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A justiça é cega, mas pede vistas, quando não quer enxergar o que todo mundo já viu.
Eduardo Simões (a Margarida Maria)
Em terra de sapos de cócoras com eles. Afirma o dito popular, e a nossa
Excelentíssima Senhora Juíza do Supremo Tribunal Federal não
perdeu tempo: acocorou-se para ficar do tamanho dos anfíbios nacionais, ainda
mais acocorados por causa da data em questão – baseada num acontecimento, que
não aconteceu – afinal é preciso acompanhar a corrente dominante, que
coloca o Poder Judiciário como um apêndice da política.
A Suprema Senhora em questão lacrou que “as mulheres não se calaram;
foram caladas”. A gente só pode lamentar: vejam só o descalabro que nos causa o
descaso com a História, no currículo escolar, e a permanência de um sistema
escolar educacional burocrático, interessado apenas em repassar conteúdos de
qualidade duvidosa para alcançar êxito em exames de qualidade mais duvidosa
ainda. A cultura e a sabedoria social se apequenam, enquanto a audácia de
alguns indivíduos se agiganta...
Minha incondicional e cordial discordância em relação à ilustre sufeta
se escora nas seguintes observações:
a) Vai de encontro – falo no sentido tradicional, histórico, dessa
expressão – às intenções “amorosas” do atual governo, que forceja em exterminar
tudo que ele vê como contrário à união nacional, pois se as mulheres foram
caladas é porque sofreram violência, e aí só sobram os homens. A magistrada
pretende acirrar a guerra dos sexos ou sugerir que as mulheres devem entrar na
justiça, para cobrar reparações, por uma ação que se repetiu, por milhões de
anos? Ora, o “amorzão”, no poder, já está fazendo das tripas coração para
reparar os danos causados à África pela escravidão, sem nem saber ainda o
montante da dívida! Onde nós vamos tirar dinheiro para reparar tantos “crimes”,
ao longo de tantos anos, desde o assassinato de Abel?
b) A Senhora Ministra vai estranhar, mas no mundo não existe apenas
homens e mulheres.............. Existe as crianças também, e são justamente as
crianças, que melhor explicam o caráter das relações homem-mulher
nesses últimos 3 milhões de anos. A Senhora ministra vai estranhar mais ainda
de saber, que o sistema burguês-capitalista, que engendra uma tal quantidade de
riquezas, que permite não só à senhora e seus colegas o salário que têm, como,
inclusive, criar creches e escolas onde as crianças podem ser educadas
“gratuitamente”, por profissionais especializados, enquanto pais e mães conquistam,
até pelo trabalho, os espaços públicos, que, infelizmente, não havia ainda sido
inventado na pré-história, nem nas três primeiras Idades históricas (Antiga, Medieval,
Moderna), das quatro em que tradicionalmente se dividiu a história das
sociedades humanas.
Ninguém nasce já adulto, se assim fosse não haveria mais mãe viva, e,
portanto, alguém tinha que ficar com as crianças, enquanto os outros iam à
selva, o espaço público dos primeiros tempos, lutar contra animais peçonhentos,
predadores formidáveis, presas capazes de causar ferimentos fatais, e ainda lutar
contra outro grupos humanos hostis. Como fazer isso estando no sexto, sétimo,
oitavo ou nono mês de gravidez? Como impedir que a mulher menstruasse no
momento da caçada, exalando odor que as narinas sensíveis dos grandes
herbívoros, imediatamente associavam aos humanos. O músculo estimulado pela
testosterona tem uma reação muito mais explosiva que a do estrogênio, sendo mais
adaptado aos sucessos de uma caçada ou de um combate. Não havia pílula anticoncepcional nessa época.
O bem mais precioso de um grupo de caçadores-coletores era o seu subgrupo de mulheres férteis ou em vias de se tornar, nascidas no seu interior ou vindas de fora por acordos ou sequestros. Sim, o sequestro de mulheres foi um dos principais objetivos de conflitos entre primitivos grupos humanos, inclusive com abundantes testemunhos dessa pratica ainda em tempos históricos – o sequestro de mulheres, no entanto, não era apenas para satisfazer o apetite sexual de homens “malvadões”, apetite esse que, nesses grupos, é muito baixo, devido ao estresse da luta pela sobrevivência, mas antes para que ela gerasse muitos filhos para o grupo, formando uma família, a qual seu companheiro defenderia ao preço da sua vida – uma prova disso está no cadáver de uma jovem mãe, 19-20 anos, 8º-9º mês de gravidez, massacrada com o seu grupo na localidade de Nataruk, dez mil anos atrás, por outro grupo, ao qual não interessava uma mulher que ficaria uns dois anos infértil, por causa da amamentação, além do custo de sustentar uma criança estranha ao grupo. A mãe foi enterrada com mão e pernas amarradas para evitar o nascimento mágico de uma criança, que poderia tornar-se a vingadora de sua família.
Qualquer semelhança entre o comportamento
sexual desses grupos e o daquele estrupício moderno, que pegou uma jovem
desmaiada na rua e a estuprou, é mera coincidência ou muita ignorância. Outra
prova, é a descoberta, nos exames genéticos de ossadas de grupos pré-históricos,
de uma diversidade genética maior entre as mulheres, o que só se justificaria
se elas tivessem vindo vários grupos, muito diferentes daquele enterrado ao seu
redor. A diversidade genética delas aparecerá nas gerações seguintes.
A crianças sempre causaram reações contraditórias no adultos, ainda mais nos pequenos grupos de caçadores-coletores, com a sobrevivência sempre em risco, por causa de mudanças climáticas, acidentes de caça, mortes em combates ou rapto de suas mulheres, as crianças eram ao mesmo tempo um sinal de esperança quanto à preservação do grupo, como futuros guerreiros ou futuras mamães, uma também ameaça, por seu “alto custo de manutenção”, e alta probabilidade de não completar sua evolução à vida adulta.
Por isso aquelas que não foram abatidas pelas circunstâncias naturais, correm o risco de serem descartadas, em nome da salvação do grupo, oferecidas em sacrifício reparatório ou propiciatório a divindades imaginadas e imaginárias – na zona do Mediterrâneo os cartagineses ganharam fama por essa prática. Hoje essas mesmas crianças, poderão ser descartadas, para salvar seus pais e mães individualmente, de problemas financeiros e outros terrores imagináveis.
Sim minha Senhora Juíza, a civilização e o progresso levou-nos mais
longe ainda: ao aborto, violenta e sistematicamente forcejado por “feministas”,
que não se pejam de fazer lacrações difusas, assim como a que a senhora fez, e
que colocam grandes multidões nas ruas para festejar a loucura suprema de
tornar o infanticídio artigo de Constituição, misturada a outros, que se
mobilizam apaixonadamente na defesa de florestas e animais, mas que ficam
indiferentes ao esmagamento de um pequeno país por uma grande potência, numa
guerra já com centenas de milhares de mortos, ou que querem responder ao morticínio
que ocorre em Gaza, com o aumento do antissemitismo, retomando a memória de
antigos genocídios.
E assim corremos o risco de vivermos uma situação bizarra onde a
legislação e a mentalidade geral avançam no sentido de proteger animais e
plantas, ao mesmo tempo em que avançam no sentido de periclitar a vida de
crianças, ainda no ventre materno, como no tempo em que se as sacrificavam para
afastar mudanças ambientais e/ou climáticas, que assustavam adultos ainda
infantilizados, centrados na sua sobrevivência, como os animais na
selva, sem se aperceber que é justamente no fato de os seres humanos investirem
tanto e muito mais na sobrevivência de suas crias, que permitiu a estes
alçarem-se acima daqueles
E o que justifica muitos desses abortos? A dificuldade financeira ou a necessidade da mãe construir a sua carreira. De fato, um dos mais idiotas axiomas marxistas é o que diz que, no sistema capitalista, os ricos ficam sempre mais ricos e os pobres mais pobres, mas quem se der ao trabalho e ler a biografia de muitos milionários verá que isso é apenas uma mania de gastar saliva. Entre os muitos milionários, hoje, que saíram do muito pouco ou quase nada temos Oprah Winfrey, George Soros, David Murdock, J K Rawling (do Harry Potter), Charles Chaplin, Andrew Carnegie, John Dean Rockfeller (o homem mais rico do Ocidente, de todo os tempos), etc. E mesmo aqueles que começaram numa classe média como Bill Gates, Warren Buffet, Elon Musk, não herdaram a fortuna que têm de seus pais.
O
filho que você vai abortar pode ser aquele que lhe garantirá uma velhice
tranquila e até luxuosa, independentemente dos bens que você tenha lhe proporcionado. No
mínimo servirá de companhia na sua última hora, a não ser que por trás de toda
essa justificativa arrogante e agressiva em prol do aborto, esteja, na verdade,
o medo de fracassar na educação dos filhos ou os perder para a morte ou alguma
doença. Mas já imaginou o que a família desses homens e mulheres, e a
humanidade em geral, teriam perdido se suas mães os abortassem. Quem hoje prega
o aborto é porque não foi abortado. Por que não retribuir esse favor?
Que mais posso dizer a respeito disso senão: Poupem as crianças, quem
sabe não precisemos delas para sacrifica-las e deter o próximo “evento
extremo”, climáticos ou não, semelhantes àqueles que acontecem todo ano no
planeta, desde que este se constituiu, no núcleo da Via Láctea, há uns 4
bilhões de anos.
Sou um mero professor de escola pública aposentado. Minha vida não é
fácil, mas não penso um só segundo quando minha filha me convida para estar
junto a ela e à minha netinha. E, devo estar louco, pois me sinto uma pessoa
feliz e realizada, quando estou junto delas, de minha outra filha e de meu
genro.
É a felicidade dos loucos, que sabem que não sabem tudo, mas que sabem
o bastante para não quererem ser sábios aos olhos dos que não sabem nem a hora
de não dizer nada.

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