Em vez da vitória a decepção, em vez de um retorno glorioso, a morte seguida de derrota. Carlos XII da Suécia bem que podia ter pendurado as chuteiras dos campos de batalha depois da derrota em Poltava (1709), mas quem se propõe a governar um império ou reino poderoso não se aposenta quando quer; mas quando deixam, sem falar que a História é uma amante exigente que cobra caro daqueles que buscam o seu favor - por isso minha relação até agora tem sido platônica. O certo é que no início do século XVIII havia uma instabilidade permanente na Escandinávia, envolvendo especialmente os interesses de Suécia e Dinamarca, e a Noruega como recheio do sanduiche. Enfrentando uma coligação de reinos que incluía Hannover e Saxonia (na Alemanha), Rússia, Inglaterra e Dinamarca, os suecos atacam o forte norueguês de Fredriksten, na esperança de forçar a Dinamarca a abandonar esse país, que estava unido a ela, e ameaçava território sueco. No dia 11 de dezembro de 1718, enquanto inspecionava as trincheiras, ele foi atingido pela metralha de um canhão da fortaleza, que lhe atravessou a cabeça, na têmpora, matando-o na hora - o ferimento é visível no quadro acima - obrigando ao exército sueco a uma retirada apressada (o velho e a criança, ao lado, deve estar rezando por duas coisas: pela alma do rei e para que os impostos não aumentem muito devido ao fracasso da guerra). A guerra e a história acabaram para Carlos XII, que não teve tempo sequer de constituir uma família e deixar herdeiros; o reino ficou para a sua irmã, Ulrica Eleonora. SOBRE O QUADRO: esse quadro foi pintado pelo pintor sueco Gustaf Cederströn (1845-1933), muito depois do ocorrido, em 1878, usando modelos e modificando como de fato ocorreu o transporte do corpo de Carlos XII, numa forma de enaltecer o monarca, como se fora um símbolo, a fim de participar de uma exposição de arte em Paris, onde a tela foi vendida a um nobre russo. Essa notícia deixou os suecos em polvorosa, dispostos a atirar pela janela seu frio pragmatismo habitual, porque o quadro do seu rei fora parar nas mãos de seus inimigos piores históricos, e Cederströn foi convidado, e quase intimado, a fazer uma replica em 1884. Mais tarde o quadro original voltou para a Suécia e está no Museu de Arte de Gotemburgo.
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