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Eduardo Simões (a Margarida
Maria)
A história é a memória permanente das experiências passadas
das diversas comunidades humanas, para economizar, às gerações que se seguirão,
o trabalho de reinventar a roda, e começar tudo do zero, permitindo a estas concentrar-se
no aperfeiçoamento do que existe, ampliando as possibilidades de sobrevivência
e bem estar – isso é perceptível no desenvolvimento tecnológico, no
barateamento dos bens de consumo antes considerados luxo e no aumento da
expectativa de vida. Mas só sabe disso quem sabe história. Como continuar a
fazer isso se se reduz cada vez mais o diálogo entre as gerações e o
conhecimento da própria história. Uma decorre da outra impreterivelmente, pois
se não existe o conhecimento da história e a noção do quanto custou chegarmos
aonde estamos não pode existir gratidão, e sem ela não há respeito, e sem o
respeito não há diálogo nem valores sociais herdados, e sem o valores sociais
transmitidos de do pssado não há valores morais estabilizadores.
As novas gerações viverão cada vez mais como os animais
selvagens, incapazes de abstração, literalmente da mão para a barriga, ou seja
se aquilo que fazem agora, de imediato, lhes dá prazer então é positivo e deve
continuar a ser feito, independente dos efeitos que isso possa causar às outras
pessoas que com ele dividem o mesmo espaço: familiares, vizinhos e cidadãos. É
o mundo dos animais selvagens, onde vigora a lei do mais forte, cada um por si
ou pelo bando senão o chefão estraçalha e não se conhece o planejamento e o longo
prazo, ou o atraso da satisfação presente, pra uma satisfação muito maior no
futuro. Não é isso que vivemos nos subúrbios de nossas grandes cidades e de
maneira mais velada nas elites dos condomínios exclusivos. O que muda são os
métodos porque a ausência de valores morais, logo sociais também, é a mesma.
O ponto-chave são os valores. Como ensinar valores, que nos
orientaram na escolha de nossas prioridades, se não conhecemos a história e o preço
real de escolhas, cujos resultados só aparecem na sua aplicação, várias
gerações à frente? Não importa, por exemplo que tal abordagem econômica, no
caso o capitalismo-burguês, tenha criado, ao longo de 250 anos, prosperidade e grandes
potências econômicas e políticas, justo o contrário do seu êmulo, o socialismo,
nos últimos 170 anos, e ajudado a integrar milhões de seres humanos que,
naquela época, o século XIX, vivam isolados em sociedades e estados tribais, e
que hoje, mesmo xingando o capitalismo, não querem de forma alguma voltar ao
que existia antes desse capitalismo chegar. Isso não diz nada?
Para conseguir seus objetivos, oportunistas usam de alguns eventos
ou características negativas, que sempre existiram nas sociedade humanas,
principalmente naquelas que se diziam “socialistas”, explorando o termo ambíguo
e enganador de “igualdade”, anulando a diferenciação criada pela própria
natureza, e que se manifesta inclusive nas matilhas de animais selvagens, onde
o animal líder manifesta suas qualidades, ações e postura desde recém-nascido. Entre
nós, que somos capazes de criar pela força da ação guiada por uma abstração
superior e valores sociais e morais, uma realidade complexa tal que “n” formas
de lideranças podem se manifestar, abrimos mão de tudo isso pela “igualdade”,
levados por líderes “universalistas”, populistas, que igualam a todos como
incapazes, necessitados de “salvadores da pátria”, e que se impõem pela sua
capacidade de mentir, de mistificar as multidões, de dramatizar uma postura
carismática.
Não poderia terminar um artigo sobre diálogo intergeracional sem
explicitar minha gratidão ao tio de meu pai, Antônio Simões, o Vovô Simões, nascido
quando a rainha Vitória, da Inglaterra, ainda reinava. Um garoto pobre, do
interior de Pernambuco, que saiu por esse Brasil, financiado pela sua incomum
habilidade de vendedor. Teve uma vida venturosa e me repassou a sua sabedoria de
vida, que junto com o que aprendi com a minha família, da sociedade em que vivi,
hoje extinta, e da história, da qual nunca me desliguei, me ajudaram a ser quem
sou e chegar até esse ponto de minha vida sem nunca ter assumido uma causa
criminosa ou ter obtido vantagem, devidas ou indevidas, às custas de outrem.
Se é que isso importa...
REPARTINDO A EXPERIÊNCIA: O quadro abaixo mostra bem o quanto é positiva o encontro da velha com a nova geração, quando feita com interesse recíproco. O menino, imaturo, com valores ainda centrados na sua pessoa, como é normal nessa idade, esconde o cachorro quente de seu “velho amigo”, mas está prestes a perde-lo para seu mais “novo” e “maior amigo” de quatro patas, incapaz de apreender um valor moral humano, enquanto o velho lhe oferece uma parte de sua refeição, bem mais saudável. Quanta coisa essa ilustração nos ensina!!!!
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