Eduardo Simões (a Margarida Guimarães)
As revelações dos chamados Twitter Files (Arquivos do Twitter) pelo
milionário Elon Musk, ao ser encurralado pelo extravagante e onipotente,
Alexandre de Moraes: “o STF sou eu”, colocaram uma luz cinzenta na escuridão,
em que se debate a natimorta democracia brasileira de 88.
O fato de o sonho da democracia brasileira, friso bem sonho, e não realidade, ter durado tão
pouco não deve admirar ninguém, pois nossa sociedade é cultural e
historicamente autoritária, marcada por 400 anos de escravidão ainda não de
todo curados.
O famoso Tiradentes sempre foi um exótico solitário que nunca fez
escola, e por isso teve a morte que teve, por pouco seu companheiros não o
trucidaram com as próprias mãos, sem a apoteose que se seguiu à execução de
Jesus, que teve companheiros mais leais, vivia em um ambiente mais democrático,
pelo menos no que diz respeito à liberdade de expressão, que naquela época, de
Jesus, se manifestava na liberdade de religião, sem esquecer que um escravo
alforriado, ou filho de um, o célebre Diocleciano, se tornou imperador de Roma
– antes de Barack Obama – enquanto nós, até hoje, não tivemos a oportunidade de
ver um descendente de ex-escravos na presidência. Estes têm de se conformam em
representar patéticos ministros de Direitos Humanos, em um governo que adora
frequentar quem não os respeita.
Só o total desapreço pela democracia justifica o fato de mais de 93%
dos eleitores, no último pleito, tenham descarregado o seu voto nos dois
candidatos, que nunca perderam a oportunidade demonstraram o seu desapreço pela
democracia. Lula é a extrema esquerda, e por isso está sempre trocando de pele,
para justiçar sua existência e sua fama de oportunista, enquanto avacalha a
metamorfose de Raul Seixas, e Bolsonaro é tão seguro e construtivo para a
democracia como um trem desgovernado ou um míssil balístico sem o giroscópio...
Como se não bastasse, o conteúdo revelado pelos ofícios do senhor
Alexandre de Moraes ao Twitter/X, e as ações, que todos conhecemos, derivados
dos escândalos descobertos e encobertos da Lavajato, mostram descaradamente os
juízes do STF-TSE agindo no sentido de controlar o resultado das eleições,
senão no sentido garantir a vitória de um pelo menos evitar a eleição do outro.
Mas quem pode garantir alguma coisa nessa história, exceto a de que a eleição
de 2022 não foi justa? Afinal muita coisa ainda pode sair da leitura minuciosa
dos arquivos, assim como dos testemunhos na comissão de inquérito aberta para
investigar esse assunto. Os hackers russos, ouso dizer, fizeram escola, e não
nos falta sequer um Taras Buba, na versão do ator Yul Brynner, que por sinal era
de origem russa.
Mas, desgraça nossa, desculpem-me se sou repetitivo, esses arquivos,
escritos em português e produzidos no Brasil, não serão abertos por uma
comissão do nosso “brioso”
Congresso Nacional, onde os deputado temem mais o poder de um certo juiz do
STF, que os antigos hebreus temiam a Ramsés II, na versão hollywoodiana dos Dez
Mandamentos, em virtude de assuntos mal resolvidos, ou quiçá bem resolvidos
demais no passado, e por isso eles foram abertos, e serão escarafunchados, por
uma comissão do Congresso Americano, nos EUA – Lula e a esquerda terão um
pretexto que fazer aquilo que todos sabiam que eles gostariam de fazer, mas que
o negavam incessantemente, e só para proteger a “soberania nacional” aliarão o país
aos regimes mais ditatoriais, cruéis e genocidas do mundo, contra as
democracias, nas quais, numa espécie de cegueira intelectual e moral seletiva,
veem toda sorte de ameaças e opressão, que não conseguem enxergar nas ditaduras
– que saudades do tempo em que eles diziam abertamente que a liberdade de
expressão era apenas “um mito burguês”. Será que estamos sendo enganados?
Será que nós, que já inovamos no decurso dos governos Lula II e Dilma I
e II, espalhando a corrupção privada sobre a América do Sul e na África,
patrocinada por um governo supostamente socialista, inovaremos mais uma vez ao
instalar uma ditadura asfixiante e opressora para proteger a democracia e a
liberdade de expressão? No estilo do “famoso” general Figueiredo: “É para abrir
mesmo [democratizar o regime militar], e quem quiser que não abra, eu prendo.
Arrebento”, ou mesmo como os militares de março de 1964, que inauguraram 20 anos
de regime autoritário militar, para “salvar a democracia”.
O velho Barão de Itararé dizia, às vésperas de mais um golpe na
política brasileira, do seu tempo, “há mais coisas no ar, do que os aviões de
carreira”, hoje também pode-se notar uma coisa
no ar. Uns dizem que tá “mais pesado”, não sei como mediram isso. Outros dizem
que há cheiro de “chifre queimando”, talvez se referindo aos embates do PT,
gente teimosa, com o Legislativo, idem, mas há um certo ar de Watergate, de fim
do governo Collor, mas principalmente do primeiro, quando não deu tempo de
queimar as provas e tudo começou num Comitê da Casa de Representantes do
Congresso dos Estados Unidos da América, e na sua Corte Suprema...
Que ainda pode ser chamada por
esse nome.

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