30 abril 2024

IMAGEM: O ESPORTE FAVORITO DO HOMEM... ANTIGO

 

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Esse quadro do pintor inglês Lucas Seymour (1849-1923), embora retrate uma situação ambientada em 1760, na verdade foi pintado em 1890. Ele mostra um quadro idealizado do século XVIII, um século aristocrático e agrário, que estava vendo a Revolução Industrial, nos seus primórdios, algo muito comum no fim do século XIX e início do século XX, quando então a Europa Ocidental começava a experimentar alguns dos efeitos mais negativos da dita revolução: poluição, sujeira, crescimento explosivo e concentrado da população, em especial nas cidades, com o esvaziamento do campo, que não foi causa da Revolução Industrial, como diz Marx, mas antes a sua consequência. Fugia-se do campo para estar na cidade, um ambiente mais dinâmico e próspero, não só para conhecer as novidades como também para prosperar, para crescer como empreendedor. Mais ou menos como acontecia com os servos na Idade Média, embora com outros resultados, mais compatíveis com o desenvolvimento das “forças produtivas”. O quadro mostra o flerte, de um jovem soldado, um granadeiro real, com uma tímida moça do interior. Ela se fecha e se resguarda, seguindo as expectativas sociais vigentes para uma moça de sua classe, conforme os ditames dos valores da época, enquanto o jovem soldado, movido por uma incontrolável energia hormonal, tenta, por meio de gracejos, ou de uma conversa forçosamente alegre, abrir o escudo moral sob o qual a jovem se protege. Terá sucesso? Ambos, e o ambiente à sua volta, são pobres, mas há um ar de dignidade, talvez mais proveniente do olhar das pessoas de classe média do século XIX, únicas em condição de comprar um quadro de Seymour, do que das condições reais da vida camponesa do século XVIII na Inglaterra, em que pese aí, na Inglaterra, viver uma elite do campesinato, quando comparados com a situações dos congêneres da Europa. Havia por assim dizer uma idealização de um período, uma época de grandes antepassados e pessoas corretas, honestas e amáveis. Um mito? Mas o que seria das grandes nações sem os seus mitos. Aliás, não existem nenhuma grande nação, que tenha se feito sem o cultivo de mitos generosos. Já um povo que só consegue ver maldades e patifarias no seu passado, não passa de um fracassado contumaz, e nem merece ser chamado de "povo".


29 abril 2024

IMAGEM: O NOVO CHEGA DO JEITO ANTIGO

 

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Quando o czar Pedro I da Rússia chegou ao poder, em maio de 1682, ele tinha uma única e furiosa meta em mente: MODERNIZAR A RÚSSIA, e para ele isso significava torna-la cada vez mais parecida com o Ocidente, inclusive no modo de trajar, e os maiores obstáculos a essa modernização era o comportamento retrógrado dos boiardos, o título em russo de seus nobres - eles eram também muito violentos, mas quem se importa com isso? Querendo acabar com a "marra", ou a resistência, dos boiardos, Pedro ordenou que grupos de soldados fossem aos lugres onde eles eram mais frequentes, em especial nas vilas do interior da Rússia, e, de posse de uma decreto real, os forçassem ali mesmo a adotar um exterior ocidentalizante, a começar pela redução do tamanho das barbas - no ocidente voltara a moda da cara lisa, além das perucas brancas - e o tamanho de suas longas vestes, parecidas com uma sobrepeliz, caríssimas. E não adiantava reclamar, como faz o boiardo à direita, quando o soldado, um homem do povo, daqueles que muitos boiardos espancavam até à morte por motivo fútil, lhe toca o ombro. O boiardo mais a direita já está de acordo com a lei. Violência para conseguir mais civilização e costumes mais doces, costuma ter o efeito justo oposto. Aliás a selvageria sempre torna de debaixo do tapete, como vemos na Rússia de hoje. Abaixo a estranheza que a moda feminina ocidental, do início do século XVIII, causava no povo da Rússia de então. Até o cachorro está curioso. A mulher da esquerda, de mãos postas, como que incrédula, a dizer, "como é que você tem coragem de mostrar tudo isso", mirando o decote, o cabelo e metade dos braços nus. A babushka não quer nem olhar, já o velho e o rapaz, nas extremidades, não parecem tão desaprovadores.

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27 abril 2024

GLAUBER BRAGA, O SOCIALISTA SINCERO...



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https://brazilurgente.com.br/deputado-glauber-braga-troca-empurroes-com-kim-kataguiri-veja-video/

Eduardo Simões (a Margarida Guimarães)

Quanto Lula e o PT ganharam as eleições de 2022, a frase que mais se ouviu, da parte da esquerda, foi: “O AMOR VENCEU!” Contrapondo-se ao seu adversário, qualificado como portador do DISCURSO DE ÓDIO, amparado por um certo GABINETE DO ÓDIO, amplamente repetido e difundido pela EXTREMA IMPRENSA ou IMPRENSA MILITANTE, em especial os veículos de mídia da REDE GLOBO, e nesta a GLOBO NEWS.

Enlevados por tanto amor, a gente chegou a imaginar que a tola e contraproducente polarização acabaria num passe e mágica, e por isso muitos nem perceberam as palavras de Lula, já na posse, quando acusou seu adversário de “genocida” várias vezes, sem que qualquer juiz do STF, emitisse qualquer declaração, pelos menos pedindo serenidade, ou quando muito, coerência com o discurso de AMOR e RECONCILIAÇÃO NACIONAL, que o presidente e os seus faziam, nas entrevistas antes de depois das eleições.

Tampouco as pessoas se deram conta da gravidade da omissão das autoridades do governo eleito, no rumoroso episódio do 8 de janeiro, complementada pela destruição de várias horas de tumulto gravadas pelas câmaras de segurança dos prédios dos 3 Poderes, por ordem do “MINISTRO DA JUSTIÇA”, posteriormente premiado com uma vaga no Supremo Tribunal Federal, que permitiram, na ausência das provas destruídas, criar uma justificativa de “golpe”. A extrema imprensa, tentou colar a etiqueta de TERRORISMO nessa mazurca absurda, e criou-se um ambiente de CAÇA ÀS BRUXAS, mas só àquelas que faziam parte do redil do candidato derrotado – toda sorte de ilegalidade tem sido apontada, por quem se diz especialista, no inquérito aberto e conduzido pelo Supremo, movido pela máxima: “QUEM AMA NÃO PERDOA, E ATÉ MATA”, como aconteceu com um pai de família cardíaco, mantido 7 meses em prisão preventiva...

E assim nós vivemos realidade paralela, onde o governo e os seus áulicos, dentro e fora das estruturas políticas, reforçavam o discurso de AMOROSIDADE, PACIFICAÇÃO NACIONAL e PROGRESSO INSTITUCIONAL, quando os fatos apontavam para o contrário.  Coube a um deputado federal socialista, mostrar a todos a verdadeira natureza e a intenção da 'esquerda' no poder em nosso país.

No dia 16 de abril, o Deputado Federal Glauber Braga, do PSOL, Partido socialismo e Liberdade (pode existir algo mais contraditório?), teve um ataque de coerência e sinceridade explícita, quando avançou contra um militante e desafeto político do MBL, o jovem Gabriel Costenaro, do Rio de Janeiro, que fora ao CONGRESSO NACIONAL apoiar a pauta de reivindicações dos motoristas de aplicativos. As câmeras o mostram assuntando selvagemente o militante, puxando ostensivamente a sua gravata, e sem que este mostrasse qualquer sinal de reação, o desvairado começou a empurrá-lo PARA FORA DO PRÉDIO DO CONGRESSO NACIONAL!!!! E chegando fora chutou-o..........

Quem visse essa cena diria: TÁ DANDO, ZEBRA? Imaginem um coronel antigo, desses mais truculentos do sertão, no início do século XX, desses que os esquerdistas reviram estômago e olhos só de mencionar ao condená-los ao pior dos infernos socialistas, essa foi exatamente a postura de Braga, e, pior ainda, ele não se acalmou, apesar de seus assessores tentarem de todos os modos conte-lo e chama-lo à razão, e perseguiu o rapaz, que queria voltar para DENTRO DO PRÉDIO DO CONGRESSO NACIONAL....

Isso até me lembra a política brasileira que era praticada no fim do século XIX e início do XX, e vejo como essa juventude ama seus antepassados, inclusive os mais brutos, inclusive naquilo que as pessoas respeitáveis mais abominavam: o PATRIMONIALISMO, quando os velhos coronéis dos mais abandonados rincões se apropriavam da coisa pública e a usavam como se fosse sua. Este velho professor de História quase chega às lágrimas. Só que, neste caso, ninguém sabia que o deputado Glauber Braga havia comprado ou alugado o PRÉDIO DO CONGRESSO NACIONAL... Deve ter feito muita hora extra, ou como diria Lula: “ele é o Ronaldinho da ocupação de prédios públicos". O MST não sabe o que está perdendo.

Não satisfeito, saiu dali e foi procurar briga com o seu colega deputado Kim Kataguiri, o qual acusou de “DEFENSOR DO NAZISMO”, ou seja, à mais insana violência e descontrole emocional, o deputado somou uma ignorância cavalar da história, em especial sobre a natureza do regime nazista, que, segundo essa mesma 'esquerda', é o seu maior inimigo. Isso é o que dá assistir aulas de história com professores doutrinadores. O deputado Braga quis dar demonstrações de seu amor incondicional, segurando os braços de Kataguiri, querendo partir para cima, sendo necessário a ação de seguranças para conte-lo outra vez, como acontecia com aquele tal, que vivia escarafunchando os cemitérios de Gadara, na Palestina, no tempo de Jesus, e que nem correntes o seguravam. Graças a Deus hoje existem CAMISAS DE FORÇA, que, a partir desse episódio, deviam ser incluídas no arsenal de suporte durante os debates no Congresso Nacional. Vade retro!

A desculpa do deputado por esse destrambelhamento, era que Costenaro era adversário político de sua mãe, no seu estado de origem, o Rio de Janeiro, e havia ameaçado de morte a “maman”, e por causa disso a piração toda. Mas a mãe dele, por acaso, mora no PRÉDIO DO CONGRESSO NACIONAL? Vai se mudar para lá? Olha o trabalho que dá varrer tudo aquilo, limpar as vidraças, etc. sem falar que um ambiente é muito mal afamado, e só é recomendável a mamãe entrar depois que os senhores deputados, senadores tiverem saído....

Mas quem imaginava que o deputado e sua tchurma sairiam com elegância, ou com amor, o amor tradicional a que estávamos acostumados, antes da chegada dos socialistas, e que, após esfriar a cabeça, e perceber o tamanho da asneira, o deputado se desculparia, como um bom adepto do GOVERNO DO AMOR, enganou-se. O amor desse governo, escorado no seu órgão de censura, o SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, é  AMOR DE BANDIDO.

Num evento de fanáticos socialistas; desses que já perderam a muito tempo a capacidade de esconder o ódio visceral que sentem por todos que pensam diferente deles, coincidentemente servidores das universidades federais públicas, o ilustre deputado proclamou o seguinte, misturando um punhado de mentiras a um ódio profundo e até genocida, digno, segundo as os socialistas, apenas da extrema-direita: “É fundamental que essa luta seja traduzida no ANIQUILAMENTO daqueles que querem destruir os institutos federais e as universidades públicas brasileiras: os liberais e fascistas de plantão” (https://oantagonista.com.br/brasil/deputado-do-psol-clama-por-aniquilamento-dos-liberais/#google_vignette). Só faltou um jornalista da Globo News dizer que isso foi uma “brincadeira”.

Processa-se assim, de maneira quase literal, o acordo que previra Friedrich Hayek, a respeito da união natural da extrema esquerda e da extrema direita, em seu livro O caminho da servidão (5ª edição; Instituto Liberal; Rio de Janeiro, 1990), em direção a um consenso que levaria ambas as correntes a combater o seu inimigo por natureza: o liberalismo, uma vez que fascismo e comunismo diferem apenas no método.

Depois de citar Max Eastman, um comunista que mais tarde virou fascista, Hayek diz: “Não menos significativa é a história intelectual de muitos líderes nazistas e fascistas. Todos os que têm observado a evolução desses movimentos... surpreenderam-se com o número de líderes, começando por Mussolini (sem excluir Laval [da França] e Quisling [Noruega])  que a princípio eram socialistas e acabaram se tornando fascistas ou nazistas... A relativa facilidade com que um jovem comunista podia converter-se num nazista ou vice-versa era notória na Alemanha... na década de 30, muitos professores universitários conheceram estudantes ingleses e norte-americanos que, regressando da Europa [especialmente França, Alemanha e Itália], não sabiam ao certo se eram comunistas ou nazistas – sabiam apenas que detestavam a civilização liberal do Ocidente” (p 51-52).

Após citar um autor que dizia que o liberalismo era o sistema mais odiado por Hitler, Hayek lembra que: “este ódio teve poucas oportunidades para se manifestar na prática simplesmente porque, ao tempo em que Hitler subiu ao poder, o liberalismo [que nunca dispôs de uma grande base social durante o II Reich], para todos os efeitos estava morto na Alemanha. O socialismo [que aí prosperara, perfeitamente adaptado ao estado autoritário prussiano] o havia liquidado” (p 52).

Ao colocar o liberalismo ao lado do fascismo, a esquerda brasileira busca criar, junto à opinião pública, uma justifica para exterminar todos aqueles que lhe fazem oposição séria e sistemática, por causa da natureza diferenciada dos sistemas, enquanto deixa em aberto associações que facilitam a vida ora de um como do outro extremo, como aconteceu com a derrocada da Lava Jato começada pelas iniciativas do presidente Jair Bolsonaro, visando proteger seu filho Flávio, e que favoreceu Lula; e mais tarde na associação do PL com o PT para derrubarem Sergio Moro e ficar com sua vaga no Senado, entre outros, autorizando-nos a dizer que tanto o desempenho de Dilma, que era do PT, foi fundamental para a eleição de Bolsonaro, assim como o desempenho de Bolsonaro, que é de “extrema-direita”, facilitou a eleição de Lula, pela “extrema-esquerda”. 

E quanto aos liberais? Segundo Hayek, para nazistas e comunistas “é impossível qualquer tipo de entendimento com os que realmente acreditam na liberdade individual” (p 52) E se vier algum tipo de “aniquilamento”, no estilo Glauber Braga, contra os liberais, tenhamos certeza de que isso será feito com todo AMOR.

Se você duvida pergunte a um jornalista da Globo News.

 


26 abril 2024

A MORTE DA ALMA DE GOGOL

 

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/0/0b/Gogol_by_Repin.jpg

 https://en.wikipedia.org/wiki/Nikolai_Gogol#/media/File:Gogol_by_Repin.jpg

(Uma interpretação sensacional da fatídica noite de 20 para 21 de fevereiro, feita pelo incrível pintor russo, Ilya Repin (1844-1930))

Eduardo Simões (a Margarida Maria)

Na madrugada de 20 para 21 de fevereiro de 1852, o escritor Nilkolai Vasilievich Gogol, a tempos atormentado pela decadência física, pela depressão, agravada por um obsessivo sentimento de culpa, turbinado, talvez, pelas orientações excessivamente rigoristas de seu mestre espiritual, o padre ortodoxo Matiev Konstantinovich, que lhe escrevera recentemente uma carta recomendando-lhe se livrar de algumas de suas obras, além de se renegar definitivamente de seu grande ídolo, o poeta russo Alexander Pushkin (1799-1837), acorda o seu servo Symeon e pede que lhe acenda o fogo da lareira, e ali põe-se a queimar seus escritos, inclusive a continuação do primeiro volume de sua última trilogia: Almas mortas, em que pretendia fazer uma releitura da Divina comédia de Dante. Depois disso o escritor entra numa fase de autopunição e misticismo delirante, e, aproveitando que estava na quaresma, acentuou o jejum, que o padre lhe recomendava para salvar sua alma atormentada – tendo mergulhado tão fundo no ethos sombrio da sociedade russa, como mostra naquele romance, é possível também que o pobre escritor tenha também adquirido uma espécie de estresse pós traumático – que resultou na sua morte por autoinanição, semelhante aos que perecem por anorexia, como  aconteceu com a cantora Karen Carpenter, em 4 de abril daquele ano.

Muito se questiona sobre o papel do padre Konstantinovich por essa que foi uma das maiores tragédias da literatura, uma vez que o livro ficou reduzido apenas à sua primeira parte, que, ainda assim, pelo seu impacto, pode muito bem rivalizar-se com as maiores obras da literatura mundial. As questões são colocadas da seguinte maneira.

a) O padre Konstantinovich, que alcançou um alto grau na Igreja Ortodoxa Russa, é descrito como um homem muito severo na sua doutrina moral e na sua teologia, mas coerente com os seus ensinamentos: vivia humildemente, tinha fama de ajudar muito aos pobres, praticava rigorosos jejuns.

b) A relação do padre com Gogol, era muito ambígua, segundo aqueles que conviveram com os dois, ora o repreendia e ameaçava com os castigos eternos, ora o afagava e elogiava, dando sinais de grande ternura para com o escritor. Não raro eles brigavam fortemente para depois se reconciliarem, cheios de promessas mútuas de respeito recíproco. A personalidade frágil e a sensibilidade exacerbada do escritor, pode ter entrado num processo de indecisão, semelhante ao do Burro de Buridan, com o final a propósito.

c) Mas o padre também, segundo a Wikipedia russa, usou da influência de Gogol para melhorar a situação de um filho e uma filha seus.

d) Estranhamente os padre pediu que as cartas que ele escrevera a Gogol, nos cinco anos que privaram um do outro, e que estavam na casa de um amigo comum, o conde Alexander Tolstoi, fossem queimadas, de tal sorte que hoje é impossível saber exatamente o que o padre Matiev recomendava a Gogol, como remédio para salvar a sua alma, e até que ponto ele contribuiu para a morte do escritor. Sabemos que ele pediu a Gogol para não publicar a segunda parte de Almas mortas, que Gogol lhe dera para uma leitura crítica, e sugeriu a queima de alguns escritos, mas ele queimou tudo, de sorte que o padre foi o único ser humano que leu a segunda parte dessa obra, mas também levou-a consigo para o túmulo.

e) O padre sempre se preocupou com o fato de acharem que ele fora o responsável pela morte de Gogol, mas ele disse também que não se arrependia de nada, e que deviam lhe agradecer por ele ter conseguido “salvar a alma” de Gogol, embora a morte deste tenha se dado no limite entre uma doença mental e um suicídio proposital – as últimas palavras de Gogol mostraram-no consciente de sua morte próxima, ao mesmo tempo em que ele recusou terminantemente a quebrar o jejum estapafúrdio ou receber qualquer auxílio médico.

Grande artista, descanse em paz...

Um selo da Rússia atual dedicado a Gogol (abaixo). Embora os russos façam por merecer sobre si todas as armas e munições, que o Ocidente está mandando para a Ucrânia, é um absurdo querer punir o ditador sanguinário Vladimir Putin, pelo boicote aos autores mais representativos da cultura e da civilização russa. É impossível viver sem a arte e a cultura russas, e se considerar culto ou civilizado.


https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/a/ac/Russia-Stamp-2009-NGogol.jpg

https://en.wikipedia.org/wiki/Nikolai_Gogol#/media/File:Russia-Stamp-2009-NGogol.jpg

Fontes:

Wikipedia em russo: Константиновский, Матвей Александрович; Гоголь, Николай Васильевич.

       “           em inglês: Nikolai Gogol


23 abril 2024

OPINIÃO: ALMAS MORTAS, A PROPÓSITO DO "TIO PAULO"


https://obemdito.com.br/noticia/231426/sobrinha-do-tio-paulo-foi-agredida-na-cadeia-diz-advogada-de-defesa

(Erica descobrindo tarde demais o horror de seu crime; mas como ela poderia distinguir o que é horroroso do que é correto, numa sociedade repleta de horrores?)

Eduardo Simões (a Margarida Maria)

Dias atrás, tivemos a versão bem brasileira da novela do escritor russo Nikolai Gogol (1809-1852), almas mortas, quando um espertalhão de nome Pavel Tchitchikov, resolve comprar para si, por uma fração do preço, o registro de servos já mortos, ainda em posse de seus amos, antes do fim da servidão na Rússia, em 1861.

Explicando: antes de 61, uma grande quantidade de servos nos domínios de um nobre enchia-lhe de honra e de garantias, caso quisesse, por exemplo, contrair um empréstimo ou adquirir mais terras. O lado negativo era que também isso aumentava a quantia de imposto per capita a ser paga ao estado. Para um camarada esperto e empreendedor, isso não era problema, e dava para enriquecer com os lucros do trabalho dessa gente, os servos, que vivia numa situação miserável.

Tchitchikov um espertalhão da cidade, descobriu um jeito de se dar bem nesse contexto tão cruel e desigual: juntando algum dinheiro ele começou a visitar as herdades dos nobres, no interior mais remoto da Rússia, propondo comprar os registros daqueles servos que já tinham morrido, e pelos quais o proprietário ainda poderia ter que pagar imposto, por causa da morosidade dos serviços burocráticos do estado russo (a gente nem sabe o que é isso!). Num bom negócio para ambos. Ele então usava dos registros desses mortos, para apresentar-se como um rico proprietários entre a gente rica, mas simplória do interior, e conseguir no banco local, polpudos empréstimos, dando como garantia justo os registros desses mortos. Aqui entra a ironia máxima dessa obra: na linguagem da nobreza servo-feudal russa, os servos eram tratados como “almas”. Eles se expressavam assim: “tenho cem almas de servos”. O sonho de Tchtchikov era terminar seus dias como um abastado proprietário rural no interior da Rússia, devendo tudo o que tinha aos mortos que ele comprara.

No caso brasileiro, uma pobre moça, talvez um pouco desastrada ou imatura, como milhões de outras vivendo nos subúrbios das grandes cidades brasileiras, marcada e morta o suficiente para tentar tirar partido de uma situação que lhe seria prejudicial: a morte do “Tio Paulo”, de quem cuidava, e de quem recebia os poucos cascaminguás que usava para se sustentar e a seus filhos, e então resolveu levá-lo desse jeito mesmo; morto, embora elegante e bem vestido, para um banco e aí contrair um empréstimo de uns 17 mil reais, pouco mais que 12 salários mínimos, certamente para se safar no curtíssimo prazo, em função da exiguidade do empréstimo.

Pega em flagrante. A gerente desconfiou da imobilidade, do mutismo e da aparência pouco fagueira do morto. Erica enfrentou a execração de seu bizarro plano, difícil de entender por quem não conhece ainda bem natureza humana ou não vivenciou a brutalidade, de nosso subúrbios, tão ativos como os antigos campos russos, em produzir almas e corpos; todos mortos.

Mas aí vem a questão, uma vez que o horror ao gesto de Erica tem sobretudo um forte aspecto moral, estarão os bairros centrais ou suburbanos, onde mora por vezes uma abastada burguesia, completamente indiferente à sorte de nossos subúrbios pobres e do povo em geral, a ponto de reagir violentamente ou com deboche à notícia das centenas de milhares de vítimas da covid, da pandemia, e da pobreza nossa de cada dia, enquanto lesam irmãos e parentes próximos em divisões de herança, buscam por vantagens exclusivas, senão lesivas, junto a amigos bem situados; e o que dizer dos políticos, daqueles que se elegem à custa de mentiras e vãs promessas e vivem a votar vantagens para si mesmos; estará essa gente menos morta do que Erica, inclusive as suas companheiras de desdita, as presas, que lhe ministraram uma surra tremenda dentro da prisão?

No fundo o doentio e o neurótico da novela de Gogol não era tanto o personagem central, mas o ambiente de falsidade e aparência em que todos viviam, ou fingiam viver, criando inclusive a possibilidade de os servos, após criarem tanta riqueza para os seus mestres, sem um pagamento justo, de continuarem a gerar renda e vantagem para estes, mesmo depois de mortos.

Talvez o melhor nome para a novela, e o caso de Erica, fosse sociedade morta, e se assim é, onde estamos que não vejo Deus?

OPINIÃO: ACORDO STF-TSE-PT: O ESGOTO ESTOUROU...

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https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/jr-guzzo/regime-lula-stf-quer-disfarcar-desgoverno-no-pais-com-linchamento-de-bolsonaro/

Eduardo Simões (a Margarida Guimarães)

As revelações dos chamados Twitter Files (Arquivos do Twitter) pelo milionário Elon Musk, ao ser encurralado pelo extravagante e onipotente, Alexandre de Moraes: “o STF sou eu”, colocaram uma luz cinzenta na escuridão, em que se debate a natimorta democracia brasileira de 88.

O fato de o sonho da democracia brasileira, friso bem sonho, e não realidade, ter durado tão pouco não deve admirar ninguém, pois nossa sociedade é cultural e historicamente autoritária, marcada por 400 anos de escravidão ainda não de todo curados.

O famoso Tiradentes sempre foi um exótico solitário que nunca fez escola, e por isso teve a morte que teve, por pouco seu companheiros não o trucidaram com as próprias mãos, sem a apoteose que se seguiu à execução de Jesus, que teve companheiros mais leais, vivia em um ambiente mais democrático, pelo menos no que diz respeito à liberdade de expressão, que naquela época, de Jesus, se manifestava na liberdade de religião, sem esquecer que um escravo alforriado, ou filho de um, o célebre Diocleciano, se tornou imperador de Roma – antes de Barack Obama – enquanto nós, até hoje, não tivemos a oportunidade de ver um descendente de ex-escravos na presidência. Estes têm de se conformam em representar patéticos ministros de Direitos Humanos, em um governo que adora frequentar quem não os respeita.

Só o total desapreço pela democracia justifica o fato de mais de 93% dos eleitores, no último pleito, tenham descarregado o seu voto nos dois candidatos, que nunca perderam a oportunidade demonstraram o seu desapreço pela democracia. Lula é a extrema esquerda, e por isso está sempre trocando de pele, para justiçar sua existência e sua fama de oportunista, enquanto avacalha a metamorfose de Raul Seixas, e Bolsonaro é tão seguro e construtivo para a democracia como um trem desgovernado ou um míssil balístico sem o giroscópio...

Como se não bastasse, o conteúdo revelado pelos ofícios do senhor Alexandre de Moraes ao Twitter/X, e as ações, que todos conhecemos, derivados dos escândalos descobertos e encobertos da Lavajato, mostram descaradamente os juízes do STF-TSE agindo no sentido de controlar o resultado das eleições, senão no sentido garantir a vitória de um pelo menos evitar a eleição do outro. Mas quem pode garantir alguma coisa nessa história, exceto a de que a eleição de 2022 não foi justa? Afinal muita coisa ainda pode sair da leitura minuciosa dos arquivos, assim como dos testemunhos na comissão de inquérito aberta para investigar esse assunto. Os hackers russos, ouso dizer, fizeram escola, e não nos falta sequer um Taras Buba, na versão do ator Yul Brynner, que por sinal era de origem russa.

Mas, desgraça nossa, desculpem-me se sou repetitivo, esses arquivos, escritos em português e produzidos no Brasil, não serão abertos por uma comissão do nosso “brioso” Congresso Nacional, onde os deputado temem mais o poder de um certo juiz do STF, que os antigos hebreus temiam a Ramsés II, na versão hollywoodiana dos Dez Mandamentos, em virtude de assuntos mal resolvidos, ou quiçá bem resolvidos demais no passado, e por isso eles foram abertos, e serão escarafunchados, por uma comissão do Congresso Americano, nos EUA – Lula e a esquerda terão um pretexto que fazer aquilo que todos sabiam que eles gostariam de fazer, mas que o negavam incessantemente, e só para proteger a “soberania nacional” aliarão o país aos regimes mais ditatoriais, cruéis e genocidas do mundo, contra as democracias, nas quais, numa espécie de cegueira intelectual e moral seletiva, veem toda sorte de ameaças e opressão, que não conseguem enxergar nas ditaduras – que saudades do tempo em que eles diziam abertamente que a liberdade de expressão era apenas “um mito burguês”. Será que estamos sendo enganados?

Será que nós, que já inovamos no decurso dos governos Lula II e Dilma I e II, espalhando a corrupção privada sobre a América do Sul e na África, patrocinada por um governo supostamente socialista, inovaremos mais uma vez ao instalar uma ditadura asfixiante e opressora para proteger a democracia e a liberdade de expressão? No estilo do “famoso” general Figueiredo: “É para abrir mesmo [democratizar o regime militar], e quem quiser que não abra, eu prendo. Arrebento”, ou mesmo como os militares de março de 1964, que inauguraram 20 anos de regime autoritário militar, para “salvar a democracia”.

O velho Barão de Itararé dizia, às vésperas de mais um golpe na política brasileira, do seu tempo, “há mais coisas no ar, do que os aviões de carreira”, hoje também pode-se notar uma coisa no ar. Uns dizem que tá “mais pesado”, não sei como mediram isso. Outros dizem que há cheiro de “chifre queimando”, talvez se referindo aos embates do PT, gente teimosa, com o Legislativo, idem, mas há um certo ar de Watergate, de fim do governo Collor, mas principalmente do primeiro, quando não deu tempo de queimar as provas e tudo começou num Comitê da Casa de Representantes do Congresso dos Estados Unidos da América, e na sua Corte Suprema...

 Que ainda pode ser chamada por esse nome.


 

17 abril 2024

UCRÂNIA: A POLÍTICA EXTERNA CATASTRÓFICA DOS ESTADOS UNIDOS (corrigido em 18.04.2024)



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https://www.chinadaily.com.cn/a/202105/07/WS6094d9eea31024ad0babc83a.html

Eduardo Simões (a Margarida Maria)

Os superficiais e ignorantes sempre acreditaram que a força de Roma repousava nas suas legiões, ignorando a intensa e eficiente atividade diplomática, que sempre precedia os conflitos, por vezes esvaziando-os antes de começarem, graças aos quais os adversários eram isolados e se obtinha o concurso de forças aliadas, barateando o custo da guerra enquanto reduzia o seu alcance. Graças a essa ação, eles eram capazes de isolar conflitos potencialmente "mundiais", e transforma-los em guerras localizadas. Não fosse assim eles não teriam podido arcar com o custo de manter as legiões necessárias para enfrentar as guerras ocorridas na construção do império – uma legião em operação tinha um custo exorbitante – e nunca haveria a estabilidade que teve, se fosse baseasse apenas na violência.

Na história da humanidade, o povo que chegou mais perto do ideal romano foi sem dúvida os ingleses, cuja diplomacia é muito gabada entre os especialistas, e os que leem, construtores que foram de um grande império, quando a humanidade passou por um processo de desenvolvimento econômico e tecnológico incomum, bem diferente daqueles que lhe sucederam na direção das tendências mundiais: os americanos.

Os EUA, ao contrário dos países da Europa, não nasceu do projeto de uma elite esclarecida, que ficou maturando por séculos, sofrendo as piores vicissitudes, antes de alcançar o estado-nação contemporâneo. Antes foi um amálgama de povos criados às pressas, enquanto fugiam das perseguições na Europa. Tudo que aqueles colonos queriam era se ver livres de governantes “metidos”, para viver de acordo com seus valores comunitários rotineiros, paroquiais. A elite nascida desse povo tinha um projeto nacional interessante, mas de curto alcance. era o que eles mais queriam.

Para mal dos pecados, ou virtudes, deles e nossas, o projeto deu certo, e no final do século XIX, os EUA firmaram-se como a maior potência econômica do mundo, com uma mentalidade média semirrural, pretensiosa, que se orgulhava de ignorar o mundo, por considera-lo "indigno", um tanto "pecaminoso", exceto na hora de fazer negócios. Havia um autonomismo, uma autossuficiência, ignorante e conformada, e, segundo um autores americanos (Sellers, C. May, H. McMillen, N.; Uma reavaliação da história do Estados Unidos; Jorge Zahar; 1990),  para garantir que as coisas continuassem assim, buscavam eleger à presidência personalidades apagadas o bastante para não se arriscarem a criar um estado grande internamente, que se intrometesse nos assuntos dos indivíduos, ou a se meter em aventuras externas, salvo para garantir o interesse de indivíduos americanos.

Havia, pela classe média, uma avaliação muito superficial sobre a motivação básica da natureza humana, tomando como indiscutível o conjunto de valores que moviam a sociedade americana, visto como modelo válido para todas as outras. Como certa vez me disse o antropólogo americano Sidney M. Greenfield, o cidadão médio americano, tende a acreditar que todos pensam como ele e que cultuam os mesmos valores, de tal sorte que se alguém se desvia desse comportamento, ou dessa lógica, o faz por ignorância, e então precisa-se mandar mais dinheiro, mais professores ou mais séries de TV sobre o american way of life idealizado (assisti a muitas na adolescência!), ou então por má fé; e se isso prejudica os interesses americanos, e o dinheiro extra não é suficiente, então está na hora de mandar os marines. É evidente que hoje em dia esse tipo de cultura está em transformação, sem ninguém, mesmo nos EUA, saber dizer com certeza para onde vai – Donald Trump é um sintoma.

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(Acima, é isso que os americanos gostam de penar sobre seus líderes. São bobos da corte para consumo e diversão interna, mas desgraça para o resto do mundo)

 

Seja como for, forçados pelas circunstâncias os americanos inevitavelmente, em função do caráter das antigas relações internacionais, começaram a intervir no mundo – já em 1802, no governo Jefferson, a marinha americana atacou o Império Otomano, na Líbia, por causa da pirataria contra navios americanos, e em 1895, deteve uma agressão certa da França e da Inglaterra juntas contra a Venezuela, etc. Esse poderio entretanto foi recolhido no momento mais crucial: na Primeira Guerra Mundial, quando os americanos ficaram fora dos tratados e discussões preliminares, que poderiam ter evitado a guerra, enquanto já participavam, por meio de ameaças e ações militares diretas, para “proteger seus interesses”, em outras partes do mundo, como na China, no Japão e no Caribe, pois não havia interesses americanos imediatos envolvidos. Ficando de fora no início da Guerra de 14 os americanos tiveram lucros fabulosos com a venda de mercadorias e capitais para a Europa em chamas, só entrando no conflito devido ao desastrado jogo diplomático alemã, senão eles teriam assistido de camarote a derrocada de seus "amigos" mais próximos - ainda assim criaram um monte de dificuldades de caráter nacionalista, quase pondo tudo a perder.

No final da guerra o país praticamente rompeu com os seus aliados: recusou-se a assinar o Tratado de Versalhes e à fundação da Liga das Nações, investiu um monte de dinheiro na Alemanha, ajudando-a a reerguer a sua economia, e fez bons acordos comerciais e de troca de tecnologia com a União Soviética nascente – o mercado financeiro americano, com poderosos financistas judeus, que odiavam o antissemitismo dos czares, remeteu muitos recursos para a Revolução de 1917. Os alemães, por sua vez, foram fundamentais para que os bolcheviques conquistassem a vitória e a Revolução Russa tomasse o rumo que tomou, além do reerguimento da União Soviética, no tempo de Stalin.

Os americanos,  fechados no seu isolamento, começaram a fazer as loucuras que levariam à derrocada do capitalismo liberal em 1929: 1º - começaram a exigir fortemente dos países europeus, seus ex-aliados, destruídos pela Guerra, o pagamento integral dos empréstimos de guerra; 2º - aprovaram uma série de leis protecionistas draconianas, para atender aos apelos da indústria doméstica: a Tarifa de Emergência de 1921, a Tarifa Fordney McCumber de 1922, e, finalmente, em plena depressão, a Tarifa Smooth-Hawley de 1930; ou seja, ao mesmo tempo que o estado americano cobrava impiedosamente aos devedores, impunha tarifas, que impediam a estes acesso ao rico mercado americano, o único ainda de pé, tornando impossível àqueles saldar suas dívidas. Os europeus responderam na mesma moeda, e o comércio internacional, que poderia ser a saída salvadora, colapsou, agravando a depressão. Graças também aos efeitos dessa depressão econômica, Hitler e seus nazistas começaram a parecer razoáveis aos alemães.

Começada a Guerra, os americanos voltaram a sonhar em permanecer isolados, enquanto observavam seus antigos aliados virarem pó, enquanto a Alemanha Nazista e a União Soviética se fortaleciam por meio de acordos secretos. Quando a máscara caiu e a Alemanha atacou a URSS, enquanto o Japão, encurralado por Roosevelt e a esquerda americana, agora convencida que Hitler não era um “bom companheiro”, atacou, os americanos tiveram que correr para compensar o atraso. Ou seja, a sua espera só fez agravar as perdas, e quando os EUA interviram o fez de forma tão desastrada que acabou por fomentar o próximo conflito mundial, fornecendo, por meio da Lei de Empréstimos e Arrendamentos, material e capital abundante à União Soviética, enquanto cedia empréstimos usurários para a Inglaterra, que teve que ceder várias de suas bases pelo mundo afora, criadas ao longo de 250 anos, em troca do apoio militar americano. 

Quando a guerra acabou o Império Britânico era apenas uma sombra e a União Soviética evoluiu de um país falido, antiquado, para uma potência capaz de enfrentar os Estados Unidos em pé de igualdade, amplamente financiada por este (!) – Stalin se recusou a devolver ou a pagar o equipamento civil e militar recebido durante a guerra, avaliado em centenas de bilhões de dólares atuais. Ah, se a Ucrânia dispusesse desse crédito! Além disso a URSS foi ajudada por cientistas alemães, levados à força para o país, e pelo saque da parte da Europa Oriental por ela conquistada. A URSS saiu da guerra territorialmente maior e mais forte do que quando entrou.

A marca da política externa americana nesses episódios cruciais, onde eles podiam fazer a diferença, foi a de estar sempre atrasada, fazendo-o às vezes de forma equivocada, talvez ingênua demais, como os planos de Wilson para a paz Mundial, ou os devaneios de Roosevelt em relação ao Papai Stalin, o resultado é que os americanos, após grandes sacrifícios, acabam suscitando inimigos cada vez maiores e piores, para si mesmos, reforçando a crença de que os outros povos são "maus" e é melhor evita-los, como propõe Trump. Mas decerto que a pior das intervenções americanas foi a injustificada, imoral, idiota, desgraçada e catastrófica intervenção, do republicano George Bush, filho, no Iraque, contra tudo e contra todos, até contra o Papa, mas com o apoio massivo da sociedade americana. Essa intervenção desestabilizou politicamente o Oriente Médio e desmoralizou o papel mediador dos EUA nas crises dessa região. Nesse sentido é de notar-se que a invasão do Iraque, fez as crises do Oriente Médio perderem o seu caráter regional, local, e tornarem-se mundiais, da mesma forma que o cozimento, pelos americanos, da guerra na Ucrânia,   ameaça escalar para a Europa e o mundo. Justo o inverso de Roma.

Quando a Rússia invadiu a Ucrânia, desmoralizando as três maiores potências ocidentais, Estados Unidos, Reino Unido e França, que haviam assinado, em 1994, o Memorando de Budapeste, em troca de a Ucrânia ceder o antigo arsenal nuclear da URSS à Rússia, que também assinou o memorando, essas potências, tomando a Crimeia, essas mesmas lideradas por Barack Obama, apostaram na Rússia (!), e negaram toda ajuda à Ucrânia. Quando houve a invasão, agora com Joe Biden, limitaram-se a oferecer asilo para o governo Zelenski, esperando que uma vitória fácil de Vladimir Putin o contentasse, e ele deixasse seus vizinhos em paz, exatamente como ingleses e franceses fizeram com Hitler em 1938, no Pacto de Munique, quando entregaram os tchecos numa bandeja a Hitler, esperando com isso deter a guerra.

A ajuda militar foi chegando à Ucrânia como que a conta-gotas, até hoje os ucranianos ainda não foram autorizados a pilotar os F-16, tivesse ela sido mais rápida e em quantidade suficiente, Putin, percebendo o tamanho das perdas e a incompetência do comando russo, inventaria uma desculpa do tipo: “eu só queria dar uma lição na Ucrânia”, teria tirado suas tropas, e estariam agora negociando só a Crimeia, e os ucranianos teriam boas motivações para negociar, afinal se livrariam de uma guerra e teriam mostrado força a Putin.

Mas agora é tarde! Com todas as barbaridades já cometidas pelo russos, e o nível da destruição generalizada no país, os ucranianos não podem querer menos que a expulsão total dos russos, e só aceitarão negociar quando a população do país estiver á beira à extinção, ao mesmo tempo que os russos depois de tantos assassinatos políticos, tantas refinarias bombardeadas, sem falar que as perdas de militares e materiais, que deve ser muito maior do que a gente pensa, o que gerará um gigantesco prejuízo na hora de indenizar as famílias, sem falar das derrotas humilhantes, não aceitará menos que a Ucrânia toda, ou pelo menos a maior parte dela, com suas maiores cidades, como troféu de guerra, sabendo que se a Rússia sair derrotada Putin morre no dia seguinte.

A longa guerra serviu de pretexto para destruir o que sobrava de democracia na Rússia, e esta mergulhou decididamente no mesmo totalitarismo da era soviética, enquanto boa parte da população, saturada de propaganda e desinformação, cultiva um verdadeiro culto às armas de destruição em massa, colocando sobre os seus carros modelos de mísseis intercontinentais, como o “SARMAT”, acreditando piamente que a Rússia está só sendo paciente com o Ocidente, e que, na hora que Putin quiser risca os Estados Unidos e a Europa Ocidental do mapa, sem nenhuma consequência para o seu país. Será que essa cultura não está também presente nas atuais elites militares e políticas da Rússia.

Percebendo a hesitação e a política apaziguadora do Ocidente na Ucrânia a China se encheu de audácia, na esperança de recuperar Taiwan, e se livrar dessa situação anômala, que é o status político de Taiwan: nem país independente nem província de fato da China, graças a uma inovação grotesca da política externa americana, fruto de remendos diplomáticos de curto prazo, na chamada “Ambiguidade Estratégica”, que diz que Taiwan pertence à China, mas quem manda nela é os Estados Unidos. É uma humilhação constante para a China, algo feito para não dar certo.

Enquanto a questão ucraniana foi mantida ao longo dos dois últimos anos, pelos americanos, em “banho maria”, à custa de centenas de milhares de vítimas e a destruição minuciosa da Ucrânia, a tensão aumentou enormemente no Extremo Oriente, explodiu no Oriente Médio, o Ocidente sofre derrotas políticas e militares importantes para os mercenários russos na África e até a América Latina, por meio da falida Venezuela, fala grosso com o grande primo do norte.

Conclusão

Os americanos, e o estado nacional por eles criados, mostraram, a partir da segunda metade do século XX, uma notável inaptidão a exercer o Imperium sobre o mundo, que, no nosso nível de civilização consiste basicamente em organizar espaços, administrar e esvaziar conflitos regionais, desentupir canais de comércio para favorecer a circulação de riquezas, que geraria uma maior distribuição da renda mundial. 

Após a Segunda Guerra, eles, junto com os russos comunistas, pasmem, puseram-se a acelerar o desmonte de antigos impérios, cujas estruturas antiquadas precisavam ser recicladas antes de receberem uma revoada de novas nações precariamente organizadas, seja pela militância esquerdista, baseada apenas em um discurso difuso de ódio contra quem detinha antes o poder, seja por acordos comerciais-financeiros entre empresas américas e elites isoladas, artificiais e corruptas. 

Os russos queriam aumentar o seu império ao estilo antigo, e os americanos fazer bons negócios, mas com isso o que eles conseguiram foi destruir os alicerces políticos delicados, que davam estabilidade ao mundo moderno, que agora está solto, ao sabor das ondas, e o que vemos agora é o espalhamento de conflitos internos, guerras civis, golpes de estado, guerras internações, potenciais ou em andamento, em todos os continentes, menos na América do Norte, por enquanto, anunciando uma grande conflagração mundial, que, esperamos, não seja a última 



 

IMAGEM: ENTREGA A DOMICÍLIO (1916)

 

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https://nzhistory.govt.nz/media/photo/aerial-bomb-aiming-1916

Um tripulante de um balão do Serviço Aéreo Naval Real, inglês, prepara-se para jogar um bomba de 16 libras (7,3 kg de explosivos) sobre as posições alemãs na França, em 1916, na Primeira Guerra Mundial. Por acaso, neste momento, ele se encontra na gôndola de um balão dirigível, mas o mesmo método era usado se lançada de um avião. As mais pesadas eram lançadas dos aviões, por um processo exclusivamente mecânico, controlado pela intuição do piloto. Nesse caso acertar no alvo era praticamente um milagre, bem diferente de hoje quando explosivos dessa natureza são entregues em mão, muitas vezes caindo no colo do recebedor, por um enxame de drones, como vemos na Invasão da Ucrânia.





10 abril 2024

A CIÊNCIA E A ECOLOGIA NA HISTERIA CLIMÁTICA



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https://www.ivoox.com/histeria-climatica-audios-mp3_rf_114883501_1.html
(ATENÇÃO: a expressão acima está em castelhano - em português não se acentua HIPOCONDRIA)

Eduardo Simões (a Margarida Maria)

Essa semana, a terceira de março, alguns órgãos da imprensa brasileira, alardearam, histéricos, um novo índice climático, cuja natureza facilita com que se propague os maiores absurdos ou fraudes: a SENSAÇÃO TÉRMICA. Mas antes de entrarmos nesse assunto, alguns parâmetros precisam ficar claros.

Existe uma cultura ecológica positiva, que nasce do aprimoramento do conhecimento científico sobre as relações entre o clima e o ambiente natural e humano, em busca de um equilíbrio, que impeça que o poder transformador do homem acabe por impactar irreversivelmente um nicho ecológico local, com prejuízos, a longo prazo, para o bem estar daqueles que vivem ali.

A destruição açodada de ambientes selvagens (= áreas de selvas), de espécimes vivas animais e vegetais, sem qualquer perspectiva de, com esse sacrifício, salvar vidas humanas ou construir uma situação muito clara de bem estar coletivo a longo prazo, não deve ser tolerada, e a manutenção dos parques nacionais, e dos estudos de impactos ecológicos para projetos em áreas de matas, devem ser mantidos rigorosamente, da mesma forma que devem ser estimulados os projetos que visem aprimorar ou intensificar o uso de recursos já disponíveis, para que não sejam destruídas novas áreas, sem absoluta necessidade.

Devemos, entre outras coisas, zelar:

a) Pela limpeza do ambiente, em respeito aos vizinhos e para evitar a proliferação de espécies naturais (insetos, microrganismos, roedores, etc.) que possam ser perigosas à saúde da população.

b) Pela preservação cobertura vegetal existente e buscar refazer a que foi degradada por descuido, acidente ou propositalmente, vendo na diversidade natural do nosso país, que é grande, um celeiro de riquezas e oportunidades, que por meio de princípios ativos naturais, farão turbinar uma indústria de biotecnologia e turismo, geradoras de riqueza para o país.

c) Zelar por uma cultura de aproveitamento tecnológico intensivo das áreas já ocupadas, para evitar a necessidade de ampliar a ocupação de novas áreas naturais, que podem até criar distorções, como o excesso de pastos e criatórios, que podem fazer cair o preço da carne, por exemplo, tornando a atividade pecuária antieconômica ou obrigando o governo a desviar riquezas mais úteis em outras áreas para salvar o setor, etc.

O buraco na Camada de Ozônio

Agora com relação especificamente ao clima eu queria chamar atenção para o seguinte:

1 – Eu e os de minha gerações fomos atraídos, anos 80, com a “tragédia” do BURACO NA CAMADA DE OZÔNIO, uma das principais responsáveis pelo EFEITO ESTUFA, o que poderia deixar-nos perigosamente expostos à radiação solar, causadora de câncer, e fazer cair drasticamente a temperatura do planeta, à noite, uma vez que a camada de ozônio impediria a fuga para o espaço, de gases do efeito estufa, que mantinham a Terra aquecida à noite. O grande perigo seria o colapso dos gases do efeito estufa

Como resultado dessa “extraordinária” descoberta, o CFC, gás clorofluorcarbono, que era usado como propelente em aerossóis (creme de barbear, desodorantes, e similares), que estava para se tornar de domínio público, logo seu preço cairia extraordinariamente, foi apontado como o vilão do “buraco”, foi imediatamente proibido por todos os países, para o bem do planeta, elevando o preço de novos gases propelentes, e os lucros da indústria especializada.

Agora, o grande problema é o AQUECIMENTO GLOBAL, ou seja: o excesso de gases do efeito estufa. O pânico anterior era o desaparecimento ou rarefação excessiva desse gás. Hoje é justo o oposto. Somos jogados de um lado para outro ao sabor da “descoberta” mais recente. Até quando?

As maiores temperaturas em 140 anos

Durante a Conferência do Clima de Copenhagen, 2009, tomei conhecimento de uma pesquisa da NASA, que dizia ser, as temperaturas atuais, as mais altas em 140 anos, o que me fez pensar o seguinte, tomando o ano de 2010 como referência:

a) Os locais onde se fazia a medição das temperaturas em 1870, eram os mesmos de hoje? Havia estações meteorológicas “secretas” em vastas áreas despovoadas da América do Sul, África e Ásia? A Rússia, após o colapso da União Soviética, em 1990, desativou várias estações meteorológicas no Ártico, por serem muito caras, embora os seus dados também servissem para achar uma média das temperaturas da Terra. Isso não teve consequência?

b) As máquinas ou aparelhos que faziam a medição das temperaturas em 1870 são os mesmo de hoje? Óbvio que não. Isso não faz diferença?

c) A compreensão dos fatores que interferiam na formação do clima em 1870, eram os mesmos que em 2010? No caso de negativa, muitos dados que não eram coletados naquela época, e que são importantes nos dias de hoje para o fechamento da média das temperaturas, não se perdeu irremediavelmente? Como podemos fazer um estudo comparativo tão longo e chegar a conclusões tão afirmativas como as da NASA?

d) Estamos falando de um tempo de pesquisa climatológica que abarca no máximo 150 a 200 anos, num planeta que tem 4 bilhões de anos. O que corresponde amais ou menos a 0,000005% de todo o tempo de duração do planeta. Isso é minimamente significativo para podermos traçar projeções tão alarmistas como as que têm aparecido?

Os erros nas predições

Quando terminou a COP (Conference Of the Parties = Conferência das Partes) de Copenhagen, e os EUA de Obama se recusaram a firmar a resolução final, pois viram claramente a armadilha que lhes preparavam a China e a Rússia nessa resolução, os apresentadores da TV entrarem em pânico, como se o mundo fosse acabar amanhã!”.

a) Uma das predições mais famosas desse período foi a do degelo completo da Calota Polar Ártica, aparecendo em algumas revistas, inclusive especializadas como a GEO, mapas que mostravam o oceano polar completamente livre de gelo, e isso com data marcada, em torno de 2014. Nas wikipedias em inglês e espanhol apareceram artigos alarmistas sobre isso.

Estamos em 2024 e o gelo do Ártico ainda não derreteu, e tem mostrado um aumento contínuo, como previu o professor Baldicero Molion, um pesquisador CIENTÍFICO do clima. Agora esse gelo deverá derreter lá por volta de 2045, afinal até lá, se as coisas correrem errado os interessados ou já morreram ou já esqueceram. 

Fora isso aparecem outros que dizem: será daqui a dez anos, a cinco, a vinte, uma salada milenarista, enquanto os 'espertos' fazem adaptações – até a wikipedia em inglês mudou seu título alarmista do verbete Decreasing of the Artic Ice para Climate Change in the Artic, mas, por outro lado, retirou o verbete que apontava os cientistas que discordavam das mudanças climáticas, para mistura-los, em outros verbetes ambíguos e ideológicos, junto com políticos e figuras exóticas. Para espalhar a histeria climática vale tudo, inclusive abandonar o discurso factual científico, e usar de ataques pessoais seletivos e analogias desonestas, além do corte de verbas para pesquisas.

b) No Brasil tivemos a primeira grande seca no Amazonas, a 14 anos atrás, que muitos predisseram ser irreversível e que transformaria a Floresta Amazônica numa savana. No ano seguinte houve uma chuva excepcional, que, com as dos anos seguinte, esvaziaram completamente a previsão, assim como São Paulo, após vários anos com pouca chuva, os jornais, baseados em “autoridades”, começaram a predizer, que o estado se transformaria num semiárido, semelhante ao Nordeste. Isso hoje é passado.

Etc.

A mudança de nome

Aqueles que acompanham essa questão desde o início sabem que a motivação central sempre foi a do AQUECIMENTO GLOBAL ANTRÓPICO, de um jeito que não houvesse dúvidas: as temperaturas, dali para frente, iriam sempre aumentar, de onde o nome AQUECIMENTO.

Ora, de uns sete anos pra cá, as temperaturas do inverno no Hemisfério Norte têm caído acentuadamente, havendo quase todo ano algum recorde de temperatura baixa noticiado muito discretamente (https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/temperaturas-na-siberia-chegam-a-50c-e-moscou-bate-recorde-de-frio/). Mas à medida que essas temperaturas se repetiam ano a ano, começou a haver também mudanças no discurso. A princípio se falava que o moribundo aquecimento global causaria toda sorte de eventos climáticos extremos. Ou seja, se chovesse muito a causa era o aquecimento... se não chovesse nada, idem, se fizesse muito calor, idem, se fizesse muito frio, idem. Isso era insustentável.

Substituíram então a definição impossível por um novo nome capaz de abranger todos os fenômenos climáticos conhecidos ou ainda por conhecer: MUDANÇAS CLIMÁTICAS. Mas mudanças climáticas ocorrem todo ano, pelo menos quatro, sem, com isso, ameaçar a sobrevivência da humanidade, antes a viabilizam. Então descobriram algo, um termo, que como é moda nesse movimento, diz tudo e não diz nada: EVENTOS EXTREMOS... E ai aparece o maior mistério de todos: o que é um evento extremo?

a) Um calor muito elevado, uma chuva muito intensa? Mas há indícios de que fenômenos climáticos de grande intensidade são frequentes na história, sendo praticamente impossível se encontrar um ano, da Idade Média para cá, sem um evento intenso o suficiente para se enquadrar nessa conceituação. Já que ninguém se preocupou em definir a partir de que grau celsius ou milímetros, por exemplo, um evento é extremo, então vale qualquer evento que sirva para alimentar o clima de histeria, aproveitar que a maioria desconhece a história.

b) Se o que define é a quantidade de vidas humanas e problemas que cria para a nossa espécie, a situação fica pior ainda, pois a periculosidade de uma chuva por exemplo, depende muito mais das condições de relevo, impermeabilização do solo e densidade da ocupação humana, que de seu volume. Quem mora sua cidade plana, com boa drenagem, pode resistir a uma chuva mais intensa do que alguém que mora entre montanhas, morros, etc.

Se uma chuva colossal, uns 400 mm, caísse no meio do mar ou num local onde ninguém desse por ela, apenas satélites, alguém acusaria o “evento extremo”? E não seria um? Boa parte das tragédias envolvendo pessoas, se prende á explosão demográfica recente. Por exemplo foram necessários 5.800 anos para a civilização humana alcançar a cifra de um bilhão de pessoas, o que aconteceu em 1800, mas bastaram duzentos anos, para se adicionar mais 6 bilhões a esse número. Os espaços onde antes a natureza podia dar plena vazão aos seus excessos, agora estão lotados de pessoas.

Por que nunca se fala do fator populacional no entendimento dos fenômenos climáticos recentes mais grave, exceto para colocar a culpa nos seres humanos, e numa forma específica de produção, o capitalismo, justificando, em casos extremos, a redução da população por meio de abortos de humanos, enquanto se luta como fera pelos direitos dos animais,  para salvar o planeta, fazendo uma inversão de valores, típica de religiões primitivas, quando os humanos acreditavam que os fenômenos da natureza eram sobrenaturais, e para aplaca-los fazia-se até sacrifícios humanos? 

A naturalidade desse eventos

Uma simples olhada em verbetes da Wikipédia em inglês, francês ou alemão (List of periods and events in climate history; Histoire du climat –  leia-os antes que eles retirem esses verbetes, para não parecerem negacionistas ou politicamente incorretos – se verá que mudanças climáticas muito mais radicais do que as que estamos vivendo, aconteceram no passado; não só nos primeiros anos da Terra como ao longo do período histórico, quando a emissão de CO² pelos humanos era absolutamente desprezível, e, detalhe importante, não extinguiram a espécie humana.

Noutras palavras: o planeta Terra é um sistema autônomo, gigantesco, pulsante, sujeito a uma série de influências do universo ao redor, sofrendo uma série quase infinita de interferências externas, muitas das quais ainda desconhecidas, que há muito tempo se manifestam independentemente da ação humana, causando mudanças às vezes drásticas. Por que então já partir para a causalidade antrópica, antes de considerar o fato de nós pudermos estar passando por uma transição climática inevitável, natural, e que nós, mesmo não pudendo controla-la, podemos ao menos reduzir os seus efeitos, aprimorando principalmente aquilo que muitos eco-histéricos consideram o grande inimigo: a tecnologia, inclusive aquela baseada em petróleo.

De fato, a ideia de o homem poder a seu bel prazer determinar o clima da Terra em d´cimos de grau é de uma arrogância fora do comum.

A pergunta que não quer calar: se o ser humano não foi capaz sequer de planejar, de acordo com a sua vontade e ciência, o conjunto de relações que determinam o bom andamento de um sistema econômico, dentro de uma pequena ilha do Caribe de 111 mil km², e sustentar uma população de 11 milhões de habitantes, como ele pode pretender controlar um sistema de relações de fenômenos naturais, alguns ainda não completamente explicados ou que não há consenso sobre as suas causas, em um sistema de relações aberto para o Universo, que abarca uma superfície de 510 milhões km², abrigando uma população de mais de 7 bilhões de humanos e uma infinidade de seres vivos, que com seu peido, arroto ou um rufar de asas, podem alterar todo o sistema? Assim o dizem!

Onde fica o termostato do planeta para que qualquer um de nós possamos conferir se a temperatura ideal foi atingida, ou será que devemos ficar todos nas mãos de uma seita esotérica de cientistas, a nos dizer, como o faziam os antigos feiticeiros na Pré-história o que devemos, ou não, fazer? 

Predições científicas ou profecias político-religiosas?

A CIÊNCIA OCIDENTAL, conjunto de teorias baseadas em observações experimentos mediados pela razão humana, e cotejada pelo coletivo dos especialistas naquele assunto, nem sempre teve consciência clara de seus limites, permitindo-nos dizer que os debates a esse respeito, feito por cientistas como Carl Popper e Thomas Kung, como algumas das mais insignes contribuições para os fundamentos de uma ciência com “C” maiúsculo.

Infelizmente a propagação do irracionalismo fantasioso marxista, esvaziou e falseou o entendimento dessa questão fundamental, junto ao grande público, e acabou mesmo corrompendo essa questão nos mais importantes centros de pesquisa do mundo.

A questão é a seguinte: se a ciência é um conhecimento necessariamente baseado em fenômenos naturais, sujeitos à observação e experimentação, mediados por uma razão social e historicamente determinada, ela deve ser necessariamente um conhecimento aberto, sempre em transformação, assim como aqueles que a produzem: seres humanos social e historicamente definidos. Logo suas conclusões são sempre provisórias e sujeitas a intermináveis correções, e a descoberta dessa provisoriedade dos conhecimentos científicos um dos maiores feitos da mente humana.

Não é assim que estão se comportam os defensores do ecologismo de ocasião, que estão a tal ponto dogmatizados pela crença do fim próximo da humanidade, por conta das mudanças climáticas, que começam a se sentar nas vias públicas para bloquear o tráfego de veículos, querendo parar na marra a civilização do petróleo. Se o pleito desses aloprados for bem-sucedido o que eles conseguirão é o colapso tecnológico do Ocidente Democrático. Se o objetivo dessas crianças birrentas e histéricas, o fim imediato da civilização do petróleo, for atingido na velocidade que elas querem, o imaturo quer tudo para ontem, a morte de milhões, no âmbito da Europa, e bilhões, por toda terra, é certamente inevitável. 

Na esteira do crescimento da eco-histeria temos o aumento da desonestidade intelectual e o retrocesso do pensamento científico, ou da própria noção de ciência. Os professores Luiz Carlos Baldicero Molion, da Federal de Alagoas, e Ricardo Felício, da USP, denunciaram em várias ocasiões, a inviabilização de sua carreira acadêmica por conta de suas observações na natureza, que desmentem a teoria do aquecimento ou das mudanças antrópicas. Os donos das verbas nas universidades, simplesmente negam recursos para os seus projetos, a pretexto de “não serem científicos”, da mesma forma como funcionavam os comitês políticos da União Soviética, determinando quem ascenderia na escala de poder, quem ficaria estagnado ou seria rebaixado... e até exterminado. Nesse ambiente de  desonestidade científica e religiosidade fanática, é fácil falar em “consenso climático”.

E aí chegamos ao último ponto e sintoma do retrocesso da cultura que construiu a ciência moderna, e permitiu que, nos últimos 500 anos ela fosse um instrumento formidável para a melhoria das condições de vida humana nesse mundo, permitindo-nos alcançar os cem anos de vida, sonhar em colonizar outro planetas e criar uma vacina para uma doença nova em apenas um ano de pesquisas. Ora, esse nível extraordinário de desenvolvimento foi conseguido graças à liberdade que os cientistas sempre tiveram para discutir os resultados de suas observações, e principalmente cultivar a certeza de que tudo que se conhecia tinha o seu pilar na observação e era, por natureza provisório, passível de reformulação ou abandono, quase no mesmo instante em que era exposto, o que os obrigava, cientistas e instituições de pesquisa, a uma atitude de constante e profunda humildade, para reconhecer que sua descoberta ou invenção recente já estava ultrapassada por uma novidade.

Com relação à questão fundamental do clima da terra, as observações diretas e abrangentes, séries históricas da realidade foram substituídas, mas modelos projetados por cientistas não neutros, que nos dizem o que ocorrerá com o clima do mundo, daqui a dez, trinta, cem anos, no mundo inteiro, num momento tecnológico em que os serviços de meteorologia são incapazes de dizer com certeza se choverá amanhã ou não, e por isso o apresentam em termos de porcentagem. Muda-se de 'predição', sem apresentar justificativa, o entendimento tradicional sobre os efeitos climáticos numa região, para se adaptar à crença vendedora (a expansão do Saara para o sul é devido ao aquecimento ou ao resfriamento?), etc.

Cada vez mais se fala em termos de “a maioria dos cientistas”, no “consenso climático”, como se as leis científicas fossem fruto de uma votação... Se isso fosse correto, Colombo jamais teria chegado à América, ou então a humanidade nunca teria deixado as cavernas, ou acreditaria até hoje que a terra é plana, uma crença tão absurda como a do aquecimento global antrópico, só que aquela é considerada maldita (com razão) e essa abençoada (sem razão).

Abaixo: executando a ordem dos feiticeiros, diretamente do fundo das cavernas do paleolítico. Nem precisa chamar os bárbaros.



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