Eduardo Simões (a Margarida Maria)
Nós todos, brasileiros, que acreditamos na superioridade de
uma sociedade culta sobre uma inculta, na resolução de problemas organizacionais
práticos, sempre tivemos um contraponto de perplexidade no comportamento dos
argentinos, que, apesar de serem tradicionalmente mais alfabetizados e cultos
do que nós, vêm, nos últimos cem anos, “marcando passo”, em termos de estado
nacional, até mergulharem na crise que tornou o seu país permanentemente
insolvível.
Nós também mergulhamos numa crise análoga, e por tempo
semelhante, embora nunca tenhamos ido tão fundo a ponto de nossas patuscadas político-econômicas
nos deixaram tão prostrados, como aos portenhos, o que nos fazia, a nós, os que
amamos o conhecimento e a cultura, perguntarmo-nos, porque eles, apesar de
terem mais recursos intelectuais, inclusive vários Prêmio Nobel, se
encalacraram muito mais que nós.
A resposta chegou agora, pois diante de uma crise terminal
para o Estado Argentino, onde diante de uma proposta que repetia o passado recente
de fracassos e uma novidade estonteante, que lembra vagamente um passado remoto
de sucessos, muito mais radicalizado em alguns detalhes, os argentinos
preferiram a novidade.
Enquanto isso os brasileiros, embora não em queda livre, como
os argentinos, mas acumulando 40 anos de estagnação, optam pela proposta
antiga, por manter o modelo que há quarenta anos dá respostas inadequadas e até
catastróficas, como foi a recessão do Governo Dilma, na pessoa do seu criador:
o presidente Lula.
Diante de um impasse, que pode um dia nos levar à derrocada
que a Argentina ora enfrenta, os brasileiros optaram pela certeza de uma
solução velha, um governo que só na aparência deu certo e que preparou a
governo seguinte, Dilma, que arrastou o país para um fracasso. Isso é típico de
um povo que não lê, que não se informa sobre o que acontece com o país, ou
quando o faz não se aprofunda.
O resultado disso é a repetição eterna das mesmas pessoas,
nas mesmas disputas eleitorais. Não esqueçamos que desde 1989 que Lula disputa
eleições para presidente no Brasil –alguém duvida que as eleições de 2026
girarão em torno de Lula e Bolsonaro, pela terceira vez? – um recorde
paleontológico. O Brasil disputa com Cuba de Fidel, e o Zimbabwe de Mugabe o
título de Jurassic Park da política mundial. Estamos tão obcecados por velhas
formas e fórmulas, ainda que fracassadas, que não damos nenhuma chance a que se
criem novas lideranças. Somo uma vaca convicta indo pro brejo dos ignorantes.
Até o final do ano nós saberemos se os cultos argentinos,
apostando na novidade, do candidato e da proposta de Milei, fizeram melhor que
os incultos brasileiros, donos de um dos piores sistemas escolares do mundo,
entre as médias potências, que apostamos num velho com velhas propostas. A
única coisa nova no Lula é o seu discurso cada vez mais agressivo contra a
escolarização e aqueles que leem livros. Com arrogância típica do mais
canhestro dos ignorantes ou do inquisidor compulsivo ele chegou a anatemizar
todos os livros de economia. Um recorde de ignorância.
Dependendo do resultado das coisas esse ano, no ano que vem nós
até podemos ter um presidente que comece a respeitar o conhecimento e a
cultura, não apenas como um pretexto para pedir voto, mas pelo que elas têm de mais
positivo, aposentar políticos e fórmulas políticas fracassadas, e quem sabe, no
futuro, um presidente que não se gabe publicamente da sua ignorância.
Por enquanto, Deus tenha piedade de nós...

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