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https://revistaforum.com.br/brasil/2024/7/4/video-abordagem-violenta-racista-da-pm-do-rio-pode-virar-problema-diplomatico-161596.htmlEssa semana
fui marcado por dois episódios tão previsíveis, quanto indesejados.
No primeiro,
todo país viu quando policiais saíram de uma viatura, de armas em punhos,
prontos para causar uma tragédia, por terem visto um grupo de 5 adolescentes
reunidos na calçada de um prédio, num bairro de classe média do Rio de Janeiro.
A ação é fulminante, ninguém teve tempo de respirar, qualquer resistência, ou
mesmo um gesto instintivo inocente, poderia resultar em morte ou ferimento
grave. Somos levados, pelo contexto e a extravagância da ação, a dar graças a
Deus, que tenha sido apenas um amostra brutal, pública e insana de racismo:
poderia ser muito pior...
Agora
certamente haverá um processo administrativo e talvez civil contra os policiais
ou a Polícia Militar, e o próprio Itamaraty entrou no circuito para pedir
desculpas oficiais a três países africanos, além de uma sensação generalizada
de que: “a polícia do Rio não tem jeito”. Mas precisa ter, e de qualquer jeito,
e logo; mas eu também gostaria de observar que não é só racismo, em uma polícia
composta majoritariamente de pretos e pardos, que aparecem nessa cena: os
policiais também mostraram no seu atabalhoamento que estão com medo, com muito
medo, mais ou menos como aquelas pessoas, brancas, cruzando num beco escuro com
um baita negão – um medo transmitido por gerações por razões que a história
explica... Mas isso aponta também para todo um sistema de impunidade que se
criou no país, como forma de compensar, na geração atual, os crimes cometidos
por gerações passadas, a guisa de reparação, desrespeitando a letra da
constituição, que proíbe, retroatividade da lei, enquanto assistimos ao aumento
explosivo da violência; e isso não devia nos surpreender.
O Outro episódio
veio de um capítulo de uma série documental, de um canal por assinatura. A
série chama-se Alerta aeroporto, onde
agentes de polícia alfandegária e criminal fiscalizam passageiros que chegam nos
aeroportos de diversos países: EUA, Itália, Espanha, Colômbia, Peru, etc. Às
vezes paro para ver esses episódios por causa da engenhosidade de traficantes,
contrabandistas e policiais e de todo o clima que se cria com a tentativa de
saber porque o comportamento deste ou daquele está tão diferente. Mas também
gosto de observar o comportamento dos policiais de cada país sobre como eles
abordam os tipos criminosos.
De todos os episódios
que eu vi, em especial o dessa semana, reparei que os agentes policiais mais
grosseiros, ríspidos e até debochados, são os do Brasil – os italianos são os
mais calmos e gentis. Os brasileiros entram em disputa com os ‘marginais’,
parece que levam para o lado pessoal, quando não é o caso: porque não se
escudar no cumprimento da lei? O bandido não tem nada contra o agente em si nem
ele contra o bandido, a questão é a lei, que o agente deve fazer cumprir; por
que simplesmente não dizer: “estou cumprindo a lei?”.
A postura de
nosso agentes guarda muita relação com uma máxima, que já vi colada em muito
lugar, bem à vista das pessoas: “A minha educação depende da sua”, como se
fosse a grande sacada filosófica, a síntese da identidade
brasileira, quando na verdade é profundamente antiprofissional e um atestado de
miséria pessoal, pois é o mesmo que dizer: “É você quem manda em mim”, sem
falar que quem define a postura do agente exercendo uma função pública é o
código interno da repartição ou da empresa, e a lei que rege o funcionalismo.
Esse dito personaliza a relação do funcionário ou agente com o outro,
desprofissionalizando-a.
Isso é
típico de um complexo gigantesco e difuso de superioridade-inferioridade,
provindo da relações escravistas, onde a cada momento você precisa zelar por
sua honra, mostrando ao outro qual é o seu lugar, ao mesmo tempo em que coíbe,
no outro, qualquer tentativa de mudança do polo na relação, onde entra tanto o
temor do motim, ou da fuga, do escravo, como o receio de fazer alguma coisa
errada – deixar alguém escapar – e receber, no mínimo,
uma catracada do chefe hierárquico, que exerce, senhorialmente, uma função
superior, passem as gerações ou os regimes políticos.

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