30 julho 2024

JOE BIDEN: O MESTRE DA NAÇÃO

 

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Eduardo Simões

Não é fácil a alguém como eu, que foi muito crítico das políticas interna e externas de Joe Biden, de seu expansionismo monetário, igual ao de Trump, que agravou a inflação nos EUA, das barreiras alfandegárias que criou, e que Trump promete piorar, e pela ajuda a conta-gotas dada à Ucrânia, que Trump pretende cortar, em favor a Vladimir Putin, além de suas mancadas e tropeços, em função da idade. Mas não posso deixar de reconhecer que, na noite de 24 de julho de 2024, quando ele desiste de sua indicação à corrida presidencial, em favor de Kamala Harris, ele deu um show pessoal de dignidade e sabedoria para o povo de seu país, e para todo o mundo. Me arrisco a dizer: enquanto houver gente com esse espírito, na política americana, os Estados Unidos da América, serão uma nação imbatível.

É sabido que Joe Biden, originário de uma família antiga e rica, mas que empobreceu e se recuperou um pouco, durante a sua infância, sempre teve na política o cerne de seu projeto de vida, uma vida marcada pelo comum e até pela mediocridade, e grandes tragédias pessoais, até se tornar o 46º presidente dos Estados Unidos, o ápice de uma carreira política bem-sucedida, mas tocada muito mais pelo esforço, do que por engenho e criatividade. E agora que se prenunciava um final glorioso, digno de tantos esforços, um segundo mandato presidencial, ele foi traído e exposto pela sua idade. O tempo, seu maior aliado, faltou-lhe na hora de pegar o prêmio máximo. 

Vencido pelo tempo e por suas próprias limitações, ele tornou-se uma vitrine de palavras e gestos bizarros, ditados pelo decaimento mental; mas ele, apesar de tudo o quanto essa indicação representava para o seu projeto de vida, teve lucidez e sabedoria para abrir mão disso e “passar a tocha adiante”, quando já se agigantava no horizonte, o perfil de um dos personagens mais maléficos e sombrios da história americana, representando um perigo real à continuidade desse experimento político-econômico-social único: os Estados Unidos da América. Mas não é só: ele o faz com uma dignidade tão consistente, serena, e embasada em palavras sóbrias e tocantes, que se nós brasileiros fôssemos um povo que considerasse o valor da ética e da moral no discurso político, estaríamos agora dizendo a nós mesmos: “foi um momento histórico”. E o começo já foi arrepiante:

“Eu estou aqui na mesa do salão oval. Esse é um espaço sagrado, cercado de retratos de extraordinários presidentes americanos, Thomas Jefferson... George Washington, que mostrou que presidentes não são reis... Abraham Lincoln... Franklin Roosevelt... Eu venero esse escritório, mas eu amo mais o meu país. Foi a maior honra de minha vida servir como presidente; a defesa da democracia e do que está em jogo, eu acho que é mais importante do que qualquer título. [daqui] Eu tiro força e alegria para trabalhar pelo povo americano, mas a tarefa sagrada de aperfeiçoar nossa união, não trata de mim, ela trata de vocês, de suas famílias, seus futuros. É sobre nós, o povo... Eu nunca me esqueci disso...” (tradução de Denise Bobadilha)

Vejam a forma como ele se dirige ao povo do seu país!!!

Em primeiro lugar ele reconhece que a maior grandeza da nação está no seu comportamento ético: “somos um grande nação porque somos boas pessoas...”, bem diferente daquele país, que a gente conhece, onde as pessoas vivem depreciando aos outros, e se achando o máximo...  

Em segundo lugar ele reconhece que uma ideia poderosa é o que move a nação: “A América é uma ideia... é a ideia mais poderosa da história do mundo, e essa ideia, que nós temos de ter dentro de nós, é a de que todos fomos criados iguais”.

Ele não tem dúvidas, e busca fazer com que o povo também não as tenha, de que ele, o povo, é o sujeito da sua história: “é a vez de vocês, o povo americano, fazer a sua escolha... o destino de nossa república está em suas mãos...aqui o povo governa, a história está em suas mãos, o poder está em suas mãos, a ideia da América está em suas mãos... lembrem-se de quem somos, nós somos os Estados Unidos da América, e nada está além de nossa capacidade quando o fazemos junto, quando agimos juntos”

E, o mais importante para nós, que eles os democratas, não abandonarão os seus aliados, em especial a OTAN. Se Trump vencer e cumprir a sua promessa a esse respeito, isolar a América e vender a sua proteção para quem puder pagar, ele jogará o mundo no caos ou na tirania, que é apenas uma postergação do caos. 

Se as lideranças ficam o tempo todo dizendo “nós somos iguais”, “nós somos um povo forte”, “nós podemos realizar grandes coisas”, sem se desmentir a seguir, é bem possível que esse povo, acreditando, comece a fazer coisas extraordinárias. Agora qual é o ditador, que vai dizer uma coisa dessas, que pode bem se voltar contra ele, se o povo decidir que já cansou de suas pataquadas (as do ditador)? Ele tem que fazer o povo acreditar que é pobrezinho, incapaz, precisado de um pai, etc. Getúlio Vargas se autointitulava o Pai dos Pobres; eu ouvi, em duas ocasiões, o Lula dizer: “eu preciso cuidar de mais de 200 milhões de pessoas” e “eu tenho que alimentar 215 milhões de pessoas”, como se ele fosse tirar do próprio bolso e dar pra cada brasileiro o seu alimento diário e os cuidados diversos, quando sabemos que é justo o contrário, que é esse pobre povo quem sustenta o seu luxo e as extravagâncias de sua mulher. É assim que o líder mente, mistifica, e deixa a nação num estado de minoridade psicológica permanente, se sentindo incapaz, enquanto detesta quem é forte e capaz, como se a liberdade e a força deste fosse uma denúncia à sua submissão.

E o que dizer do amor ao poder? Foi necessário povo e tropa na rua para convencer Pedro I que, mandar dinheiro dos pobres brasileiros para acudir Portugal ou promover cidadãos portugueses aqui dentro, em prejuízo dos brasileiros, era intolerável; o II foi corrido daqui, após 40 anos de governo, sem um sistema educacional ou uma universidade fundados, o que já era moda no resto do mundo. Sem indústrias, ficamos pra trás, economicamente estagnados; Getúlio Vargas ficou quase 20 anos no poder, e caiu atirando, literalmente, deixando uma carta megalomaníaca, conspiratória, que assombra a muitos até hoje. Lula, septuagenário, discute com seus áulicos o quarto mandato. Que dizer de ditadores como Kadafi, Assad, Putin, etc? Eles arrasam completamente o país, inviabilizam ou aleijam a nação, mas não largam do poder

Na américa Latina não é diferente. Nicolas Maduro, Daniel Ortega, a ditadura sexagenária de Cuba, Evo Morales, os Perons, e quantos outros? De onde vem essa sede insaciável pelo Executivo Nacional? Que paranoia persistente é essa?

Talvez seja por isso, que alguns latino-americanos, odeiam tanto aos americanos do norte, pois para eles parece tão fácil, aquilo que nós tentamos a há mais de 500 anos e não conseguimos: manter sob um controle racional a febre do poder....

Dessa febre só sairemos quando aprendermos a fazer igual, fazendo-o simplesmente.

(Abaixo, o patrício romano Cincinato, é interrompido em seu trabalho nos seus campos, para receber o fascio do poder, a fim de, como ditador, por um período de seis meses, comandar o enfrentamento à invasão dos équos, no início de Roma. Cincinato foi, venceu os équos, e, apesar de receber muitas propostas e apoios para continuar como ditador, cumpriu o tempo previsto na lei e voltou sem delongas para o seu duro trabalho. Um exemplo de bom cidadão, da força que sustentava Roma. Hoje muitos historiadores creem que isso não passa de mito, algo inventado para estimular os cidadãos a se dedicar, sem ambição pessoal, pela sua cidade. Seja como for, quem precisa de Cincinato, quando temos Joe Biden, George Washington, e o Papa Bento XVI?)

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https://www.campograndenews.com.br/colunistas/em-pauta/cincinnatus-o-heroi-e-modelo-da-direita-mundial



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