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(A PROVA MAIS ACACHAPANTE DO FRACASSO: Um satélite americano, enviando fotos da superfície terrestre descobriu que a Coreia do Sul, na verdade é uma ilha, na foto mais acima. Porém se traçarmos com uma linha branca os contornos do litoral veremos que o mar escuro, entre a Coreia do Sul e a China é a Coreia do Norte. O país que gasta bilhões fazendo armas nucleares é incapaz de garantir uma boa oferta de energia elétrica à noite, para suprir as necessidades básicas de seus habitantes, mas seus dirigentes estão tranquilos, pois sabem que essas imagens jamais chegarão ao povo do país, e se chegarem eles têm polícia e até forças armadas o suficiente para garantir que esse conhecimento não tenha consequência alguma)
Eduardo Simões (à Margarida Maria)
Sobre as eleições de maio de 1948, que o senhor Filipe Castanhari
pretendeu sugerir no seu vídeo, que elas foram maliciosamente fiscalizadas pela
ONU apenas no âmbito da Coreia do Sul, como se a ONU, por instigação
alienígena, supostamente americana, não quisesse homologar eleições no norte,
quem sabe temendo a derrota, vejamos o relato e a análise abaixo feita pelo
professor universitário e historiador militar Alexander Bevin, que inclusive
participou da guerra, em seu livro muito seco e direto: Korean War The First War We Lost (Guerra da Coreia, a primeira que nós perdemos). Sobre os episódios
que antecederam e sucederam às eleições da ONU.
“Como fronteira administrativa, e muito menos política, o
paralelo 38º não tinha nada a recomenda-lo. Ele cruzava a Coreia em seu ponto
mais largo e não tinha conexão com nenhuma característica geográfica... A
seleção do paralelo 38ª como fronteira, imediatamente irritou os coreanos, e
sua divisão tão pouco natural do país desempenhou um papel importante na paixão
com que os coreanos de ambos os lados, desejaram eliminá-lo e reunificar o país”.
Os soviéticos rapidamente consolidaram o seu controle da
Coreia do Norte em 1945 e se empenharam em destruir qualquer possibilidade de
um país unificado, que não fosse sob seu domínio. Primeiro eles minaram um
governo de tutela de toda a Coreia, sob uma Comissão Conjunta de quatro
potências (Rússia, Estados Unidos, Grã-Bretanha, China) aprovada no final de
1945. Em seguida a Rússia insistiu por uma comissão que trabalhasse apenas com
os grupos políticos coreanos que apoiavam
uma tutela [, destaque de minha autoria] — na verdade, apenas grupos comunistas
minoritários e grupos simpatizantes do comunismo se encaixavam nesse critério,
já que todas as outras facções políticas coreanas se opunham à tutela, e
queriam uma independência rápida. Os russos também selaram a fronteira no
paralelo 38ª, controlando o tráfego de entrada e saída da Coreia do Norte. Essa
decisão na prática sacramentava a divisão da Coreia.
[Ou seja, os soviéticos queriam uma eleição definida
previamente, como eram as eleições na URSS, de tal sorte que só vencesse quem
eles queria. Fora isso não haveria eleição em absoluto]
Incapazes de superar a intransigência soviética, os Estados
Unidos, apresentaram a questão às Nações Unidas. A Assembleia Geral da ONU
votou, em 14 de novembro de 1947, por uma eleição para toda a Coreia, e nomeou
uma Comissão Temporária da ONU sobre a Coreia (UNTCOK), de nove nações para
supervisioná-la. A comissão, menos um de seus membros (a República Socialista
Soviética Ucraniana que se recusou a participar), se reuniu em 8 de janeiro de
1948, no Palácio Duksoo em Seul, mas a Rússia proibiu a eleição no norte e se recusou a permitir que a comissão
entrasse na Coreia do Norte [destaque de minha autoria].
[Vemos assim que as eleições decididas da Assembleia Geral da
ONU foi antecedida por outra tentativa de pactuação, que envolvia apenas as
potências mais diretamente envolvidas no entorno coreano, que o Castanhari não
cita, e que também foi vetada pela URSS. Ficando uma pergunta diante desses
fatos: quem estava com boa-vontade para resolver a situação da Coreia, e quem
radicalizou até produzir a guerra?]
Essa oposição levantou dúvidas dentro da comissão sobre seu
status legal, e o seu presidente pediu uma nova resolução da ONU. Em 26 de
fevereiro de 1948, o Comitê Interino da ONU resolveu que a comissão
prosseguisse com a eleição em toda a Coreia, onde isso fosse possível. Isso significava, é claro, apenas a parte
da Coreia ao sul do paralelo 38º, que ficou sob o governo militar dos EUA. Porém,
apenas dois partidos de extrema direita na Coreia do Sul endossaram a eleição
da ONU: a Sociedade Nacional para a
Rápida Realização da Independência Coreana de Syngman Rhee e o Partido Democrático Coreano.
Os coreanos [a classe média urbana] temiam que tal eleição
perpetuasse a divisão da Coreia, porque os russos fatalmente responderiam, criando
um estado comunista rival no norte... insatisfeitos com essa perspectiva, os
partidos moderados e esquerdistas pediram um boicote à eleição da ONU, marcada
para 9 de maio de 1948. Nesse ínterim (22 a 23 de abril de 1948), o Comitê
Popular comunista norte-coreano convidou grupos coreanos de ambos os lados do paralelo
38º para uma grande conferência sobre unificação, em Pyongyang... Estiveram
presentes 545 delegados, 360 deles do Sul....muitas organizações moderadas e
esquerdistas no Sul participaram [só um líder mais à direita]. O comandante militar
dos EUA na Coreia, tenente-general John R. Hodge, reagiu mal e denunciou a
conferência como uma conspiração política comunista.
[Era óbvio que embora os Estados Unidos não tivessem um
projeto consolidado para a Coreia, e esta não fizesse parte do arco de
segurança que eles estavam montando, eles não iam deixar que os russos, que não
mexeram um dedinho no pior do enfrentamento ao Império Japonês, agora simplesmente
saíssem abocanhando tudo naquela região, sem falar que todos sabiam da ajuda da
URSS à guerrilha comunista chinesa. Os russos haviam feito grandes sacrifícios
na luta contra os alemães, e já tinham sido regiamente presenteados com o
domínio sobre Europa Oriental, graças à ingenuidade roosevelteana]
Por volta dessa época, a Rússia propôs a retirada de todas as
tropas estrangeiras da Coreia e deixar os assuntos pendentes nas mãos dos
coreanos, uma proposta que era similar e paralela aos principais pontos
contidos no comunicado da conferência de Pyongyang. A conferência de Pyongyang
foi um último esforço da União Soviética e dos comunistas norte-coreanos para
bloquear a eleição da ONU, e teve apenas o efeito de polarizar a situação
política na Coreia em um grau surpreendente. Como todos os líderes moderados na
Coreia do Sul se opuseram à eleição da ONU, Syngman Rhee, que passou quarenta
anos exilado fora da Coreia [e era muito reacionário], ficou sem desafiantes....
Assim, a eleição da ONU [e a decisão desastrada dos moderados] criou
forçosamente um governo direitista [radical] no Sul, que seria necessariamente
contrastado por um governo comunista [radical] no Norte, sustentado pela
Rússia.
Os moderados, que sem dúvida representavam a maioria em ambos
os lados do 38º, foram assim completamente enganados, e a Península Coreana, de
um golpe, foi dividida em dois campos políticos extremos e em dois estados soberanos,
pelo paralelo 38º.... O maior obstáculos foi a pouca esperança que os moderados
na Coreia tinham, antes da eleição da ONU, de criar pacificamente um país
unificado e democrático diante, da intransigência russa e da suspeita americana
sobre os motivos dos comunistas. .....A Coreia foi manipulada por ambos os
lados para propósitos totalmente estranhos à península, e os próprios coreanos
se tornaram dispensáveis.
[A direita coreana jamais concordaria com as decisões de
Pyongyang, e a classe média centrista, moderada e majoritária foi incapaz de
perceber a malícia e a hipocrisia dos movimentos e dos discursos dos soviéticos
e seus asseclas do norte. A atitude de boicote dos moderados apenas abriu
caminho para que os radicais, nas duas extremidades, conduzissem o processo e
tornassem a guerra inevitável, com o caráter que teve: impiedoso ajuste de
contas]
Os Estados Unidos, com a subversão comunista na Europa
Oriental ainda fresca na memória, não confiavam na Rússia. E os soviéticos,
paranoicos sobre a antipatia ocidental, não confiavam nos Estados Unidos.
Talvez mais do que qualquer outra coisa, os russos, que há muito cobiçavam o
controle da Coreia, não estavam dispostos a se retirar da posição que ocupavam,
apenas para satisfazer as aspirações nacionais do povo coreano.
[Ou seja, os soviéticos pensando em termos estreitamente
nacionalistas, aproveitaram para resgatar a honra nacional da humilhante
derrota frente ao Japão, em 1904, e, na melhor das hipóteses, avançar sobre o Japão
– é sabido a enorme lentidão com que os russos devolveram seus prisioneiros
alemães e japoneses, após a 2ª Guerra. Aqueles que voltaram das prisões
soviéticas relataram, além da rígida disciplina, sessões intermináveis de
doutrinação no comunismo e a brutalidade mortal com que executavam os
prisioneiros que resistiam à doutrinação]
Consequentemente, a Coreia se viu novamente seguindo uma
política que já havia adotado um milênio antes: a sadae-sasang, dependência de uma grande potência como salvaguarda
de sua independência. Esta política permitiu à Coreia manter uma existência
separada da China durante séculos, beneficiando a ambos os países: a Coreia tinha
a sua quase independência, quando a China protegia a Coreia do expansionismo
japonês, enquanto a mantinha como um estado-tampão, entre ela e os mesmos
japoneses... Em 1948, no entanto, a Coreia viu-se forçada a jogar sadae-sasang
com duas potências opostas, não uma só. No Sul, surgiu uma República da Coreia
apoiada pelos EUA..., com Syngman Rhee, de setenta e três anos, como presidente
autocrático
Os Estados Unidos, por sua vez, não tinham uma ideia clara,
quando apoiaram a eleição da ONU, de que estavam adquirindo um "estado
tributário civilizado" na forma da Coreia do Sul e que, como o Império
Chinês de outrora, estavam assumindo um relacionamento de "irmão mais
velho" com um "irmão mais novo" da Coreia do Sul. No entanto,
Rhee regularmente defendia o uso da força como meio para realizar a unificação
coreana... Rhee tratava qualquer opinião sobre uma reunificação pacífica do
dois países como heresia.
Também não está claro se a União Soviética assumiu conscientemente
o papel de um irmão mais velho... Mas o fato é que Kim II Sung no Norte adotou
posturas agressivas muito pouco diferentes das de Rhee. No final de 1948,
portanto, dois governos coreanos hostis defrontavam-se no paralelo 38, cada um
alegando representar toda a Coreia e cada um dedicado à destruição do outro
lado, ambos os lados estimulavam ataques fronteiriços, alguns deles bastante
sangrentos.
Korean, The First War
We Lost; Hipocrenes Books;
New York; 2000 (p 10-14)
Para mais dados sobre as eleições de 1948 na Coreia do Sul,
recomendo dois artigos da wikipedia em inglês: 1948 South Korean Constitutional Assembly election (a de maio,
supervisionada pela ONU, para eleição de um Parlamento) e 1948 South Korean presidential election (quando Syngman Rhee foi
eleito presidente, por voto indireto, por 92% dos representantes)
(VAMOS APRENDER? Sentado, Presidente John Kennedy; inclinado sobre Kennedy, nosso embaixador em Washington, Roberto de Oliveira Campos, o Boby field, o avô do atual Presidente do Banco Central; Com as mãos no bolso e bigode de "amigo da onça", nosso Ministro das Relações Exteriores, Francisco Clementino Santiago Dantas; de pé, com os braços cruzados à frente: o coronelzinho do paralelo 38º, David Dean Husk, Secretário de Estado, e sentado de perfil, o Presidente do Brasil, João Belquior Marques Goulart - 03.04.1962))
Eduardo Simões (a Margarida Guimarães)
Num arroubo de arrogância, típico dos que ignoram, Castanhari, em seu tolo vídeo, faz uma cara de ironia e deboche, quando diz que os americanos, desprezando milênios de paradisíaca história nacional coreana, entregam a um reles coronel e um general a tarefa de dividir o país – nessa hora, inclusive, a boca dele fica mais torta que o habitual. Estes simplesmente traçam uma linha arbitrária, o paralelo 38º, separando a Coreia em duas áreas de influência, desunindo um povo que até ali fora um exemplo de união e felicidade, e outras bobagens desse calibre.
O que Castanhari e sua tchurma não pesquisaram – não sei se o interesse em doutrinar e criar fantasias, era maior que o de apresentar os fatos para os jovens, que vão assistir ao vídeo – é a real patente dos oficiais envolvidos, e mesmo a estatura do maior entre eles.
Mas agora
eu vos digo...
1º - Não havia nenhum general presente no momento dessa
decisão. Todos; tanto os que traçaram a linha, como os que decidiram a sua
conveniência, eram coronéis. Um dos que traçou a linha, o coronel Charles
Bonesteel III, se tornará general, mas só em 1º de setembro de 1966 (https://pt.findagrave.com/memorial/49125337/charles-hartwell-bonesteel).
2º - O companheiro do Coronel Bonesteel nessa tarfe foi o também Coronel Dean Husk. Sabem o que fez o Coronel Dean Rusk mais tarde?....... Foi o segundo mais longevo, Secretário de Estado (Ministro das Relações Exteriores) da história dos Estados Unidos. Ele, Cordel Hull e Henry Kissinger, cada um no seu tempo, formam a trindade máxima das relações exteriores americanas do século XX.
Consegui o livro autobiográfico de Dean Husk (1909-1994), e
traduzi para vocês o trecho que narra como foi a tarefa de determinar esse
paralelo; relato em primeira mão em primeira pessoa:
“Finalmente chegamos a
um acordo que se manteria pelo menos algumas forças dos EUA no continente
asiático, uma espécie de ponto de apoio na península coreana para fins
simbólicos.
Durante uma reunião do
SWINK [sigla de
algum órgão do governo que não consegui descobrir], em 14 de agosto de 1945, o mesmo dia da rendição japonesa, o Coronel
Charles Bonesteel [Charles Bonesteel III] e eu nos retiramos para uma sala adjacente, tarde da noite, e estudamos
atentamente um mapa da península coreana. Trabalhando às pressas e sob grande
pressão, para cumprir uma tarefa formidável: escolher uma zona para a ocupação
americana. Nem Tic [apelido de Bonesteel] nem eu éramos especialistas em
Coreia, mas nos parecia que Seul, a capital, deveria estar no setor americano.
Também sabíamos que o Exército dos EUA se opunha a uma extensa área de
ocupação. Usando um mapa da National Geographic, procuramos ao norte de Seul
uma linha divisória conveniente, mas não conseguimos encontrar uma linha
geográfica natural. Em vez disso, vimos o paralelo 38 e decidimos recomendá-lo.
SWINK aceitou sem muita delongas e, surpreendentemente, os soviéticos também...
Ninguém presente em nossa reunião, incluindo dois jovens coronéis americanos,
sabia que na virada do século os russos e japoneses haviam discutido esferas de
influência na Coreia, divididas ao longo do paralelo 38. Se soubéssemos disso,
quase certamente teríamos escolhido outra linha de demarcação.
Lembrando dessas
discussões anteriores, os russos podem ter interpretado nossa ação como um
reconhecimento de sua esfera de influência na Coreia ao norte do trigésimo
oitavo paralelo. Qualquer conversa futura sobre a reunificação acordada da
Coreia seria vista como mera encenação. Mas nós ignorávamos tudo isso, e a
escolha do SWINK pelo trigésimo oitavo paralelo, recomendada por dois cansados
coronéis trabalhando até tarde da noite, provou ser fatídica. Nós do OPD [sigla] também estávamos envolvidos com a ocupação da Alemanha pelas quatro
potências. Devido a uma grave escassez mundial de alimentos no final da guerra,
uma de nossas principais preocupações era alimentar o povo alemão, uma
responsabilidade direta dos exércitos de ocupação. Nós criamos uma força-tarefa
especial, mas simplesmente manter os alemães vivos não era uma tarefa fácil. As
zonas de ocupação já haviam sido estabelecidas quando entrei para o OPD, e nós
lutávamos constantemente com os russos sobre a ocupação da Alemanha e a
administração dessas quatro zonas.
A obstinação soviética
reforçou nossa determinação de não deixar os russos terem uma zona de ocupação
no Japão. Claramente, cometemos um erro ao não exigir um corredor terrestre sob
controle aliado em Berlim. “(Dean Rusk; As I saw it – by Dean Rusk as told to
Richard Rusk (o filho dele); W. W. norton & Company; New York-London;
1990; pg 124-125.).
Aaaaah! Então nós ficamos sabendo que NÃO FORAM OS
AMERICANOS, MAS OS RUSSOS, OS PRIMEIROS A SUGERIR A DIVISÃO DA COREIA, e acabar
com o paraíso maravilhoso que castanhari disse existir por lá!
Isso foi em 1903, quando russos e japoneses disputavam áreas
de influência na China e arredores, e, principalmente a liberdade de navegação,
vital para o comércio russo com a China, do chamado Estreito da Coreia, entre essa
península e as principais ilhas japonesas, numa largura de 200 km. As
negociações eram difíceis e os japoneses não se mostraram propensos a ceder
muita coisa, pois sabiam da fragilidade dos russos, principalmente no crucial aspecto
logístico.
(Abaixo: à direita o presidente John Kennedy; ao centro o risonho Secretário-Geral do Partido Comunista da União Soviética, Nikita Sergeyevich Kruchev; no alto da escada o coronelzinho do paralelo 38º, David Dean Husk - 03.06.1961)
https://2009-2017.state.gov/cms_images/20khruschev_kennedy2_600.jpg
https://2009-2017.state.gov/p/eur/ci/rs/200years/123012.htm
Em setembro de 1903 os russo mandaram aos japoneses uma proposta
para demarcar a zona de influência dos dois países na região, que os japoneses
responderam com frieza. Em 11 de dezembro os russos apresentaram outra proposta
mais favorável aos japoneses, recebida da mesma forma. Porém o que mais chama a
atenção, neste contexto, é o artigo 6º, eram oito, nas duas propostas, que diz
o seguinte:
“Compromisso mútuo para
considerar a parte do território da Coreia situada ao norte do paralelo trinta
e nove como uma zona neutra na qual nenhuma das partes contratantes introduzirá
tropas.” (Park Bella; Russia’s Policy Towards Korea during the Russo-Japanese
War; International Journal of Korean History(Vol.7, Feb.2005; Moscou)
Ou seja, uma Coreia, ao sul do paralelo 39º, ficará sob completo
domínio dos japoneses, e a outra área, ao norte desse paralelo, seria como que
compartilhada pelas duas potências, pelo menos no aspecto de segurança.
Portanto: QUEM PRIMEIRO ABRIU A FELIZ COREIA PARA O BRUTAL E
MASSACRANTE DOMÍNIO DOS JAPONESES FOI A RÚSSIA, ASSIM COMO TAMBÉM FOI ELA A
PRIMEIRA QUEM SUGERIU A PARTILHA DESSA NAÇÃO, DE ACORDO COM INTERESSES ESTRANGEIROS.
A diferença foi que os russos marcaram o seu traço mais
acima, no paralelo 39º, o que não faz nenhuma diferença, pois continua sendo a
divisão do que não deveria ser dividido, mas quem estranharia se, para Castanhari
e seu grupo, isso mudasse tudo...
Será????
(Reconhece o cara abaixo Castanhari? Time de 26.12.1960. Na tarja amarela está escrito: O homem de Kennedy - A Face da Nova Administração - SECRETÁRIO DE ESTADO DEAN HUSK (abaixo))
https://content.time.com/time/magazine/archive/covers/1960/1101601226_400.jpg
https://i0.wp.com/sinonk.com/wp-content/uploads/2015/01/KCNAKISTeenager1.jpg?ssl=1
https://sinonk.com/2015/01/31/hagiography-of-the-kims-the-childhood-of-saints-kim-il-sung/
(Self-made man? Esqueça Rockfeller, Edson, Carnegie, Luiz
Gama, o Visconde de Mauá, o próprio Jesus Cristo, porque você tem Kim Il Sung,
o adolescente gênio, que aos 14 anos sabia mais que sem mestres na escola, orientava
e comandava adultos em questões de política internacional e ações de guerrilha,
etc. pelo menos no livro que ele próprio escreveu sobre si mesmo. Fora dele não
há registros)
Eduardo Simões (a Margarida Guimarães)
A única biografia oficial de Kim Il Sung, e única fonte aceitável
para qualquer pesquisa biográfica “séria”, na Coréia do Norte, foi escrita por
ele próprio, quando já era octagenário, em 1992, segundo o professor e
pesquisador sul-coreano Dae-Sook Suh, em seu livro Kim Il Sung The North-Corean Leader, e embora o professor reconheça
algumas virtudes políticas importantes em Kim, ele também reconhece, como
inúmeros outros, que sua biografia está cheia de “exageros”, digamos assim,
difíceis de “engolir”, e o mais célebre deles, repetido com ênfase pelo
militante esquerdista Filipe Castanhari, em seu ignóbil vídeo sobre a
Guerra da Coreia, é de que Kim, aos 14 anos apenas, teria fundado e dirigido
uma associação de resistentes à dominação japonesa.
Foi quando frequentava a escola ginasial de Jilin, na
Manchúria, que, cansado da superficialidade do ensino, dissociado dos graves
problemas porque passava a sua terra ea China, que ele resolveu abandonar a
escola e montar o movimento Aliança Para
derrubar o Imperialismo em 17 de outubro de 1926, com 15 anos incompletos,
e tal era o seu discernimento que passou a liderar antigos guerreiros adultos,
e, já nessa idade, prescrever com muitos detalhes as melhores táticas para o
enfrentamento dos japoneses, que foram aplicadas pelos guerrilheiros da época e pelo exército
norte-coreano, pesteriormente...
Contra essa história incrivelmente maravilhosa, que nos faz
lembrar aqueles lutadores de kung fu que saem voando pela tela ou a Sininho... de Peter Pan, pesam
dois contratempos:
a) Um líder tão jovem, criando um movimento político tão importante
e abrangente, liderando adultos em ações político-militares, é algo
absolutamente fora do comum, e com certeza teria chamado a atenção de todos,
tanto dos que conviveram com ele, chineses e coreanos, como, principalmente,
dos japoneses – haveria fotos, citações em livros, memórias, matérias de
jornais, alguém ou algo além da memória de Kim, e, é claro, teria deixado algum
testemunho a respeito. Entretanto, NÃO EXISTE NADA... absolutamente NADA.
b) Mais complicado ainda é a existência do chamado Aliança (ou União) Para Combater o
Imperialismo, que é, segundo Kim, um ponto de virada na luta contra os
japoneses e o núcleo do futuro Partido dos Trabalhadores da Coreia. Mas as
dúvidas aí são maiores ainda.
b.1. Não há nenhuma menção em qualquer órgão de imprensa ou
repressão da época que aponte para essa organização, antes de 1968, quando ela
foi citada pela primeira vez por um escritor norte-coreano, Baik Bong, mas aí há
uma questão: como ela pode ter sido um “ponto de virada” se ninguém sequer notou
a sua existência?
b.2. Estudos mais recentes, fora da Coreia do Norte apontam
noutra direção. “Biografias de Kim
publicadas na Coreia do Norte contam... que Kim, quando era um jovem
adolescente na Manchúria, formou a sua primeira organização armada chamada
União Abaixo o Imperialismo. A maioria dos acadêmicos fora da Coreia do Norte
não pensa que isto seja verdade, antes ele parece ter aderido a uma organização
fundada por um militante radical chamado Ri Chongrak, uma organização que por vezes [meu destaque] era conhecida pelo nome de União Abaixo o
Imperialismo. Esta organização foi dissolvida pelo Japão em 1931” (Ness,
Immanuel – Cope, Zak; The Palgrave
Encyclopedia of Imperialism and Anti-imperialism; Kil Il Sung (1912-1994);
Palgrave-McMillan; New York-Belfast; 2021; p 1470) – segundo a Wikipedia em
coreano, Ri Chongrak, ou Lee Jong-rak, era 5 anos mais velho que Kim, e acabou
sendo preso em 1931 e cooptado pela polícia japonesa, e, segundo ainda a wikipedia
em coreano, ele estava trabalhando para cooptar Kim il Sung para os japoneses,
quando foi capturado por um grupo chinês antinipônico, e fuzilado no final de
1939 ou início de 1940.
Por fim a pergunta que não quer calar: como esse gênio
militar assombroso, maravilhoso, estupendo, inigualável, etc. etc., foi
completamente esmagado por um general tão comum, e “vulgar”, como Marc Arthur,
em 1950? Afinal quem salvou a Coreia do Norte da ocupação total foram as tropas
infindáveis enviadas pela China, chefiadas por generais chineses, enquanto Kim
se refugiava na China: “Num ensaio
recente para a Sino-NK, Adam Cathcart [professor especializado em relações
sino-coreanas da Universidade de Leeds, UK] explorou
os contornos mutáveis da hagiografia Kimista, que antecedeu as celebrações do
Dia da Vitória deste ano na RPDC... e a marginalização concomitante do papel da
República Popular da China na “derrota” dos imperialistas Americanos. Mais uma
vez, a história está em risco, pois, como observa Cathcart com razão, Kim “na
verdade passou a maior parte da Guerra da Coreia não na Coreia, mas na
Manchúria, no âmbito relativamente pacífico da República Popular da China e da
cidade de Jilin”. (https://sinonk.com/2014/08/12/hagiography-of-the-kims-and-the-childhood-of-saints-kim-jong-il/)
Certamente criando os capítulos da incrível história que
comentamos acima.
Dúvida cruel: Se Kim Il Sung era assim tão inteligente, o que
explica ele ainda ser socialista após os 40 e, inclusive, morrer nessa crença?
Ele estava ganhando algo por fora?
Fontes: wikipedia inglês e coreano, verbetes, Baik bong; Down-with-Imperialism
Union; Kim Il Sung; 타도제국주의동맹; 김일성; 이종락
https://media-cldnry.s-nbcnews.com/image/upload/t_fit-1240w,f_auto,q_auto:best/MSNBC/Components/Photo/_new/111006-northkorea-food-3p.jpg
https://www.nbcnews.com/id/wbna44808274
(Não se impressione com a coloração roxa das crianças. Há 50 anos atrás, eu também ficava assim quando mamãe passava iodo nas minhas feridas, antes da vulgarização do uso do mertiolate, e outros produtos para assepsia de ferimentos. As duas estão "bem" cuidadas no hospital de Hwanghae do Sul, na Coreia do Norte, após se ferirem na passagem de um tufão em outubro de 2011. As duas apresentam também sinais de desnutrição, que, na Coreia do Norte, acontecia com certa frequência, antes da China ficar milionária. Essa imagem é um dos raríssimos momentos em que o governo permitiu que a imprensa internacional, no caso a empresa americana NBCNews, mostrar a situação real da população. Fora isso só há os desenhos e ilustrações permitidas pelo governo, e fotos ensaiadas)
Eduardo Simões (a Margarida Guimarães)
Mas a história científica é deturpada,
ignorada, falsificada
1º) Não cabe apenas
aos americanos a responsabilidade pela divisão da Coreia: ela foi pactuada.
Dois oficiais americanos, de fato, fizeram um estudo determinando o paralelo, 38º,
para a divisão das zonas de influência. Mas essa divisão que já havia sido
discutida, 42 anos antes, entre a Rússia Czarista e o Japão. Isso explica
porque a proposta americana, telegrafada aos russos no dia 15 de agosto,
recebeu aprovação já no dia seguinte – ver o verbete Division of Korea na wikipedia, e o paper, Russia’s Policy Towards Korea during the Russo-Japanese war, em https://ijkh.khistory.org/upload/pdf/7_02.pdf.
Os americanos ficaram com Seul, mas Pyongyang era a segunda maior cidade do
país, e a parte norte era a mais rica em recursos minerais e mais
industrializada (https://en.wikipedia.org/wiki/Charles_H._Bonesteel_III).
2º) A declaração de
guerra da URSS ao Japão foi em 8 de agosto: e não 7. Logo dois dias depois
da primeira bomba em Hiroshima (https://en.wikipedia.org/wiki/Division_of_Korea). Essa data é corroborada pelos
arquivos nacionais do Reino Unido (https://blog.nationalarchives.gov.uk/soviet-japan-and-the-termination-of-the-second-world-war/#:~:text=However%2C%20on%208%20August%201945,Union%20declared%20war%20on%20Japan), embora desmentida pela
Encyclopaedia Britannica de 1966; Vol 23; p 792-793, que a faz mais tardia, em
9 de agosto – provavelmente a declaração de guerra tenha sido no dia 8 e o
começo das operações no dia 9.
3º) De fato,
americanos se surpreenderam com o desmoronamento repentino da resistência
japonesa aos soviéticos: a resistência aos americanos foi gigantesca, pois
uma vez vencido o mar eles estariam pisando o solo japonês, já o avanço ou
perda de solo chinês não motivava muito o soldado japonês, muito desgastado
pela guerra, enfrentando tropas frescas.
4º) Os americanos
tiveram de enfrentar um grande obstáculo, e estavam desorganizados: por
causa da morte repentina de Franklin Roosevelt em 12 de abril de 1945, no meio
de uma guerra mundial, e o novo presidente ainda estava aprendendo o ofício
mais difícil do mundo, o quê, além do isolamento secular autoimposto, explicam
as trapalhadas iniciais.
5º) Os americanos não
tinham “pesadelos” por medo do poderio russo, mas por causa dos acordos já
pactuados: quem faz história científica, logo lê fontes factuais, sabe
perfeitamente que os alemães, ao invadirem a Rússia destruíram inúmeras
fábricas e equipamentos russos, e os americanos foram FUNDAMENTAIS para suprir
a Rússia de equipamento militar e munição, enquanto os russos reconstruiam suas
fábricas, longe da linha de frente, com máquinas modernas cedidas pelos
americanos. Os americanos abasteciam os russos, os ingleses e eles ainda eram,
de longe, a maior força aeronaval do mundo. Tinham 38 porta-aviões. Sem contar
a arma mais poderosa do mundo na época (Naval
history of World War II, Wikipedia em inglês).
5º) Os russos, além de
não terem uma marinha respeitável não sabiam fazer desembarques: eles bem o
tentaram em 18 de agosto, na ilha de Shumshu, no arquipélago das Kurilas. O
encaminhamento da operação foi tão desastrado que nos 5 dias que durou a
batalha eles perderam um quarto de sua força. O plano de um desembarque anfíbio
em Hokaido foi logo abandonado (https://en.wikipedia.org/wiki/Battle_of_Shumshu)
6º) Roosevelt foi
muito tolo em confiar em Stalin, e ter cedido tanto: De fato, no Oriente a
guerra foi quase toda travada pelos EUA, e pelos aliados que ele sustentava,
inclusive a China. Stalin não pôs um prego no caixão do Japão, mas quis ficar
com as posses do defunto. Os americanos não tinham porque concordar isso, afinal
foram eles que, além de destruir os japoneses, sustentaram a União Soviética no
pior da guerra.
6.1. Stalin recusou-se a declarar guerra ao Japão até 8 de
agosto de 1945, quando o Japão já estava totalmente estropiado pelos americaos
a um preço altíssimo, em vidas e recursos.
6.2. Quando um piloto americano pousava na Rússia após ataque
ao Japão ele era internado (uma espécie de prisão domiciliar), e só muito
depois, por subterfúgio era devolvido aos Estados Unidos (https://en.wikipedia.org/wiki/Doolittle_Raid)
8º) A entrada de
forças russas em Pyongyang aconteceu em 24 ou 25 de agosto: e não como diz
no vídeo. Confere o verbete 한반도 분단 na Wikipedia
coreana e Division of Korea, em inglês e na Britannica de 1966.
9º)
O texto se engana frontalmente, quando
tenta forçar um conluio entre japoneses e americanos – imperialistas
“malvados”, contra socialistas bonzinhos – e que por isso houve mais
resistência no sul que no norte à ocupação estrangeira:
9.1. Como vimos quem acabou com os japoneses foram os
americanos, ingleses e australianos. Os soviéticos se limitaram a olhar e depois
querer a melhor parte do botim.
9.2. No verbete Division
of Korea é dito que os soldados japoneses, ressentidos pela esmagadora
derrota infligida ao Japão, estavam espalhando notícias alarmantes entre os sul-coreanos,
contra os americanos, obrigando o comando japonês a intervir para que cessasse
essa ação.
9. 3. Muito ilustrativo do tratamento dado pelos sociéticos e
socialistas norte-coreanos aos opositores do regime foi o desaparecimento do
líder anticomunista e herói local Cho
Man-sik, que sempre viveu na Coreia, em Pyongyang, e era admirador de
Gandhi, Tolstoi e Jesus Cristo. Ele sofreu uma vida de horrores na luta contra
os japoneses, e no final, por não querer ser comunista, foi sabotado por Kim Il
Sung e seus tutores russos, sendo preso e depois “desaparecido”, deixando o
caminho livre para o delírio dinástico de Kim. Copie o nome dele e pesquise.
10º) Castanhari
desinforma ao querer sugerir que a ONU, em 1948, vistoriou apenas as eleições
do sul de propósito ou por ter ligação com os EUA:
10.1. As eleições na Coreia foram decididas pela Assembleia
Geral, e não por uma comissão guiada pelos americanos. Logo tinha toda
legitimidade, mas a Rússia só aceitava eleições que validassem previamente os seus interesses?
10.2. A União Soviética não apenas falou, mas se opôs a que
fossem realizadas eleições no norte – pesquise a Wikipedia em inglês, francês,
alemão, chinês, russo, coreano, que você terá, gratuitamente, a confirmação
disso (a wikipedia em italiano apenas cita as desconfianças do russos)
10.3. Se é verdade que o domínio dos socialistas no norte era
mais tranquilo e que os americanos estavam às turras com os coreanos do sul,
matando e prendendo milhares, porque a União Soviética e os socialistas iriam
fugir de uma eleição que lhes traria vtória certa?
11º) As eleições
gerais no Sul aconteceram em 10 de maio de 1948, como pois o texto,
referindo-se à criação da República da Coreia do Norte, acontecida a 9 de
setembro de 1948, diz que foi feita um mês depois? Onde foram parar os
meses entre maio e setembro? NÃO PESQUISARAM NEM O BÁSICO!!!!
Isso foi o que levantei apenas em 20 minutos de um vídeo de
58 minutos, e não vou mais perder meu tempo com uma peça de doutrinação tão
barata. Alguém pode até dizer que centenas de milhares, talvez milhões, tenham
visto esse vídeo; e eu respondo: se milhares, talvez milhões, de pessoas
adultas resolverem ser enganadas, se atirar de um despenhadeiro, etc. O que
você pode fazer?
Esse vídeo é só mais um dos sintomas, entre muitos, da
falência intelecto-cultural dos brasileiros, depois que a esquerda conseguiu
impor sua hegemonia nas universidades. O país está politica, econômica e culturalmente
falido, e as pessoas parecem estar gostando disso. Mas, há duas coisas que eles
não estão considerando e que podem mudar tudo.
Primeira: o Brasil não é o único país do mundo. Outros países
podem preferir outro caminho, como por exemplo: ter uma educação séria;
aprofundar um conhecimento científico de si mesmo e do mundo, ao invés de se seguir
a falcatruas doutrinárias; optar por soluções político-econômicas que deram certo
nos últimos séculos; etc. e passar à nossa frente e nos desafiar e vencer em
nosso próprio terreno – vários países da América do Sul já perceberam isso e
estão se atualizando, enquanto dobramos a aposta em fórmulas fracassadas, ultrapassadas.
Segunda, e mais importante: a realidade sempre dá a última
palavra. Eu posso tomar o poder envolto em um mundo de fantasia, como num conto
de fadas, como é nesse vídeo, mas a realidade sempre se impõe, e no final eu colherei
o resultado das estratégias inadequadas usadas para a realidade do momento.
Essa e sem dúvida a maior e mais gigantesca lição para a história, deixada pelo
fim da União Soviética: não adianta você convocar as maiores mentes, os
melhores marqueteiros, controlar todos recursos e meios de comunicação, as
pessoas vão olhar sempre, em primeiro lugar, para o prato na sua mesa, para a
sua situação concreta do momento atual. Se não tiver bom pulam fora...
A disputa não é entre os teóricos do capitalismo e os do socialismo, entre filósofo ‘X’ e filósofo ‘Y’, mas sobre qual dos dois foi capaz de perceber melhor a realidade, dar a sua solução, e ela, a realidade, responder positivamente. É pelos frutos que se conhece a árvore, e é pelos sucessos e pelos fracassos reais, históricos, que sabemos se um dado regime funciona ou não, o resto é fanatismo religioso, que, se curado a tempo, nos permitirá retomar ao bom caminho. Agora se o fanatismo, com a sua arma mais comum: a ocultação de fatos, vencer, isso nos levará de volta à formas mais graves de pobreza, em meio à formidável quantidade de recursos naturais, artificiais e sociais, à nossa disposição.
Mirem a Venezuela.
https://www.telegraph.co.uk/multimedia/archive/01948/north-korea-3_1948182c.jpg?imwidth=960
https://www.telegraph.co.uk/news/worldnews/asia/northkorea/8641946/North-Korea-faces-famine-Tell-the-world-we-are-starving.htmlEduardo Simões (a Margarida Maria)
Infelizmente vejo-me obrigado a interromper minhas pesquisas
para reagir a um vídeo, supostamente histórico, de um canal chamado “Nostalgia”,
com o pomposo nome de A Guerra da Coreia
– A História não Contada, ao qual me dedicarei, e indo direto ao assunto
chamo atenção da abertura que diz:
A Coreia era um paraíso
A península coreana apresentada como um paraíso terrenal, com
todo mundo feliz, e vivendo como Adão e Eva, que faz parte da mitologia coreana
do norte que smepre apresenta seu líder Kim Il Sung com traços de “deus
encarnado”, como Jesus Cristo.
O que a história, entretanto, diz: a península coreana era
uma região estratégica, disputada historicamente por Japão e China, dois
impérios poderosos, e quem vive uma situação dessas não pode ter uma vida de
paz, alegria e, principalmente, uma construção identitária que não seja resistir e continuamente àqueles que lhe querem dominar.
Fatos:
* Entre 1592 e 1598 os coreanos travaram guerras dramáticas e
altamente mortíferas contra os japoneses, até vencê-los definitivamente.
* De 1627 a 1637 os coreanos sofreram a dominação chinesa,
sob a direção dos manchus, o que também gerou longas guerras de resistência.
* Mesmo sob o domínio da família real coreana de Joseon, ele
ainda tiveram que amargar as bizarrices de tiranos como Yeonsangun, sem falar
nos massacres em massa de intelectuais, lutas pelo poder e um forte levante
camponês.
Era uma vida difícil de muitas batalhas, muito antes da 2ª
Guerra Mundial, mas que foi muito agravada pelo domíno japonês após 1910.
A mitologia é exaltada!
b) A apresentação mitológica da vida de Kim Il-sung é simplesmente bizarra e oscila entre o ridículo e o infantil. O apresentador quer nos fazer crer que um menino de 14 anos rompe com a escola, em 1926, cria e lidera movimento de guerrilhas antijaponês....
Para quem não acredita em Papai Noel recomendo a leitura de KIM IL SUNG The North Korean Leader
(Columbia Press; New York; 1988), do historiador sul-coreano Dae-Sook Suh,
onde, já na introdução, ele fala da dificuldade de abordar a biografia de Kim
Il-Sung, simplesmente porque a única fonte biográfica original é ele próprio,
que começou a escrever a sua biografia oficial quando já era octagenário. Não
existe uma única fonte fora dele próprio, e outras, obras mitológicas e desinformadoras repetem isso mecanicamente.
Por exemplo o avô de Kim, na história oficial, mudou-se para
próximo a Pyongyang para trabalhar no cemitério de uma família nobre, mas nenhum
sinal desse cemitério aparece hoje no local, e ninguém é louco apontar esse “furo” dentro da Coreia do Norte.
Na casa em que ele nasceu. Cuidada como se fora um lugar sagrado, tem uma árvore onde se diz Kim
il-Sung brincou e subiu nela. Entretanto pela idade da árvore seria impossível
Kim ter subido nela. Exceto na imaginação.
Diários de militares chineses e japoneses, sobre as operações
na Manchúria, onde Kim atuou, desmentem muitas histórias contadas por ele em
sua biografia, sobre esse período – mais tarde ele fugirá da Manchúria para a
URSS, em 1940, e de lá só voltará à Coreia para assumir o poder.
Os dados acima são de um autor que considera, apesar de
tudo isso, Kim Il-Sung um líder capaz, competente o bastante para por uma nação
ao seus pés e os de seus descendentes, e lidar com as disputas entre China e
União Soviética. Noutro extremo temos:
a) Relatos do governo militar americano da Coreia dizendo que
o líder coreano era na verdade o sobrinho do verdadeiro Kim Il-sung, e que se fez
passar por este. Portanto um impostor.
b) A jornalista americana Annie Jacobsen, conceituadíssima,
ganhadora do prêmio Pulitzer de 2016, pesquisando os documentos da CIA, e
publicando-os três anos depois, revela que, para a CIA, Kim Il-Sung é um
falsário, preparado pelo serviço secreto soviético, para garantir na Coreia um
governo absolutamente leal a Moscou (Surprise, kill, vanish, the secret history
of CIA paramilitar armies, operators, and assassins; Little Brown;
London-Boston-New York; 2019; pgs 47-49 contador pdf)
c) Um oficial russo, Grigory Mekler (1909-2005), que fazia a
ligação entre Kim Il-Sung e o Kremlin, e o conheceu intimamente, no final da
URSS foi entrevistado sobre o líder coreano para um programa de televisão, russo
em duas partes, lançado em 1994. Logo após o lançamento do 1º programa o
jornalista produtor do programa, Leonid Mechlin, começou a receber telefonemas
ameaçadores, de uma voz que noutro contexto havia se identificado como
funcionário da embaixada da Coreia do Norte, ameaçando-o, se exibisse o segundo
programa. Foi necessário o governo russo intervir junto a Pyongyang para as
ameaças cessarem e o programa ser liberado (a esse respeito recomendo o verbete
Grigory Mekler na Wikipedia em
inglês, e o artigo: Kim Il Sung's Soviet
Image-Maker, no site do Moscou Times, no endereço https://www.themoscowtimes.com/archive/kim-il-sungs-soviet-image-maker)
O culto doentio à personalidade, que se instalou nesse país,
e o caráter dinástico do mecanismo de ascensão ao poder parece apontar na direção
de que algo muito sério, além do que é habitualmente escondido por razões
político-militares, está sendo oculto da nação e do mundo. De resto você não
precisa saber muita coisa de socialismo, marxismo para ver logo que o que
existe na Coreia do Norte é tudo, menos qualquer coisa que sequer cheire a
socialismo e menos ainda a democracia.
Enfim citar acriticamente, como se fosse verdade, a versão
oficial da vida de Kim, é um testemunho cabal de infantilidade emocional e
muita ignorância. Ou as duas coisas juntas.
(Menina maori, exercitando a haka, uma dança guerreira ritual típica dos maoris, numa ilustração de Gottfried Lindauer, do início do século XX)
Eduardo Simões (a Margarida Maria)
O caso dos moriori
Segundo pesquisas mais recentes, os
maoris são um povo originário de Taiwan, que lá por volta de 1320 - 1350,
aportaram no arquipélago da Nova Zelândia. Os maoris eram uma gente selvagem na
plena acepção do termo, ou seja: vivia de acordo com as leis da natureza, onde o que vigora é a luta pela sobrevivência, manifesta no
predomínio ou na sobrevivência do mais forte, sem que isso os torne melhores ou
piores que os outros homens. Qualquer povo submetido às condições em que eles
viviam nos século XIV, com a cultura que traziam de sua terra natal, certamente agiria do mesmo modo. É a humanidade se “descobrindo”.
Os maoris, como outros povos
primários de Taiwan, são extremamente belicosos e cheios de iniciativa, e logo
os clãs começaram, em sangrentas guerras, a disputar os melhores quinhões das
ilhas principais, até chegarem ao extremo na chamada Guerra dos Mosquetes de
1807 a 1837 (1) – essa guerra tem
esse nome porque, nesse período, eles começaram a entrar em contato com
pescadores europeus, dispostos a trocar produtos da terra por mosquetes, um
tipo de espingarda, e logo começou um corrida entre os clãs em busca de
mosquetes para usá-los contra seus adversários, e encerrar vitoriosamente
antigas disputas. Uma corrida armamentista, feita à custa deles
próprios.
Entre os maoris, um grupo destacou-se da principal corrente e, por volta de 1500, estabeleceu-se na ilha Chatham. Ora, os maoris já eram produtores de alimentos, praticavam a agricultura de subsistência e criavam porcos e cabras, porém, como a geografia da ilha Chatham era muito inóspita, e ela própria não era muito grande, essa gente, por questão de sobrevivência, retornou ao estágio de caçador-coletor exclusivo, ocorrendo então uma simplificação (ou um retrocesso) tecnológica, passando a chamar-se morioris.
A vida nessa ilha era tão precária, que em determinado momento eles começaram a
castrar meninos recém-nascidos para evitar o aumento populacional, e, o que é incomum em termos de comunidade caçadora-coletora, desenvolveram uma mitologia radicalmente
pacifista, a partir dos ensinamentos de um tal Nunuku-Whenua, que proibia em absoluto a guerra, o canibalismo e o assassinato – de fato, uma guerra
como as que havia nas ilhas maiores, poderia levar facilmente a comunidade
à extinção. E assim criaram uma comunidade muito diferente dos maoris das outras ilhas que eram agricultores-coletores, com uma tecnologia
mais complexa e canibais convictos.
Porém, em 1835, em meio a matança
generalizada da Guerra dos Mosquetes, um grupo de maoris, gente de dois clãs poderosos e combativos,
tomaram um navio pesqueiro inglês, o apetrecharam, e, em número de uns 500, desembarcaram
na ilha Chatham. Eles foram bem recebidos pelos moriori, mas já deixaram o
seu cartão de apresentação: canibalizaram uma adolescente moriori de
12 anos, cujos ossos ficaram expostos, como aviso – costume semelhante,
exposição de ossos de canibalizados, também era visível entre os índios tupis
no Brasil cabralino. Os morioris, entretanto, continuaram com acenos de paz,
prontos para fazer um acordo.
A situação se agravará com a chegada de mais uns 400 maoris, aliados ao primeiro grupo, o que fez os invasores partirem de vez "para cima". Dizem as crônicas orais que, ante a resistência dos mais velhos de se desviar dos antigos ensinamentos, eles decidiram fugir e se esconder na zona mais montanhosa da ilha. Entretanto eles ainda estariam vivos, disputando com os maoris os poucos recursos alimentares da ilha, e isso estes não iriam aceitar, O que se seguiu pode ser descrito da seguinte maneira nas palavras de um moriori:
"[Os maoris] começaram a nos matar como ovelhas... [Nós] ficamos apavorados, fugimos para o mato, nos escondemos em buracos... e em qualquer lugar para escapar de nossos inimigos... fomos descobertos e mortos – homens, mulheres e crianças indiscriminadamente." Um conquistador maori explicou: "Tomamos posse... de acordo com nossos costumes e capturamos todas as pessoas. Ninguém escapou..." Os invasores mataram ritualmente cerca de 10% da população, o que incluiu isolar mulheres e crianças nas praias e deixá-las morrer lentamente após vários dias de exposição ao sol, à fome e à sede. Durante a escravização massiva que se seguiu, os maoris proibiram a fala da língua moriori, forçaram os morioris a profanar seus locais sagrados... foram proibidos de se casar com gente de outros grupos ou de ter filhos entre si... Apenas 101 morioris, de uma população de cerca de 2.000, foram deixados vivos em 1862, tornando o genocídio moriori um dos mais mortíferos da história, pela percentagem de vítimas” (texto da Wikipedia em inglês, tradução livre). Eu faço ressalvas ao uso do termo genocídio, para um fenômeno acontecido pelo menos 80 anos antes da invenção do conceito, isso não é muito científico, sendo necessário, nesse caso, usar um termo mais geral, como massacre, carnificina, o que não deixa um sonoro tapa naqueles que defendem o caráter pacífico e cooperativo dessas comunidades pré-estatais.
Conclusão
O que mais me chama a atenção nesse relato é a declaração do maori a respeito do trágico destino que seu povo deu aos seus gentis e pacíficos hospedeiros, coisa que absolutamente não aconteceria nos dias de hoje, na atual civilização britânica-maori, onde tal atitude seria considerada criminosa, genocida. E ele a diz com absoluta naturalidade, sem peso na consciência ou indignação, fabricada: “era o nosso costume”, noutras palavras: nossa ideologia, nossa crença, no momento dos acontecimentos. Simples assim.
Esse homem, de uma cultura tribal, primitiva, ágrafa, expressou-se, sem o saber de uma forma absolutamente moderna, e ouso dizer até científica, por reconhecer o caráter específico, ditado pelos costumes de seu tempo, das ações de seus antepassados, pelas quais não há porque guardar qualquer tipo de mágoa ou vergonha. É inaceitável hoje, mas não o era na época dos acontecimentos, e o nome disso é: CONSCIÊNCIA HISTÓRICA, EVOLUTIVA. Os costumes antigos podem ser descritos, mas estão para além de nossa compreensão, porque não existe mais o contexto social que lhes autorizava e até impunha. Aqueles que nos EUA na Inglaterra ou no Brasil ou em qualquer parte saem destruindo monumentos históricos a pretexto de valores morais, mostram-se mais primitivos que o 'primitivo' maori, na pior acepção desse termo.
(Abaixo um monumento a Lincoln, chamando atenção para a sua origem humilde, um exemplo para garotos pobres de hoje nos EUA, é selvagemente pichado - não é apenas aqui, que existem idiotas - por conta de revisões históricas completamente a-históricas, cobrando de um homem do século XIX uma consciência moral avançada mesmo para o século XXI, dentro da cultura americana)
https://www.foxnews.com/us/abraham-lincoln-statue-vandalized-chicago
Nota
https://i.pinimg.com/564x/93/81/13/93811357565e18b7f377c4141e16128c.jpg
https://br.pinterest.com/pin/313000242855964392/
Eduardo Simões (a Margarida Guimarães)
A justa indignação
de muitos, ao selvagem assassinato do cidadão americano George Floyd, em maio
de 2022, que levou multidões às ruas do mundo, foi parcialmente desmerecida
pela atitude de alguns aloprados, que, aproveitando a intensidade emocional do
momento, começaram a induzir os mais impressionáveis
a atacar monumentos que lembravam homens e eventos, que esse tais aloprados ignoram
ou conhecem só parcialmente. De um lado e doutro do Oceano, tombaram ou quedaram
pichados bustos e estátuas de Cristóvão Colombo, Winston Churchill,
Abraham Lincoln, etc. – de nosso lado vimos aqui, na metade de 2021, um inculto
motoboy, atear fogo na estátua de Borba Gato, a pretexto de começar uma
discussão. E ele nem sabia falar direito.
Essa atitude,
entretanto, tem origem recente, e está bem entranhada em nossos meios
acadêmicos, artísticos e na imprensa em geral – num programa da Globo News,
escutei jornalistas repetindo o bordão de que Borba Gato e os bandeirantes
paulistas eram “escravocratas” e “genocidas”, como se o que ele fizeram já
fosse crime hediondo, no seu tempo. Será que eles não sabem, que nos séculos em
que Borba Gato e os Bandeirantes viveram, essas coisas não eram crime em lugar
nenhum do mundo? Será que desconhecem o conceito de EVOLUÇÃO?
A matriz, de onde
vem toda essa ignorância, é uma doutrina especulativa a-histórica e anticientífica,
o marxismo, que encontra-se largamente difundida nos ambientes supostamente ‘cultos’
de muitos países. Porém, se você tomar o Manifesto
do Partido Comunista (2ª edição; Avante; Lisboa; 1997), percebe logo a
absurda contradição de suas proposições básicas, como Engels as descreve no Prefácio à edição inglesa de 1888, página
sem número, onde ele diz que a proposição central do Manifesto é que: “em qualquer época histórica, o modo
predominante da produção económica e da troca, e a organização social que dele
necessariamente decorre, formam a base sobre a qual se constrói, e só a partir
da qual pode ser explicada, a história intelectual e política dessa época”.
Ou seja, cada
período e forma de comportamento social só pode ser explicado a partir das
condições objetivas de seu próprio tempo, e só deste, da mesma forma que os
costumes de uma sociedade primitiva, tribal, só pode ser explicada a partir do
seu funcionamento e lógica internos, da sua cultura. Corretíssimo. Logo a
consciência do certo e do errado nas relações humanas e a sua expressão social,
a ideologia, também são filhas necessárias do seu tempo.
Porém logo a seguir ele desfaz o que acabara de dizer: “que, consequentemente, toda a história da humanidade (desde a dissolução da sociedade tribal primitiva...) tem sido uma história de lutas de classes, de conflitos entre classes exploradoras e exploradas, entre classes dominantes e oprimidas; que a história destas lutas ... alcançou hoje um estádio em que a classe oprimida e explorada — o proletariado — não pode atingir a sua emancipação do jugo da classe dominante e exploradora — a burguesia — sem emancipar, ao mesmo tempo e de uma vez por todas, toda a sociedade de qualquer exploração e opressão, de quaisquer distinções de classes e lutas de classes”.
Se eu uso o
conceito de oprimido e opressor, eu estou necessariamente supondo que, desde o
início, há um grupo que conscientemente oprime outro que, ao ter consciência
dessa opressão, luta contra ela, e aí faz sentido dizer que a luta de classes é
o motor da história. Mas se não há mudança, se a consciência da opressão está
presente desde o início, eu sou obrigado a dizer que a mente humana é a-histórica
e desfaço absolutamente o nexo entre o ser humano e o seu ambiente, logo à
realidade, que muda e evolui.
Há muitas razões que fazem com que aparentemente ricos e pobres disputem ao longo da história, sendo o mais comum, pelos relatos que nos chegam e pela característica familial das antigas formas de sociedade, que determinados líderes, à frente de alguma ou algumas famílias mais abastadas, liderem multidões de pobres contra outra ou outras famílias, e seu respectivo séquito de pobres, mesmo porque não basta escrever que existe classes sociais para, automaticamente, as pessoas que fazem parte desses grupos ganhem a consciência de tal realidade.
Noutras palavras: se
não há ainda a consciência de classe, algo tão difícil de se ver até os dias de
hoje, como se pode falar em luta de classes? Da mesma forma, como podemos falar
em relações de “dominação”, “exploração”, “opressão”, se não há consciência disso
em quem explora e, principalmente, quem é “oprimido”, “explorado”, etc. Afinal
se existisse essa consciência certamente que há muito essas relações teriam
sido modificadas uma vez que os explorados, dominados e oprimidos sempre foram
em muito maior número e ninguém gosta de viver assim. O fato de Marx ver isso
nos relatos históricos, e por vezes até para além destes, não os transforma
automaticamente em acontecimentos reais.
O que há, nesse caso, é uma projeção psicológica de sentimentos, carências e mágoas do autor da máxima e seus seguidores, geradas por situações diversas, em relação ao passado, sobre o qual o indivíduo se impõe como um juiz onipotente, tanto mais quanto menos o conhece, exarando sentenças condenatórias a partir de sentimentos e valores atuais, inexistentes nos indivíduos e nas sociedades antigas, numa retroação legal marcada pela ilegalidade e a ignorância.
Chamar
acusativamente um homem ou um grupo do século XVII ou XVIII, de escravocrata e
genocida, é ignorar vergonhosamente que todos nessa época praticavam esses ‘crimes’,
inclusive líderes africanos, sem os quais a escravidão moderna na América não seria
possível. E o mais curioso é que as pessoas que cometem esse tipo de desatino
se autoproclamam progressistas.
Vejamos um caso que encerra uma lição espetacular, absolutamente acachapante aos chamados “progressistas”, dado por um povo distante.
TRECHOS DE HISTÓRIA DA ANÁLISE ECONÔMICA DE SCHUMPETER - 1 Por que estudar a história do pensamento econômico? Em primeiro lugar, professo...