(VAMOS APRENDER? Sentado, Presidente John Kennedy; inclinado sobre Kennedy, nosso embaixador em Washington, Roberto de Oliveira Campos, o Boby field, o avô do atual Presidente do Banco Central; Com as mãos no bolso e bigode de "amigo da onça", nosso Ministro das Relações Exteriores, Francisco Clementino Santiago Dantas; de pé, com os braços cruzados à frente: o coronelzinho do paralelo 38º, David Dean Husk, Secretário de Estado, e sentado de perfil, o Presidente do Brasil, João Belquior Marques Goulart - 03.04.1962))
Eduardo Simões (a Margarida Guimarães)
Num arroubo de arrogância, típico dos que ignoram, Castanhari, em seu tolo vídeo, faz uma cara de ironia e deboche, quando diz que os americanos, desprezando milênios de paradisíaca história nacional coreana, entregam a um reles coronel e um general a tarefa de dividir o país – nessa hora, inclusive, a boca dele fica mais torta que o habitual. Estes simplesmente traçam uma linha arbitrária, o paralelo 38º, separando a Coreia em duas áreas de influência, desunindo um povo que até ali fora um exemplo de união e felicidade, e outras bobagens desse calibre.
O que Castanhari e sua tchurma não pesquisaram – não sei se o interesse em doutrinar e criar fantasias, era maior que o de apresentar os fatos para os jovens, que vão assistir ao vídeo – é a real patente dos oficiais envolvidos, e mesmo a estatura do maior entre eles.
Mas agora
eu vos digo...
1º - Não havia nenhum general presente no momento dessa
decisão. Todos; tanto os que traçaram a linha, como os que decidiram a sua
conveniência, eram coronéis. Um dos que traçou a linha, o coronel Charles
Bonesteel III, se tornará general, mas só em 1º de setembro de 1966 (https://pt.findagrave.com/memorial/49125337/charles-hartwell-bonesteel).
2º - O companheiro do Coronel Bonesteel nessa tarfe foi o também Coronel Dean Husk. Sabem o que fez o Coronel Dean Rusk mais tarde?....... Foi o segundo mais longevo, Secretário de Estado (Ministro das Relações Exteriores) da história dos Estados Unidos. Ele, Cordel Hull e Henry Kissinger, cada um no seu tempo, formam a trindade máxima das relações exteriores americanas do século XX.
Consegui o livro autobiográfico de Dean Husk (1909-1994), e
traduzi para vocês o trecho que narra como foi a tarefa de determinar esse
paralelo; relato em primeira mão em primeira pessoa:
“Finalmente chegamos a
um acordo que se manteria pelo menos algumas forças dos EUA no continente
asiático, uma espécie de ponto de apoio na península coreana para fins
simbólicos.
Durante uma reunião do
SWINK [sigla de
algum órgão do governo que não consegui descobrir], em 14 de agosto de 1945, o mesmo dia da rendição japonesa, o Coronel
Charles Bonesteel [Charles Bonesteel III] e eu nos retiramos para uma sala adjacente, tarde da noite, e estudamos
atentamente um mapa da península coreana. Trabalhando às pressas e sob grande
pressão, para cumprir uma tarefa formidável: escolher uma zona para a ocupação
americana. Nem Tic [apelido de Bonesteel] nem eu éramos especialistas em
Coreia, mas nos parecia que Seul, a capital, deveria estar no setor americano.
Também sabíamos que o Exército dos EUA se opunha a uma extensa área de
ocupação. Usando um mapa da National Geographic, procuramos ao norte de Seul
uma linha divisória conveniente, mas não conseguimos encontrar uma linha
geográfica natural. Em vez disso, vimos o paralelo 38 e decidimos recomendá-lo.
SWINK aceitou sem muita delongas e, surpreendentemente, os soviéticos também...
Ninguém presente em nossa reunião, incluindo dois jovens coronéis americanos,
sabia que na virada do século os russos e japoneses haviam discutido esferas de
influência na Coreia, divididas ao longo do paralelo 38. Se soubéssemos disso,
quase certamente teríamos escolhido outra linha de demarcação.
Lembrando dessas
discussões anteriores, os russos podem ter interpretado nossa ação como um
reconhecimento de sua esfera de influência na Coreia ao norte do trigésimo
oitavo paralelo. Qualquer conversa futura sobre a reunificação acordada da
Coreia seria vista como mera encenação. Mas nós ignorávamos tudo isso, e a
escolha do SWINK pelo trigésimo oitavo paralelo, recomendada por dois cansados
coronéis trabalhando até tarde da noite, provou ser fatídica. Nós do OPD [sigla] também estávamos envolvidos com a ocupação da Alemanha pelas quatro
potências. Devido a uma grave escassez mundial de alimentos no final da guerra,
uma de nossas principais preocupações era alimentar o povo alemão, uma
responsabilidade direta dos exércitos de ocupação. Nós criamos uma força-tarefa
especial, mas simplesmente manter os alemães vivos não era uma tarefa fácil. As
zonas de ocupação já haviam sido estabelecidas quando entrei para o OPD, e nós
lutávamos constantemente com os russos sobre a ocupação da Alemanha e a
administração dessas quatro zonas.
A obstinação soviética
reforçou nossa determinação de não deixar os russos terem uma zona de ocupação
no Japão. Claramente, cometemos um erro ao não exigir um corredor terrestre sob
controle aliado em Berlim. “(Dean Rusk; As I saw it – by Dean Rusk as told to
Richard Rusk (o filho dele); W. W. norton & Company; New York-London;
1990; pg 124-125.).
Aaaaah! Então nós ficamos sabendo que NÃO FORAM OS
AMERICANOS, MAS OS RUSSOS, OS PRIMEIROS A SUGERIR A DIVISÃO DA COREIA, e acabar
com o paraíso maravilhoso que castanhari disse existir por lá!
Isso foi em 1903, quando russos e japoneses disputavam áreas
de influência na China e arredores, e, principalmente a liberdade de navegação,
vital para o comércio russo com a China, do chamado Estreito da Coreia, entre essa
península e as principais ilhas japonesas, numa largura de 200 km. As
negociações eram difíceis e os japoneses não se mostraram propensos a ceder
muita coisa, pois sabiam da fragilidade dos russos, principalmente no crucial aspecto
logístico.
(Abaixo: à direita o presidente John Kennedy; ao centro o risonho Secretário-Geral do Partido Comunista da União Soviética, Nikita Sergeyevich Kruchev; no alto da escada o coronelzinho do paralelo 38º, David Dean Husk - 03.06.1961)
https://2009-2017.state.gov/cms_images/20khruschev_kennedy2_600.jpg
https://2009-2017.state.gov/p/eur/ci/rs/200years/123012.htm
Em setembro de 1903 os russo mandaram aos japoneses uma proposta
para demarcar a zona de influência dos dois países na região, que os japoneses
responderam com frieza. Em 11 de dezembro os russos apresentaram outra proposta
mais favorável aos japoneses, recebida da mesma forma. Porém o que mais chama a
atenção, neste contexto, é o artigo 6º, eram oito, nas duas propostas, que diz
o seguinte:
“Compromisso mútuo para
considerar a parte do território da Coreia situada ao norte do paralelo trinta
e nove como uma zona neutra na qual nenhuma das partes contratantes introduzirá
tropas.” (Park Bella; Russia’s Policy Towards Korea during the Russo-Japanese
War; International Journal of Korean History(Vol.7, Feb.2005; Moscou)
Ou seja, uma Coreia, ao sul do paralelo 39º, ficará sob completo
domínio dos japoneses, e a outra área, ao norte desse paralelo, seria como que
compartilhada pelas duas potências, pelo menos no aspecto de segurança.
Portanto: QUEM PRIMEIRO ABRIU A FELIZ COREIA PARA O BRUTAL E
MASSACRANTE DOMÍNIO DOS JAPONESES FOI A RÚSSIA, ASSIM COMO TAMBÉM FOI ELA A
PRIMEIRA QUEM SUGERIU A PARTILHA DESSA NAÇÃO, DE ACORDO COM INTERESSES ESTRANGEIROS.
A diferença foi que os russos marcaram o seu traço mais
acima, no paralelo 39º, o que não faz nenhuma diferença, pois continua sendo a
divisão do que não deveria ser dividido, mas quem estranharia se, para Castanhari
e seu grupo, isso mudasse tudo...
Será????
(Reconhece o cara abaixo Castanhari? Time de 26.12.1960. Na tarja amarela está escrito: O homem de Kennedy - A Face da Nova Administração - SECRETÁRIO DE ESTADO DEAN HUSK (abaixo))
https://content.time.com/time/magazine/archive/covers/1960/1101601226_400.jpg
%20Confers%20With%20President.jpg)


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