08 agosto 2024

ELEIÇÃO AMERICANA: O ERRO DE KAMALA HARRIS

DIVULGUE O NOSSO BLOG, ELE É INFORMATIVO-EDUCATIVO, GRATUITO E PARA TODOS

https://images.foxtv.com/images.foxtv.com/c107833-mcdn.mp.lura.live/expiretime=2082787200/0e598864ec4595e2aec525e665b3479a27798dc61ec17ead64aab475c2f1d397/iupl/ECF/5A6/32/18/592/333/ECF5A682BC180AE242BEDC27C521E5A6.jpg?ve=1&tl=1&ve=1&tl=1

https://www.fox2detroit.com/news/harris-walz-campaign-detroit-wednesday-how-watch

Num discurso eletrizante, em enorme galpão de cargas em Michigan, junto a seu vice Tim Walz, a candidata Kamala Harris espôs de maneira mais clara a sua visão sobre economia, e o que ela disse foi preocupante, pois mostra a retomada do velho e surrado discurso progressista americano, que busca vilanizar os mais ricos, o que, na grande maioria dos casos, nos EUA, implica em vilanizar pessoas que foram bem sucedidas, devido aos seus méritos, com algumas exceções.

Ela claramente coloca o grande capital, as grandes empresas, citando as companhias farmacêuticas, como obstáculos ao desenvolvimento de uma grande classe média, numa contraposição absurda, porque uma depende rigorosamente da outra para existir, assim como as empresas precisam dos operários, e os operários das grandes empresas.

Em primeiro lugar

Não se inventou até hoje um modo de produção de bens de todos os tipos, desde a produção agrícola até a fabricação de bugigangas, eletrodomésticos, roupa, etc. sem o concurso da grande empresa, a única capaz de produzir numa escala tal que reduz consideravelmente os custos de produção, democratizando o consumo, em todos os países do mundo.

Se uma sociedade decidir que vai eliminar todos os grande empresários e suas empresas, deve antes decidir o que fazer com ¾ da sua população; quem irá morrer ou quem será exilado, para o sistema dar certo, e como se fará o controle da população daí para frente, uma vez que se a população crescer um pouco além do necessário, o sistema colapsará. O Khmer Vermelho, por exemplo foi parado quando já tinha exterminado 25% da população de seu país.

Um grande exemplo disso é a vizinha Venezuela. Os bolivarianos enxotaram, como a criminosos, os grandes empresários do país, sem estatizar a totalidade dos meios de produção. A Venezuela deveria ser o paraíso revolucionário da pequena e média empresa, mas o que se viu foi o colapso da economia. A China, que avançara muito mais na estatização, recuou e admitiu grandes e pequenos empresários - hoje a China disputaria com os EUA o primeiro lugar na produção mundial de riquezas, se não fosse a política intervencionista do Partido Comunista. Embora não tenha estatizado a economia, Venezuela repetiu, no essencial, o erro que Cuba, a Rússia, e os outros países do socialismo real cometeram, e acabou, como eles, na mais abjeta pobreza.

Em segundo lugar

Se olharmos à história veremos que a classe média que Kamala tanto valoriza – urbana, culta, tolerante – só aparece na história no final do século XVIII e início do XIX, justo quando a Revolução Industrial, que criou as primeiras grandes fortunas, começou a se consolidar na Europa Ocidental e América do Norte. A conclusão dessa “coincidência” é óbvia: da mesma forma que não há grandes empresas sem mão de obra abundante, e a mão de obra abundante não conseguirá emprego, logo seu sustento, sem grandes empresas, também não existe revolução tecnológica, em todos os sentidos, algo vital para o sucesso das grandes empresas, sem a classe média, nem haverá classe média, sem os altos salários pagos pelas grandes empresas, que por sua vez demandam por serviços e mercadorias de melhor qualidade criados pelos profissionais especializados da classe média.

Há uma relação de estreita reciprocidade entre esses atores; logo não dá para vilanizar um deles nem promover a este em detrimento daquele. 

Em terceiro lugar

É claro que sempre haverá alguém, em qualquer um dos polos da relação acima descrita, que tentará levar vantagens não previstas no contrato social e nas leis, explícitas ou não, apenas em benefício próprio, e empresários, mesmo com muito dinheiro, podem ser levados nessa direção para ampliar suas vantagens.

Se alguém é um socialista empedernido, ou gente dessa laia, certamente dirá que essa é a regra, até o extremo dos marxistas, que dirão obsessivamente que nenhuma fortuna foi construída sem o roubo ou a exploração do trabalhador. Nesse caso não há muito o que fazer uma vez que, após tanto desmentido histórico, isso que é caso de psiquiatria ou de fanatismo religioso.

Mas concebendo sadiamente que a maioria quer cumprir as leis e tanto mais quando essas leis são feitas no sentido de permitir a qualquer um com vontade de trabalhar, criatividade e habilidade de coordenar homens possa enriquecer, então se podem esperar o melhores resultados: mais prosperidade, mais desenvolvimento tecnológico, mais justiça social, etc. E quanto aos casos desviantes, seja de empresários, operários ou profissionais liberais que se use do previsto na lei. Isso é caso de polícia e do judiciário, isso nada tem a ver com política de estado, a não ser que o governante venha com o desejo explícito de favorecer a um grupo a revelia da lei, o que seria um absurdo.

A função do executivo, num caso desses, é não atrapalhar a ação da justiça, dar-lhe recursos para o seu funcionamento e cumprimento das penas, e não usar do perdão presidencial para salvar o milionário ou o operário amigo.

Em quarto lugar

Foi muito infeliz a citação da “indústria farmacêutica”, como se esta fosse uma vilã. A pandemia não faz tanto tempo assim, para que possamos esquecer que foi graças às pesquisas das grandes farmacêuticas que se descobriu, em tempo recorde, a vacina para uma doença até então desconhecida e mortal. Quantas pessoas não foram salvas por essas vacinas? Qual é o valor justo para pagarmos a essas empresas pelas milhões de vidas salvas por causa dessas vacinas?

Para termos uma ideia dos valores de que estamos falando, segundo um relatório da Organização Mundial de Saúde exposto por um site (https://vial.com/blog/articles/drug-development-costs-explained-why-is-it-so-expensive/?https://vial.com/blog/articles/drug-development-costs-explained-why-is-it-so-expensive/?utm_source=organic), o custo para o desenvolvimento de uma droga nova oscila entre 43 milhões e 4 bilhões de dólares (multiplique por 5,6 e saiba quanto é em reais). A Pfizer informou que para alcançar a sua vacina contra a covid teve que investir algo em torno de 2 bilhões de dólares, sem nenhuma garantia. (https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC8426978/#:~:text=Pfizer's%20often%E2%80%90repeated%20statement%20that,with%20COVID%E2%80%9019%20vaccine%20development.)

Como lidar com riscos dessa monta sem uma margem de lucros espetacular? Um erro numa bula de remédio mal conferida, pode gerar um processo de indenização milionário. Os 20 maiores escândalos envolvendo as indústrias farmacêuticas nos países ricos envolveram indenizações em torno de 20 bilhões de dólares.

Vamos com calma, nem essas empresas podem ficar sem controle nem é correto ficar jogando as massas ignaras contra ela, como é comum a Donald Trump. Cada caso é um caso.

Resumo

Os americanos estão com um problema: se ficar Trump eles, e nós, por causa da política externa promíscua, teremos um bomba atômica política no colo, mas se for a Kamala eles poderão ter sérios problemas na economia, mas aí só eles ficam sem dormir, mais ou menos como nós ficamos, quando tivermos que escolher entre Lula e bolsonaro. Então que sejam eles a ter insônia, afinal as questões ecoômicas de Kamala nos atingem menos.

Mas não deixa de ser curioso pensar que, apesar de termos vivido processos históricos tão diferentes, tenhamos chegado agora a impasses políticos de mesma natureza, até parece que estamos diante de uma transição mundial para algo que ainda não sabemos o que é, enquanto vemos a ordem político-econômica, forjada pelos americanos após a Segunda Guerra, esfarelar-se diante de nós.

Sabendo o quanto custou ao mundo a Segunda Guerra Mundial, seria prudente indagar-nos o quanto vai nos custar o novo mundo que virá; mas coisa é certa:

Não dá para evitar a troca. 

(Nesse comício em Michigan provocadores trumpistas, abaixo, se misturaram no meio da multidão e tentaram tumultuar o discurso de Harris, mas ela os fez calar com autoridade e ninguém saiu machucado, só o amor próprio dos provocadores, se eles têm algum. Aqui no Brasil, por muito menos homens e mulheres se juntaram para 'baixar o sarrafo', até em mulher, que ousou discordar do que estava sendo apresentado, quanto mais tentar interromper o orador. É uma lição para nós)

https://www.freep.com/gcdn/authoring/authoring-images/2024/08/08/PDTF/74714954007-harris-080724-17-mw.jpg?width=660&height=441&fit=crop&format=pjpg&auto=webp

https://www.freep.com/story/news/politics/elections/2024/08/07/watch-kamala-harris-stare-down-hecklers-at-michigan-rally/74714982007/



Nenhum comentário:

Postar um comentário

  TRECHOS DE HISTÓRIA DA ANÁLISE ECONÔMICA DE SCHUMPETER - 1 Por que estudar a história do pensamento econômico? Em primeiro lugar, professo...