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Eduardo Simões (a Margarida Maria)
Tal idiota lá, tal idiota cá ou tal o pai tal o filho. “É necessário
reparar injustiças históricas”, dizem alguns dinossauros passadistas, que
adoram se autoproclamar “progressistas”, enquanto afirmam que são liberais que
estão presos ao passado, exceto os populistas, à exploração dos povos, aos preconceitos
racistas e outras BABOSEIRAS desse calibre.
Cerrando fileiras na Internacional Idiota, aquela que vê
‘internacionais’ em toda associação que não seja a dos seus cúmplices, tipo uma
mania compulsiva de perseguição ou pileque de cachaça barata, o presidente de
Portugal e do Brasil resolveram clamar em uníssono em prol de “reparações
históricas”: o Brasil em relação aos africanos, e Portugal em relação ao
conjunto de suas colônias. Ainda bem, para os portugueses, que a reação da
sociedade foi tal que o papalvo presidente botou a viola no saco, e recolheu-se
ao silêncio dos sábios asnos, mas quanto a nós... o nosso ainda está solto, e
com a língua mais solta ainda.
Essa questão das “reparações” precisa ser encarada de uma forma lógica
e não ideológica, é preciso chamar à razão, para que o próprio transcorrer de
uma discussão que não faz o menor sentido, não nos desvie das questões principais.
a) Como essa ‘reparação’ é feita em função de um presumido crime,
acontecido a séculos atrás, isso é um caso clássico e extremo de retroatividade da lei, que está
proibido pelo senso comum, pelo código civil e pela constituição: logo é uma
impostura jurídica.
b) Pior ainda é a punição: prevista para acontecer nos dias de hoje,
pois implica que os tataranetos deverão pagar pelos supostos crimes de seus
tataravôs, o que é uma aberração, que faz a nossa cultura jurídica retroagir
milhares de anos no tempo, na pré-história ou na cultural tribal neolítica,
quando os membros de uma família pagavam solidariamente pelo crime cometido por
um de seus membros.
c) Ora, só há crime quando há uma lei tipificando-a. No tempo em que
brasileiros e portugueses compravam escravos na África, a escravidão era culturalmente
aceita e legal, logo não houve crime. E se houve, cadê a parte dos chefes
africanos que aprisionavam a sua gente e os vendia para estrangeiros. Deveremos
nós pagar indenizações ou reparações para os descendentes daqueles que
receberam rios de dinheiros, ou outros valores que acarretavam prestígio,
enquanto vendiam a sua gente?
Mas vamos supor que, apesar de toda sua absurdidade, vença a proposta
de que essas reparações são legais e legítimas. Ainda assim surgiriam mais e
piores dificuldades.
a) Por que essas reparações devem parar em Portugal e no Brasil? Os
portugueses, por exemplo deveriam cobrar aos árabes, que saquearam e
brutalizaram o país, entre 711 e 1250, os espanhóis que invadiram o país em
1580, os franceses que invadiram em 1808, os alemães, que invadiram Moçambique
na Primeira Guerra. Quanto a nós porque não cobrarmos, junto com os
portugueses, pelas invasões francesas, arriscando a perder o maior aliado
europeu não ditatorial do governo Lula (Macron), pelas invasões holandeses,
pelos ataques de piratas ingleses, pelas invasões espanholas ao sul. Sabendo
dessa idiotia escalafobética, o atual governo o Uruguai já começou a pressionar
pela revisão de fronteiras com o Brasil. Se a moda pega, os brasileiros terão
que se mudar todos para o meio do Oceano Atlântico, por não termos mais terra seca onde
morar, e vamos acabar discutindo sobre a reparação a ser paga pelo assassinato
de Abel.
b) Outra coisa: como fazer a quantificação dos prejuízos? São centenas
de anos de perdas que não foram apenas físicas ou patrimoniais, mas também
emocionais e morais. Como calcular os danos morais, sem estar imerso nas
culturas onde esses fatos aconteceram e que, na maioria dos casos, nem existem
mais. A África equatorial do século XXI é completamente diferente da do século
XV a XIX. É impossível reconstituir essas culturas e o seu ambiente, logo só há
um tipo de indenização ou reparação possível: fazer um cheque em branco para o
africano lesado e deixar ele pôr o valor que quiser, ou entregar o cartão de crédito
com a senha. O Lula e lideranças do PT, podiam fazer isso com o seu cartão de
crédito pessoal.
c) Outro problema é sobre quem vai receber a possível
reparação/indenização, pois pelo motivo citado acima, não há arquivos antigos
sobre as regiões, povos e famílias atingidas pelo fenômeno da escravidão, nem
controle sobre quem veio para as Américas, quem foi mandado para o mundo
muçulmano e outros países americanos fora o Brasil. Vamos pagar a todos e por
todo mundo?
d) Quem vai receber a reparação devida? Indivíduos, famílias isoladas,
aldeias, tribos ou etnias, mas quais se não sabemos exatamente de onde os
nossos africanos vieram? Vamos entrega-la a governos, independentemente de seu
comportamento com a sua própria gente, como como um Teodoro Obiang, um dos mais
longevos, quase 50 anos no poder, cruéis e corruptos governantes da África, ou
Abyi Ahmed, da Etiopia, responsável pelo genocídio do povo tigré? Seria aos militares
que estão tomando o poder com o auxílio de mercenários russos, para ele usarem para
oprimir mais o seu povo ou tirarem onda de ricos em “paraísos” exclusivos. Como
fazer a reparação chegar aos que mais precisam sem a ajuda de forças armadas
estrangeiras, o que caracterizaria uma ação imperialista? Como fazer uma reparação
eficiente, antes de muitos países africanos, mais ou menos ligados ao nosso
processo escravista, tenham alcançado estabilidade institucional?
Por que ao invés de pensarmos em reparações não pensamos em investimentos. Investimentos bem
direcionados, que fortaleçam governos estáveis e democráticos, para que, com a
força de sua economia possam ser exemplo e modelo para outros países africanos,
e o começo da ruptura de eternos círculos de pouca prosperidade e muita miséria
e desastres naturais previsíveis, mas não antecipados por medidas protetivas.
Conclusão
A prosperidade da África nos interessa muito. Ela, além de nossa mãe, e
pode ser nossa parceira – com um bilhão e meio de habitantes é um mercado
potencialmente maravilhoso; maior que a China, e bem pertinho de nós, mas essa prosperidade
só virá no dia em que os africanos aceitarem que a maior riqueza da África são
os africanos, e que se ele aprenderem as manhas e os pontos de contato do
grande comércio, como os europeus fizeram ao longo da Idade Média, ele poderão
dar a volta por cima e elevar a prosperidade da África.
Mas isso jamais acontecerá enquanto eles se enxergarem como
coitadinhos, vítimas de "ocidentais malvados", precisados a todo momento de “reparações”, como se a sua riqueza
lhes tivesse sido tirada, como se esta a riqueza fosse apenas o resultado do
acúmulo absoluto de metais preciosos, como no velho mercantilismo, sem que
fosse possível recuperá-la por meio do comércio, de inovações locais e
exploração responsável de suas fantásticas riquezas naturais, de olho no futuro
e não no passado, exceto para garantir que velhos erros não sejam cometidos e
para ampliar ainda mais o futuro radioso desse continente.
Por fim essa ideia de reparação, que implica em julgar moralmente ações acontecidas no passado a partir dos valores do presente, é uma negação do próprio conceito da história, como uma evolução qualitativa de relações humanas ao longo do tempo, que implica também na negação do tempo, o que é um absurdo! É uma forma Pré-histórica, tribal, de analisar fatos históricos e de se afastar da compreensão científica desses mesmos fatos.
É um mergulho no passado, para fixar a vista no fundo do oceano da História, e dar as costas para o céu, que é o futuro, definitivamente.

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