07 setembro 2024

GLADIADOR, O FIM DA LINHA


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https://eclecticlight.co/2018/07/26/too-real-the-narrative-paintings-of-jean-leon-gerome-4/

Eduardo Simões

Essa tela de Jean-Leon Gerôme (1824-1904), representa um momento crucial para de um gladiador. Depois de uma vida de duros combates, lutando por sua vida ou integridade física, é, afinal, derrotado por outro, mais hábil, e para ele não está adiantando entender os três dedos da mão direita ao público, pedindo clemência, porque a parte mais nobre da plateia, aquela cuja opinião realmente importa, ou importava mais, ao imperador, sentado entre as duas colunas róseas, já decidiu, com o polegar para baixo, que quer ver o 'golpe de misericórdia'. Talvez nos seus áureos tempos esse gladiador fosse um tanto arrogante e pretensioso, como muitos quando 'estão por cima', não tenha conquistado um grande fã clube, talvez as pessoas estejam aborrecidas com algo: um imposto novo, alguém famoso que foi executado recentemente, um desastre, etc. e resolveu descontar nele que, em vão, pede clemência. 

Sobre o jogo de gladiadores é bom saber que, a grande maioria não acabava com a morte do vencido (isso era combinado antes com o empresário, e espetáculos que terminavam em morte eram muito mais caros, em geral só a elite e os imperadores podiam pagar - ganância e ambição também salvam vidas). Ele deveria ter piedade? Há o túmulo de um gladiador em Roma que, contando a história do seu 'proprietário', diz que este se apiedou de um companheiro, apesar do pedido de morte do público, mas, posteriormente, teve outra luta com esse mesmo e perdeu, e o vencedor não desapontou ao público. O texto, decerto escrito por seus amigos, termina dizendo que espera que a sua história sirva de exemplo àqueles que nesse mundo, ainda se deixam levar pela misericórdia.

Esse quadro de Gerôme é tão genial, que ele pintou até os raios de luz do sol, passando pela lona que cobria o coliseu nos dias de sol muito forte, manualmente estendidas e depois recolhidas em enormes rolos, por numerosos escravos.

A tecnologia parece não ser suficiente para melhorar os instintos cruéis do s homens, bastando que apareçam as ocasiões propícias. A brutalidade pré-histórica está sempre dentro de nós, seja nas planícies da Rússia e da Ucrânia, seja no sertão do semiárido brasileiro, em Canudos e alhures

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