16 março 2026

 


TRECHOS DE HISTÓRIA DA ANÁLISE ECONÔMICA DE SCHUMPETER - 1

Por que estudar a história do pensamento econômico?

Em primeiro lugar, professores ou alunos que tentam agir com base na teoria de que o tratado mais recente é tudo o que precisam logo descobrirão que estão complicando as coisas desnecessariamente. A menos que esse tratado recente apresente um mínimo de aspectos históricos, nenhuma quantidade de correção, originalidade, rigor ou elegância impedirá que uma sensação de falta de direção e significado se faça presente. Isso ocorre porque, seja qual for a área, os problemas e métodos em uso em um dado momento incorporam as conquistas e carregam as marcas de trabalhos realizados no passado sob condições completamente diferentes.

O significado e a validade tanto dos problemas quanto dos métodos não podem ser plenamente compreendidos sem o conhecimento dos problemas e métodos anteriores dos quais eles [o significado e a validade] são a resposta (provisória). A análise científica não é simplesmente um processo logicamente consistente que começa com algumas noções primitivas e depois adiciona novas informações de forma linear. Não é simplesmente a descoberta progressiva de uma realidade objetiva — como, por exemplo, a descoberta na bacia do Congo. Trata-se, antes, de uma luta incessante com as criações de nossas próprias mentes e das mentes de nossos predecessores, e esse "progresso", quando ocorre, se dá de forma entrecruzada, não por lógica, mas pelo impacto de novas ideias, observações ou necessidades, e também conforme ditam as inclinações e temperamentos de novos homens [teoria da mudança de paradigma de Khun, aparecida depois de Schumpeter].

Portanto, qualquer tratado que tente apresentar "o estado atual da ciência" na verdade apresenta métodos, problemas e resultados que são historicamente condicionados e só fazem sentido em referência ao contexto histórico em que surgiram. Para dizer a mesma coisa de outra forma: o estado de qualquer ciência em um dado momento implica sua história passada e não pode ser satisfatoriamente transmitido sem tornar essa história implícita explícita. Permitam-me acrescentar desde já que esse aspecto pedagógico será levado em consideração ao longo de todo o livro e que guiará a escolha do material para discussão, por vezes em detrimento de outros igualmente importantes.

Em segundo lugar, nossas mentes são capazes de extrair novas inspirações do estudo da história da ciência. Algumas o fazem mais do que outras, mas provavelmente poucos são os que não extraem dela qualquer benefício. A mente de um homem deve ser de fato lenta se, ao se distanciar do trabalho de seu tempo e contemplar as vastas cadeias de montanhas do pensamento passado, ele não experimentar uma expansão de seus próprios horizontes...

Mas, além da inspiração, cada um de nós pode colher lições da história de sua ciência que são úteis, ainda que às vezes desencorajadoras. Aprendemos sobre a futilidade e a fertilidade das controvérsias; sobre desvios, esforços desperdiçados e becos sem saída; sobre períodos de crescimento interrompido, sobre nossa dependência do acaso, sobre como não fazer as coisas, sobre as margens de manobra a serem compensadas. Aprendemos a entender por que estamos onde estamos e também por que não estamos mais longe. E aprendemos o que funciona, como e porquê — uma questão à qual daremos atenção ao longo deste livro.

Em terceiro lugar, a maior afirmação que se pode fazer sobre a história de qualquer ciência, ou da ciência em geral, é que ela nos ensina muito sobre os caminhos da mente humana. Certamente, o material que apresenta diz respeito apenas a um tipo específico de atividade intelectual. Mas, dentro desse campo, suas evidências são quase idealmente completas. Ela demonstra a lógica no concreto, a lógica em ação, a lógica aliada à visão e ao propósito. Qualquer campo da ação humana demonstra a mente humana em funcionamento, mas em nenhum outro campo chegamos tão próximo dos métodos reais de trabalho, porque em nenhum outro campo as pessoas se dão tanto ao trabalho de relatar seus processos mentais. Diferentes homens se comportaram de maneiras diferentes a esse respeito. Alguns, como Huygens, foram francos e diretos; outros, como Newton, foram reservados. Mas mesmo os cientistas mais reservados são obrigados a revelar seus processos mentais, porque o desempenho científico — ao contrário do político — é autorrevelador por natureza. É principalmente por essa razão que se reconheceu muitas vezes — de Whewell e J.S. Mill a Wundt e Dewey — que a ciência geral da ciência (a Wissenschaftslehre alemã) não é apenas lógica aplicada, mas também um laboratório para a própria lógica pura. Ou seja, os hábitos ou regras de procedimento científicos não devem ser julgados meramente por padrões lógicos que existem independentemente deles; eles contribuem para esses padrões lógicos e reagem a eles...

Em quarto lugar, é razoável supor que os argumentos precedentes, pelo menos os apresentados nos dois primeiros tópicos, se aplicam com ainda mais força ao caso específico da economia. Analisaremos em breve as implicações do fato óbvio de que o objeto de estudo da economia é, em si, um processo histórico único... de modo que, em grande medida, a economia de diferentes épocas lida com conjuntos distintos de fatos e problemas. Só esse fato já seria suficiente para aumentar o interesse pela história da doutrina econômica. Mas vamos descartá-lo por enquanto para evitar repetições e enfatizar outro fato.

Veremos que à economia científica não falta continuidade histórica. Na verdade, nosso principal objetivo é descrever o que pode ser chamado de processo de Filiação de Ideias Científicas — o processo pelo qual os esforços humanos para compreender os fenômenos econômicos produzem, aprimoram e destroem estruturas analíticas em uma sequência incessante. E uma das principais teses a serem estabelecidas neste livro é que, fundamentalmente, esse processo não difere dos processos análogos em outros campos do conhecimento. Mas, por razões que também pretendemos esclarecer, essa filiação de ideias encontrou mais inibições em nossa área do que em quase todas as outras.

Poucas pessoas... estão dispostas a nos parabenizar por nossas conquistas intelectuais. Além disso, nosso desempenho é, e sempre foi, não apenas modesto, mas também desorganizado. Métodos de apuração e análise de fatos que são e eram considerados inadequados ou equivocados por princípio por alguns de nós prevalecem e prevaleceram amplamente sobre outros. Embora seja possível — como tentarei demonstrar — falar em nome de cada época da opinião profissional estabelecida sobre temas científicos, e embora essa opinião muitas vezes tenha resistido ao teste de resistência contra fortes divergências políticas, não podemos falar com a mesma segurança que os físicos ou os matemáticos...

E o remédio óbvio para as deficiências das obras de síntese é o estudo da história doutrinária: muito mais do que na física, por exemplo, é verdade que na economia os problemas, métodos e resultados modernos não podem ser plenamente compreendidos sem algum conhecimento de como os economistas chegaram ao seu raciocínio. Além disso, muito mais do que na física, resultados se perderam ao longo do caminho ou permaneceram em suspenso por séculos... Sugestões estimulantes e lições úteis, ainda que desconcertantes, têm muito mais probabilidade de chegar ao economista que estuda a história de sua ciência do que ao físico que, em geral, pode contar com o fato de que quase nada de valioso se perdeu do trabalho de seus antecessores. Por que, então, não começar de uma vez outra história de conquista intelectual?”


16 setembro 2024

BRASIL-CHINA-MUZEMA

O governo petista do Brasil nunca escondeu sua admiração pela China e por toda e qualquer ditadura derivada do marxismo, porque elas são uma poderosa justificativa para a filosofia que move o projeto econômico do presidente: O ESTADO INDUTOR DO DESENVOLVIMENTO, e o caso chinês, parece corroborar essa esperança, nunca concretizada em nenhum outro país do mundo, de que a interferência do estado pode realmente trazer a prosperidade, e levar um grupo nacional ao melhor dos mundos, seguindo o caminho exatamente contrário ao seguido pelas atuais superpotências econômico-sociais, todas capitalistas. Que se danem estas: existe a China!

Em 12 de abril de 2013, no Morro da Muzema, Rio de Janeiro, dois prédios desabaram do nada, matando 24 pessoas. Investiga daqui investiga dali, ficou-se sabendo que a construção dos prédios fora irregular, e que a empresa que os construiu era uma extensão ou cúmplices de bandidos milicianos, que se apropriaram do lugar e criaram um território de ilegalidade, subornos e violência, exatamente o que acontece em todas as ditaduras. Mas quem liga? Isso já é comum nas grandes cidades brasileiras!

Abaixo um documentários sobre o efeito do crescimento acelerado, artificial, promovido pelo estado, no setor mais importante da tecnologia e da economia chinesa: a engenharia civil, e a construção de prédios residenciais e rodovias; feitos às pressas, para alcançar metas burocráticas a revelia da qualidade e sem nenhuma preocupação com a integridade da população.

Em 1973 Chico Buarque, revoltado com os militares, cantava, na canção Fado tropical, que "essa terra, um dia, vai cumprir seu ideal, ainda vai tornar-se um imenso Portugal", que na época era uma ditadura, mas pela corrente política oposta à dele. Hoje, para sua alegria, e a dos que adoram o marxismo e as ditaduras dele derivadas, certamente se cantará assim: "mas essa terra ainda vai cumprir sua missão, ainda vai tornar-se um imenso Muzemão!" 

Enquanto isso milhares de famílias perdem tudo o que pouparam ao longo de sua vida, porque foram atrás de promessas do governo. Por que é tão difícil aprender com os erros dos outros?  

 







11 setembro 2024

VIVE LA FRANCE! POBRE BRASIL!

O POVO QUE SE ENVERGONHA DE SUA HISTÓRIA NÃO MERECE TER UMA

Em abril de 2014, o povo da pequena comuna francesa de Fontainebleau saiu às ruas vestido com roupas da época, para rememorar um fato famoso que aí aconteceu a 200 anos atrás: a despedida de Napoleão Bonaparte de sua Velha Guarda, a tropa de elite que fazia sua segurança e decidia as batalhas mais difíceis, antes de partir para o exílio na ilha de Elba, conforme acordado no Tratado de Fontainebleau, assinado aí mesmo, em 11 de abril de 1814, após o qual ocorreu uma famosa e emocionante despedida, quando os rudes soldados veteranos, choraram de vergonha pela derrota e o consequente exilio de seu comandante, que era um camarada para eles. Em Waterloo, no ao seguinte, eles se deixarão matar até o último, mas não se renderão.

Napoleão é um personagem controverso, os franceses bem o sabem, mas também é parte importante da história da França,  e certamente a cultura francesa de hoje muito lhe deve, no que tem de qualidades e defeitos. Napoleão foi o passado inevitável, resultado das circunstâncias e das possibilidades da época. Precisamos aceitar e agradecer pelo nosso passado, pelos nossos ancestrais, enquanto no esforçamos para não repetir os seus erros e aprimorar as suas qualidades, e é por isso que as crianças tomaram uma parte importante no evento aprendendo a amar sua pátria e a ser francês nos dias de hoje, resultado da sequência de todas as gerações que vieram moldando sua cultura, desde a mais remota antiguidade.

Bem diferente de nós, que buscamos a qualquer custo denegrir e enxovalhar, os personagens de nossa História, muitas vezes induzidos por mestres e doutores de nossas universidades, que deveriam ser os primeiros a julgar os fatos do passado no contexto mesmo de sua evolução histórica, e não de seus interesses e preconceitos pessoais. Os portugueses sumiram da história e passaram a ser tratados como "brancos" ou "europeus": como se eles fossem todos iguais, dificultando ou deformando a análise do passado; os bandeirantes são "genocidas" e "escravocratas", numa época em que todo mundo praticava a escravatura, inclusive os chefes africanos, fruto da perda completa do sentido da história como evolução; a Guerra contra o Paraguai, uma guerra entre dois países soberanos, começada pelo Paraguai, tornou-se um genocídio exclusivo do exército brasileiro, livrando a argentinos e uruguaios, que lutaram ao nosso lado,  e um êxito de vendas para um autor que não se pejou em falsificar o relato da testemunha ocular mais importante dessa guerra: o Visconde de Taunay; por fim a mesma ignorância dos fatos, indispensável para criar culpa e ódio, para matar o espírito de um povo, aparece na iniciativa bizarra do próprio Congresso Nacional ao eleger Antônio Conselheiro para o Panteão Nacional de Heróis e Heroínas. Uma DESMORALIZAÇÃO.

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AÍ CRIANÇADA!

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A CAVALARIA POLONESA COM SEUS QUEPES DE QUATRO PONTAS EM VERMELHO, E LANÇAS COM BANDEIROLAS. À FRENTE UM OFICIAL DOS HUSSARDOS, COM SEU CHAPÉU DE PELO DE URSO E MAIS ATRÁS OUTROS HUSSARDOS COM PENACHO BEM GRANDE NO QUEPE - OS HUSSARDOS ERAM A ELITE DA CAVALARIA


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A VELHA GUARDA, COM A TRADICIONAL BARBA. ELES ESTÃO DE AVENTAL PORQUE FAZEM PARTE DO GRUPO DE SAPADORES - ESPECIALISTAS EM DESTRUIR POSIÇÕES FORTIFICADAS


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A INFANTARIA DA VELHA GUARDA COM O SEU UNIFORME IMPECÁVEL, COMO ERA EM 1814. A HISTÓRIA DESFILANDO NAS RUAS.

Se quiserem ver isso em filme é mais interessante




10 setembro 2024

I-NI-MA-GI-NÁ-VEL!!! VIETNÃ - EUA

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https://www.defense.gov/Multimedia/Photos/igphoto/2003120229/

Minha geração cresceu vendo as imagens cresceu vendo as imagens terríveis da GUERRA DO VIETNÃ, nas revistas Cruzeiro, Manchete, Visão e Veja, numa época em que se achava que as pessoas não eram feitas de fios de algodão doce, e por isso nós todos tínhamos acessos a fotos diretas do campo de batalha, sem censura e sem borrões - estes eram apenas para pelados e peladas - e havia muito menos violência na sociedade, enquanto hoje, que a pretexto de proteger as pessoas de traumas e más sugestões visuais, se censura tudo, a violência, tanto a física natural como a sexual, estão fora de controle. 

Nós jamais imaginaríamos a cena acima, com o Secretário de Defesa americano Lloyd Austin III, apertando as mãos do seu homólogo vietnamita, general Phan Van Giang, em Siem Reap, no Camboja, 22.11.2022, numa reunião de Ministros da Defesa de países da área, sem a presença da China e da Rússia. O Vietnã, que é uma ditadura comunista, e que travou uma guerra medonha com os EUA, conseguem vencer o passado e estabelecer diálogos vantajosos com o o país mais poderoso do planeta, e tirar muitas vantagens disso, enquanto o Brasil, uma suposta democracia, vencendo o seu passado vantajoso de país amigo dos EUA, não cessa de fabricar conflitos com estes, enquanto tenta se aninhar junto ao concerto de ditaduras falidas.  


 

08 setembro 2024

CANUDOS, GUERRA INTERMINÁVEL - 18

http://ampfmairinque.org/wp-content/uploads/2022/05/00000-Presidente-Prudente-de-Moraes-1-2.png

https://ampfmairinque.org/patrimonio-historico/prudente-de-morais/

Sempre sobra pro Prudente...

Um certo senhor, veja abaixo, resolveu escrever um artigo confuso ao jornal Tribuna Piracicabana, que eu copiei abaixo, com um espaventoso título que procura ligar Prudente de Morais aos crimes cometidos em Canudos, de forma um tanto indireta, típico de quem emite uma opinião sobre algo que ignora, talvez para parecer mais politicamente correto. Decidi, portanto escrever-lhe uma resposta


Prudente de Moraes e a chacina do Arraial de Canudos

24 de setembro de 2021 

No Governo Prudente José de Moraes Barros, 1894 a 1898, havia grande influência política dos florianistas que buscavam o retorno dos militares ao governo – atente-se que os militares brasileiros são protagonistas de uma história de golpes e busca pelo poder — nada diferente do momento que vivemos hoje .

As forças armadas, segundo nossa Constituição, são organizadas como forças permanentes, organizações constituídas por militares profissionais que não dispõem de outra profissão que não seja de se prepararem e de se empenharem em operações de guerra na defesa do território ou dos patrimônios nacionais. Todavia os florianistas estavam próximos ao poder com possibilidade real de um retorno dos militares ao governo.

A Revolução Federalista encontrava-se em pleno andamento, o que aumentava a intranquilidade ao novo governo.

Para estudiosos, “a principal obra de Prudente de Moraes deveria ser, portanto, fazer o país retornar à normalidade, dentro do projeto político liberal da oligarquia cafeeira. Entre suas primeiras realizações, esteve o fim da Revolução Federalista, em agosto do ano de 1895, que na realidade, já havia perdido muito do seu vigor quando da substituição de Floriano Peixoto. Assim, a habilidade política de Prudente, anistiando os principais líderes maragatos, foi importante para o encerramento relativamente pacífico das hostilidades no Rio Grande do Sul”.

O Governo de Prudente de Moraes buscou também resolver questões diplomáticas pendentes ao período imperial. Em sintonia com o momento político que vivia reatou relações diplomáticas com Portugal, rompidas por Floriano em 1893. Desta forma, com a intermediação de Portugal, Prudente tomou posse da ilha de Trindade, tomada do Brasil pela Inglaterra. Em seu governo, também Prudente resolveu as questões das fronteiras com a Argentina, na região das Missões.

Prudente implementou políticas econômicas em protecionismo aos cafeicultores, contrariando as tendências nacionalistas e até modernizadoras dos primeiros governos republicanos. As taxas alfandegarias protecionistas, que de algum modo, se mantinham desde o período de Rui Barbosa, foram alteradas com elevação dos valores em dezembro do ano de 1897.

Diferente do que se ensinava nas histórias contadas aos alunos do ensino fundamental no Estado de São Paulo a grande mancha do governo Prudente de Moraes surgiu com o conflito de Canudos.

A Guerra de Canudos foi um conflito que envolveu a população sertaneja do Nordeste, principalmente da Bahia. Suas causas aludem a situação fundiária do país e ao total abandono em que se encontravam as populações mais humildes.

Nossa estrutura agrária, acontecia com um total descaso das elites conservadoras e do governo com uma população sertaneja. A tensão social explodia com frequência.

Historicamente as alternativas disponíveis à população do sertão eram mínimas. Uma era de banditismo social com moldagem do cangaço. Consequentemente, havia muito misticismo religioso: uma população condenada à miséria material passava a acolher apoio no imaginário espiritual, devoção religiosa com forte exaltação mística: de salvação eterna em troca das misérias terrenas.

Antônio Conselheiro percorria por longas jornadas o interior do Nordeste a pé, realizando discursos e profecias, dando conselhos, proclamando a fé no Reino de Deus. Nos seus limites prestava assistências à população mais severina, como líder comunitário em uma sociedade abusada.

Longas batalhas surgiram desde 1896 com expedições do exército brasileiro para destruir a força motivadora da adoração espiritual e a resistência de um povo que não tinha nada e reivindicavam vida digna. Primeira expedição com cerca de 100 homens do exército foi massacrada pelos moradores de Canudos.

Na segunda expedição foram 500 soldados, além de metralhadoras e canhões, fracassou a caminho do arraial. Nova expedição vem na sequência com 1300 homens trazidos do sul do país, também fracassou.

Definitivamente veio o massacre do Arraial de Canudos que somou um contingente de 15 mil homens trazidos de todas as partes do país. O Arraial de Canudos sofreu intensivos bombardeios, sitiados sem suprimentos ou água, seu destino estava selado, com uma população de 30 mil habitantes. Em 5 de outubro de 1897, o arraial foi derrotado, com os últimos defensores sendo mortos e degolados pelas tropas.

Velhos, crianças cidadãos comuns também foram degolados, mulheres estupradas, antes de encontrarem o mesmo fim, uma covardia que se configura até hoje como o maior massacre em território nacional atribuída a um governo e ao exército brasileiro.

Para quem se interessa por essa história em todas suas controvérsias não pode deixar de ler “Os Sertões” de Euclides da Cunha que interpretou a guerra de Canudos a partir de fontes orais, como os poemas populares e as profecias religiosas, encontrados em papéis e cadernos nas ruínas da comunidade. Baseou-se em profecias apocalípticas, que julgou serem de autoria de Antônio Conselheiro, para criar, em Os sertões, um retrato sombrio do líder da comunidade. Estes poemas e profecias foram o ponto de partida de sua visão de Canudos como movimento sebastianista e messiânico, vinculado a religiosidade da Igreja Católica do século XIX.

Logo, toda deferência ao governo Prudente de Moraes precisa de uma análise histórica mais profunda com pesquisas em novas fontes para sanarem dúvidas que na literatura posterior conta ouvindo-se apenas os vitoriosos sem que os derrotados contassem as suas verdades.

José Osmir Bertazzoni, jornalista, advogado.


Minha resposta:

Afinal o que pretendeu o Sr. Bertazzoni com esse artigo? Ele se propõe a falar sobre Prudente de Morais e a chacinha do Arraial de Canudos, e é justo isso que não faz, ou o faz de forma desnecessária, por meio de generalidades triviais.

1º - Ignora por acaso que Canudos nunca se rendeu nem ensejou qualquer negociação? – a rendição do Beatinho, com velhos mulheres e crianças foi algo absolutamente privado, e só depois da morte do Conselheiro.

2º - Ignora que os canudense resistiram de armas nas mãos, até à morte, ao cerco do exército. Em vista disso eu pergunto: quando um membro do PCC mata um policial ele está cumprindo a lei e habilitando para ser posteriormente declarado herói? Os policiais que, num confronto legítimo, matam membros do PCC, estão praticando uma chacina, são criminosos, e merecem a reprovação da sociedade?

3º - Ignora que quem começou e tocou fogo na guerra com Canudos, foi o vice de Prudente, Manoel Vitorino, que se bandeou para o lado dos militares radicais, aproveitando-se do momento em que Prudente tirou licença saúde, em 10.11.1896, só voltando justo no dia anterior à chacina de prisioneiros, doentes e feridos da Expedição Moreira Cesar, pelos canudenses, a pauladas, golpes de facão, machadadas e coronhadas, como disse uma jagunça num interrogatório posterior, “para economizar balas”.

4º - Ignora que além de massacrar prisioneiros, doentes e feridos do Exército Brasileiro e da Polícia da Bahia, o Conselheiro, numa decisão de selvageria rara, ordenou que se tripudiasse de seus cadáveres, deixando-os expostos ao tempo, “enfeitando” a estrada, além de mandar uma ameaça de morte para as autoridades, que se atrevessem a dar ‘palpites’ ali. Esse foi o tratamento mais desumano e brutal já recebido por soldados do Exército Brasileiro em ação, por parte de um inimigo, em toda a sua história.

5º - Ignora que a indissolubilidade e a incolumilidade do território nacional, e a expressa proibição de secessão deste território, presente em todas as Constituições, que era o que o Conselheiro fazia, quando proibia as leis, o dinheiro e a jurisdição das autoridades republicanas no território sob sua influência, que ia além da área do arraial? Não se faz guerra a um estrangeiro que queira tomar território nacional? Se o estado devia deixar aquela área para o Conselheiro, então vale deixar em paz a traficantes, milicianos e criminosos em geral que se apropriam de bairros inteiros em nossas cidades? Se um pode, todos podem

6º - Ignora que as operações de guerra do Exército ficavam a cargo de generais que conspiravam contra ele, Prudente, nomeados por Vitorino, e que tentaram matá-lo, em 5 de novembro?

7º - Ignora que nem todos os oficiais de alta patente executaram prisioneiros. Segundo o soldado gaúcho Isidoro Virginio, o comadante do 12º BI, o General Carlos Maria Silva Teles, soltou seus prisioneiros, apesar da ordem de degola do comandante Arthur Oscar. O General Savaget, segundo Frank McCann, também se opunha aos métodos de Oscar, O General Girard e mais dois outros tiraram licença para não participar daquilo. A frase de Machado Bittencourt, nomeado por Prudente, de que em Monte Santo, não havia lugar para prisioneiros, pode ser perfeitamente entendida como: “para que a gente quer prisioneiro? “Decida como quiser, libera esse povo!” Como Carlos Telles fez, e não foi repreendido. A degola não era uma política de governo, sequer do Exército, mas de alguns militares que precisam ser nomeados. Nunca foi da tradição do Exército Brasileiro, desde as Invasões Holandesas, massacrar prisioneiros. Pode-se acusar o exército de leniência com Arthur Oscar e seus cúmplices, mas a situação era muito confusa na época e as instituições periclitavam.

A verdadeira história, a história científica, baseada em documentos e análises descontaminadas de ideologia maniqueísta, análise crítica, não moralista, sobre Canudos, ainda não foi contada – precisamos muito do material do exército.

Ou seja, a guerra ainda nem começou; e já tem gente entregando as armas.

 

07 setembro 2024

ROTEIRO DA CAMPANHA DE CANUDOS - 2

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1893-1896 - I

Após o entrevero em Masseté, Conselheiro abandona uma comunidade que fundara numa fazenda próxima a vila de Bom Jesus, em 1886 (1), e se interna com sua gente no curso médio do rio Vaza-Barris, uma região muito seca e isolada do nordeste da Bahia. Aí se apropria, em junho de 1893, de um casario, conhecido como Canudos, nas terras de um tal Dr. Fiel, que, segundo Benicio (1899) possuía várias fazendas no local e que, segundo outros autores era de gente submetida à influência ao Barão de Jeremoabo. No local havia umas 50 casas de taipa, e uma pequena capelinha, dedicada a Nossa Senhora da Conceição. O lugarejo é rebatizado pelo Conselheiro como Belo Monte.

O local realmente era muito pobre, exceto pela presença da família de Antônio Mota, próspero comerciante de couro e proprietário rural e da família dos Macambira, de agricultores, que possuíam mais terras e viviam em casas melhores. Outro personagem importante do lugar era o também comerciante e pequeno proprietário Jesuíno Lima, que mais tarde se tornará inimigo incondicional, no estilo do velho semiárido, dos conselheiristas

A presença do Conselheiro provoca um movimento de imigração para o local, de gente interessada em usufruir da fama de santidade do Conselheiro e de quebra algum milagres que ele pudesse realizar, pois a sua fama nesse sentido já corria os sertões, como é comum nesses casos, além da ideia de prosperidade e até riqueza associadas à proximidade com gente “santa”, como é próprio do Antigo Testamento (José do Egito, Salomão etc.) e da religiosidade popular.

O tamanho de Canudos e sua população

A fantasia mais delirante surgida em torno do Belo Monte é que o arraial chegou a possuir mais de 20 mil habitantes, a cifra mais comum, até chegar ao superabsurdo de mais de 30 mil! Defendida esntre outros por Frederico Pernambucano em a Guerra total de Canudos – se isso não parar, talvez em breve descubramos que havia uma Londres ou uma Paris, no sertão da Bahia, no final do século XIX.

A primeira questão que se coloca é: como sustentar uma população dessa envergadura?

Primeiro: a área onde estava localizado o Belo Monte é uma das pobres em termos de pluviosidade – enquanto a média anual de chuvas é de uns 380mm/ano, a média de evaporação por mês é de 110mm, em virtude das altas temperaturas e das características do solo. Não há excedente pluviométrico em mês algum.

Segundo: o fornecimento de água não é garantido. O rio Vaza-Barris só corria no seu leito por uns três meses ao ano. No resto do ano o povo ia pegar água, por meio de baldes, em cacimbas escavadas no leito do rio.

Terceiro: a qualidade do solo, majoritariamente raso, arenoso, pouco permeável, muito acido, muito pedregoso e facilmente erodível, não era propício a uma agricultura ou pecuária de alto rendimento. Mesmo nos poucos lugares onde era possível uma agricultura de excedente, havia, e ainda há, a necessidade de química para a correção do solo e cuidados com a erosão.

Quarto: Belo Monte ficava na região do polígono das secas, logo dominada pela instabilidade do clima semiárido, o que dificultava ainda mais a vida de uma comunidade, que fugia de contatos regulares com o entorno mais desenvolvido, para transferência de mercadorias e tecnologia, além da possibilidade de onipresentes contaminações espirituais.

Sem o concurso da agricultura, pela qualidade do solo e a estabilidade do clima, só restavam quatro alternativas: grandes obras de engenharia (diques, canais, aquedutos) e adubação intensiva do solo, posição favorável em grandes rotas comerciais, como em Juazeiro e Petrolina, uma indústria poderosa, a extração de bens minerais ou alguma coisa muito cobiçada sob controle do arraial. Não se achou nada disso em Belo Monte.

Simplesmente não havia produção de alimento para sustentar uma aglomeração desse porte, e a divisão dos bens se impunha muito mais por causa da pobreza extrema do que por uma presunta prosperidade, e menos ainda como causa dessa ‘prosperidade’, como querem socialistas/marxistas, a revelia da história, das condições objetivas do lugar e da mentalidade pré-capitalista do Conselheiro e sua gente. Até hoje, mesmo com o açude de Cocorobó, Nova Canudos não consegue sustentar 20 mil habitantes, quanto mais naquela época.

Por fim resta o testemunho de Honório Vilanova, irmão de Antônio Vilanova, a Nertan Macedo (1983, p 129), quanto, ele recordou uma declaração do Conselheiro, logo após a saída dos frades capuchinhos: “Conheço os padres falsos. Os que eu quero abraço. Aceito quem credita no Bom Jesus. Ando nesse mundo imitando a Deus Nosso Senhor. Quando ele andava na terra seguiam-no 5 mil pessoas: e as boas andam em companhia das más, porque assim ganham a salvação”, que repetia outra que ele já ouvira do mesmo Conselheiro:  Quando Jesus Nosso Senhor andou pela terra foi acompanhado de cinco mil pessoas. No meio delas havia mais gente detestada do que boa. Ao lado do Bom Jesus [que supostamente seria ele mesmo] já tem o mesmo número de pessoas” (idem p 70) (2). 

Portanto algo em torno de cinco mil pessoas, espalhados em centenas de casas, seria o número mais razoável para população de Canudos, que durante a campanha recebeu ajuda material e voluntários das fazendas no entorno.

Outro testemunho fundamental quanto a isso é o do próprio Honório Vilanova a Macedo (idem, p 133). “Pensavam os soldados [e muito mestre e doutor hoje] que o peregrino tinha gente demais, quando éramos poucos, bem distribuídos e melhor entrincheirados”.

A questão agora é com você leitor, se vai acreditar numa testemunha ocular ou no seu mestre ideológico.

 

Nota

1 – Nessa época, novembro de 1886, o delegado de Itapicuru, oficiou ao Chefe de Polícia da Bahia a sua preocupação com a presença de homens armados, entre os conselheiristas ((Macedo - Maestri. 2004), um detalhe que será muito mencionado nas correspondências ao Barão de Jeremoabo, posteriormente. Isso pode ter acontecido como uma cautela pelo fato de ele ter sido preso em 1876, sob falsa acusação de assassinato, além das tratativas das autoridades, naquele momento, e posteriormente, de interna-lo num asilo de alienados no Rio de Janeiro. Há um indícios de que após este acontecimento, ele começa a chamar a atenção por, além das atividades espirituais e obras de piedade habituais, se fazer acompanhar por gente armada, sem ele nem o seu entorno, verem contradição no fato de um penitente, que busca na imitação de Jesus Cristo a remissão de seus pecados, se fazer proteger por um grupo armado.

2 - isso remete ao texto de Mt 14,21; Mc 6,44; Lc 9,14 fala em “quase cinco mil homens”; Jo 6,10 fala em “homens em número de cinco mil aproximadamente”. Essa gente não o seguia, mas se reuniu-se fortuitamente numa ocasião ou duas, interessadas em ouvir o seu sermão e fazer refeição grátis. Jesus, por sinal, os escorraça ainda nesse mesmo capítulo: 6,66. Acho que é por aí, em torno de 5 mil, uma grande parte crianças, que se deve contar os moradores de Belo Monte.  Conselheiro por seu lado, cercou-se de gente armada pra evitar uma melhor da imitação de seu Deus, que rendeu-se aos seus inimigos e por eles foi morto, o que no caso dele poderia acabar em prisão ou hospital psiquiátrico. O destino mais cruel, sofreu-o aquela pobre gente: os seus seguidores.

Bibliografia 

Macedo, José R – Maestri, Mario; Belo Monte um história da Guerra de Canudos; Expressão Popular; São Paulo; 2004

Benicio, Manoel; O rei dos jagunçosCrônica histórica e de costumes sertanejos sobre os acontecimento de Canudos; Jornal do Commercio; Rio de Janeiro, 1899

Macedo, Nertan; Memorial de Vilanova; Renes; Ri de Janeiro; 1983

Junior, Israel de Oliveira; Da mata branca ao estado de degradação: a desertificação em Canudos (BA); UFBA (Instituto de Geociências); dissertação de Doutorado em Geografia; Salvador; 2019

https://entreasecaeacerca.wordpress.com/2013/10/19/geografia-canudense/

http://solosne.cnps.embrapa.br/index.php?link=ba

(Abaixo: Honório Vilanova (esquerda) e outro sobrevivente de última hora do cerco de Belo Monte, Chiquinhão, se encontram inesperadamente em 1949, Vilanova morava no Ceará e foi a Canudos a convite do advogado e pesquisador cearense Pedro Wilson Mendes, e prestam uma homenagem no local onde supostamente foi enterrado o peregrino Antônio Conselheiro. Ambos com chapéu na mão, ricos e pobres tinham a mesma educação)

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https://cangaconabahia.blogspot.com/2011/10/



GLADIADOR, O FIM DA LINHA


 https://eclecticlight.co/wp-content/uploads/2016/02/geromepolliceverso.jpg

https://eclecticlight.co/2018/07/26/too-real-the-narrative-paintings-of-jean-leon-gerome-4/

Eduardo Simões

Essa tela de Jean-Leon Gerôme (1824-1904), representa um momento crucial para de um gladiador. Depois de uma vida de duros combates, lutando por sua vida ou integridade física, é, afinal, derrotado por outro, mais hábil, e para ele não está adiantando entender os três dedos da mão direita ao público, pedindo clemência, porque a parte mais nobre da plateia, aquela cuja opinião realmente importa, ou importava mais, ao imperador, sentado entre as duas colunas róseas, já decidiu, com o polegar para baixo, que quer ver o 'golpe de misericórdia'. Talvez nos seus áureos tempos esse gladiador fosse um tanto arrogante e pretensioso, como muitos quando 'estão por cima', não tenha conquistado um grande fã clube, talvez as pessoas estejam aborrecidas com algo: um imposto novo, alguém famoso que foi executado recentemente, um desastre, etc. e resolveu descontar nele que, em vão, pede clemência. 

Sobre o jogo de gladiadores é bom saber que, a grande maioria não acabava com a morte do vencido (isso era combinado antes com o empresário, e espetáculos que terminavam em morte eram muito mais caros, em geral só a elite e os imperadores podiam pagar - ganância e ambição também salvam vidas). Ele deveria ter piedade? Há o túmulo de um gladiador em Roma que, contando a história do seu 'proprietário', diz que este se apiedou de um companheiro, apesar do pedido de morte do público, mas, posteriormente, teve outra luta com esse mesmo e perdeu, e o vencedor não desapontou ao público. O texto, decerto escrito por seus amigos, termina dizendo que espera que a sua história sirva de exemplo àqueles que nesse mundo, ainda se deixam levar pela misericórdia.

Esse quadro de Gerôme é tão genial, que ele pintou até os raios de luz do sol, passando pela lona que cobria o coliseu nos dias de sol muito forte, manualmente estendidas e depois recolhidas em enormes rolos, por numerosos escravos.

A tecnologia parece não ser suficiente para melhorar os instintos cruéis do s homens, bastando que apareçam as ocasiões propícias. A brutalidade pré-histórica está sempre dentro de nós, seja nas planícies da Rússia e da Ucrânia, seja no sertão do semiárido brasileiro, em Canudos e alhures

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