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(Uma família de judeus de Cochin, na Índia, no final do século XIX, quando eles ainda eram os errantes e os 'errados' do mundo)
Eduardo Simões (a
Margarida Maria)
Na primeira metade
da Idade Média, o Islã, que brotara da parte mais desenvolvida do mundo antigo oriental,
era a força transformadora mais poderosa, colocando fortes barreiras à expansão
de reinos cristãos, na bacia do Mediterrâneo, originados a duras penas de um
império decadente e de tribos neolíticas germânicas. Apesar da desvantagem
frente aos árabes islâmicos, os cristãos ainda podiam se gabar de mostrar força
frente aos judeus, que eram em muito menor número e viviam dispersos e
desenraizados a uns 500 anos, recusando-se tanto a se deixar assimilar quanto a
flexibilizar suas exigências à recepção de novos adeptos, preservando as suas
remotas tradições.
Mal comparando
poderíamos dizer que cristãos e judeus seriam como cães, debaixo da mesa do
banquete árabe-muçulmano, alimentando-se das sobras de lautos banquetes que este
desfrutava. Eventualmente os dois cachorrinhos sob a mesa brigavam pelos nacos
maiores que caiam, com o cachorro cristão, maior e mais forte, levando vantagem
sobre o judeu, que aprimorou-se no seu cuidado em recolher o rabo, como estratégia
realista de sobrevivência. E seguiam os dois ali, recebendo, além de muitos
restos, alguns agrados e elogios, mas também pontapés e broncas dos que comiam
à mesa. Tudo bem paternalista, como era a mentalidade da época.
Com o tempo o cão
cristão, de apetite mais flexível e abrangente, cresceu mais, e já não tolerava
mais apenas dos restos, e começou a pegar comida de melhor qualidade sobre a mesa,
e quando o chutavam ele mordia de volta, ferindo os seus agressores. Incapazes
de controla-lo, os de casa resolveram adotá-lo e torná-lo como que parte da
família, para ser tratado quase como um quase um igual, e assim ambos, cristãos
e muçulmanos, passaram a dividir a mesa do mundo, deixando as migalhas para os
judeus abaixo, e, embora o cão cristão, com o tempo, tenha atenuado a sua
agressividade contra o pequinês judeu, de vez em quando, assomado por seus
instintos mais selvagens, destroçava-o, como aconteceu na 2ª Guerra Mundial.
Já o cãozinho
judeu, que também crescera, embora em menor ritmo, ao terminar a dita Guerra,
julgou já estar forte o bastante para deixar a tutela de estranhos e sair de
debaixo da mesa, para sentar-se, junto com muçulmanos e cristãos, comendo do
bom e do melhor. Quando os árabes muçulmanos perceberam que a cadeira que seria
oferecida ao cãozinho judeu e à sua linhagem, seria retirada do seu lado, em
parte porque desposam uma mesma mentalidade mercantilista a respeito de
riquezas a serem criadas e distribuídas, em parte por causa da proximidade
geográfica e religiosa, ficaram desesperados e, unidos, procuraram, pela força,
empurra-lo para debaixo da mesa, saindo todos bastante feridos do confronto. O
pequinês judeus transformara-se num vigoroso cachorrão, disposto a vender caro
cada derrota e lutar até extremo pela vitória. Ele não voltará para debaixo da
mesa por vontade própria ou por pressão diplomática.
Isso, a meu ver, é
o que explica a atual explosão de antissemitismo em virtude da vigorosa resposta
que Israel dá ao ataque do Hamas, e aos que consentiram em ser seus escudos
humanos, pois Israel está batendo tão forte, senão mais, que seus agressores, após
o 7 de outubro, o que causa grande impacto na comunidade internacional, mais
preocupada com minúcias jurídicas e diplomáticas, quanto ao ataque do Hamas a
Israel, mas alvoroçada com a decisão deste de resolver definitivamente o
problema do terrorismo de Gaza, para o qual a ONU nunca se preocupou em dar
qualquer solução e assiste, inerme, o crescimento do terrorismo em geral.
Nenhuma organização
terrorista na área, ou fora dela, foi extinta pela ação diplomática da ONU, e
esta ainda dá margem a que surja e se expandam manifestações antissemitas pelo
mundo, que esperam que Israel responda dentro da mais estrita lei a um ataque completamente
fora da lei, ao qual o principal órgão de mediação das relações internacionais
não tem nada a dizer ou fazer – os terroristas não parecem nas discussões e não
são visados nas resoluções. Cabe aos outros povos apenas lavar as mãos,
agradecer por não serem vizinhos do Hamas, enquanto praticam o antissemitismo
tradicional.
Os precedentes
históricos nos informam que talvez a forma correta de encarar o horror
anti-Israel, com que certas pessoas encaram o conflito na Faixa de Gaza, tem
mais a ver com uma perspectiva tradicional que se criou, de que Israel e os
judeus nunca revidarão a uma agressão sofrida, que espera-se que eles caminhem
silenciosos e resignados para o extermínio, como na última guerra, e que, se
revidar, o mundo se reunirá, e não só os árabes, os fará voltar para debaixo da
mesa, que é onde vivem os povos que não têm sabedoria, força e coragem para
lutar pelo seu passado e por sua herança.
Israel tem os três...
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