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Eduardo Simões (a Margarida Maria)
É impressionante o quanto os economistas estão desligados da
realidade! Falo dos liberais, porque os marxistas, parece-me, vivem noutro
planeta.
Recentemente um jovem economista, Josué Aragão, disse em um
vídeo sobre a lei da oferta e da procura, “que você vai ver [no vídeo] exatamente
como funciona essa lei, e nunca mais você vai ter dúvida com isso”, a propósito
da ideia do Lula de comprar um milhão de toneladas de arroz, por causa das
enchentes no RS. E aí ele me vem com um gráfico de eixos ortogonais, e retas
que ele, num purismo conceitual, chamas de “curvas”, fazendo-o parecer um
maluco, semelhante ao monte deles estampado nas páginas do manual de economia do
Gregory Mankyw.
Ou seja, naqueles gráficos xexelentos, que devem levar ao êxtase
muito estatístico, matemático, almoxarife, e até economistas, está a chave do
entendimento definitivo da dinâmica do mercado, expresso em letras isoladas, em
geral consoantes e números, dando graças a Deus, nesse caso, ele não ter metido
letras gregas no gráfico para parecer mais erudito. Você para, pensa um pouco,
e não se contém....
Por que os economistas, não usam simplesmente a lógica das
ações humanas, pelo menos na abertura dos temas de seus manuais, ou quando se
propõe a explicar os conceitos básicos de sua ciência ao grande público.
Como eu penso isso
Sendo um organismo vivente, o impulso mais básico para um ser
humano é garantir a sua preservação física, biológica, protegendo-se dos azares
da natureza e do convívio humano. Uns fazem isso com uma Ferrari, enquanto
outro o fazem com os farrapos que lhe cobrem, e que nesse momento é a única
coisa, naturalmente falando, que o separa de um animal da selva ou das ruas.
Muitos animais selvagens, quando têm comida em excesso,
costumam escondê-la em algum lugar, para comer depois, quanto mais os seres
humanos, que costumam fazer projetos de longo prazo, estocarão ou pouparão, na
abundância, porque tanto os humanos como os animais de outras espécies não
sabem o que lhes aguarda no futuro, exceto os ativistas da trupe de Greta
Thunberg.
Mercado e preço
O mercado – somatório de todos os organismos vivos, humanos,
que vivem num determinado espaço, é a expressão econômica daquilo que os
socialistas, anticapitalistas, etc. chamam “povo” – é o melhor mecanismo
natural, espontâneo para controlar a oferta de um produto nesse espaço,
garantindo que o máximo de pessoas possa consumir desse produto e que ninguém,
ou só menor número possível de pessoas em condições de comprar o produto, fique
sem ele.
Isso é feito, principalmente, pela determinação do preço
médio, que relaciona as quantidade de um produto demandada pelos consumidores pela
capacidade dos produtores de ofertar a quantidade demandada pelos consumidores,
a um preço que seja vantajoso para aqueles (cubrir custos e dê lucros
compensatórios, o que varia de setor a setor, e de produtor a produtor, etc.).
Sempre haverá um certo grau de imponderabilidade, assim como uma quantidade de pessoas que não poderão comprar o produto, por não ter uma renda mínima que o permita, situação gerada por inúmeras causas, nem sempre claras, exceto para os ignorantes e esquerdistas que dizem, maliciosamente, que eles foram roubados, explorados pelos mais ricos ou por uma abstração chamada “sistema”.
Preço médio portanto é aquele que atende às necessidades do
produtor e que o motiva a continuar produzindo um bem, e ao mesmo tempo permite
ao maior número possível de pessoas o acesso a esse bem, o que varia de um bem
para outro – uma Ferrari será acessível a bem poucas pessoas, diferente de um
quilo de picanha ou de arroz; o número de pessoas que não pode comprar uma
Ferrari é gigantescamente maior que o das pessoas que eventualmente não possam
comprar um quilo de arroz ou quiçá de picanha, sem que por isso as pessoas
precisem acreditar que alguém as lesou, até que algum presidente
brasileiro ou latino-americano diga que possuir uma Ferrari é um direito
humano.
Redução artificial do preço
O que acontece, portanto, quando um “chefe”, determina a
redução do preço de um produto de primeira necessidade, arroz, por exemplo, sem
que haja um respectivo aumento da produção: lembre-se que as pessoas, e não só
as empresas, tendem a temer as incertezas do futuro, e esse temor é maior
quanto menor é a renda.
Num ambiente “normal”, as pessoas das classes A e B não se
importarão muito com a queda do preço do arroz, porque possuem recursos suficientes
para encarar a dificuldade, consumir produtos importados e até sair do país, se
a coisa evoluir para um colapso, já as pessoas da classe C e D, a pequena
classe média, diante da incerteza do futuro pensará: “já que o preço do arroz está baixo, e o meu salário
ainda dá sobra, vou comprar mais”. E compra, começando a estocar arroz, que é
essencial e está muito barato – no caso de picanha, se alguém faz churrasco com
picanha no aniversário e na passagem de ano, agora vai fazer todo mês ou todo
fim de semana. E vamos estocar picanha!!!
Mas como não houve aumento de produção, o que vai acontecer
com o produto. Os que chegarem aos supermercados primeiro ficarão com o
congelador e a dispensa abarrotados e os que chegarem depois, em geral os mais
pobres, como sempre, ficarão sem poder comprar o produto, mesmo tendo dinheiro
para isso. Ou seja: com o mercado ele consumia pouco, sem o mercado, graças ao
governo, ele agora não consome nada....
Isso é claramente visível nas grandes promoções das lojas, as
“queimas de saldo”. Os que chegam primeiro, empurrando, chutando e atropelando os
outros pegam o que tem, enquanto os mais fracos e retardatários ficam sem nada,
mesmo tendo recursos para comprar a mercadoria em promoção.
Na antiga União Soviética também era assim. As pessoas tinham
recursos mas não havia mercadoria para adquirir, pois embora os preços fossem
baixos a produção era mais baixa ainda. Aqueles que eram do Partido Comunista,
que controlava a produção, ou conheciam alguém de dentro, se apropriavam dessas
mercadorias, inclusive as básicas, como manteiga, açúcar, sabonete, - às vezes
em grande quantidade para vender no mercado negro, produzindo as máfias e os
oligarcas do fim da União Soviética, enquanto a grande massa da população mofava
nas filas, perdendo um tempo precioso que podia ser gasto na produção de mais
mercadorias.
Para reduzir esses inconvenientes o governo decretava o racionamento, mas sem o estímulo à produção, pois não havia o
lucro, isso era um paliativo de fôlego curto. No final a melhor coisa que podia
acontecer a um regimes desses era o que aconteceu na Europa do século XIV, com
uma população em expansão e uma produção estagnada: a Peste Negra. Quando esta veio
e matou milhões, o padrão de vida dos sobreviventes subiu, havia
menos gente para partilhar uma produção que não crescia. Talvez isso explique a fome
dos russos pela guerra: só assim não passam fome.
É por isso que quando há tabelamento ou congelamento de preços as produtos desaparecem das prateleiras, seja porque os produtores não conseguem dar conta do aumento da demanda, seja porque o preço não cobre os custos de produção, e então é melhor parar de produzi-los.
O aumento artificial do preço
O preço colocado acima da média, compatível com o mercado
também não é bom. Pois muitas pessoas que comprariam o produto se o preço
tivesse na média, deixarão de fazê-lo, reduzindo, na melhor das hipóteses, no
primeiro momento, o lucro bruto do fabricante, e no segundo momento o seu próprio
lucro relativo por unidade vendida, uma vez que ele terá que pagar os custos de
produção, além de financiar a estocagem, das unidades não vendidas. O sistema
de concorrência, típico dos mercados abertos, acelera ou desestimula, esse tipo de aventura, acabando de uma só vez com a carestia e o monopólio,
onde pode haver concorrência.
O mercado inviabiliza de chofre aquela fantasmagoria marxista
que diz que no futuro tudo se encaminharia para o monopólio, onde as empresas, cobrando
preços exorbitantes, simplesmente viveriam de estocar sua produção, pois os
consumidores, seus operários, simplesmente não poderiam comprar as mercadorias,
por ganharem muito pouco. Aliás a grande contribuição dos marxistas nessa área
foi mostrar que a livre iniciativa é de fato o melhor caminho para a economia,
pois os monopólios só se sustentam e prosperam, em prejuízo da sociedade,
quando sustentados pelo estado, que eles, em seguida, destroem.
Portanto o mercado, estimulando a concorrência, impede que
alguém que, sistematicamente procura aumentar os preços acima do poder de
compra médio dos consumidores, prospere, ao mesmo tempo que inviabiliza o
monopólio, renova o capitalismo, com indivíduos trazendo novas mercadorias a um
preço mais competitivo, promove o desenvolvimento tecnológico e propicia o
único tipo progresso, ou progressismo, que para de pé.
Voltando ao caso do arroz e as enchentes no RS, o alarde do
presidente Lula, que anunciou, que nem cabra macho, que compraria de um milhão
de toneladas, fez com que os preços do arroz do Mercosul subissem em 30%, determinando
a desistência da operação. Uma apresentadora militante de uma TV, tão ignorante
de economia como o fundador do socialismo moderno, queixou-se publicamente
dessa reação do Mercosul, afinal, segundo ela, a entidade fora criada para
primar “pela cooperação”, e não para cair no dito popular “farinha pouca meu
pirão primeiro”.
Por que esses
capitalistas malvadões do Mercosul fizeram isso? Só para sacanear o Lulinha?
Pura ganância como diz este? Não. É porque eles têm outros problemas domésticos
e também não têm certeza quanto ao seu futuro, e pode ser que no ano que vem
sejam eles a ter seus campos inundados, com boletos de empréstimos a pagar. Se
esse ano pode ser muito bom, obter uma renda maior, porque não aproveitar e ter
recursos extras para pagar empréstimos já combinados, investir noutras coisas,
etc.? Ninguém nunca ouviu falar da
história de José do Egito?
É uma pena que o nosso jornalismo televisivo esteja num nível
tão baixo, que nossos profissionais insistam numa teoria falida, para explicar ou
desentender os fenômenos econômicos básicos, e que os economistas os compliquem
tanto na hora de explica-los que não os explicam de forma alguma.
Precisamos de mais realidade no nosso dia-a-dia.

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