24 maio 2024

JOHN TALBOT: ENTRE A GRANDEZA E O DESPERDÍCIO


 https://www.britishbattles.com/wp-content/uploads/2023/01/the-death-of-the-earl-of-shrewsbury-at-the-battle-of-castillon--1024x764.jpg

https://www.britishbattles.com/one-hundred-years-war/battle-of-castillon/

(Essa ilustração mostra o fim de Sir John Talbot, mas erra num detalhe: ele foi morto com um golpe de machado na cabeça, após tentar, inutilmente, livrar o filho de sorte parecida, em Castillon)

Sir John Talbot (1387-1453), 1º Conde (Earl) de Shrewsbury, era um homem grande, rude, brigão e um nobre, mas acima de tudo um guerreiro consumado. Um cavaleiro no melhor estilo medieval, ansioso por demonstrar, no campo de batalha, lealdade ao seu rei, e o motivo de seu grande prestígio. Ele tinha a gana dos antigos povos germânicos por uma boa briga. Coube a ele chefiar tropas inglesas no interminável conflito da Guerra dos Cem Anos, onde se destacou por ser um comandante agressivo e audacioso, qualidade que lhe valeram a vitória em várias batalhas, numa época em que o poderio inglês na França estava refluindo, por causa de uma garotinha de 17 anos, cujo exército o venceu em Patay, embora preservasse a fama, entre os franceses, de ser um inimigo muito perigoso. Era conhecido como o “Aquiles inglês”. Era cavalheiresco. Após ser feito prisioneiro prometeu nunca mais pegar em armas contra o rei francês, por isso, daí por diante, passou a comandar as batalhas da retaguarda, sem se envolver pessoalmente, ou o fazia de armadura incompleta, como se fora um homem comum. Sua temeridade, porém, arrastou-o a morte. Na batalha de Castillon, em 17 de julho de 1453, ele arremeteu desnecessária e temerariamente contra um poderoso parque de artilharia francesa, com centenas de peças, com suas tropas em inferioridade, e o seu cavalo foi atingido por um projétil, caindo em cima de sua perna, imobilizando-o. Seu filho, também John Talbot, Lorde de L’Isle se aproxima para protegê-lo, sem escutar os gritos do pai para que fuja, e é morto no ato, ao mesmo tempo que um soldado francês, aproveitando-se da imobilidade de Talbot, mata-o com um machado. Os franceses ergueram um monumento a Talbot, no lugar onde ele caiu, que existe até hoje. Talbot é um herói ou apenas um homem que desperdiçou a sua energia e talento, que não eram poucos, matando outros homens que ele nem conhecia, em benefício de terceiros? É possível viver nesse mundo sem guerras? Ele faria melhor se tivesse usado de sua força e energia para atuar em profissões pacíficas, preservando a sua vida e a de seu filho? A Inglaterra teria ganho mais com isso? Qual é a função dos heróis militares?

(Nesse pungente quadro de Sir John Gilbert RA (Royal Academy of Arts) (1817-1897), aparece de forma dramática, e talvez artificial, a não ser que os franceses tenham montado essa disposição dos corpos no final da batalha, embora o fato em si seja verdadeiro: pai e filho morreram juntos, no mesmo momento e local, aparecem os corpos de John Talbot e seu filho de mesmo nome. Era uma época guerreira, belicosa, violenta, em contraste com a nossa, mas que nos faz pensar um pouco, nesse momento em que ouvimos falar, na nossa sociedade, de tantos pais matando filhos e vice-versa.)


https://www.britishbattles.com/wp-content/uploads/2023/01/Talbot-Sir-John-Gilbert-RA-1024x636.jpg

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