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Em terceiro lugar, Donald Trump tem assinalado, desde o seu primeiro mandato, que o grande problema dos Estados Unidos é a concorrência comercial e tecnológica da Europa Ocidental, tendo feito todos os esforços para enfraquecer a União Europeia, seja estimulando a saída de países do bloco, como com a Inglaterra no Brexit, seja desengajando tropas americanas na Europa ou cobrando pela instalação de bases, e desde aquela época vem prometendo retirar os EUA da OTAN.
Trump faz os americanos parecerem ‘meninos do buchão’, em
geral o mais rico, que leva a bola para
jogar, mas assim que toma um drible ou seu time toma um gol, ele dá um chilique, ofende todo mundo, e leva a bola pra casa. Mas Trump quer ir mais
longe: ao mesmo tempo que abandona a Europa, pretende aumentar as taxas
alfandegárias contra as mercadorias europeias. O seu discurso é no
sentido de encurralar a Europa Ocidental.
No Oriente é sintomático: ele aproximou-se de Kim Jon Un e mantém ligações estreitas com Vladimir Putin, e já disse que
nesse mandato pretende se aproximar de Xi Jinping; em nome da paz. Mas que paz
é essa que ele agita para os mais tolos?
1º - Ele não fez nada, no primeiro mandato, quando a Rússia
ocupava a Crimeia, e atacava, do seu território, as forças ucranianas
que tentavam conter os separatistas russos, apesar da garantias dadas no Memorando de Budapeste (05.12.1994).
2º - Embora aproxime-se de ditadores, como um arauto da paz, não teve a menor consideração com Zelensky e a Ucrânia, invadida e bombardeada.
3º - O seu método para acabar a guerra da Ucrânia em 24 horas
é simples: cortar toda ajuda a Kiev, como seus deputados fizeram na segunda
metade de 2023. Aos ucranianos restarão
duas alternativas: ou se rendem nos termos de Putin ou correm o risco de perder
todo o país para a Rússia.
4º - Encurralando a Europa no Ocidente, deixando a Rússia
solta no Oriente, piora a situação dos europeus, que já têm que lidar com a
infiltração socialista, querendo o fim do capitalismo, e enfrentar a chegada de
milhões de refugiados devido às guerras que os EUA (Iraque, Afeganistão) e os
seus aliados (Netanyahu em Israel e os russos na Síria) promovem.
5º - Se a Europa cair diante do avanço de governos
autoritários, que potência sobrará pra ajudar aos países menores a sustentar a
luta pela democracia e o capitalismo no mundo? Quanto
aos Estados Unidos, Trump já avisou, fechará o país, como antes das Guerras
Mundiais, e lucrará muito vendendo armas e assessoria aos de fora.
6º - O caso de Taiwan é grotesco, porque os americanos exercem
com a ilha a “diplomacia da ambiguidade”, posto que reconhecem a ilha como
parte da China, mas não deixam a China exercer, nela, a sua soberania. Ele já
avisou que, se Taiwan quiser ajuda para preservar sua autonomia, vai ter que
pagar pela proteção americana.
Teremos assim um novo padrão de relações internacionais e
alianças, a partir do governo Trump: Não haverá mais alianças por afinidades
culturais ou interesses estratégicos: é cada um por si, e quem quiser a
proteção dos EUA terá que pagar por ela, porque os americanos só reconhecerão ou
privilegiarão seus interesses econômicos, e o direito internacional recuará
para antes de sua criação, na primeira metade do século XVII, e o mundo ficará
parecido com os subúrbios das cidades brasileiras onde é cada um por si.
O mundo será dividido por áreas de influência, como o era na
Conferência de Berlim de 1885, quando as nações se reuniram para decidir sobre
o destino de milhares de povos africanos e asiáticos, determinando qual das
potências assumiria tal povo, para evitar a possibilidade de as ambições
imperiais suscitarem uma guerra generalizada, que no final aconteceu em 1914.
Nesse ambiente é fácil deduzir que realmente a Ucrânia,
geograficamente colocada na zona de influência russa, será abandonada à sua
sorte não só para evitar um conflito direto com a Rússia, assim como pelo fato
de a Rússia ter muito mais a oferecer aos EUA que a Ucrânia, e eliminar o risco
de essa guerra se prolongar demais, levando a Rússia à desintegração, o que
seria bem pior que a desintegração ou escravização do estado ucraniano. Os Estados Unidos longe ficarão indiferentes a tudo isso, protegidos por dois oceanos.
Nós que estamos fora dos Estados Unidos e não representamos
para eles um aliado de interesse fundamental – eles não se interessam pela
América Latina e muito menos pela do Sul – só teríamos a perder com a ascensão
de Trump, e o seu feroz nacionalismo, no estilo "imperialista antigo", a ponto de
recusar-se a visitar cemitérios americanos fora dos EUA, sob pretexto de que
esse soldados não deviam estar morrendo por outras pessoas fora da América. Ele
mesmo chamou a esses heróis de ‘perdedores’, e ‘otários’.
Seja como for a retirada repentina do guarda-chuva americano,
que os democratas já disseram que vão manter, seria uma catástrofe para o
mundo. Só isso justificaria o apoio a Kamala Harris.
Em quarto lugar, é preciso pensar em termos de uma aliança tática no atual contexto. Para Trump só o que está dentro das fronteiras americanas, e se assemelha ao padrão ‘wasp’ (branco, anglo-saxão, protestante), importa, e fora isso ele não hesitará em explorar contradições, inimizades, alianças ou quebra delas, desde que beneficie economicamente aos EUA.
Já os democratas funcionam quase no módulo inverso. Embora a
sua bandeiras internas nos pareçam horrorosas, e algumas de fato o são, em
especial aquelas da cultura WOKE, muito infiltradas no partido, temos que
considerar que o avanço dessas bandeiras se deu, e se dá, no contexto da
cultura americana, e não têm como aqui, a carga de luta de classes, e outras
bobagens desse calibre, típicas de nosso meio excessivamente infiltrado pelo
marxismo.
Entre eles trata-se mais de como adaptar o capitalismo ao
avanços intelectuais e sociais provocado pelas mudanças tecnológicas, provocando uma revisão das relações sociais que não podem
ficar estáticas enquanto o resto da sociedade evolui. Trata-se antes de
encontrar uma sintonia fina entre os sonhos naturais que a abundância de
recursos promove, sem perder a essência dos conceitos e valores que movem a
sociedade capitalista, democrática e liberal, enquanto nós mantemos o modelo mercantilista ou capitalismo de compadrio, herdado
dos portugueses.
Seja como for, o problema do wokismo e suas variantes, como o aborto, a questão de gênero, troca de sexos, etc. tal como aparece nos programas do Partido Democrata (a favor) e do Partido Republicano (contra), são um problema interno dos americanos e eles é que decidirão como encaminharão isso, dentro dos limites ético-morais da sua cultura, que são diferentes dos nossos.
Agora o que vai tocar, e de forma muito prejudicial aos
nossos interesses, é a política protecionista de Trump, as barreiras
alfandegárias às mercadorias estrangeiras – já esqueceram as barreiras
protecionistas injustamente levantadas contra o aço brasileiro no seu primeiro
mandato? A retirada precipitada dos EUA do sistema de alianças mundial, causará
instabilidade e insegurança mundial, dando azo aos ditadores no poder a tentar
aventuras expansionistas, como Putin, aumentando os custos do comércio
internacional, causando o aumento da pobreza global.
O apoio a Kamala Harris é tático, e justifica-se em função do
quadro de ameaças que se projetam das propostas de Donald Trump. Cabe aqui uma
comparação com a postura do Primeiro-Ministro inglês Winston Churchill, um
crítico feroz do comunismo, mas que, no contexto da 2ª Guerra Mundial fez uma
aliança com o que havia de pior naquele: a ditadura de Stalin, para vencer um
adversário mais perigoso no momento – não que Trump seja como Hitler, uma
vez que o mal que ele causará ao mundo não virá e uma ação direta nesse sentido,
mas como decorrência de sua política isolacionista.
No mais creio que teremos muito a aprender com os republicanos não trumpistas e democratas, sobre como lidar com o choque de grupos de interesses numerosos e mobilizados, sem sair do jogo democrático ou perder a essência da convivência entre iguais, nem praticar o jogo do ou tudo ou nada, onde para se continuar no tabuleiro é necessário que o outro seja eliminado, quando qualquer escaramuça é encarada como a batalha final, como na luta entre o bem e o mal, que, a história mostra, sempre foi a causa de grandes desgraças.
(outra manifestação da ignorância infantil de muitos brasileiros, pretensos 'conservadores'. Mas qualquer um que tenha vivido no Brasil essas últimas décadas sabe que seja governo democrata, seja governo republicano eles não estão nem aí para o Brasil. O Brasil não existe para as grandes potências, inclusive os EUA, sem falar que os democratas divergem e muito, do PT em questões internacionais, que são as que mais nos interessam, já que nós não moramos nos Estados Unidos)


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