Eduardo Simões (a Margarida Maria)
Os brasileiros têm uma dívida com Israel, em função de acontecimentos
decorrentes da escalafobética afirmação de Lula, de que a guerra em Gaza só tem
paralelo com o massacre de judeus por Adolf Hitler.
De fato duas realidades nos saltavam aos olhos sobre as recentes ações do nosso
presidente: a) o seu descontrole verbo-emocional, talvez fruto da idade e das
experiências amargas vividas durante o período da Lava Jato e a catástrofe do
governo Dilma, passando pela ascensão de um opositor convicto, encarniçado e
popular; b) um claro desejo de ganhar o Prêmio Nobel da Paz, coroando o que lhe
é mais caro nesse momento: provar ao Brasil e ao mundo o quanto ele fora
injustiçado, além, é claro, de f.... aqueles que o levaram para cadeia, de onde
saiu, embora esta não tenha saído dele.
Neste objetivo ele começou a fazer um jogo ambíguo e perigoso, a idade e os
desenganos o levaram a acirrar suas posições à esquerda, descuidando dos passos
preparatórios necessários, afinal a velhice incapacitante e a morte estão à
vista, juntando mensagens de caráter cada vez mais estatistas, típicas do
socialismo radical, secundadas por uma verborragia agressiva, acusatória,
enquanto jurava querer unir o país e realizar o ‘governo do amor’. Na seara
internacional se vinculava explicitamente a regimes ditatoriais, fechando os
olhos a brutais desrespeitos aos direitos humanos de seus aliados, enquanto
atacava as democracias ocidentais à mais leve suspeita. Ele avançava nesse jogo
duplo, com um discurso compulsivo e monomaníaco de combate à fome, como se esta
fosse fruto apenas da riqueza dos países ricos e nada tivessem com a
desorganização e a violência política, econômica e social nos países afetados,
inclusive o Brasil, exatamente como o fariam os teóricos do... mercantilismo.
Fútil como solução, mas útil a um Prêmio Nobel.
A reação de Israel tocou no que, para Lula, é intocável: seu ego, e fez cair a
esquizofrenia do seu discurso, e ele resolveu abrir o jogo: não pedirá
desculpas, por uma questão de “honra”, afinal “A única coisa que tenho é minha
honra (leia-se ego)” – no começo do governo eram 200 milhões de pessoas para
alimentar, declaração feita diante do Primeiro-Ministro de Portugal. Resolveu?
A honra do presidente, decerto, é importante, mas numa república, que não seja
um puxadinho da alcova do governante, há algo mais importante: os interesses
nacionais, em nome dos quais o governo anterior e este fizeram um acordo com o
diabo. Os interesses nacionais, nesse momento, estão foragidos.
Chutando o Prêmio
Nobel, o interesse nacional, as promessas de campanha, o pau da barraca, como o
faziam os velhos políticos sem honra, Lula prometeu visitar pessoalmente
Moscou, durante a reunião dos BRICS em outubro, alinhando oficialmente Brasil
ao governante europeu mais sanguinário desde Adolf Hitler.
Que
ironia!
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