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Eduardo Simões (a Margarida Guimarães)
A justa indignação
de muitos, ao selvagem assassinato do cidadão americano George Floyd, em maio
de 2022, que levou multidões às ruas do mundo, foi parcialmente desmerecida
pela atitude de alguns aloprados, que, aproveitando a intensidade emocional do
momento, começaram a induzir os mais impressionáveis
a atacar monumentos que lembravam homens e eventos, que esse tais aloprados ignoram
ou conhecem só parcialmente. De um lado e doutro do Oceano, tombaram ou quedaram
pichados bustos e estátuas de Cristóvão Colombo, Winston Churchill,
Abraham Lincoln, etc. – de nosso lado vimos aqui, na metade de 2021, um inculto
motoboy, atear fogo na estátua de Borba Gato, a pretexto de começar uma
discussão. E ele nem sabia falar direito.
Essa atitude,
entretanto, tem origem recente, e está bem entranhada em nossos meios
acadêmicos, artísticos e na imprensa em geral – num programa da Globo News,
escutei jornalistas repetindo o bordão de que Borba Gato e os bandeirantes
paulistas eram “escravocratas” e “genocidas”, como se o que ele fizeram já
fosse crime hediondo, no seu tempo. Será que eles não sabem, que nos séculos em
que Borba Gato e os Bandeirantes viveram, essas coisas não eram crime em lugar
nenhum do mundo? Será que desconhecem o conceito de EVOLUÇÃO?
A matriz, de onde
vem toda essa ignorância, é uma doutrina especulativa a-histórica e anticientífica,
o marxismo, que encontra-se largamente difundida nos ambientes supostamente ‘cultos’
de muitos países. Porém, se você tomar o Manifesto
do Partido Comunista (2ª edição; Avante; Lisboa; 1997), percebe logo a
absurda contradição de suas proposições básicas, como Engels as descreve no Prefácio à edição inglesa de 1888, página
sem número, onde ele diz que a proposição central do Manifesto é que: “em qualquer época histórica, o modo
predominante da produção económica e da troca, e a organização social que dele
necessariamente decorre, formam a base sobre a qual se constrói, e só a partir
da qual pode ser explicada, a história intelectual e política dessa época”.
Ou seja, cada
período e forma de comportamento social só pode ser explicado a partir das
condições objetivas de seu próprio tempo, e só deste, da mesma forma que os
costumes de uma sociedade primitiva, tribal, só pode ser explicada a partir do
seu funcionamento e lógica internos, da sua cultura. Corretíssimo. Logo a
consciência do certo e do errado nas relações humanas e a sua expressão social,
a ideologia, também são filhas necessárias do seu tempo.
Porém logo a seguir ele desfaz o que acabara de dizer: “que, consequentemente, toda a história da humanidade (desde a dissolução da sociedade tribal primitiva...) tem sido uma história de lutas de classes, de conflitos entre classes exploradoras e exploradas, entre classes dominantes e oprimidas; que a história destas lutas ... alcançou hoje um estádio em que a classe oprimida e explorada — o proletariado — não pode atingir a sua emancipação do jugo da classe dominante e exploradora — a burguesia — sem emancipar, ao mesmo tempo e de uma vez por todas, toda a sociedade de qualquer exploração e opressão, de quaisquer distinções de classes e lutas de classes”.
Se eu uso o
conceito de oprimido e opressor, eu estou necessariamente supondo que, desde o
início, há um grupo que conscientemente oprime outro que, ao ter consciência
dessa opressão, luta contra ela, e aí faz sentido dizer que a luta de classes é
o motor da história. Mas se não há mudança, se a consciência da opressão está
presente desde o início, eu sou obrigado a dizer que a mente humana é a-histórica
e desfaço absolutamente o nexo entre o ser humano e o seu ambiente, logo à
realidade, que muda e evolui.
Há muitas razões que fazem com que aparentemente ricos e pobres disputem ao longo da história, sendo o mais comum, pelos relatos que nos chegam e pela característica familial das antigas formas de sociedade, que determinados líderes, à frente de alguma ou algumas famílias mais abastadas, liderem multidões de pobres contra outra ou outras famílias, e seu respectivo séquito de pobres, mesmo porque não basta escrever que existe classes sociais para, automaticamente, as pessoas que fazem parte desses grupos ganhem a consciência de tal realidade.
Noutras palavras: se
não há ainda a consciência de classe, algo tão difícil de se ver até os dias de
hoje, como se pode falar em luta de classes? Da mesma forma, como podemos falar
em relações de “dominação”, “exploração”, “opressão”, se não há consciência disso
em quem explora e, principalmente, quem é “oprimido”, “explorado”, etc. Afinal
se existisse essa consciência certamente que há muito essas relações teriam
sido modificadas uma vez que os explorados, dominados e oprimidos sempre foram
em muito maior número e ninguém gosta de viver assim. O fato de Marx ver isso
nos relatos históricos, e por vezes até para além destes, não os transforma
automaticamente em acontecimentos reais.
O que há, nesse caso, é uma projeção psicológica de sentimentos, carências e mágoas do autor da máxima e seus seguidores, geradas por situações diversas, em relação ao passado, sobre o qual o indivíduo se impõe como um juiz onipotente, tanto mais quanto menos o conhece, exarando sentenças condenatórias a partir de sentimentos e valores atuais, inexistentes nos indivíduos e nas sociedades antigas, numa retroação legal marcada pela ilegalidade e a ignorância.
Chamar
acusativamente um homem ou um grupo do século XVII ou XVIII, de escravocrata e
genocida, é ignorar vergonhosamente que todos nessa época praticavam esses ‘crimes’,
inclusive líderes africanos, sem os quais a escravidão moderna na América não seria
possível. E o mais curioso é que as pessoas que cometem esse tipo de desatino
se autoproclamam progressistas.
Vejamos um caso que encerra uma lição espetacular, absolutamente acachapante aos chamados “progressistas”, dado por um povo distante.


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