23 abril 2024

OPINIÃO: ACORDO STF-TSE-PT: O ESGOTO ESTOUROU...

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Eduardo Simões (a Margarida Guimarães)

As revelações dos chamados Twitter Files (Arquivos do Twitter) pelo milionário Elon Musk, ao ser encurralado pelo extravagante e onipotente, Alexandre de Moraes: “o STF sou eu”, colocaram uma luz cinzenta na escuridão, em que se debate a natimorta democracia brasileira de 88.

O fato de o sonho da democracia brasileira, friso bem sonho, e não realidade, ter durado tão pouco não deve admirar ninguém, pois nossa sociedade é cultural e historicamente autoritária, marcada por 400 anos de escravidão ainda não de todo curados.

O famoso Tiradentes sempre foi um exótico solitário que nunca fez escola, e por isso teve a morte que teve, por pouco seu companheiros não o trucidaram com as próprias mãos, sem a apoteose que se seguiu à execução de Jesus, que teve companheiros mais leais, vivia em um ambiente mais democrático, pelo menos no que diz respeito à liberdade de expressão, que naquela época, de Jesus, se manifestava na liberdade de religião, sem esquecer que um escravo alforriado, ou filho de um, o célebre Diocleciano, se tornou imperador de Roma – antes de Barack Obama – enquanto nós, até hoje, não tivemos a oportunidade de ver um descendente de ex-escravos na presidência. Estes têm de se conformam em representar patéticos ministros de Direitos Humanos, em um governo que adora frequentar quem não os respeita.

Só o total desapreço pela democracia justifica o fato de mais de 93% dos eleitores, no último pleito, tenham descarregado o seu voto nos dois candidatos, que nunca perderam a oportunidade demonstraram o seu desapreço pela democracia. Lula é a extrema esquerda, e por isso está sempre trocando de pele, para justiçar sua existência e sua fama de oportunista, enquanto avacalha a metamorfose de Raul Seixas, e Bolsonaro é tão seguro e construtivo para a democracia como um trem desgovernado ou um míssil balístico sem o giroscópio...

Como se não bastasse, o conteúdo revelado pelos ofícios do senhor Alexandre de Moraes ao Twitter/X, e as ações, que todos conhecemos, derivados dos escândalos descobertos e encobertos da Lavajato, mostram descaradamente os juízes do STF-TSE agindo no sentido de controlar o resultado das eleições, senão no sentido garantir a vitória de um pelo menos evitar a eleição do outro. Mas quem pode garantir alguma coisa nessa história, exceto a de que a eleição de 2022 não foi justa? Afinal muita coisa ainda pode sair da leitura minuciosa dos arquivos, assim como dos testemunhos na comissão de inquérito aberta para investigar esse assunto. Os hackers russos, ouso dizer, fizeram escola, e não nos falta sequer um Taras Buba, na versão do ator Yul Brynner, que por sinal era de origem russa.

Mas, desgraça nossa, desculpem-me se sou repetitivo, esses arquivos, escritos em português e produzidos no Brasil, não serão abertos por uma comissão do nosso “brioso” Congresso Nacional, onde os deputado temem mais o poder de um certo juiz do STF, que os antigos hebreus temiam a Ramsés II, na versão hollywoodiana dos Dez Mandamentos, em virtude de assuntos mal resolvidos, ou quiçá bem resolvidos demais no passado, e por isso eles foram abertos, e serão escarafunchados, por uma comissão do Congresso Americano, nos EUA – Lula e a esquerda terão um pretexto que fazer aquilo que todos sabiam que eles gostariam de fazer, mas que o negavam incessantemente, e só para proteger a “soberania nacional” aliarão o país aos regimes mais ditatoriais, cruéis e genocidas do mundo, contra as democracias, nas quais, numa espécie de cegueira intelectual e moral seletiva, veem toda sorte de ameaças e opressão, que não conseguem enxergar nas ditaduras – que saudades do tempo em que eles diziam abertamente que a liberdade de expressão era apenas “um mito burguês”. Será que estamos sendo enganados?

Será que nós, que já inovamos no decurso dos governos Lula II e Dilma I e II, espalhando a corrupção privada sobre a América do Sul e na África, patrocinada por um governo supostamente socialista, inovaremos mais uma vez ao instalar uma ditadura asfixiante e opressora para proteger a democracia e a liberdade de expressão? No estilo do “famoso” general Figueiredo: “É para abrir mesmo [democratizar o regime militar], e quem quiser que não abra, eu prendo. Arrebento”, ou mesmo como os militares de março de 1964, que inauguraram 20 anos de regime autoritário militar, para “salvar a democracia”.

O velho Barão de Itararé dizia, às vésperas de mais um golpe na política brasileira, do seu tempo, “há mais coisas no ar, do que os aviões de carreira”, hoje também pode-se notar uma coisa no ar. Uns dizem que tá “mais pesado”, não sei como mediram isso. Outros dizem que há cheiro de “chifre queimando”, talvez se referindo aos embates do PT, gente teimosa, com o Legislativo, idem, mas há um certo ar de Watergate, de fim do governo Collor, mas principalmente do primeiro, quando não deu tempo de queimar as provas e tudo começou num Comitê da Casa de Representantes do Congresso dos Estados Unidos da América, e na sua Corte Suprema...

 Que ainda pode ser chamada por esse nome.


 

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