https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/7/7e/Disciples_running_by_EB.jpg
https://en.wikipedia.org/wiki/Eug%C3%A8ne_Burnand
Eduardo Simões
O quadro acima de Eugène Burnand (1850-1921), um pintor franco-suíço,
retrata de maneira uma maneira intensamente realista e dramática, a célebre
corrida de dois apóstolos, João, o mais jovem, e Pedro, ao sepulcro de Jesus
Cristo, logo após receberem a notícia de sua ressurreição, acontecida entre os
anos 24 e 27
De fato, essa notícia, completamente absurda dentro dos
parâmetros da natureza, de que Jesus teria ressuscitado, foi a base e a mola
propulsora da teoria que mais modificou a evolução das sociedades humanas, desde
a saída da humanidade do estágio caçador-coletor para a criação das primeiras
civilizações.
É evidente que não cabe ao historiador negar ou confirmar esse
fenômeno, mas apenas constatar claramente que isso não faz parte das leis
científicas que regem o mundo natural, e que nenhum dos lados, os que defendem
e os que negam, apresentou qualquer prova cabal, fora dos limites de sua fé,
que tal fato aconteceu ou que é apenas um embuste, mas com certeza pode-se
dizer que baseada nessa crença, a Europa começou a passar por uma série de
mudanças que reformularam até o mais profundo da cultura greco-romano anterior,
e criaram uma nova realidade que, após conquistar a Europa, conquistou e
transformou o mundo.
Agora, entretanto, vemos que esse cristianismo, que ajudou a
moldar o mundo contemporâneo, está apresentando sinais de desgaste e de
encolhimento. As causas disso, no Ocidente, vêm desde a explosão da Revolução
Francesa passando pela propaganda insidiosa e envolvente do materialismo
marxista, que, partindo também da Europa, conquistou várias partes do mundo,
propondo mudanças, que aparentemente foram previstas ou desejadas pelo próprio
cristianismo, mas que lhe dá um roupagem que dispensa a este, o dilui e o torna
desnecessário.
Até mesmo os grandes centros difusores do cristianismo na
Europa, como as igrejas protestantes e a maior de todas, a Igreja Católica Romana
parece sentir o peso das demandas e aparentam entrar numa crise de identidade,
enquanto o cristianismo ortodoxo do Oriente, assiste inerme, numa paralisia que
ele mesmo procurou ao se colocar sob a guarda do estado, seu fieis se dizimarem
na guerra mais sangrenta e irracional do momento, ao mesmo tempo em que cresce
o agnosticismo, o materialismo, a presença de religiões asiáticas, também em
refluxo na sua área original, o budismo, e até o retorno de antigas práticas
pagãs, apresentadas como uma superação do cristianismo vigente.
Estaremos vivendo uma crise passageira religioso-cultural
passageira ou a transição para um novo mundo? E se esse mundo vier pela
substituição do cristianismo milenar, por outras formas de religião e até de
irreligião predominante, o que ocorreria pela primeira vez na história da humanidade,
isso nos levaria na direção das estrelas e das utopias mais generosas de um
mundo sem divisões e grandes conflitos tipo, como em Jornada nas Estrelas, onde
as disputas se travam com seres extraterrestres, se é que existem, ou voltaremos
para as cavernas, ao ponto de partida, precisando de uma outra ressurreição?

Nenhum comentário:
Postar um comentário