01 março 2024

OPINIÃO: TEMOS UMA DÍVIDA COM ISRAEL?

Eduardo Simões (a Margarida Maria)

            Os brasileiros têm uma dívida com Israel, em função de acontecimentos decorrentes da escalafobética afirmação de Lula, de que a guerra em Gaza só tem paralelo com o massacre de judeus por Adolf Hitler.

            De fato duas realidades nos saltavam aos olhos sobre as recentes ações do nosso presidente: a) o seu descontrole verbo-emocional, talvez fruto da idade e das experiências amargas vividas durante o período da Lava Jato e a catástrofe do governo Dilma, passando pela ascensão de um opositor convicto, encarniçado e popular; b) um claro desejo de ganhar o Prêmio Nobel da Paz, coroando o que lhe é mais caro nesse momento: provar ao Brasil e ao mundo o quanto ele fora injustiçado, além, é claro, de f.... aqueles que o levaram para cadeia, de onde saiu, embora esta não tenha saído dele.

            Neste objetivo ele começou a fazer um jogo ambíguo e perigoso, a idade e os desenganos o levaram a acirrar suas posições à esquerda, descuidando dos passos preparatórios necessários, afinal a velhice incapacitante e a morte estão à vista, juntando mensagens de caráter cada vez mais estatistas, típicas do socialismo radical, secundadas por uma verborragia agressiva, acusatória, enquanto jurava querer unir o país e realizar o ‘governo do amor’. Na seara internacional se vinculava explicitamente a regimes ditatoriais, fechando os olhos a brutais desrespeitos aos direitos humanos de seus aliados, enquanto atacava as democracias ocidentais à mais leve suspeita. Ele avançava nesse jogo duplo, com um discurso compulsivo e monomaníaco de combate à fome, como se esta fosse fruto apenas da riqueza dos países ricos e nada tivessem com a desorganização e a violência política, econômica e social nos países afetados, inclusive o Brasil, exatamente como o fariam os teóricos do... mercantilismo. Fútil como solução, mas útil a um Prêmio Nobel.

            A reação de Israel tocou no que, para Lula, é intocável: seu ego, e fez cair a esquizofrenia do seu discurso, e ele resolveu abrir o jogo:  não pedirá desculpas, por uma questão de “honra”, afinal “A única coisa que tenho é minha honra (leia-se ego)” – no começo do governo eram 200 milhões de pessoas para alimentar, declaração feita diante do Primeiro-Ministro de Portugal. Resolveu? A honra do presidente, decerto, é importante, mas numa república, que não seja um puxadinho da alcova do governante, há algo mais importante: os interesses nacionais, em nome dos quais o governo anterior e este fizeram um acordo com o diabo. Os interesses nacionais, nesse momento, estão foragidos.

Chutando o Prêmio Nobel, o interesse nacional, as promessas de campanha, o pau da barraca, como o faziam os velhos políticos sem honra, Lula prometeu visitar pessoalmente Moscou, durante a reunião dos BRICS em outubro, alinhando oficialmente Brasil ao governante europeu mais sanguinário desde Adolf Hitler.

Que ironia! 

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