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(Fugindo do que fizeram dele)
O site de notícias catalão El Periodico de Barcelona, também
reproduziu uma entrevista com Stedman Jones ao repórter Juan Frenández, no seu
Caderno, em 24 de abril de 2018, cujo título é mais que provocador: GARETH
STEDMAN JONES: “MARX NUNCA SE TORNARIA MARXISTA, do qual eu pincei algumas
partes, que não reproduzem os trechos que eu já apresentei de outras
entrevistas com Stedman Jones.
Duzentos anos após o
seu nascimento, ainda há algo novo a ser dito sobre Marx?
O estudo da sua vida e obra foi afetado pela manipulação da
sua figura e do seu discurso pelos regimes comunistas, especialmente o
soviético. O marxismo transformou Marx num mito, uma espécie de Moisés com as
tábuas da lei do comunismo, e isso impediu, até recentemente, uma análise
rigorosa e académica do seu pensamento. O fim da Guerra Fria acabou com as
restrições à consulta de suas cartas e manuscritos, com os quais tenho
trabalhado. Não me interessava mostrar o Marx que os marxistas contavam, mas
sim aquele que dialogava com os seus contemporâneos.
E como é esse Marx?
Ele certamente não foi
o santo secular retratado pelo marxismo, que o pintou como um pensador
infalível, um marido e pai exemplar e um herói do proletariado. Ele foi um grande
pensador que teve a sabedoria de compreender e descrever o capitalismo melhor
do que ninguém e antes de qualquer outra pessoa, algo que foi até reconhecido
na revista Time, que o imprimiu na sua capa, apresentando-o como o melhor
teórico do capitalismo da história [Jones promove seu personagem para promover, de tabela, seu
livro, quanto a Time, ela é uma revista para todos os gostos, também quer
vender mais, e sua opinião embora errada, deve ser respeitada como parte do
regime democrático capitalista]
Apesar de ser seu pior inimigo.
Marx teve a audácia de
aplicar ao capitalismo a crítica que fez com a religião. Assim como Feuerbach,
ele pensava que Deus não criou o homem, mas o contrário, embora viva
acreditando que é obra do criador. Seguindo esta abordagem, afirmou que o
capitalismo não é um sistema natural, como defende o liberalismo, mas sim uma
criação humana [Isso
é verdade, se o autor está querendo dizer que as relações sociais e econômicas
descritas como “capitalismo’ não foram descritas pelos clássicos
definitivamente, de uma vez por todas, mas é errado supor que o capitalismo
surgiu da maquinação independente deste ou daquele autor, como o texto de um
romance, que você mexe quando quer]. Portanto,
pode ser modificado pela vontade do homem, não somos pobres vítimas indefesas
do sistema.[essa abordagem, o vitimismo, é típica do pensamento marxista
contemporâneo].
............
Por que ele fez isso? [Quando Engels substituiu “abalado”
por “colapso”, a respeito do capitalismo]?
Engels estava sob
pressão dos socialistas alemães, que estavam ansiosos por saber como seria a
morte do capitalismo. O mito do marxismo e da revolução teve que ser criado, e
tudo conspirou para que isso acontecesse... [e também] parte da
correspondência de Marx, que estava cheia de insultos aos líderes do seu tempo
e comentários antissemitas que não testemunhavam bem sobre ele, foram ocultas
por causa da revolução. [O marxismo, não digo Marx, nasceu de um engano e
vive de mentiras]
Como era o seu caráter?
No livro ele o retrata como alguém muito vaidoso de si mesmo.
Ele era uma criança
mimada e isso marcou sua personalidade. Em sua família havia tendência à
tuberculose, que ele manifestava. Na verdade, ele foi poupado do serviço
militar devido a problemas pulmonares. Sua mãe, angustiada, o superprotegia e o
mimava mais do que seus irmãos, que não eram tão inteligentes quanto ele. Ele
cresceu convencido de que tinha direito a tudo. Quando jovem queria ser poeta e
passava o dia fumando e bebendo de roupão, entregue aos seus devaneios.
Mudou depois de adulto?
Marx sempre se
preocupou em aparecer. Ele garantiu que suas filhas estivessem sempre bens
apresentadas e as enviou para aulas de piano, embora sua situação financeira
estivesse à beira da ruína. Uma delas, Eleonor, acabou desenvolvendo anorexia e
ansiedade devido ao impulso controlador do pai...
Curioso retrato do pai
de um movimento identificado com a emancipação dos povos e das pessoas.
Na vida pessoal de Marx
existem vários graus de hipocrisia e padrões duplos. Como presente de
casamento, seus sogros lhes deram uma empregada, Lenchen, que ficou morando com
eles até o fim de seus dias. Imagine a imagem: por volta de 1850, todos em uma
casa no Soho de Londres, e Lenchen e Jenny grávidas vagando pela casa. Para
manter as aparências, disseram que o pai do filho da empregada era Engels...
Até que ponto a sua
relação com Engels condicionou a sua vida e o nascimento do próprio marxismo?
Os negócios de Engels
em Manchester correram muito bem e ele ganhou muito dinheiro. Depois que as duas
heranças familiares
[A dos pais de Marx e a dos pais de Jenni] se
fundiram e ele perdeu os empregos que tinha como jornalista e editor, Marx
passou a depender financeiramente de Engels. Obviamente, isso teve um custo
humano. Marx pode ter-se sentido constrangido mais de uma vez discordou do seu
benfeitor.
O que Marx teria dito
sobre o movimento que ele inspirou?
Ele nunca teria se
tornado um marxista. Pelo menos, não como o marxismo se desenvolveu após a sua
morte. Apoiou a ideia de governo direto promovida pelos primeiros comunistas e
criticou fortemente os liberais, mas não aceitou a concepção materialista da
história promovida pelo marxismo. Ele nunca falou de determinismo histórico ou
socialismo científico. É claro que eu também não teria aprovado o que aconteceu
na União Soviética.
Ele entenderia o mundo
de hoje?
Ele reconheceria o
capitalismo dos nossos dias, que hoje continua a aparecer como um sistema
instável que constantemente cria e destrói e sofre crises periódicas, como ele
previu [Sim, Marx
foi o primeiro a perceber a manifestação recorrente das crises no capitalismo e
lhe propor uma explicação, mas não conseguiu discernir a sua natureza, que só
foi corretamente compreendida pelo grande Schumpeter (1883-1950), que, ao
contrário de Marx e dos marxistas, não as viu como um sinal de fraqueza e
contradição do sistema, mas como momentos de autêntica revolução econômica,
como uma destruição criativa]. Também veria que hoje, tal como em 1860, as
condições de trabalho e de vida de muitos trabalhadores são deploráveis e,
como então, ainda existem dificuldades em fazer face às despesas [Fora do
âmbito das emigrações incontroláveis e das condições em países autoritários pré-capitalistas,
isso que Jones fala é uma arrematada tolice: as condições de vida da classe
trabalhadora melhoraram tanto, que ninguém mais fala em revolução, afinal quem
vai sair do conforto de sua casa e de sua família, construída pelo seu salário,
para lutar por transferência de poder aos intelectuais, ainda que em nome da
classe trabalhadora?]. Mas se surpreenderia
com o cenário de trabalho[não acabou de dizer que as condições laborais são
as mesmas?!]. As antigas fábricas de
operários foram substituídas por profissionais que trabalham em casa através de
telas. [Em condições muito, muito, muito melhores do que as que havia no
tempo em que Marx vivia]
O que você diria a
alguém que hoje se declara marxista?
Eu perguntaria: que
marxismo? Estar ao lado dos oprimidos parece-me louvável, mas as receitas do
marxismo não fazem sentido no mundo de hoje. Vivemos tempos difíceis, mas as soluções
para os problemas atuais não podem ser dadas por um filósofo político que
escreveu pensando no mundo de 150 anos atrás. [destaque de El Periodico]

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