https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/8/8b/Lady-Florence-Baker.jpg
https://en.wikipedia.org/wiki/Florence_Baker
No confuso contexto da Revolução Húngara de 1848, contra a
dominação austríaca associada a porções da elite húngara, um grupo de
guerrilheiros romenos, que aproveitaram para também cobrar aos austro-húngaros
o reconhecimento de sua nacionalidade, atacaram a cidade de Nagenyed, hoje
Aiud, em território romeno, e massacraram boa parte da população húngara
residente, entre estes a família de um militar húngaro de origem nobre, da qual
só escapou Bárbara Maria Sáscz, com apenas oito anos, depois de assistir ao
massacre de toda a sua família. Os romenos, chefiados por Ioan Axente Sever –
hoje herói nacional na Romênia – levaram Bárbara e se livraram dela. Talvez a
tenham vendido para algum mercador de escravos.
Em janeiro de 1859, o oficial do exército, explorador e
escritor inglês Samuel White Baker, e seu amigo, o príncipe sihk Dunleep Singh,
estão em Vidin, na Bulgária, entabulando amizade com o Paxá do lugar, quando, por
insistência do Paxá, acompanhou-o a um mercado de escravos, pois Baker era
abolicionista convicto. Lá ele viu se apaixonou por uma jovem e bela escrava
branca que estava a venda: era Bárbara – com quase 18 anos – mas havia um
problema: o Paxá também a quis para o seu harém, e logicamente ela acabou nas
mãos deste.
Mas Baker, junto com o amigo, chutando para longe os
objetivos da viagem, raridade em um inglês vitoriano, tramaram um plano, e
arriscando tudo, talvez até a vida, subornaram os guardas, pegaram a jovem e
fugiram do país. O Paxá foi chorar suas pitangas com as outras.
A intuição, a inspiração, seja o que for de Baker foi
incrível. A jovem, que mudou seu nome para Florence, foi um “achado”, sabia
falar várias línguas (inglês, turco e árabe), era cheia de sabedoria de vida e
expedientes, e topou na hora a vida de aventuras em que Baker vivia, tornando-se
sua companheira nas suas incríveis aventuras – uma vez salvou-o numa enrascada,
porque Baker, que se irritara com o comportamento dos carregadores africanos, e
ameaçava por a expedição a perder, a intervenção dela levou a um acordo, que
agradou as partes, e a expedição prosseguiu.
Numa dessas expedições, para descobrir as nascentes do Rio
Nilo, os dois foram os primeiros europeus a ver o Lago Alberto, em 14.03.1864 (imagem
abaixo). Os relatos de suas aventuras foram parar em livros que correu o mundo
e os tornaram famosos e financeiramente ricos, e nesse ínterim ela e o marido viajaram
o mundo, conheceram grandes personalidades, reis, rainhas, e paisagens naturais
deslumbrantes, que hoje não existem mais.
O casal continuou unido até 1893, quando Samuel Baker morreu.
Ela morrerá em 1901, e nesse meio tempo Samuel receberá da rainha o grau de cavaleiro,
tornando-se ‘Sir’, de sorte que a órfã húngara traumatizada, raptada, escrava
vendida em praça pública, morrerá com o título de ‘Lady Baker’, membro do grupo
social mais seleto e importante do mundo de sua época. O nome disso é fé,
esperança e proatividade, buscar aprimorar-se mesmo nas condições mais
adversas. A alternativa é ficar bancando o coitadinho, lamentando a sorte e
viver implorando aos outros, ou ao estado, para resolverem seus problemas para você.
Outra coisa é que não devemos menosprezar alguém que está numa condição social precária, inclusive na condição de escrava. Precisamos aprender a ler o caráter das pessoas, para além de sua fama ou etiqueta social, e isso só se aprende cultivando em nós mesmos nossas melhores qualidades. Quantas pedras de diamante já não foram confundidas com pedaços de vidro e vice-versa?
A rainha Vitória recusou-se a recebê-la, e não fez muita questão
de proximidade com Samuel, pois não via com bons olhos aquela relação, afinal
ele roubou-a de outro, após tentar compra-la – ‘algo, deveras, muito
inapropriado’ – e também porque soubera que o casal teve momentos de íntimos,
antes de se casar regularmente – certamente que ele já tinha visto muito mais que
o calcanhar dela.
Para sorte da Inglaterra, com políticos, militares, homens de negócio, administradores e até aventureiros tão competentes, como os que haviam, a rainha nem precisava ser muito inteligente.
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