Eduardo Simões (a Margarida Maria)
Estou hoje, 12 de março de 2024, assistindo ao
Jornal globonews, quando leio no rodapé embaixo na tela uma mensagem que me
deixa estupefato: “mais polícias nas ruas, mais homicídios”. Vejam bem que essa
chamada não nos remete a nenhum fato específico, a um estudo sério, feito por
gente séria em uma instituição séria, nada disso: é a linha editorial, o posicionamento oficial da emissora.
Qualquer um pensaria logo: “é coisa de estagiário esquerdista
fanático, feita sem o conhecimento da editoria do jornal”. Mas como pode um
texto tão escandaloso, quase criminoso, fica passando impune por tanto tempo
sem uma correção, supondo que não é a linha editorial da empresa. Os
executivos da Globo não assistem à emissora? Só há uma explicação possível e
razoável: esse texto, que joga o povo contra a polícia e dá ‘moral’ para bandidos, não apareceu aí por acaso ou por “falha no sistema”. É
intencional.
Essa impressão fica mais forte ainda quando a gente lembra do
tratamento dado pela emissora ao caso da menina Ágata, que, como sabemos, foi
vítima de um disparo da arma de um policial, cuja bala, seguindo uma trajetória
absurda, vitimou a criança. Pois bem, durante uma semana, o apresentador do
programa Em Pauta, da globonews, fez editoriais apaixonados, furiosos,
expondo o crime do policial, chamando bastante atenção para o fato de o autor
ser um policial e a criança ser pobre e preta.
Nessa mesma época, porém, ocorreu um crime muito pior, envolvendo crianças pobres e pretas. Três molequinhos de uma comunidade, desapareceram, e posteriormente se descobre, que os três, roubaram a gaiola com o passarinho de estimação do traficante local; descobertos, os três foram barbaramente torturados e assassinados. As chamadas na globonews, apesar desse crime ser muito mais grave que o de Ágata, foram supermoderadas, e a abordagem da notícia preferiu chamar atenção para o fato de os próprios traficantes terem dado cabo dos assassinos – claramente para evitar a presença da polícia na comunidade, com prejuízos para os negócios – chamando a atenção para a incapacidade da polícia, como se fosse fácil a um policial obter informações dentro de comunidades.
Por que a
diferença? É medo de represália dos traficantes ou é para não revelar que a
origem de muita e da pior violência provém justamente de dentro mesmo das comunidades, invalidando
o discurso do conflito racial que a empresa tanto investe?
Quando fala das vítimas da violência, a globonews sempre ressalta, a cor e a condição social destas, quando são pretas e pobres, mas não cita a cor daqueles que cometem os crimes, ou a sua motivação, exceto quando reforça a sua política de estimular o conflito racial no Brasil, como foi o caso recente de um entregador, preto e pobre, ferido por um policial militar branco. Uma apresentadora da globonews, famosa por seus desatinos, deu bastante ênfase ao anunciar o detalhe: “BRANCO”. E ela também é BRANCA! Um estrangeiro, que assista a globonews, é levado a pensar que o Brasil é dirigido por uma elite de loucos psicóticos, brancos de classe média e alta, que vivem em coberturas e condomínios exclusivos, que, por esporte ou compulsão, largam seus luxuosos condomínios e vão matar pretos e pobres na periferias das grandes cidades!! É assim?
Mas de que cor era mesmo o sujeito que degolou uma velha de
77 anos e a sua funcionária de 52, e meteu fogo no apartamento da Zona Sul do
Rio? De que cor era o senhor de 42 anos que
sequestrou, estuprou e matou uma criança de 12 anos, se matando em seguida, em
Minas? De que cor era o assassino Tim Lopes? Quem como eu, acompanhou esses
crimes no noticiário, sabe que os autores destes crimes são todos pretos, e suas
vítimas, menos o Tim Lopes, eram brancas, agora só sabe disso quem viu seus
rostos na TV, porque parece ser política editorial da emissora, ressaltar
apenas a cor das vítimas e nunca dos assassinos, a não ser que estes sejam
brancos e/ou da polícia.
Por fim eu gostaria de perguntar aos responsáveis pela rede globo se quando ocorre um crime dentro da emissora, se a empresa segue o conselho do Chico Buarque e chama o ladrão, os traficantes, os Robin Woods das esquerdas, capazes de torturar e matar três crianças. Farão melhor que essa polícia tão agredida pelo jornalismo militante?
Nem Chico Buarque acredita nisso, e é por isso ele que ele prefere morar no Leblon, frequentar a praia do Arpoador, o Calçadão de Ipanema, pontos comerciais sofisticados, cercado de gente branca e não exatamente pobre, bem diferente do que sugere nas suas músicas, sem falar que comemorou seus oitenta anos em Paris!!! Chico chique...
Obs: Essa chamada imoral foi vista por mim pela primeira vez às 6:50 h da manhã, e só parou de ser veiculada às 11:30h, passando ao ritmo de uma a cada 2 minutos.

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