26 agosto 2024

MARX NÃO SERIA MARXISTA?

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(Fugindo do que fizeram dele)

O site de notícias catalão El Periodico de Barcelona, também reproduziu uma entrevista com Stedman Jones ao repórter Juan Frenández, no seu Caderno, em 24 de abril de 2018, cujo título é mais que provocador: GARETH STEDMAN JONES: “MARX NUNCA SE TORNARIA MARXISTA, do qual eu pincei algumas partes, que não reproduzem os trechos que eu já apresentei de outras entrevistas com Stedman Jones.

Duzentos anos após o seu nascimento, ainda há algo novo a ser dito sobre Marx? 

O estudo da sua vida e obra foi afetado pela manipulação da sua figura e do seu discurso pelos regimes comunistas, especialmente o soviético. O marxismo transformou Marx num mito, uma espécie de Moisés com as tábuas da lei do comunismo, e isso impediu, até recentemente, uma análise rigorosa e académica do seu pensamento. O fim da Guerra Fria acabou com as restrições à consulta de suas cartas e manuscritos, com os quais tenho trabalhado. Não me interessava mostrar o Marx que os marxistas contavam, mas sim aquele que dialogava com os seus contemporâneos.

E como é esse Marx?

Ele certamente não foi o santo secular retratado pelo marxismo, que o pintou como um pensador infalível, um marido e pai exemplar e um herói do proletariado. Ele foi um grande pensador que teve a sabedoria de compreender e descrever o capitalismo melhor do que ninguém e antes de qualquer outra pessoa, algo que foi até reconhecido na revista Time, que o imprimiu na sua capa, apresentando-o como o melhor teórico do capitalismo da história [Jones promove seu personagem para promover, de tabela, seu livro, quanto a Time, ela é uma revista para todos os gostos, também quer vender mais, e sua opinião embora errada, deve ser respeitada como parte do regime democrático capitalista]  

Apesar de ser seu pior inimigo.

Marx teve a audácia de aplicar ao capitalismo a crítica que fez com a religião. Assim como Feuerbach, ele pensava que Deus não criou o homem, mas o contrário, embora viva acreditando que é obra do criador. Seguindo esta abordagem, afirmou que o capitalismo não é um sistema natural, como defende o liberalismo, mas sim uma criação humana [Isso é verdade, se o autor está querendo dizer que as relações sociais e econômicas descritas como “capitalismo’ não foram descritas pelos clássicos definitivamente, de uma vez por todas, mas é errado supor que o capitalismo surgiu da maquinação independente deste ou daquele autor, como o texto de um romance, que você mexe quando quer]. Portanto, pode ser modificado pela vontade do homem, não somos pobres vítimas indefesas do sistema.[essa abordagem, o vitimismo, é típica do pensamento marxista contemporâneo].

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Por que ele fez isso? [Quando Engels substituiu “abalado” por “colapso”, a respeito do capitalismo]?

Engels estava sob pressão dos socialistas alemães, que estavam ansiosos por saber como seria a morte do capitalismo. O mito do marxismo e da revolução teve que ser criado, e tudo conspirou para que isso acontecesse... [e também] parte da correspondência de Marx, que estava cheia de insultos aos líderes do seu tempo e comentários antissemitas que não testemunhavam bem sobre ele, foram ocultas por causa da revolução. [O marxismo, não digo Marx, nasceu de um engano e vive de mentiras]

Como era o seu caráter? No livro ele o retrata como alguém muito vaidoso de si mesmo.

Ele era uma criança mimada e isso marcou sua personalidade. Em sua família havia tendência à tuberculose, que ele manifestava. Na verdade, ele foi poupado do serviço militar devido a problemas pulmonares. Sua mãe, angustiada, o superprotegia e o mimava mais do que seus irmãos, que não eram tão inteligentes quanto ele. Ele cresceu convencido de que tinha direito a tudo. Quando jovem queria ser poeta e passava o dia fumando e bebendo de roupão, entregue aos seus devaneios.

Mudou depois de adulto?

Marx sempre se preocupou em aparecer. Ele garantiu que suas filhas estivessem sempre bens apresentadas e as enviou para aulas de piano, embora sua situação financeira estivesse à beira da ruína. Uma delas, Eleonor, acabou desenvolvendo anorexia e ansiedade devido ao impulso controlador do pai...

Curioso retrato do pai de um movimento identificado com a emancipação dos povos e das pessoas.

Na vida pessoal de Marx existem vários graus de hipocrisia e padrões duplos. Como presente de casamento, seus sogros lhes deram uma empregada, Lenchen, que ficou morando com eles até o fim de seus dias. Imagine a imagem: por volta de 1850, todos em uma casa no Soho de Londres, e Lenchen e Jenny grávidas vagando pela casa. Para manter as aparências, disseram que o pai do filho da empregada era Engels...

Até que ponto a sua relação com Engels condicionou a sua vida e o nascimento do próprio marxismo?

Os negócios de Engels em Manchester correram muito bem e ele ganhou muito dinheiro. Depois que as duas heranças familiares [A dos pais de Marx e a dos pais de Jenni] se fundiram e ele perdeu os empregos que tinha como jornalista e editor, Marx passou a depender financeiramente de Engels. Obviamente, isso teve um custo humano. Marx pode ter-se sentido constrangido mais de uma vez discordou do seu benfeitor.

O que Marx teria dito sobre o movimento que ele inspirou?

Ele nunca teria se tornado um marxista. Pelo menos, não como o marxismo se desenvolveu após a sua morte. Apoiou a ideia de governo direto promovida pelos primeiros comunistas e criticou fortemente os liberais, mas não aceitou a concepção materialista da história promovida pelo marxismo. Ele nunca falou de determinismo histórico ou socialismo científico. É claro que eu também não teria aprovado o que aconteceu na União Soviética.

Ele entenderia o mundo de hoje?

Ele reconheceria o capitalismo dos nossos dias, que hoje continua a aparecer como um sistema instável que constantemente cria e destrói e sofre crises periódicas, como ele previu [Sim, Marx foi o primeiro a perceber a manifestação recorrente das crises no capitalismo e lhe propor uma explicação, mas não conseguiu discernir a sua natureza, que só foi corretamente compreendida pelo grande Schumpeter (1883-1950), que, ao contrário de Marx e dos marxistas, não as viu como um sinal de fraqueza e contradição do sistema, mas como momentos de autêntica revolução econômica, como uma destruição criativa]. Também veria que hoje, tal como em 1860, as condições de trabalho e de vida de muitos trabalhadores são deploráveis ​​e, como então, ainda existem dificuldades em fazer face às despesas [Fora do âmbito das emigrações incontroláveis e das condições em países autoritários pré-capitalistas, isso que Jones fala é uma arrematada tolice: as condições de vida da classe trabalhadora melhoraram tanto, que ninguém mais fala em revolução, afinal quem vai sair do conforto de sua casa e de sua família, construída pelo seu salário, para lutar por transferência de poder aos intelectuais, ainda que em nome da classe trabalhadora?]. Mas se surpreenderia com o cenário de trabalho[não acabou de dizer que as condições laborais são as mesmas?!]. As antigas fábricas de operários foram substituídas por profissionais que trabalham em casa através de telas. [Em condições muito, muito, muito melhores do que as que havia no tempo em que Marx vivia]

O que você diria a alguém que hoje se declara marxista?

Eu perguntaria: que marxismo? Estar ao lado dos oprimidos parece-me louvável, mas as receitas do marxismo não fazem sentido no mundo de hoje. Vivemos tempos difíceis, mas as soluções para os problemas atuais não podem ser dadas por um filósofo político que escreveu pensando no mundo de 150 anos atrás. [destaque de El Periodico]

https://www.elperiodico.com/es/cuaderno/20180428/gareth-stedman-jones-marx-habria-hecho-marxista-6786369

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