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O ex-garoto prodígio da política brasileira Kim Kataguiri e
os seus amigos cansaram...
Num post recente feito à rede social X, ele levanta uma série
de acusações e insinuações absolutamente gratuitas, beirando à desonestidade,
contra a candidata do Partido Democrata, Kamala Harris, ao sugerir que ela é
antissemita e esquerdista, no sentido latino-americano da palavra. Vejam
abaixo, o teor da postagem de Kim sobre ela, finalizado por um desabafo
absolutamente infanto-juvenil.... Quando é que as aulas voltam?
“A vice-presidente dos
EUA Kamala Harris recusou convite para presidir sessão conjunta do Congresso
americano que teve a participação de Benjamin Netanyahu.
A decisão de Kamala foi
vista como desfeita diplomática e aceno para ala radical e antissemita do
Partido Democrata. Kamala já havia lançado uma advertência direta a Netanyahu
em março, sobre os planos de uma ofensiva militar na cidade de Rafah,
localizada na Faixa de Gaza.
Kamala Harris já foi
classificada como a senadora mais esquerdista dos Estados Unidos em 2019,
superando até mesmo o socialista Bernie Sanders, de acordo com um relatório da
GovTrack. A análise destacou seu alinhamento com iniciativas de esquerda e sua
baixa participação em projetos bipartidários.
E AÍ, IMPRENSA! VÃO
COMEÇAR A CHAMAR KAMALA HARRIS DE EXTREMA-ESQUERDA QUANDO?”
Isso é o que acontece quando quem não tem uma sólida cultura
histórica, nem se cerca de quem a tenha...
Em primeiro lugar, a insinuação que Harris recusou a sessão
do Congresso, por aceno à “ala radical e antissemita” dos democratas é no
mínimo irresponsável, quando se sabe que ela está superatarefada costurando
alianças para viabilizar sua candidatura à presidência. Kim não faria isso,
para viabilizar sua eleição ao nosso Congresso?
Essa sede desembestada de lacrar de Kataguiri, valeu-lhe o desmentido cabal
de Kamala Harris, que não só recebeu Netanyahu, posteriormente, como condenou
com veemência os militantes pró-Hamas, em suas manifestações odiosas, dentro e
fora do Congresso. Que papelão Kim Kataguiri!
Em segundo, ele insiste em usar a terminologia equívoca e
propositalmente ambígua de ‘esquerda’ e ‘direita’, que nem existe como
definição de doutrina ou teoria política consolidada. Não passam de ‘rótulos’
ou ‘etiquetas’ linguísticas, abertas a todo tipo de abuso, como nesse caso. Roger
Scruton, em seu “The Palgrave McMillan Dictonary of Political Thought”, diz que
esses termos fazem parte do ‘jornalês’, definido por ele como: “Uso preguiçoso
da linguagem, destinado mais a cortar atalhos ou a evocar respostas
padronizadas, do que a observar e dar sentido aos fatos. Os termos “esquerda” e
“direita”, tal como são utilizados agora... são termos do jornalês, que ajudam
a arquitetar as reações dos leitores, mas são sistematicamente enganosos como
descrições.” (p 352) (tradução livre).
Em terceiro. Qualquer um que não esteja cego pelo
partidarismo irracional, vê que o que acontece em Gaza, embora bem diferente
daquilo que a nossa 'coisa presidente' propaga, não está isento de críticas pelo
volume de destruição e mortes causadas; sem falar que Netanyahu, a pique de ser
preso pela justiça de seu país, só tem a ganhar com o prosseguimento da guerra.
É essa guerra, com seus milhares de mortos, ameaçando escalar pela região e pelo
mundo, que garante a liberdade dele, que ainda não explicou porque Israel foi
pego de surpresa – suspeitamos que Flavio Dino não interviu antecipadamente no
dia 8 de janeiro, para usar da desordem como pretexto para medidas excepcionais.
Quem garante que Netanyahu também não facilitou a invasão? Ele não é um dos que
ganha com ela?
Em quarto, a insinuação fica mais suspeita ainda, quando vemos o que o texto do GovTrack realmente diz sobre Kamala Harris (abaixo), e veja que em nenhum
momento ela é apontada como esquerdista: em inglês ‘left’, ‘leftist’, e ele
ainda ignora uma coisa básica, muito básica: o conceito de esquerda nos Estados
Unidos é diferente do nosso; nada tem a ver com o socialismo-marxista, mas
antes com o desdobramento do Movimento Progressista americano – que também nada
tem a ver com o conceito de ‘progressista’ usado aqui – surgido na década de
1890, antes da Revolução Russa, e articulado à Bíblia e práticas de
misericórdia e compaixão próprias do cristianismo, além dos devaneios de Thomas
Jefferson, e não com luta de classes.
Aliás, segundo o Antagonista (veja o segundo link abaixo), o
GovTrack reviu a classificação de Kamala Harris. Ser precipitado também é uma
forma de ser desonesto... Portanto: seriedade rapaz!
https://cdn.oantagonista.com/uploads/2024/07/GTR4zY4WUAAqepD-1536x1026.jpeg
Enfim, sob a batuta de Kim Kataguiri e seus amigos, o MBL
evolui no sentido de se tornar uma seita trumpista no Brasil, ombreando-se com
os bolsonaristas, enquanto se diz liberal-conservador – o seu facciosismo trumpista
é tão intenso, que um de seus membros mais elogiados, durante uma ‘live’ para
analisar o quadro das eleições nos EUA, começou por apostar mil reais com quem
quisesse, como Trump venceria as eleições. Isso não é análise, isso é
militância fanática, a mesma que eles criticam nos órgãos da mídia a favor dos
socialistas.


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