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Esse quadro do pintor inglês Lucas Seymour (1849-1923), embora retrate uma situação ambientada em 1760, na verdade foi pintado em 1890. Ele mostra um quadro idealizado do século XVIII, um século aristocrático e agrário, que estava vendo a Revolução Industrial, nos seus primórdios, algo muito comum no fim do século XIX e início do século XX, quando então a Europa Ocidental começava a experimentar alguns dos efeitos mais negativos da dita revolução: poluição, sujeira, crescimento explosivo e concentrado da população, em especial nas cidades, com o esvaziamento do campo, que não foi causa da Revolução Industrial, como diz Marx, mas antes a sua consequência. Fugia-se do campo para estar na cidade, um ambiente mais dinâmico e próspero, não só para conhecer as novidades como também para prosperar, para crescer como empreendedor. Mais ou menos como acontecia com os servos na Idade Média, embora com outros resultados, mais compatíveis com o desenvolvimento das “forças produtivas”. O quadro mostra o flerte, de um jovem soldado, um granadeiro real, com uma tímida moça do interior. Ela se fecha e se resguarda, seguindo as expectativas sociais vigentes para uma moça de sua classe, conforme os ditames dos valores da época, enquanto o jovem soldado, movido por uma incontrolável energia hormonal, tenta, por meio de gracejos, ou de uma conversa forçosamente alegre, abrir o escudo moral sob o qual a jovem se protege. Terá sucesso? Ambos, e o ambiente à sua volta, são pobres, mas há um ar de dignidade, talvez mais proveniente do olhar das pessoas de classe média do século XIX, únicas em condição de comprar um quadro de Seymour, do que das condições reais da vida camponesa do século XVIII na Inglaterra, em que pese aí, na Inglaterra, viver uma elite do campesinato, quando comparados com a situações dos congêneres da Europa. Havia por assim dizer uma idealização de um período, uma época de grandes antepassados e pessoas corretas, honestas e amáveis. Um mito? Mas o que seria das grandes nações sem os seus mitos. Aliás, não existem nenhuma grande nação, que tenha se feito sem o cultivo de mitos generosos. Já um povo que só consegue ver maldades e patifarias no seu passado, não passa de um fracassado contumaz, e nem merece ser chamado de "povo".

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