece nos textos dos livros, haja visto a forma extremamente agressiva como ele trata o surgimento do comércio no seu A origem da família, da propriedade privada e do estado; até parece que ele nunca teve contato com a realidade empresarial moderna, com a extrema, e importante, ligação da indústria com o comércio, já avançada na sua época, e os percalços da atividade mercantil num mundo dominado por tribos e/ou aristocratas, e com a dinâmica das atividades econômicas] Em todos esses aspectos, Engels foi muito importante. Ele perde a importância com o passar do tempo. E o interessante é que, nos últimos 6 ou 7 anos de vida, Marx não mostrou nada a Engels [única conclusão possível é que ele estava de “saco cheio” daquele assunto, e principalmente do livro] E quando Engels, que foi executor de seu testamento, vê a pilha de textos no chão, fica horrorizado, porque Marx não estava fazendo o que ele pensava, que era a sequência de O Capital. [Noutras palavras: Marx o embromou, como embromou a seu pai décadas antes. Agora se ele escreveu O capital só para conseguir uma grana fácil, e tirar o Engels do seu pé, sou obrigado a dizer: o filho da mãe é um gênio. Uma das coisas curiosas nesse sentido é o fato de Marx não procurar ligar o seu nome ao seus textos, inclusive ao Capital, como se isso fosse uma coisa aparte, uma obrigação, caso contrário seria uma prova de humildade incomum e muito desvinculada do resto de suas reações e temperamento, que sempre primou por uma colossal autoestima, chegando à beira da mais crassa egolatria. Isso é esquisito! Agora Engels não podia dizer que foi enganado, pois Marx o tratou mal desde o primeiro encontro]

 Silio Boccanera — E Engels não achava que o volume 1 era muito claro. Ele o achava confuso, assim como muita gente que lê Das Kapital, volume 1.

Gareth Stedman JonesPois é, ele ficou muito impaciente com todas aquelas coisas sobre valor, que Marx nunca chegou a esclarecer [de fato há muitas lacunas em O capital, o eu provavelmente explica o fracasso de todas as tentativas feitas até hoje em transformar a abstração ali contida numa orientação para a ação.... que funcione] . Mas não foi só Engels [que ficou frustrado], os sociais-democratas alemães pressionavam Engels, perguntavam: “Mas e o clímax. Quando é que o capitalismo vai fracassar?” E Engels responde a isso – e talvez concordasse com esse raciocínio – dizendo que chegará o momento do colapso do capitalismo. Mas ele muda a palavra. Esse é um daqueles detalhes importantes. O que Marx diz, na verdade, é que, se várias situações acontecessem ao mesmo tempo, o capitalismo seria “erschüttert”, ou seja, “abalado” [que termo mais ambíguo! Tá na cara: TÁ ENROLANDO]. E Engels corta essa palavra e a substitui por “zusammengebracht”, ou “implodido”. Isso deu pano para as mangas dos sociais-democratas [e os marxistas ficaram aí, até hoje, esperando pelo acontecimento que nem o fundador da seita queria saber ou se deu ao trabalho de jogar alguma luz a respeito, até que alguém jogou a expressão “última instância”, sem esclarecer como isso se apresenta na realidade social ou como se sabe que já batemos no último nível da última instância para deflagrar o processo revolucionário, talvez para não correr o risco de heresia, avançando mais do que o “santo” fundador foi. Agora se o papel do marxista for não só refletir a realidade mas transformá-la, ficam sem respostas as questões: Quando? Em que termos? Em que direção? Na ausência desses parâmetros Castro, Jong un, Pol Pot, Lenin, Stalin, Mao, etc. inventaram os seus, e se tornaram senhores da vida e da morte de bilhões de seres humanos, acumulando mais poder que qualquer governante na história do mundo, desde que a humanidade saiu das cavernas. Que revolução!!!].

Então no final das contas, todo o desassossego revolucionário que sacudiu o século XX, e mantém na misérias vários países do século XXI, partiu mais do “burguesão”, do aprendiz de feiticeiro de vida dupla, Engels, que de seu guia, o filósofo irritadiço, furioso como Orlando, o mestre dos textos biliosos, Karl Marx, que pode perfeitamente aparecer no meio de uma assembleia dos BRICS, bem arrumado e limpo, com as barbas e as mãos cheirando a perfume sofisticado e dizer: “Eu não disse para vocês fazerem nada disso”.

Fontes: https://www.conjur.com.br/2018-dez-26/milenio-gareth-stedmanhistoriador-biografo-karl-marx/

https://brasil.elpais.com/brasil/2018/04/04/cultura/1522865179_665829.html

(Adivinhem quem foi o único que não passou a roupa, nem a experimentou antes de comprar)

https://jornada.com.bo/wp-content/uploads/2023/08/XV-Cumbre-de-Jefes-de-Estado-y-Gobierno-de-los-BRICS-696x464.jpg

https://jornada.com.bo/los-brics-dan-el-historico-paso-de-admitir-a-seis-nuevos-miembros-incluida-argentina/


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