03 maio 2024

OPINIÃO: O QUE ACONTECEU AO "CÃO JUDEU"?

 

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/9/9d/Cochin_Jews.jpg/800px-Cochin_Jews.jpg

https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Cochin_Jews.jpg

(Uma família de judeus de Cochin, na Índia, no final do século XIX, quando eles ainda eram os errantes e os 'errados' do mundo) 

Eduardo Simões (a Margarida Maria)

Na primeira metade da Idade Média, o Islã, que brotara da parte mais desenvolvida do mundo antigo oriental, era a força transformadora mais poderosa, colocando fortes barreiras à expansão de reinos cristãos, na bacia do Mediterrâneo, originados a duras penas de um império decadente e de tribos neolíticas germânicas. Apesar da desvantagem frente aos árabes islâmicos, os cristãos ainda podiam se gabar de mostrar força frente aos judeus, que eram em muito menor número e viviam dispersos e desenraizados a uns 500 anos, recusando-se tanto a se deixar assimilar quanto a flexibilizar suas exigências à recepção de novos adeptos, preservando as suas remotas tradições.

Mal comparando poderíamos dizer que cristãos e judeus seriam como cães, debaixo da mesa do banquete árabe-muçulmano, alimentando-se das sobras de lautos banquetes que este desfrutava. Eventualmente os dois cachorrinhos sob a mesa brigavam pelos nacos maiores que caiam, com o cachorro cristão, maior e mais forte, levando vantagem sobre o judeu, que aprimorou-se no seu cuidado em recolher o rabo, como estratégia realista de sobrevivência. E seguiam os dois ali, recebendo, além de muitos restos, alguns agrados e elogios, mas também pontapés e broncas dos que comiam à mesa. Tudo bem paternalista, como era a mentalidade da época.

Com o tempo o cão cristão, de apetite mais flexível e abrangente, cresceu mais, e já não tolerava mais apenas dos restos, e começou a pegar comida de melhor qualidade sobre a mesa, e quando o chutavam ele mordia de volta, ferindo os seus agressores. Incapazes de controla-lo, os de casa resolveram adotá-lo e torná-lo como que parte da família, para ser tratado quase como um quase um igual, e assim ambos, cristãos e muçulmanos, passaram a dividir a mesa do mundo, deixando as migalhas para os judeus abaixo, e, embora o cão cristão, com o tempo, tenha atenuado a sua agressividade contra o pequinês judeu, de vez em quando, assomado por seus instintos mais selvagens, destroçava-o, como aconteceu na 2ª Guerra Mundial.   

Já o cãozinho judeu, que também crescera, embora em menor ritmo, ao terminar a dita Guerra, julgou já estar forte o bastante para deixar a tutela de estranhos e sair de debaixo da mesa, para sentar-se, junto com muçulmanos e cristãos, comendo do bom e do melhor. Quando os árabes muçulmanos perceberam que a cadeira que seria oferecida ao cãozinho judeu e à sua linhagem, seria retirada do seu lado, em parte porque desposam uma mesma mentalidade mercantilista a respeito de riquezas a serem criadas e distribuídas, em parte por causa da proximidade geográfica e religiosa, ficaram desesperados e, unidos, procuraram, pela força, empurra-lo para debaixo da mesa, saindo todos bastante feridos do confronto. O pequinês judeus transformara-se num vigoroso cachorrão, disposto a vender caro cada derrota e lutar até extremo pela vitória. Ele não voltará para debaixo da mesa por vontade própria ou por pressão diplomática.

Isso, a meu ver, é o que explica a atual explosão de antissemitismo em virtude da vigorosa resposta que Israel dá ao ataque do Hamas, e aos que consentiram em ser seus escudos humanos, pois Israel está batendo tão forte, senão mais, que seus agressores, após o 7 de outubro, o que causa grande impacto na comunidade internacional, mais preocupada com minúcias jurídicas e diplomáticas, quanto ao ataque do Hamas a Israel, mas alvoroçada com a decisão deste de resolver definitivamente o problema do terrorismo de Gaza, para o qual a ONU nunca se preocupou em dar qualquer solução e assiste, inerme, o crescimento do terrorismo em geral.

Nenhuma organização terrorista na área, ou fora dela, foi extinta pela ação diplomática da ONU, e esta ainda dá margem a que surja e se expandam manifestações antissemitas pelo mundo, que esperam que Israel responda dentro da mais estrita lei a um ataque completamente fora da lei, ao qual o principal órgão de mediação das relações internacionais não tem nada a dizer ou fazer – os terroristas não parecem nas discussões e não são visados nas resoluções. Cabe aos outros povos apenas lavar as mãos, agradecer por não serem vizinhos do Hamas, enquanto praticam o antissemitismo tradicional.

Os precedentes históricos nos informam que talvez a forma correta de encarar o horror anti-Israel, com que certas pessoas encaram o conflito na Faixa de Gaza, tem mais a ver com uma perspectiva tradicional que se criou, de que Israel e os judeus nunca revidarão a uma agressão sofrida, que espera-se que eles caminhem silenciosos e resignados para o extermínio, como na última guerra, e que, se revidar, o mundo se reunirá, e não só os árabes, os fará voltar para debaixo da mesa, que é onde vivem os povos que não têm sabedoria, força e coragem para lutar pelo seu passado e por sua herança.

Israel tem os três...

Nenhum comentário:

Postar um comentário

  TRECHOS DE HISTÓRIA DA ANÁLISE ECONÔMICA DE SCHUMPETER - 1 Por que estudar a história do pensamento econômico? Em primeiro lugar, professo...