02 agosto 2024

LIBERAIS BRASILEIROS: É NECESSÁRIO QUE OS DEMOCRATAS VENÇAM! (início)

 


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https://esquerdaonline.com.br/2020/11/17/o-establishment-do-partido-democrata-culpa-os-progressistas-pelo-seu-proprio-fracasso/

Jornalistas e pesquisadores, em geral são uma catástrofe, quando fazem análises sobre política internacional, por causa da confusão que fazem com os conceitos empregados, por não conhecerem o contexto em que esses conceitos se formaram, em especial no caso das eleições americanas.

Todos eles, liberais e socialistas, se angustiam ou se comovem ao ouvir falar em “progressista”, sem falar do uso abundante da falácia binária “esquerda” ou “direita”, conceitos vazios de significado político, servindo mais como um rótulo, uma etiqueta, que determinado grupo usa para enaltecer ou censurar outro grupo, conforme o significado emocional do termo seja mais elogioso ou depreciativo, para um lado ou para o outro. É uma expressão rasteira de preconceito, ou mesmo de ignorância.

Considerando o embate político-eleitoral partir da realidade americana, em primeiro lugar quero deixar o meu alerta de que os termos “esquerda”, “liberal” e “progressista”, que na realidade americana são quase sinônimos, derivam, lá, não tanto do jacobinismo da Revolução Francesa, como é típico por aqui, e o era na Rússia soviética, como exaltação do mito revolucionário, mas antes do conceito de ‘progresso’ oriundo da veia iluminista do barão de Condorcet, e do humanitarismo de Rousseau, sendo portanto, antes de tudo uma tentativa de aprimoramento do capitalismo-liberal, e não a sua destruição

O desejo desse aprimoramento veio da situação social calamitosa, que se criou nos EUA, no último quartel do século XIX, quando o desenvolvimento industrial e urbano do país se chocou com estruturas antiquadas, herdadas do passado colonial, agrícola e rural. Esse descompasso deixou a muitos sem proteção legal diante de abusos crescentes, de uma elite econômico-financeira neófita, mas sedenta, e o resultado foi o aparecimento de uma riqueza impressionante, ao lado de uma pobreza ultrajante e a corrupção desenfreada das instituições públicas. Os americanos capitalistas, liberais, não se conformavam ao ver que, poucas décadas após a abolição das senzalas, o país se viam inundado de cortiços e as favelas, em especial nas grandes cidades, como acontece hoje entre nós...

Foi portanto para ajustar a sociedade americana a essa nova realidade, a partir da leitura de alguns iluministas, e da Bíblia – um de seus maiores representantes, William Jennings Bryan (1860-1925) era sufocantemente religioso – que se formou o Movimento Progressista, nos EUA, baseado em teorias e práticas anteriores tanto a Marx como à Revolução Russa. Por razões específicas e muito complexas os democratas, velhos escravistas e isolacionistas, abraçaram o progressismo, deixando para trás os republicanos, que antes abraçavam as causas mais ‘avançadas’.

Foi dessa realidade, portanto, que saíram os conceitos de “esquerdista” e “progressista”, também associados a “liberais”, que se construiu o vocabulário político da América, ao qual às vezes se infiltram, como em toda parte, e no caso americano até por uma questão de sobrevivência, algumas pautas marxistas, mas de forma minoritária, sem afetar o grande consenso americano de liberdade política e livre iniciativa empresarial – entre nós causou espanto o fato de o jornalista esquerdista, no jargão americano, Glen Greenwald, sair a campo para defender o direito de bolsonaristas, direitistas no sentido jacobino-marxista-sul-americano do termo, da perseguição de Alexandre de Moraes. É por isso!

Como eu disse, o Partido Republicano ficou para trás, numa postura essa sim “ultraliberal”, mas na verdade antiquada, defendendo a pureza do antigo liberalismo de Adam Smith, que não descobrira no século XVIII, até por impossibilidade cultural, a conexão da economia com a sociologia, enquanto alguns, que se apercebiam o quanto era difícil aplicar esse ultraliberalismo numa realidade tão grande e diversa como a dos Estados Unidos do final do século XIX, começaram a assumir uma atitude dúbia: liberais na questão social (“é cada um por si”) e intervencionista na questão econômica (“precisamos proteger a nossa indústria, e por consequência nossos industriais”). Essa é a essência do intervencionismo trumpista, para o qual os ‘liberais’ brasileiros batem calorosas palmas!!!

Guardemo-nos pois das etiquetas fáceis, usadas por ignorantes ou maliciosos, como armas para encerrar o debate, antes que se forme uma compreensão mais consistente sobre aquilo está sendo debatido, estimulando posicionamentos superficiais, agressivos e intolerantes, próprios de seitas.

Em segundo lugar devemos considerar as propostas de Trump. Aquelas que ele afirma publicamente ou já exercitou no primeiro mandato, pois ele pode ser acusado de tudo, menos de incoerência. Engana-se quem quer.

Uma coisa salta aos olhos: Trump é um isolacionista, semelhante àqueles que no final do século XIX e início do século XX, viram os EUA apresentarem as mais altas taxas de crescimento econômico do mundo, enquanto hoje vê essa papel nas mãos de chineses, indianos e outros. A solução, para Trump, é simples: reindustrializar a américa à moda antiga, estimulando as grandes unidades fabris, como as que haviam na época dourada do capitalismo americano, com as taxas protetivas praticadas por homens do porte de Alexander Hamilton e Abraham Lincoln, em contextos muito diferentes.

O problema é que foi o aumento dessas taxas alfandegárias, ou protecionismo comercial, mal calibrado, mal negociado ou empregado na hora errada, que deram pretexto, entre outros, para a Guerra civil de 1860 e agravaram muito a Crise de 1929; ao mesmo tempo em que ele vai tentar reduzir na marra a taxa de juros, como aconteceu no primeiro mandato, enquanto promete reduzir as regulamentações e suportes sociais, para baratear custos de produção, e subsidiar as empresas com dinheiro do estado, tornando os produtos americanos mais baratos.

Olhando para o todo das propostas econômicas de Trump vemos que elas são ultraliberais no que tange as relações sociais, dignas do século XVIII e XIX, mas no que tange à economia são claramente mercantilistas-nacionalistas-intervencionistas, e nesse caso regredimos para um tempo em que a América ainda nem existia, o mercantilismo europeu do século XVI.

Portanto, fica claro que se Trump cumprir as promessas de campanha, as empresas americanas inundarão os mercados internacionais de produtos sofisticados, mas baratos, enquanto o estado fecha o mercado interno para os produtos estrangeiros. A pergunta que não quer calar é: como essa política beneficiará a nós, que não somos americanos, que fazemos parte do que eles consideram ‘estrangeiro’? É evidente que seremos prejudicados, como daquela vez que Trump puniu nosso aço com taxas maiores, a pretexto de que estávamos desvalorizando artificialmente a nossa moeda, para levarmos vantagens. E se é assim, por que tem tanto liberal, conservadores e ‘cristãos’ aqui dentro, vibrando e fazendo proselitismo por Donald Trump, como se a forca que ele quer pendurar no nosso pescoço fosse a última moda em gravata social?

Mas isso não é tudo, nem é o mais grave...

(Abaixo um símbolo da ignorância ou desonestidade de alguns de nosso analistas, apareceu num site de notícias conhecido, ilustrando um artigo de um conhecido descompensado, quase analista, tentando ligar o Partido Democrata, a uma conspiração comunista, quando na verdade muitas bandeiras e o próprio estilo do Partido Democrata, provém da liderança Thomas Jefferson (1743-1826), de quem eu discordo profundamente, mas muito menos do que de Donald Trump. Quanto ao Partido Republicano de Lincoln, Ted Roosevelt, Reagan e outros, virou uma sigla vazia. Que descanse em paz) 

https://www.gazetadopovo.com.br/opiniao/artigos/de-jfk-a-bernie-sanders/
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