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https://www.bbc.co.uk/programmes/b05xd5s1
Eduardo Simões (a Margarida Maria)
Recentemente o papa bergoglio, se meteu em mais uma polêmica, até
parece o nosso presidente, ao dar a entender que a guerra estava perdida para a
Ucrânia, e que ela devia se render. Talvez até alguém diga que ele tem
frequentado muito as redes sociais, e anda pegando gosto...
Mas se analisarmos as reações do papa, sobre o assunto e outros
correlatos, desde o início do pontificado, veremos que já se manifesta um
padrão. Por exemplo, em 2015, logo após o massacre da direção do jornal Charlie
Hebdo, e de outros inocentes nas ruas de Paris, quando indagado a respeito, ele
disse textualmente: “É verdade que não se deve agir violentamente, mas se o
doutor Gasbarri (seu secretário) falar alguma coisa contra minha mãe, espere um
soco, é normal, é normal, você não pode provocar, não se pode insultar a
religião dos outros”.
Afinal o que ele está dizendo? “Não se deve agir violentamente” contradiz frontalmente a ele considerar “normal” alguém responder com um soco a uma ofensa verbal; e ao dizer que “não se pode insultar a religião dos outros”, torna também “normal” o massacre da direção do jornal, de cidadãos e policiais franceses, atingidos pela sanha sanguinária, dos terroristas. Essa resposta foi um escândalo.
Logo que a Ucrânia foi atacada ele saiu com mais uma dessas expressões
misteriosas, dúbias, a marca do seu
pontificado. Quando, indagado por uma revista jesuíta (La Civilta Cattolica)
sobre a guerra na Ucrânia ele disse que:
“Para responder a essa pergunta, temos que nos afastar do esquema
normal de "Chapeuzinho Vermelho": a Chapeuzinho Vermelho era boa e o
lobo era o mau. Aqui não há bons e maus metafísicos [absolutos].... Alguns meses
antes do início da guerra encontrei um chefe de Estado, um homem sábio, que
fala pouco, muito sábio mesmo.... estava muito preocupado com a maneira como a
OTAN estava se movendo. Eu lhe perguntei o porquê, e ele me disse: "Estão
latindo nas portas da Rússia. E não entendem que os russos são imperiais e não
permitem que nenhuma potência estrangeira se aproxime deles".
“Aquilo que estamos vendo é a brutalidade e a ferocidade com que esta guerra está sendo conduzida pelas tropas, geralmente mercenárias, utilizadas pelos russos.... Mas o perigo é que só vemos isso, o que é monstruoso, e não vemos todo o drama que está se desenrolando por trás desta guerra, que talvez tenha sido de alguma forma provocada ou não impedida. E registro o interesse em testar e vender armas”
(fonte:
https://www.vaticannews.va/pt/papa/news/2022-06/papa-francisco-conversa-revistas-jesuitas-la-civilta-cattolica.html)
Sobre essa resposta longa, capciosa e muito confusa, chamamos atenção
para o seguinte:
1º - A questão central não é metafísica, mas bem FÍSICA, a invasão e o
arrasamento de um país pequeno e pacífico, por outro mais poderoso, sem
qualquer agressão ou ameaça prévia.
2º - “Sábio” aos olhos de quem coloca Rússia e Ucrânia no mesmo nível,
como o nosso presidente?
3º - Mas que estranha justificativa! os russos são imperiais então
devemos nos curvar toda vez que eles se sentirem ameaçados? Não foi isso que
diziam e fizeram os apaziguadores antes da 2ª Guerra Mundial, e tudo que
conseguiram foi dar a Hitler muitas vantagens para iniciar a sua uma guerra?
4º - O papa reconhece que a “brutalidade e ferocidade” dos russos é
“monstruosa”, mas nos convida a olhar noutra direção. Na direção do quê,
exatamente? Um “drama... por trás”; “talvez [a guerra] tenha sido provocada”,
ou seja: o mesmo discurso ambíguo, obscuro, indefinido, da esquerda tentando
justificar o injustificável. Me desculpe santidade ou vossa senhoria começa a “dar
nome aos bois”, aponta a direção para nós olharmos, ou pare de falar besteiras.
5º - Afinal sai algo concreto: “o interesse em testar e vender armas”. Logo vi, são “o capitalismo e os capitalistas de sempre”. Suprema ironia: a Rússia é o terceiro maior exportador de armas do mundo, e o peso relativo e absoluto da indústria bélica russa, no conjunto da economia do país, só fez crescer com a guerra – segundo alguns até 40% do orçamento anual e o conjunto da economia russa está sendo dirigido para o atendimento da guerra, enquanto o Ocidente capitalista e “malvado” pena para abastecer a Ucrânia. Não existe país que esteja investindo mais nessa guerra do que a Rússia, e indústria bélica que esteja lucrando mais do que a russa.
O papa nunca pôs os pés na Ucrânia, pois ele sabe o quanto Putin não é confiável, e quando interagiu com os russos incitou aos jovens a seguir o modelo de czares imperialistas e autocratas brutais [Pedro o Grande e Catarina II], em agosto de 2023, com a invasão já em curso, e que agiam justamente como Putin age agora. Assessores tentaram corrigir a lambança: “o papa pretendia encorajar os jovens a preservar e promover tudo o que há de positivo na grande herança cultural e espiritual russa, e... não exaltar a lógica imperialista e as personalidades governamentais”.
É pergunta é óbvia: porque ele não citou então os
grandes nomes da cultura russa como Tolstoi, Gogol, Gorki, Dostoievsky, Repin,
Pasternak, Chagal, Kandisnky, Tchaikovsky, Stravinsky, Pushkin, Akhmatova, Vereshchagin,
etc. etc. etc. Por que, por todos os santos, não aproveitou a ocasião para
fazer menção ao legado cristão da Rússia, de Cirilo e Metódio, os apóstolos dos
eslavos, e lembrar que guerras de agressão são sempre contrárias ao espírito do
cristianismo? Não, não dá para acreditar que ele queria dizer outra coisa além
do que disse, nem que não tenha cultura suficiente para citar os grandes
artistas russos do passado, mas consigo conceber um “ato falho”.
O ápice veio com essa última declaração, cercada da mesma verborragia
enganosa, ambiguamente caridosa, de sempre: considerando que a Ucrânia não pode
ganhar a guerra, “é preciso ter coragem para levantar a bandeira branca e
negociar a paz”, como se essa fosse uma guerra comum, equilibrada, entre dois
países, independentes e autônomos, que decidiram acertar as contas numa guerra.
Essa proposta, joga o conceito de “justiça” na lata do lixo, e coloca
rigorosamente Rússia e Ucrânia no mesmo nível de responsabilidade pelo conflito,
e chama de guerra o que na verdade foi um invasão, não provocada, não alertada –
ao contrário, a Rússia prometeu até o último momento que não haveria guerra.
Agora não se trata mais de enquadrar os intrigantes: os governos e as sorrateiras indústrias de armas, que estimulam as guerras por interesses inconfessáveis, mas pensar nas pessoas que estão morrendo, sem indicar nada sobre a questão principal: o que vai sobrar do direito internacional se sacramentarmos a vitória antecipada, ainda não decidida no campo de batalha, da Rússia.
Iniciar uma negociação de paz sem qualquer condição prévia, que não seja o respeito aos tratados já assinados pela Rússia, é o mesmo que abrir o período de caça a todos os países pequenos que resistem à influência de vizinhos poderosos, com a benção do papa. É o mundo da lei do mais forte, dos fora-da-lei, sem falar que esvazia frontalmente a proposta ucraniana de paz, já apoiada pela União Europeia, e torna o agressor, Putin, o grande protagonista e senhor do processo de paz, enquanto a Ucrânia é jogada, pelo papa, na difícil situação de "inimiga da paz", ao mesmo tempo em que convoca as nações para empurra-la a abrir mão de seu território mais rico e a engolir, sem mais, os crimes horríveis que sofreu até agora!
Infelizmente, esse não é um mau hábito do papa atual, desenvolvido a partir das redes sociais, mas uma crença pessoal sobre o funcionamento do mundo que não passa pelo respeito e admiração pela democracia, os fundamentos da civilização e da cultura ocidentais e às leis internacionais, visível nas diversas vezes que ele foi chamado a opinar sobre esse e outros assuntos.
Fontes:
https://www.dw.com/pt-br/l%C3%ADderes-mundiais-prestam-homenagem-a-veteranos-do-dia-d/a-49071466
https://www.terra.com.br/noticias/mundo/mundo-relembra-70-anos-do-dia-d-com-homenagens,728e1c3cb2c66410VgnVCM3000009af154d0RCRD.html
https://www.vaticannews.va/pt/papa/news/2022-06/papa-francisco-conversa-revistas-jesuitas-la-civilta-cattolica.html
https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/vaticano-diz-que-francisco-nao-exaltou-czares-russos-em-frase-criticada-por-ucranianos/

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