https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/a/a2/B%C3%A9raud_-_Offenstadt%2C_091.png
https://commons.wikimedia.org/wiki/Category:1890_paintings_by_Jean_B%C3%A9raud#/media/File:B%C3%A9raud_-_Offenstadt,_091.png
A disputa por um lugar, numa tarde chuvosa, na Place de la Concorde, na
Paris de 1890, num elegante fiacre, termina bem, pois o ilustre cavalheiro, com
uma grande cartola e gestos solenes, compreensivamente, conforme mandava a
etiqueta, cedeu o veículo a uma bela senhorita, que olha agradecida pela
janela, embora nem sempre essas situações acabassem assim. Ao seu lado. Na
chuva, uma senhora, talvez filha da classe operária ou da pobreza onipresente,
com uma criança nos braços, estende-lhe a mão para receber um algo mais que uma
simples cortesia. Os taxis de Paris tiveram o seu início em uma concessão real
dada a Nicolas Sauvage, um construtor de carruagens do interior, que veio se
instalar no Hotel São Fiacre, em Paris, em 1645, de explorar o transporte
público em carruagens, que iam para 8 lugares diferentes, em 5 linhas, serviço
que durou até 1679. Essas carruagens passaram a se chamar “fiacres”, e em 1789
elas já eram 800. Em 1855, Napoleão III, determinou o monopólio, e criou a Compagnie Imperiale de Voiture à Paris,
que em 1860 administrava 3.000 fiacres de diversos tamanhos e 10 mihões de
passageiros/ano – o monopólio acaba em 1866. Os fiacres foram perdendo a
importância a partir de 1898, com a introdução do automóvel, mas até 1911, 3.500
veículos puxados a cavalo fazendo serviço de transporte público em Paris.
Avaliem o cheiro! A cultura parisiense cultivou o mito do fiacre, como local
privilegiado de encontros proibidos, entre homens e mulheres, casados ou não, nas chamadas "corridas de alcova", e
para isso as janelas tinham cortinas, embora não isolamento de som, gerando
farto material para as comédias e operetas de teatros e cafés-concertos, e
muita música picaresca. Conta-se até que um músico desses espetáculos, León Fourneau,
ou Xanrof (1867-1953), quase foi atropelado por um motorista de fiacre, distraído
com as peripécias de um casal dentro do seu veículo. Nos fiacres antigos, como nos
táxis de hoje, em dias de chuva podia haver problemas: quando um passageiro
entrava pela porta da calçada e outro pela porta da rua ao mesmo tempo, às
vezes tinham que ir até uma delegacia, para o delegado decidir com quem ficaria
o transporte.

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