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(Essa ilustração mostra o fim de Sir John Talbot, mas erra num detalhe: ele foi morto com um golpe de machado na cabeça, após tentar, inutilmente, livrar o filho de sorte parecida, em Castillon)
Sir John Talbot (1387-1453), 1º Conde (Earl) de Shrewsbury,
era um homem grande, rude, brigão e um nobre, mas acima de tudo um guerreiro
consumado. Um cavaleiro no melhor estilo medieval, ansioso por demonstrar, no
campo de batalha, lealdade ao seu rei, e o motivo de seu grande prestígio. Ele
tinha a gana dos antigos povos germânicos por uma boa briga. Coube a ele
chefiar tropas inglesas no interminável conflito da Guerra dos Cem Anos, onde
se destacou por ser um comandante agressivo e audacioso, qualidade que lhe
valeram a vitória em várias batalhas, numa época em que o poderio inglês na
França estava refluindo, por causa de uma garotinha de 17 anos, cujo exército o
venceu em Patay, embora preservasse a fama, entre os franceses, de ser um
inimigo muito perigoso. Era conhecido como o “Aquiles inglês”. Era
cavalheiresco. Após ser feito prisioneiro prometeu nunca mais pegar em armas
contra o rei francês, por isso, daí por diante, passou a comandar as batalhas
da retaguarda, sem se envolver pessoalmente, ou o fazia de armadura incompleta,
como se fora um homem comum. Sua temeridade, porém, arrastou-o a morte. Na
batalha de Castillon, em 17 de julho de 1453, ele arremeteu desnecessária e
temerariamente contra um poderoso parque de artilharia francesa, com centenas
de peças, com suas tropas em inferioridade, e o seu cavalo foi atingido por um
projétil, caindo em cima de sua perna, imobilizando-o. Seu filho, também John
Talbot, Lorde de L’Isle se aproxima para protegê-lo, sem escutar os gritos do
pai para que fuja, e é morto no ato, ao mesmo tempo que um soldado francês,
aproveitando-se da imobilidade de Talbot, mata-o com um machado. Os franceses
ergueram um monumento a Talbot, no lugar onde ele caiu, que existe até hoje.
Talbot é um herói ou apenas um homem que desperdiçou a sua energia e talento,
que não eram poucos, matando outros homens que ele nem conhecia, em benefício
de terceiros? É possível viver nesse mundo sem guerras? Ele faria melhor se
tivesse usado de sua força e energia para atuar em profissões pacíficas,
preservando a sua vida e a de seu filho? A Inglaterra teria ganho mais com
isso? Qual é a função dos heróis militares?
(Nesse pungente quadro de Sir John Gilbert RA (Royal Academy of Arts) (1817-1897), aparece de forma dramática, e talvez artificial, a não ser que os franceses tenham montado essa disposição dos corpos no final da batalha, embora o fato em si seja verdadeiro: pai e filho morreram juntos, no mesmo momento e local, aparecem os corpos de John Talbot e seu filho de mesmo nome. Era uma época guerreira, belicosa, violenta, em contraste com a nossa, mas que nos faz pensar um pouco, nesse momento em que ouvimos falar, na nossa sociedade, de tantos pais matando filhos e vice-versa.)
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