15 março 2024

DIFERENÇA ENTRE O ARADO E CHARRUA MEDIEVAIS

 


https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/9/91/Maler_der_Grabkammer_des_Sennudem_001.jpg/800px-Maler_der_Grabkammer_des_Sennudem_001.jpg

https://en.wikipedia.org/wiki/Ard_(plough)#/media/File:Maler_der_Grabkammer_des_Sennudem_001.jpg

Eduardo Simões (a Margarida Maria)

Livros e sites em português na Internet tentam explicar, sem sucesso, a diferença entre o arado antigo e a charrua medieval, uma diferença que não se nota em outras línguas, como o inglês, e buscam explica-la a partir de detalhes como: era feito de ferro, era pesado, tinha rodas, puxado por animais, etc. mas não é bem assim. A gravura acima mostra um arado egípcio antigo puxado por bois, mas a característica que devemos observar é o formato da lâmina ou da parte do arado que rasga o solo, e que é universal nos arados antigos: é uma ponteira. Exatamente como a ponta de um lápis, e que podia perfeitamente ser de madeira, de ferro ou outro material resistente. Esse formato como que “risca” o solo, faz com que o arado penetre só superficialmente a superfície. Ele é próprio para terrenos leves, granulosos (grãos soltos) de pouca profundidade, como os solos do sul da Europa, na bacia do Mediterrâneo, ou de outros lugares.



https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/e/e0/RansomeVictoryPloughZambia.JPG/800px-RansomeVictoryPloughZambia.JPG

https://en.wikipedia.org/wiki/Ransome_Victory_Plough#/media/File:RansomeVictoryPloughZambia.JPG

A principal característica da charrua era a lâmina de aiveca, ou seja a lâmina curva, decerto metálica e em geral mais pesada que o arado tradicional de madeira, mas que tinha um efeito bem diferente do arado de ponteira tradicional. A aiveca corta e revolve a terra; traz a terra que está abaixo da superfície para cima, e ajuda a oxigenar o solo e à proliferação de micro-organismos, o que é muito benéfico para o desenvolvimento das plantas, ainda mais num solo que, apesar de mais fértil, era compactado de três a quatro meses por ano por toneladas de neve, todos os anos. Esse solo, mais fértil, porém, mais pesado e mais profundo, só podia render bem com a aragem pela charrua, ou o arado de aiveca. Entretanto cuidado!!! Esse mesmo recurso, usado em solos leves, mais granulosos, pode ser muito danoso e acelerar a erosão e perda de solo, então não podia ser usado nas regiões da Europa Mediterrânea – num exemplo recente, um fabricante inglês desenvolveu um arado de aiveca leve e barato, o Ransome Victory, foto acima, que foi amplamente distribuído entre os agricultores do Quênia e da África Austral, na década de 1920, e o resultado foi uma catastrófica perda de solo nas regiões onde foi usado mais intensivamente, como em Zâmbia.

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