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(Acima a senhorita
Ann Elizabeth Everest (1832-1895), a governanta e mãe de verdade de Winston
Churchill, no único retrato que existe dela, e que está sobre a lareira de
Chartwell. Ela foi uma verdadeira protetora e companheira para Winston Churchill,
que Sempre terminava suas cartas desejando “100 mil beijos” para ela. Ao contrário
concussão fria e formal das cartas para os pais. Tinha uma inteligência simples
e sábia. Conta-se que certa vez, quando Churchill tinha 8 anos, ambos passeavam
quando o menino viu uma cobra e fez menção de mata-la, a senhorita Everest o
proibiu: “deixe que ela siga a sua vida”. Talvez a ela Churchill deva uma de
suas principais características, muito difícil de aplicar na política: a
incapacidade de guardar rancor e a generosidade na vitória – não confundi-la
com a matemática Mary Elizabeth (Everest) Boole, casada com o matemático George
Boole, criador da álgebra booleana)
Eduardo Simões (a
Margarida Maria)
WINSTON CHURCHILL –
A mãe de verdade era outra.
Uma das formas com
que a nobreza vitoriana tardia resolvia seus problemas financeiros era casando
com uma plebeia americana, filha de pai rico – não havia tanta filha de
milionários disponível na Inglaterra, e a burguesia americana já se mostrava bem
mais eficiente em amealhar fortuna. Esse foi o caso dos pais de Churchill.
Sua mãe se chamava
Jeanette, “Jennie”, Jerome, filha de um grande financista americano, que, após
encontrarem-se, em um evento social-esportivo na ilha de Wight, logo
pressentiram as vantagens recíprocas de uma união. Randolph seria para ela a
porta para a aristocracia inglesa, que ela desejava, e ela seria a “porta da
esperança” para o alívio das dificuldades financeiras do nobre inglês, graças
ao dinheiro do “papai”. Não havia ilusões nem falsos pudores, menos ainda os verdadeiros,
por parte dos dois. Três dias após se conhecerem estavam comprometidos.
Aquela explosão de
amor à primeira vista, entretanto, não convenceu o núcleo ducal dos
Marlborough, que enviou para a América um agente para sondar minuciosamente o
valor do dote da noiva, voltando com uma péssima notícia: o pai-plebeu-milionário,
não tinha tanto dinheiro assim, pois perdera muito na crise financeira de 1873,
uma das mais longas da história recente. O sogro poderia dar ao casal um
conforto de uma classe média abastada, mas nada digno de um nobre da
importância de um Marlborough, por isso o casamento foi em Paris, alguns meses
depois, sem a presença de um representante da orgulhosa família.
Em 30 de novembro de 1874 nasceu
Winston Leonard, e seis anos depois seu irmão, John Stranger, mais conhecido
como “Jack”, e como sua mãe estava sempre muito ocupada em compromissos
sociais, quase nunca “honestos”, e seu pai numa titânica e inglória luta contra
si mesmo e os percalços da política, seus genitores os entregaram cuidados de
uma babá, e nessa cuidadora, a Srta. Elizabeth Everest, Winston tirou a sorte
grande. Que ele soube agarrar e agradecer.
Ela era uma solteirona,
vinda de uma família pobre, de uma cidade pequena, Chatham, no Kent, mas uma
pessoa boa, cheia de afeto, dedicada e correta, que se apegou a Winston, como a
um filho, o que certamente salvou-o de ser uma pessoa carente e desadaptada, em
virtude do abandono sistemático e da indiferença emocional de seus genitores.
Ambos trocaram muitas correspondências, onde ela chamava-o de “Winnie”, e ele a
ela de “Woom” ou “Woomany”. Foi ela, por exemplo, quem percebeu e deu o alarme
que Winston estava sendo brutalizado, com castigos físicos além do razoável, para
os padrões vitorianos, na primeira escola que frequentou. Mais tarde ele
escreverá: “Eu amava muito a minha mãe – mas à distância. Minha cuidadora era a minha confidente. Foi a
Sra. Everest quem cuidou de mim e atendeu a todos os meus desejos. Foi para ela
que eu derramei todos os meus muitos problemas." (Wikipedia em inglês, Elizabeth Everest)
Não adiantava muito
derramar problemas para a mãe. Houve um ano em que Churchill escreveu 76 cartas
para a ela, mas só recebeu seis de volta. Ele estava no colégio interno
quando ficou sabendo que seus pais, considerando a adolescência de Jack,
resolveram demitir a Senhora Everest, em 1893. Ele escreveu para os pais pediu, pediu-lhes que considerassem a sua idade e a pobreza em que ficaria, tendo que começar a vida do zero, regateou o que pode, mas Lorde e
Lady Randolph preferiram considerar a economia que iam fazer. Winston passou
a ajudá-la de seu próprio bolso.
A Sra. Everest,
inclusive, fez uma coisa que seu pai nunca fez, enquanto Winston foi estudante.
Visitou-o na escola, além de comparecer às reuniões pedagógicas, na ausência
dos pais. Certa vez, numa dessas visitas, apesar da zoação dos colegas,
desfilou por toda a escola de braço dado com ela, mostrando-lhe e explicando
cada prédio, o que ele fazia, como fazia, e, para o estupor de todos, a beijou
ternamente quando se despediram na estação ferroviária. Ele sempre foi topetudo,
afinal era um Marlborough, a mais alta nobreza da Inglaterra, logo podia fazer
o que bem quisesse – sendo lícito – sem pedir licença a ninguém, inclusive
demonstrar publicamente o seu afeto por uma pobre senhora do povo.
A Sra Everest
voltou para a casa de um antigo patrão, onde ficou por um ano, até se mudar em
definitivo para a casa de uma irmã, onde viveu até 3 de julho de 1895, quando
morreu de peritonite, aos 63 anos. Um pouco antes, Churchill, que já era cadete,
recebeu um telegrama noticiando a gravidade do seu estado. Avisou então ao
superior que estava de saída, e sem mais explicações foi assistir os últimos
momentos de “Woomany”. Ele estava na sua cabeceira, quando ela se foi às
2:15 h.
Winston pagou todas as despesas do seu funeral e de sua sepultura, e enquanto
viveu, pagou gente para mantê-la limpa e florida, e eventualmente a visitava.
Depois que ele morreu, a obrigação de manter o túmulo da Senhora Everest,
passou à Churchill Society
Enquanto a vida de
Winston se expandia e prenunciava um futuro difícil, mas grandioso, a de seus
pais descia ladeira abaixo. Talvez incomodada pela indiferença olímpica de
Lorde Randolph, talvez porque era animada de uma certa vocação ao “alpinismo
social” pouco escrupuloso, Jennie dispôs-se a permitir que boa parte da nobreza
inglesa subisse ao seu leito, acumulando vários amantes, entre os quais o
Príncipe de Gales, filho da rainha Vitória, futuro Eduardo VII. Embora,
seja-lhe feito justiça, ela usou muito dessas relações para ajudar na ascensão
de seu filho, conforme a ocasião. Ela vislumbrou no filho algo do gênio que o
pai ignorara completamente.
A favor dela também
deve ser dito que, quando Lorde Randolph mergulhou na sua doença terminal – que
foi sífilis, contraída de uma aventura com uma camareira de Blenheim, logo após
seu casamento, como era habitual na nobreza ociosa, em especial os Marlborough –
e que o levará ao túmulo, também em 1895, ela ficou com ele e o cuidou com toda
dedicação. Depois disso ela foi à luta, envolvendo-se com nobres e playboys bem
mais novos, num estilo, como se dizia nessa época, “viúva alegre”. Churchill
nunca se importou com isso, aparentemente...
A casa preferida de
Churchill chamava-se “Chartwell”, onde ele passou seus últimos anos e onde
tomou suas mais importantes decisões, o seu paraíso particular, localiza-se em
Kent, no sul da Inglaterra, justo a região que foi o berço de sua querida Woom.
A historiografia ainda não fez justiça ao que essa mulher fez pela criação de
um dos maiores líderes mundiais de todos os tempos...
(Abaixo a mãe
biológica, Jeanette, entre John, à esquerda, e Winston à direita)
https://winstonchurchill.hillsdale.edu/wp-content/uploads/2019/02/Jennie-c1800s-640x430.jpg
https://winstonchurchill.hillsdale.edu/jennie-lady-randolph-churchill/


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