07 agosto 2024

O TRUMPISTA, DIGO, ANTAGONISTA

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O canal do youtube O Trumpista, digo Antagonista, que a até pouco tempo se dava ao respeito, resolveu perdê-lo de vez, após o lançamento da candidatura de Kamala Harris à presidência dos Estados Unidos. Pouco após o evento um de seus analistas preferidos: Alexandre Borges, já saiu revelando algo gravíssimo sobre a candidata, exposto no título do vídeo: “as pessoas não gostam da Kamala”, diz Alexandre borges, (https://www.youtube.com/watch?v=NYXrD41SOCM&t=390s) afirmando que, segundo as fontes que ele pesquisa quase todos os dias, ela era “extremamente impopular”.

Numa coisa eu devo dar razão a Borges, ela é de fato “extremamente impopular”..... entre os republicanos, em especial com Donald Trump e o seus auxiliares mais próximos, onde, ao que parece, Borges tem as suas fontes. Fora isso seria bom Borges avisar aos americanos sobre isso, antes que Kamala Harris deixe Trump muito para trás nas pesquisas.

Em outro vídeo d’O Trumpista, digo Antagonista, alertou: “os democratas não estão contentes com Kamala Harris”, diz Alexandre Borges (https://www.youtube.com/watch?v=Rt1f8CTNWSI), depois de ela ter dado um show num comício em Atlanta, e as TVs abertas informarem de que uma “energia nova”, que estava tomando conta dos eleitores democratas. É melhor Borges jogar seu óculos fora....

Nesse vídeo, ele estava tão obcecado em poder dizer alguma coisa ruim, mas com alguma consistência, contra a democrata que resolveu centrar fogo na sua atuação como promotora onde ela se destacou, fazendo justamente o que os liberais no Brasil vivem clamando: linha dura com os bandidos. Mas como era Harris, Borges, depois de pintar com cores bem escuras a raiva que os elementos do Black Lives Matter (grupo woke!) tinham da atuação de Kamala – para ressaltar que ela era odiada até pela sua gente – classificou-a como “punitivista”.

A gente se pergunta: esse tipo de comportamento, achar pretexto em negar valor a uma ação que nós apoiamos, pelo fato de ela estar sendo feita por nosso desafeto político, pode ser enquadrada como hipocrisia, cinismo, ignorância, confusão mental, ou o quê?

Noutro vídeo d’O Trumpista, digo Antagonista, em que Duda Teixeira e Alexandre Borges se manifestaram (https://www.youtube.com/watch?v=k18r_Uz60h0); após algumas colocações levianas e banais de Teixeira, que poderiam bem ser encaradas mais como ‘torcida’, ou ‘fanzoca’, mas não como ‘análise’, Borges vem com um ‘trator’, num festival preocupante de ignorância dos fatos.

Ele procura nos convencer que Kamala não é bem vista nem entre as comunidades woke, ao contrário do que seria D J Vance... Sim, ele teve o desplante de compara-la a Vance, alegando que Vance, este sim, era um pobre rapaz, vindo de uma família desajustada, que venceu por si mesmo, um exemplo para os americanos mais pobres, que facilmente se identificam com ele, ao contrário de Kamala que nasceu num meio rico, gerando uma contradição entre a rica que se faz defensora dos pobres, e o pobre Vance que, aparentemente, se coloca ao lado dos ricos. Um catatau de desvario e desinformação;

1º -  A comparação correta é entre Kamala e Trump, e aí o trator de Borges vira velocípede.

2º - É MENTIRA que Harris veio de uma família rica. Ela é filha de imigrantes professores universitários, gente que penou para alcançar o padrão da pequena classe média americana.

3º - Se ela tem um elevado padrão de vida, hoje, isso se deve ao seu sucesso na carreira e à de seu marido, um importante advogado judeu, branco, mas que também nasceu num bloco de apartamentos em Nova York, da pequena classe média.

4º - Nem Kamala Harris nem Doug Emdorff, seu marido, têm culpa de nascerem em famílias estruturadas, com valores e muito amor ao estudo e ao serviço dos outros, e tenham respondido adequadamente ao incentivo que receberam dos pais. Numa análise honesta isso joga a seu favor.

5º - O fato de ela ser casada com um branco, que Borges, assumindo a posição dos wokes, na sua obsessão apontar deméritos dela, apenas revela que ela não é a radical que muitos liberais e conservadores brasileiros falam.

6º - A história de Vance é confusa e tem alguns elementos obscuros e até suspeitos (mudou de nome 4 vezes), e suas manifestações nas redes sociais são no mínimo estranhas, ajudando a turbinar o apelido posto na sua dupla com Trump, e que está se espalhando pelos EUA: ‘weird’ = ‘esquisitos’.

Um vídeo infame...

Noutro vídeo, Filipe Muro Brasil apela para o mais descarado deboche e análise de botequim, movidas a cachaça de etanol, embora querendo parecer sério, ou sóbrio, ao comentar a cena de Harris, atendendo ao telefone, e agradecendo o apoio dos Obama como “pura encenação” (https://www.youtube.com/watch?v=7RhweQJ8Lb0&t=1s)...

“Reparem na blusa dela!” Diz Moura Brasil – lá estava um microfonezinho. Eu penso cá comigo: “Será que ele é tonto?” Por que ela iria perder a oportunidade de tornar público, e de uma maneira bem espetaculosa, um apoio tão vital como esse? Quem acha que ela descobriu na hora que era os Obama, que o telefonema não foi checado antes por sua assessoria, e obtido por meio desta, aos Obama, a permissão para gravar num vídeo daquela chamada, é completamente tonto. Foi um gesto teatral: mas não é isso que se faz numa campanha eleitoral? O que é isso frente ao teatro absurdo e grotesco apresentado por Trump, o ‘esquisitão’, para o qual O Trumpista, digo Antagonista, só tem palavras de justificativa, muito pano e lambidas carinhosas.

Moura Brasil chegou ao ponto de reproduzir um vídeo, gestado no âmago do movimento trumpista, e a contragosto anuncia que o vídeo é de 2021, portanto desatualizado, quando Kamala Harris s saiu muito mal numa questão sobre economia, e teve a desfaçatez e o deboche de compara-la com Dilma Roousseff, comparando o vídeos de uma com o da outra (https://www.youtube.com/watch?v=j_c2nyjJiCs).

Aqui eu assumo pessoalmente: “senhor galã de maracangalha, a sua desonestidade intelectual e o seu desejo de desinformar seus seguidores exsuda dessa comparação absurda. Você não é burro, logo sabe que em termos de política econômica Dilma Rousseff tinha o poder de decidir e a obrigação de explicar a sua decisão, o que ela sempre o fez muito mal; mas esse não é o caso de Harris, que era apenas vice-presidente, e em 2021 estava ingressando no poder executivo. Nós não sabemos o que ela realmente quer fazer sobre economia, mas o que Trump quer fazer todo mundo sabe, e é um desastre, e vocês não dizem nada. Você ou é um irresponsável ou muito ignorante”.

À falta de algo substancial para criticar Harris, os dublês de analistas políticos d’O Trumpista, digo Antagonista, é tal que eles fizeram dois vídeos só para comentar o episódio dela recebendo o apoio do casal Obama pelo telefone. Neste outro, apresentado por dois indivíduos sem expressão, fez-se todo um lenga-lenga, para no final mostrar um meme mostrando Harris recebendo um Oscar, a única mensagem inteligente do vídeo  (https://www.youtube.com/watch?v=kxtdmDvWryI).

Moura Brazil, fala num desses vídeos que, quando o Trump pisa na bola eles também o criticam... Que meda!!! Mas se nós olharmos a lista dos 136 vídeos que O Trumpista, digo Antagonista, fez desde que se começou a falar na doença e possível desistência do Biden, 6 foram de Harrris, todos depreciativos, enquanto Trump não mereceu nenhuma crítica, apesar de no seu discurso ele prometer adotar política econômica protecionista, isolar politicamente os EUA, tirar o país da Otan, reduzir na marra a taxa de juros, dar subsídios às empresas americanas, apoiar as ditaduras na Rússia e da China, entregar Ucrânia e Taiwan à sua sorte.... Para esses horrores nem uma palavrinha ou video. Não se preocupam em ser imparcial. 

Aliás a capa de um vídeo que fala sobre a indicação de Trump e Vance, na convenção republicana, traz a uma frase de Trump sobre a concorrente: “Kamala é Ruim”, e os dublês de apresentadores abrem o vídeo dizendo: “Biden é péssimo mas Kamala é ruim”. Não existe nada mais trumpista do que isso. O resto é só babação sobre Trump.

Mas o que são essas desgraças mundiais, já anunciadas por Trump, frente a uma encenação de sua concorrente em no meio de uma campanha política, além do pecado de ter vencido na vida com seu próprio esforço? Ela, de fato não é milionária, mas também não precisa criar um discurso de ódio e confrontação para poder se sentir querida e poderosa diante da nação. Aliás a única coisa que não se procura sequer encenar no Trumpista, digo Antagonista, é a seriedade e a imparcialidade na hora de fazer análise política.





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