05 março 2024

PALESTINA SANGRENTA...

 

https://www.hey-news.com/world/israel-palestine-conflict-war-origins-explained/

Eduardo Simões (a Margarida Maria)

É difícil fechar um entendimento sobre o que se passa na Palestina atual, uma vez que os principais envolvidos, judeus e árabes, ao fazer o seu balanço, sempre omitem as vezes em que foram carrascos, além da ação de interesse internacionais que, embora não sejam judeus ou muçulmanos, usam da tensão e do impacto emocional desses acontecimentos, para manipula-los de acordo com sua agenda política. Há uma recusa apaixonada contra qualquer concessão, como se só existissem vítimas injustificadas de um lado e do outro, como se a última agressão fosse a única. Para que meus leitores tenham uma ideia mais clara da profundidade dos sentimentos e da multiplicidade de eventos que amparam esses sentimentos, vou reproduzir parcialmente alguns verbetes de Wikipedia em inglês que relatam esses eventos – por uma questão de brevidade ficaremos na Palestina e nas suas imediações dando ênfase ao Império Otomano.

As relações entre judeus e muçulmanos, no início do século VII, na Arábia, eram boas. Embora alguns clãs judeus tenham convivido com o Profeta e sua gente nas grandes cidades, a situação se deteriorou, a medida que ficava claro que esses clãs judeus não se converteriam de livre e espontânea vontade ao Islã, e a eles foram apresentadas duas alternativas: ou se convertem ou saiam das cidades. Os clãs e tribos judaicos, vencidos, tiveram que migrar.

A caso do clã Banu Kuraiza foi mais grave, porque, por uma razão obscura, foram considerados traidores. Os homens aprisionados, em torno de 750, foram decapitados, e suas mulheres e crianças vendidas como escravos. Uma das razões dessa animosidade era, segundo a Jewish Encyclopedia, era que corria um boato de que os judeus, por meio de sortilégios e feitiçarias, impediam que o profeta tivesse um filho. 

Em 640, o califa Omar, desrespeitando o acordo feito entre os judeus e o Profeta, expulsou seus últimos remanescentes judeus da Arábia, mas a questão permanecia: o que fazer com os povos vencidos, que permaneciam inconversos em território dominado. Ao longo dos séculos buscou-se criar uma fórmula de convivência, variável de uma região para outra, dentro da profusa, e por vezes confusa, diversidade dos povos islâmicos, no contrato da Dhimma, nem sempre aplicado com o espírito de justiça, que se esperava...  

Segue agora abaixo uma relação não exaustiva de conflitos entre judeus e muçulmanos, na área da Palestina e arredores, com foco principalmente na ação da Turquia, que durante 600 anos dominou a região, até ser expulsa por ingleses e árabes, na Primeira Guerra Mundial.

1267: O sultão mameluco (egípcio) Baybars proíbe os judeus de entrar no túmulo dos Patriarcas em Hebron; a proibição terminou em 1967, após a Guerra dos Seis Dias.

1270: O sultão Baibars resolve queimar todos os judeus, tendo sido cavada uma enorme vala para isso, mas no último momento ele voltou atrás, mas exigiu um pesado tributo. Durante a sua cobrança, porém, muitos morreram.

1295: Ghazan Khan converte-se em muçulmano, no Iraque, e obriga os judeus a converterem-se também. O mais famoso desses convertidos foi Rashid al-Din Hamadani, um médico, historiador e estadista, que adotou o Islã para avançar na corte. Em 1318 ele foi executado sob falsas acusações de envenenamento do rei. 

1517: Pega no meio da disputa entre turcos e egípcios, a comunidade judaica de Safed, na Galileia, foi atacada pelos soldados turcos a pretextos superficiais, sendo minuciosamente saqueada, com alguns de seus membros mortos, feridos e estuprados. Os sobreviventes (homens, mulheres, crianças e velhos) foram levados ao centro da cidade, despidos de suas roupas e afugentados, nus, para os matos, como a animais. Esse mesmo tratamento também foi aplicado à comunidade judaica de Hebron...

1630-1700: Período dominado pela influência da seita Zaydi, no Yemen, que por meio do Decreto dos Órfãos, fez uma leitura ainda mais estrita do contrato da Dhimma: “os judeus eram considerados impuros... proibidos de tocar na comida de um muçulmano ou em um muçulmano... eram obrigados a humilhar-se diante de um muçulmano, a caminhar pelo lado esquerdo e cumprimentá-lo primeiro... Ao entrar no bairro muçulmano, um judeu tinha que tirar os calçados e andar descalço. Se atacado com pedras ou punhos... um judeu não tinha permissão para revidar.” (Wikipedia em inglês; Yemenite Jews).

1650: Na dinastia persa safávida, havia a forte restrição á presença dos judeus, uma vez que eram ritualmente impuros. Em vista disso “... foram excluídos dos banhos públicos usados ​​pelos muçulmanos... foram proibidos de sair durante a queda de chuva ou neve, pois a "impureza" poderia ser levada, pelas águas, até um muçulmano. Em 1656, o Xá Abbas II decretou sua conversão forçada, e os expulsou de Isfahan, uma cidade sagrada para os xiitas (idem; Persian Jews)

1660 ou1662: massacre de judeus em Safed e Tiberíades, devido a confrontos entre turcos e drusos (muçulmanos) na Palestina.

1679-1680: Os judeus do Yemen são expulsos das cidades onde moravam, e transferidos para Mawza, uma região desértica e hostil, onde muitos pereceram. Anteriormente o rei os mantivera três dias nus, sob o sol, para força-los à conversão. (idem; Mawza Exile).

Durante o século XVIII há notícias de grandes perturbações e massacres de judeus na África do Norte e Ocidental, em especial na Argélia e no Marrocos. Constatamos também a impressão de uma violência antijudaica crescente no mundo islâmico, seja por força da melhoria das comunicações, que deram maior divulgação e esses eventos, seja por força do crescente poderio econômico das comunidades judaicas ocidentais, turbinadas pelo desenvolvimento das forças capitalistas e da noção burguesa de direitos naturais, sociais, políticos e nacionais, que de alguma forma começaram a contaminar as comunidades judaicas espalhadas pelo mundo, tornando-as menos propensas a encarar como “natural” os ataques que vinham sofrendo, tanto de cristãos como de muçulmanos. Os judeus começam a agir violentamente.

1834: Massacre de Hebron, durante a repressão de uma revolta camponesa palestina, pelas tropas egípcias a serviço do sultão. Os soldados, a pretexto de que os judeus estavam ajudando os revoltosos, praticaram os piores excessos, matando 12 pessoas da florescente comunidade local. Outro massacre também ocorreu na cidade de Safed, igualmente saqueada durante a repressão a essa revolta, e mais uma vez os judeus foram despidos e levados a se esconder, nus, nas matas ao redor. Em 1838, foi a vez de nômades drusos, muçulmanos, saquearem a comunidade judia de Safed

1839: Pogrom de Mashdad, no Iran, quando um falso boato propagou que uma mulher judia supostamente manipulara o sangue de um cachorro de forma inadequada. Uma multidão a destruiu e saqueou casas e sinagogas, além de assassinarem entre 30 e 40 judeus, que não quiseram se converter.

1860: Judeus em Hamadan, no Iran, acusados de zombar das cerimônias islâmicas, têm o nariz e as orelhas cortadas. Já em 1863, nessa mesma cidade, um judeu é morto e vários são atacados e feridos sob acusação de insultar Mohammed.

1866: Em Babol ou Barforush, no Iran, a intervenção dos embaixadores inglês e francês contra a conversão forçada de judeus, levou o Xá a anular a lei, mas levou uma multidão irada às ruas que matou uns 18 deles. Eis o que diz Israel Joseph Benjamin sobre a situação dos judeus no regime da dhimma no Iran: “Eles são obrigados a viver numa parte separada da cidade…; pois são considerados criaturas impuras… caso entrem numa rua habitada por muçulmanos, são atacados pelos rapazes e pelas turbas com pedras e terra… Se um judeu é reconhecido... Os transeuntes cuspiam em seu rosto e às vezes batiam nele... Se um judeu entra em uma loja... ele está proibido de inspecionar as mercadorias... Se sua mão tocar incautamente as mercadorias, ele deve levá-las pelo preço que o vendedor quiser... Às vezes, os persas invadem as residências dos judeus e tomam posse de tudo o que lhes agrada. Caso o proprietário faça a menor oposição em defesa da sua propriedade, ele incorre no perigo de expiar isso com a sua vida... Se... um judeu aparecer na rua durante os três dias do Katel, no início do Muharram (um momento sagrado)... ele com certeza será assassinado”. (Wikipedia em inglês; Persian Jews; Allahdad).

1892: As autoridades islâmicas de Hamadan, Iran, baixam um decreto obrigando os judeus a observarem escrupulosamente as normas prescritas na dhimma local, sob pena de morte. Posteriormente eles foram colocados entre a opção da conversão ou da morte. Aparentemente isso era uma forma de manifestação popular contra a “intromissão” de estrangeiros no trato deles com os judeus, e ao mesmo tempo o início de uma mentalidade de que os judeus estariam mancomunados com os Ocidentais, supostamente “cruzados”.

1897: Em Chiraz, no Iran, multidões se levantam e matam 20 judeus e queimam três sinagogas; mas o pior aconteceu em 1910, quando o corpo desenterrado de um menino judeu é “confundido” com o de uma menina muçulmana, que os judeus teriam matado ritualmente, sem falar de restos do Corão “descobertos” na fossa de uma casa judaica. Multidões ficam histéricas e atacam os judeus. Doze morrem linchados, e uns 60 são feridos. Todas as casas do bairro judeu são saqueadas.  “Pogroms, conversões forçadas e expulsões varreram Zarqon, Lar, Jahrom, Darab, Nobendigan, Sarvestan e Kazerun (cidades iranianas). Jamshid Sedaghat, um historiador de Shiraz, disse que os ataques aconteciam anualmente durante o final do século XIX, terminando como resultado da pressão europeia. O último deles ocorreu em 1910” (idem; Shiraz Pogrom) .

1920: Uma milícia xiita, acompanhada de beduínos, atacou a comunidade agrícola judaica de Tell Hai, causando 8 mortos entre os judeus e 5 do seu lado. A comunidade foi destruída e abandonada. Pouco depois, um grande motim explodiu em Jerusalém, deixando 5 judeus e 4 árabes mortos e centenas de feridos. (idem Nebi Musa Riots).

Em 1920, como uma resposta a essa violência e à hostilidade crescente dos árabes palestinos à imigração de judeus, foi criado um grupo paramilitar, responsável pela defesa dos assentamentos judaicos, organizado pela Agência Judaica, órgão responsável pelo controle administrativo das comunidades judias na Palestina. A Haganá   

1921: Motim de Jaffa, que começou com duas facções judias se pegando nas ruas: marxistas contra não marxistas. Os árabes aproveitaram e entraram na luta contra os judeus em geral, e a violência se generalizou. No final 47 judeus e 48 árabes estavam mortos, e mais de 200 feridos de ambos os lados. A violência, iniciada em Jaffa, se espalhou pelas comunidades próximas. Numa delas foi assassinado, junto com o filho e o genro, Yosef Haim Brenner, um dos criadores da moderna literatura hebraica (idem; Jaffa Riots).

1929: Os horrorosos Motins da Palestina de 1929, começaram em Jerusalém, numa disputa sobre o acesso ao Muro das Lamentações, além de boatos que os judeus iriam ocupar o monte Sião e destruir a Mesquita de al Aqsa. Os confrontos que começaram em Jerusalém e logo se espalharam por quase todas as grandes cidades e comunas rurais próximas (a Wikipedia em inglês, lista confrontos em 28 localidades diferentes), causando morte a 133 judeus contra 116 árabes, e ferimentos em mais de 500 pessoas. Esse incidente já mostra o quanto os judeus estavam evoluindo para se defender, no mesmo nível, dos ataques (idem; 1929 Palestine Riots; 1929 Hebron Massacre; Shaw Commision; Passfield White Papers; Irgun; Haganah).

Os judeus começaram organizar secretamente grupos de revide, no espírito da antiga Lei de Talião, principalmente o Irgun, (1931-1949), e o Lehi ou Stern, (1940-1948), dispostos não só a revidar na mesma moeda como causar o maior estrago possível, inclusive contra os britânicos, responsáveis pela morte do fundador do Lehi, Avraham Stern, em 1942, ao mesmo tempo em que estes, os britânicos, eram atacados pelos árabes que os acusavam de fomentar a imigração judaica.

1933: Tumultos em Haifa, uma greve geral árabe, contra os pedidos de imigração de entidades judaicas começou uma série de confrontos sangrentos entre árabes e policiais árabes, a serviço da Inglaterra, que era a potência Mandataria da Palestina, enquanto não se resolvia a questão árabe-judaica. Em Haifa houve ataque a um caminhão com judeus, e cinco pessoas ficaram feridas (idem; 1933 Palestine Riots)

1936: Motim em Jaffa. Dois judeus são assassinados numa estrada, e o grupo terrorista judeus Irgun, mata dois árabes. No sepultamento dos judeus a multidão ataca os árabes. Corre a notícia que os judeus estão massacrando árabes. No final 14 judeus morrem contra 2 árabes.

1936-1939: Levante Árabe na Palestina. Motivado pela presença inglesa e a associação feita, pelos árabes, entre esta e o crescimento da comunidade judaica. Foi uma espécie de guerra civil, que matou mais de 262 britânicos, 500 judeus e uns 5 mil árabes. Os feridos somaram 550 britânicos e 15 mil árabes. Nesse levante, teve papel relevante Amin al Russaini, o mufti de Jerusalém, uma importante autoridade palestina, que, por causa dos judeus, tomou o lado dos nazistas e se tornou um ardoroso defensor do antissemitismo. Nesse conflito o grupo terrorista judeu Irgun realizou uns 20 massacres, matando quase 300 árabes, contra 40 judeus mortos em meia dúzia de ataques ou emboscadas. A correlação de forças, na Palestina, começa a mudar.

1946: Atentado ao Hotel Rei David, perpetrado pelo Irgun, mata 47 árabes, 28 britânicos e 17 judeus, e 5 outras pessoas. O Irgun telefonou antes, avisando do atentado, mas não se fez a evacuação. Os judeus sempre tentaram diminuir a gravidade desse ato terrorista, e um de seus planejadores, Menachem Begin, tornou-se Primeiro-Ministro de Israel, de 1977-1983.

1947: Motins de Jerusalém, provocados pela aprovação, pela ONU, da Partilha da Palestina, matam 8 judeus e vão gradualmente preparando a região para a Guerra Árabe-israelense de 1948. Nesse período, 1947-1948 houveram batalhas envolvendo forças militares em campo aberto, mas também massacres provocados pela iniciativa de pequenos grupos ou organização terrorista, como o Irgun, vitimando judeus, árabes e britânicos. Os principais massacres que ocorreram nesse período foram: I) Massacre de Al-kishas, quando 12 árabes, incluindo 5 crianças foram mortos, II) a explosão de uma bomba na porta de Damasco, Jerusalém, matando 11 árabes e 2 britânicos, III) o Massacre da Refinaria de Haifa, com 39 judeus mortos e 49 feridos, IV) Massacre de Balaid al-Shaikh, uns 50 árabes mortos e 41 feridos contra 2 mortos e 2 feridos da tropa de elite Palmach, da Haganá, que perpetrou o ataque; V) atentado do Comitê Nacional Árabe, com um carro bomba: 26 árabes mortos, centenas de feridos; VI) Atentado do Hotel Semíramis, de propriedade cristã, suposto centro árabe de comando, 26 civis mortos; VII) Atentado do Portão de Jafa, carro-bomba mata 20 árabes (esses carros-bombas usavam as chamadas bomba-barril, inventada por um técnico do Irgun);  VIII) Massacre de Sa’sa’, em represália a um ataque mortífero de uma unidade árabe, a Haganá arrasou esse povoado, matando umas 60 pessoas de todas as idades; IX)  Atentado da rua Bem Yehuda, um carro-bomba matou quase 60 judeus; X) Atentado da Agência Judaica Para Israel: 13 judeus mortos e muitos feridos, com carro-bomba; XI) Massacre de Al-Hussaynyyia, quando Palmach matou uns 30 aldeãos árabes dessa localidade; XII) Massacre de Deir Yassin, realizado por um consórcio de combatentes do Irgun, da Palmach e do Lehi, mataram de 100 a 120 aldeões árabes, que sustentaram uma luta causando 4 mortes entre os judeus, em que pese o estado judeu manter os informes sobre o que aconteceu em Deir Yassin secretos, há muitos indícios e testemunhos de que aí aconteceu um dos mais infames e covardes massacres que se tem notícia na região; XIII) Massacre do Comboio Médico de Hadassah, uma vingança por Deir Yassin, aí morreram 79 médicos e enfermeiras da Haganá; XIV) Massacre de al-Zheithun, onde cerca de 70 aldeões árabes morreram; XV) Massacre de Kfar Etzion, quando 123 judeus foram mortos por árabes das aldeias ao redor, unidos pela vingança a outras atrocidades. Vários judeus teriam sido mortos após a rendição (os judeus fizeram o mesmo em Saliha, logo depois); XVI) Massacre de Abu Susha, quando uns 60 aldeões árabes foram mortos e outros abusados; XVII) Bombardeio da Estação Rodoviária de Tel Aviv, pela aviação egípcia, deixando 40 mortos e cem feridos; XVIII) a Expulsão dos palestinos de Lod ou Lydda, antecedida pelo massacre de umas 300 pessoas, muitos palestino moradores e refugiados da guerra, foram expulsos para áreas sob domínio árabe, com uns 350 morrendo no caminho... etc. etc. etc.

Essa guerra deixou patente que os judeus já tinham condições de revidar numa intensidade ainda maior aos ataques contrários, e o fariam. E a sequência de ataques só faz piorar, principalmente porque o conflito passou a ser instrumentalizado de fora, com o apadrinhamento das duas superpotências, União Soviética e Estados Unidos, que usavam o conflito em seu projeto hegemônico mundial – Israel, com comunidades socialistas, os kibutzs, eram apoiados por um país capitalista, os EUA, enquanto os países árabes e palestinos, que viviam uma realidade ainda pré-capitalista, eram apoiados por um potência “socialista”, a URSS. Um acordo de paz ficava cada vez mais distante.

Ataques em Israel após a Independência

1954: Massacre de Ma’ale Akrabim, pelos árabes, com 11 mortos e 1956: Massacre de Kafr Kassim, pelos israelenses, matando 47; 1970: Bombardeio do ônibus escolar de Avivim, 12 judeus mortos; 1972; Massacre do Aeroporto de Lod: 26 judeus mortos; 1974: Massacre de Kyriat Shmona,  18 judeus mortos; 1974: Massacre de Ma’alot, 31 judeus mortos; 1975: Bomba do quarteirão de Zion, 15 mortos; 1976: Bomba da Rua Ben Yehuda, 1 judeu morto; 1978: Massacre da estrada costeira: 38 israelenses mortos. 1994: Atentado ao ônibus na rua Dizengoff (Tel-Aviv]): 22 judeus mortos; 1995: Massacre de Beit Lid, 23 judeus mortos; 2001: Massacre do restaurante Sbarro, 15 morto; 2001: Massacre da discoteca Dolphinarium, 21 mortos; 2002: Bomba na Universidade Hebraica, 9 mortos; 2002: Massacre do Bat Mitzvah, 7 mortos; 2002: Massacre de Yeshivat Beit Yisrael, 11 mortos;  2002: Bomba do Café Moment, 11 mortos; 2002: Massacre da Páscoa, 30 mortos; 2002: Massacre de Kiryat Menachem, 11 mortos; 2003: Massacre da Rodoviária Central de Tel-Aviv, 23 mortos; 2003: Bomba no ônibus Shmuel HaNavi, 24 mortos; 2008: Massacre Mercaz HaRav, 8; 2008: Ataque com Bulldozer em Jerusalém, 3 mortos; 2014 Ataque à sinagoga em Jerusalém, 5 mortos; 2016: Atirador em Tel Aviv, 4 mortos; Ataque a Bersheba, 4 mortos; 2022: Tiroteio em Bnei Brak, 5 mortos. Depois vieram os massacres resultantes dos ataques do 8 de outubro de 2023 que resultaram em 1.400 mortos. 

Ao todo foram 26 atentados, entre os mais impactantes, listados pela Wikipedia em Inglês (List of Massacres in Israel), antes de 7 de outubro, totalizando uma 425 pessoas, civis em atividades do cotidiano, próprias de um estado de paz ou não agressão. Israel em geral respondia por meio de ações de forças especiais que se infiltravam entre os palestinos e matavam aqueles identificados como mandantes ou perpetradores. Os ataques mais mortais, aconteciam justamente quando Israel estava encetando negociações de paz com algum estado árabe ou em vias de se encontrar uma solução pacífica para essa situação.

Massacres na Palestina, depois da partilha

1990: Massacre de Richon LeZion, 7 palestinos mortos por um atirador israelense de 21 anos, a que se seguiram violentos protestos que mataram mais 13 (esse ataque foi dentro do território de Israel). O assassino recebeu um pena branda, 40 ano de prisão; 1994: Massacre da Caverna dos Patriarcas, 29 palestinos mortos, por um judeu ultra-hortodoxo americano, a 11 anos em Israel. Mais mortes aconteceram nos conflitos com a polícia; 2009: Bombardeio da Mesquita Ibrahim al-Makadma, 16 mortos. A mesquita foi atacada por forças israelenses, a pretexto de que o Hamas aí escondia armas e munições, em prédios das imediações. As investigações não foram conclusivas; Massacre de Itamar, 5 mortos. Itamar é um assentamento judaico dentro da Cisjordânia, e os mortos são todos judeus membros de uma família judaica. A criança menor, de 3 meses foi degolada.

Ao todo foram 4 episódios relatando araques intencionais de judeus a palestinos, que redundaram em massacres, num total de 65 mortos (um quinto massacre, embora em área palestina, vitimou uma família israelense), além, decerto, de uma infinidade de incidentes, as vezes fatais, envolvendo duas ou mais pessoas que eventualmente se pegam nas ruas, por ódio recíproco, seja por causa da crença da superioridade de sua religião, seja pela lembrança de tantas violências no passado, remoto e recente, as do presente e as que ainda virão.

            Alguém duvida?

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